quarta-feira, outubro 26, 2016

Carlos Alberto Torres o Capitão de Todos Nós...

Imagem: Autor Desconhecido


ADEUS, ETERNO CAPITA!

Por Marcos Neves Jr.

Everaldo tira de carrinho.

Tostão recupera e entrega para Piazza. Piazza para Clodoaldo.

Pelé.

Gerson.

Clodoaldo do novo, que dribla quatro italianos!

Solta na esquerda para Rivelino.

Lançamento para Jairzinho, que parte para cima da zaga da Itália e toca para Pelé na frente da área.

O Rei vê a passagem de Carlos Alberto pela direita e rola suavemente.

Num belo e certeiro chute cruzado, o capitão do time marca.

Assim foi construído aquele que, em minha opinião, é o gol mais bonito da história do futebol.

Como só nasci 14 anos depois, não pude ver ao vivo a rede balançar pela última vez na Copa do Mundo de 1970, no Brasil 4x1 Itália, partida que deu o tricampeonato mundial da Seleção Brasileira.

Ainda bem que existem os vídeos!

Por meio deles, conheci o melhor time de futebol do qual assisti a uma partida, neste caso, foram seis, na verdade.

Em um time repleto de craques, os quais participaram todos do gol descrito acima, Carlos Alberto era o capitão.

Um capitão sem medo, sem choros em momentos decisivos, sem cabelos super bem penteados, sem poses para fotos.

Um capitão que tinha mais autoridade que um certo Rei, que domou um Lobo, que controlou um Furacão.

Um capitão que transformou o título em nome.

Carlos Alberto virou Capita, não o maior, mas o único.

Suas façanhas e títulos como jogador e treinador foram muitas.

Jogou no Santos de Pelé e na Máquina Tricolor, o melhor time que o Fluminense já teve.

No ano de sua estreia como técnico, conduziu o Flamengo ao seu terceiro Campeonato Brasileiro, em 1983, mais uma vez liderando craques como Zico, Júnior e Leandro.

Além disso, deu ao futebol um bom zagueiro, o seu filho Alexandre Torres, tricampeão carioca e campeão brasileiro pelo Vasco.

Mas talvez um dos feitos mais incríveis de sua carreira tenha sido o título da Conmebol de 1993, quando levou o pior elenco que já vestiu a camisa do Botafogo ao seu maior título internacional.

Depois de liderar Pelé, Gerson, Rivelino, Jairzinho, Zico, Júnior e tantos outros, o Capita teve de trabalhar com William Bacana, Suélio, Clei, Perivaldo e Nelson Patola.

Não deve ter sido fácil.

Porém ele conseguiu, ele venceu, ele foi Capita.

Aos 72 anos, quando ainda trabalhava ativamente no esporte, o Capita resolveu se retirar de vez dos campos.

Para a tristeza dos que gostam de futebol, não vai ser mais possível contar com seus comentários precisos como aquele chute na final da Copa 1970.

A data 25 de outubro deveria se tornar Dia do Capitão de Futebol, pois hoje se foi o original, o único, Carlos Alberto, o Capita.

Ainda bem que existem os vídeos e a memória, onde ele será eterno.

Marcos Neves Jr, é jornalista, lotado na Agência de Comunicação da Superintendência de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e comentarista no programa Universidade do Esporte da rádio FM Universitária (88,9) da UFRN

Um comentário:

Ionaldo Carvalho disse...

Eu tive a sorte ver aquele gol antologico la na Ex Usina Ilha Bela tv era ruim mais foi legal.
Nota dez para seu comentario, realmente nunca mais o futebol terá um Capita como Carlos Alberto.

abs

Ionaldo Carvalho