terça-feira, maio 30, 2017

Pianinho FC... Que venha a Barca, nosso maior rival.

Imagem: Autor Desconhecido


Pianinho FC

Os pênaltis, o sofrimento e a glória de quem chegou pela primeira vez aos Jogos Gerais da UFRN

Por Ana Clara Dantas (na foto, sentada com um sorriso imenso de felicidade), jornalista, comentarista do Universidade do Esporte da 88,9 – FM Universitária e do TVU Esporte da TV Universitária... 

Aninha não esconde de ninguém sua paixão incondicional pelo Pianinho FC.


O torcedor do Pianinho é um apaixonado.

É meio adolescente, desesperado, aflito.

Parece que a gente vai morrer ou é o mundo que vai acabar de vez.

Mas basta uma bola roubada e um gol no último minuto para nos lembrar que estamos vivos.

Bem vivos.

O corpo torna-se puro reflexo da emoção que toma conta da alma.

E a gente desafia a torcida rival, a perna cansada e até mesmo a lógica.

Se existem Deuses do futebol, eles pararam na tarde do último domingo para ver Pianinho 3 x 3 Sociolombra.

Quem esteve no Ginásio sabe que o clima era diferente desde os primeiros minutos.

Era uma Pianinho que sabia sofrer, sabe-se lá porquê, mas o time estava intenso, mordido.

Não era o nervosismo de quem pode colocar tudo a perder, era a vontade de quem leva pras quadras e campos o mesmo espírito de luta com que toca a própria vida.

E o futebol, tantas vezes metáfora da vida, nos ensina que não dá pra começar ganhando sempre.

Gol da Sociolombra.

E agora?

Mais uma derrota!

Por que, meu Deus?

O torcedor sofre, reza, quase entra em campo.

Até que Tiago iguala o placar.

E como um alento pro sofrimento que ainda viria, Negueba, com sua costumeira classe, vira o jogo.

Tá tudo muito fácil…

O Pianinho não é assim!

Depois só dá Sociolombra.

A torcida empurra o time da sociologia.

Eliabe, solitário como são todos os goleiros, salva o que pode.

Mas, como é ingrata essa profissão.

Alguns segundos e tudo muda.

A Sociolombra não só empata, como vira o jogo.

É hora de quem tem fé acionar seus Deuses e quem não têm, confiar na sorte, porque ela parece premiar as histórias mais bonitas.

Eu juro que aquela quadra parecia ter quinhentos metros.

Do primeiro toque de Kieza até o chute no gol, o mundo parou um pouco.

Parou porque havia um coração incrédulo, mas consciente de que aquela história não pararia por ali.

E quando Kieza contar sobre esse dia para os filhos, o gol parecerá sempre mais bonito.

Se o gol é o clímax do futebol, a disputa de pênaltis é desfecho dramático digno de tragédia grega.

Começa com um medo absurdo, mas depois não nos resta mais nada além de acreditar.

Acreditar em Kieza e seu oportunismo de artilheiro, em Hildo e sua capacidade de se reinventar, em Negueba e o talento de um garoto que parece jogar bola há quinhentos anos.

Acreditar na liderança de Rodolpho, na garra de Tiago, na segurança de Vitor e na calma de Dênis.

Defender o time numa disputa de pênaltis é carregar um piano nas costas.

Mas Hugo está concentrado, abandonado na meta vazia, entregue ao destino.

Ensaia uma reza e até eu que nunca fui religiosa faço minhas preces.

E olha, Hugo, parece que alguma força maior nos ouviu.

Você foi atrás de cada chute e cada bola parecia te procurar.

Acabou.

Ou melhor, começou.

Começou a história do Pianinho nos Jogos Gerais da UFRN.

E a classificação veio com a cara do time.

O retrato de quem já apanhou muito, mas é teimoso e cisma em continuar.

Antes dos Gerais ainda tem a final do CCHLA contra a Barca, nosso maior adversário.

Dia desses eu ouvi a frase “Grandes homens não nascem grandes, mas tornam-se grandes”


Talvez ela resuma bem o que é o Pianinho: um time que se torna maior a cada jogo. 

Que venha o clássico e que venham os Gerais!

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