terça-feira, maio 03, 2016

Uma doce e insana paixão...

Imagem: The Guardian/Lee Jobber

Leicester City FC - Parte 1...

Ontem os apaixonados por futebol concentraram suas atenções no Estádio Stamford Bridge, em Londres, onde Chelsea recebeu o Tottenham pela 36º rodada do campeonato inglês...

Quem ama o futebol acima das xenófobas paixões torceu e torceu muito.

Alguns, com certeza, pelo Tottenham...

A maioria absoluta, creio, pelo Chelsea.

Afinal, se Chelsea conseguisse parar o Tottenham, um sonho absolutamente maluco e improvável se tornaria realidade...

O Leicester City, 132 anos depois de sua fundação finalmente colocaria em sua sala de troféus, a taça de campeão da Inglaterra.

No fim, mesmo com o Tottenham abrindo a vantagem de gols, a rivalidade londrina falou mais alto e o Chelsea empatou a partida...

Foi o que bastou para que boa parte do planeta se juntasse aos 300 mil habitantes de Leicester e com eles comemorasse.

Afinal, quem perfeitamente são, não deseja do fundo do seu coração que um pequenino atrevido acabe derrubando o gigante?

Foi o que aconteceu...

Melhor... o Leicester não derrubou um gigante, derrubou no mínimo, uns quatro.

Pessoalmente torci muito por isso...

Acompanhei de perto a saga de Claudio Ranieri e sua trupe e, confesso, torci muito além do que esperava torcer.


Homenagem ao comandante...

Imagem: Michael Regan/Getty Images

Leicester City FC - Parte 2...

Duas frases de Claudio Ranieri...


A primeira dita um dia antes de começar o campeonato e a segunda, na metade do primeiro turno.

“Quero que joguem por seus companheiros. Somos uma equipe pequena, por isso, teremos que lutar com todo nosso coração, com toda nossa alma. ” 

“Não importa o nome do rival. Tudo que quero é lutem. Se são melhores que nós, ótimo, felicidades. Mas eles têm que demonstrar que são melhores. ”

Marcação grudenta...

Imagem: Toby Melville/Reuters

Leicester City FC - Parte 3...

Para que se entenda o enorme abismo entre o Leicester City e seus adversários...

Em agosto de 2010, o clube foi comprado por 39 milhões de libras (cerca de 200 milhões de reais pela cotação atual) pelo grupo asiático Asian Football Investments, que tem como sócia majoritária a King Power - maior empresa de freeshops do mundo, que batizou o estádio do Leicester e é sua principal patrocinadora.

O bilionário tailandês Vichai Srivaddhanaprabha é o dono da empresa e do clube e investiu parte de sua fortuna no futebol.

Em 2014, o Leicester retornou à primeira divisão depois de dez anos de ausência e Vichai disse que investiria 180 milhões de libras para colocar o clube entre os cinco melhores da Inglaterra em três anos.

Fez mais que isso, com menos dinheiro e em menos tempo.

Mas apesar do relevante aporte financeiro, o Leicester ainda está muito longe de se equiparar economicamente às potências da liga mais cara da Europa.

Antes do título da Premier League, as maiores glórias da equipe haviam sido os títulos da Copa da Liga Inglesa em 1964, 1997 e 2000 e o vice-campeonato nacional em 1929.

Os números...



 Fonte: Veja/Agência Reuters

Kasper Schmeichel: o filho de um gigante não pode ser pequeno...

Hillsborough Memorial...

Imagem: BPI/REX/Shutterstock

Beto Santos, presidente do América repudia ataque ao ônibus do ABC...

Imagem: Assessoria do América FC


Beto Santos, presidente do América merece aplausos...

Ao condenar a atitude estúpida de quatro desmiolados que resolveram mostrar na plenitude sua estupidez atacando o ônibus do ABC na porta do Centro de Treinamento do alvinegro, vestindo camisas do América, provou saber a diferença entre rivalidade e selvageria...

Se posicionou como devem se posicionar os dirigentes maduros e responsáveis.

Parabenizo-o.

Sobre os quatro só tenho a lamentar...

Tenho suas fotos, mas em respeito aos seus pais, seus familiares e amigos, que certamente não compactuam com a burrice explicita do quarteto, não as publicarei.

O que foi isso, Alaba?

Imagem: Kiko Huesca/EFE

Corpos dos alpinistas Alex Lowe e David Bridges são encontrados no Himalaia 16 anos após avalanche - na foto, Alex Lowe e Conrad Anker.

Imagem: Autor Desconhecido


Os americanos Alex Lowe e David Bridges, renomados alpinistas foram atingidos por uma avalanche quando escalavam o Himalaia, em 1999...

Desapareceram.

Agora, 16 anos depois, seus corpos foram localizados por dois montanhistas que se preparavam para tentar chegar ao topo do Shishapangma, no Tibet, décimo quarto pico mais alto do mundo...

Quem os encontrou foram os alpinistas David Goettler, da Alemanha, e Ueli Steck, da Suíça.

Os corpos estavam com roupas e equipamentos iguais aos que Lowe e Bridges usavam quando desapareceram...

Segundo a emissora BBC, os corpos foram encontrados na semana passada e devem ser retirados da montanha em breve.

Lowe, que tinha 40 anos, era considerado por muitos o melhor alpinista americano de sua geração quando ele e Bridges foram derrubados por uma avalanche durante expedição no pico de cerca de 8.000 metros.

Um terceiro alpinista, Conrad Anker, ficou ferido, mas sobreviveu.

O que você fez é muito feio...

Imagem: AP/Press Association Images

Público diminuiu na finais dos Campeonatos Estaduais...

Com surpresas, Estaduais têm queda acentuada no público nas finais

Por Rodrigo Mattos

Com as classificações de surpresas, as finais dos Estaduais tiveram uma redução de um terço no público presente nas arquibancadas em relação ao ano passado.

Foram comparados cinco regionais, Paulista, Carioca, Mineiro, Paranaense e Baiano, com os primeiros jogos decisivos de 2015.

Os estádios menores pesaram nesta diminuição.

No total, foram 103.015 pagantes nas cinco partidas do final de semana, sendo a maior presença verificada em Botafogo e Vasco, 37.027.

Assim, a média de público foi de 20.603.

No ano passado, foram 154.816 pagantes, sendo que um terço deles no jogo do Atlético-MG diante da Caldense no Mineirão. 

A média de público foi de 30.963.

Contribuíram para essa queda as classificações de Audax, no Paulista, e América-MG, em Minas.

Os dois jogos em seus estádios tiveram público de 12.269 e 7.188, respectivamente.

Lembre-se que, em 2015, a primeira final do Paulista teve um Allianz Parque cheio.

Mas até o clássico carioca, disputado pelos mesmos times no Maracanã, teve uma queda de público de oito mil pessoas.

No Paraná e na Bahia, houve aumento da presença da torcida justamente porque não houve zebras ao contrário de 2015 quanto times menores jogaram a final.

Ainda assim, o Ba-Vi e o Atletiba não ultrapassaram a marca dos 30 mil presentes, público inferior, por exemplo, ao do Atlético-PR na Primeira Liga.

Na segunda rodada de decisões, o público certamente crescerá, como de hábito, principalmente no jogo do Galo no Mineirão.

Mas é provável que as decisões deste ano acabem com uma média inferior à do ano passado.

OS: Não foi possível obter o público da final do Gaúchão entre Inter e Juventude, e por isso o Estado não entrou na comparação.

segunda-feira, maio 02, 2016

Como é dura a vida de uma bola...

Imagem: Laurence Griffiths/Getty Images

Campeonato Potiguar - Final... América e ABC fizeram um jogo emocionante e empataram em 3 a 3.

Colocarei, os is sob os pingos para que tudo fique bem esclarecido...

Parte um

A partida América e ABC para quem pagou seu ingresso foi sensacional, não há como negar.

Teve um pouco de tudo...

Os jogadores se doaram e fizeram um jogo cheio de vibração.

Não faltaram ótimas defesas, chutes perigosos, bolas na trave e gols, muitos gols...

Seis foram marcados.

No primeiro tempo o América marcou dois gols e mais organizado controlou as ações...

Na etapa final, o ABC aproveitou essa horrível praga que tomou conta do futebol brasileiro – estou vencendo, recuo e seguro o resultado – e foi à luta.

Empatou, voltou a tomar um gol e antes que as luzes fossem apagadas, voltou a empatar...

Alívio geral nas hostes alvinegras, decepção total na galera rubra.

Diante das circunstâncias, o resultado foi péssimo para o América e excelente para o ABC...

Os alvinegros saíram do sufoco e os americanos entregaram a rapadura.

Agora, fica tudo para o Estádio Maria Lamas Farache...

Quem vencer, leva.

Se houver empate, a bola vai para a marca do pênalti e todo mundo fica esperando alguém errar para soltar o grito de campeão ou tricampeão...

Enfim, é tudo ou nada.

Parte dois

Tecnicamente o jogo foi bom?

Teve lampejos, nada mais que isso...

Todo o resto foi dedicação, doação e vontade de vencer.

Os passes continuam difíceis de ser dados com precisão...

As duas zagas, um medo só.

Portanto, a preocupação permanece...

Pois o que bom para o estadual, nem sempre é razoável para a Copa do Brasil e a Série C.

Fora de campo

Disseram que a torcida do América havia adquirido 17 mil ingressos...

Afirmaram que a torcida do ABC havia corrido e comprado todos os 1.600 ingressos colocados à sua disposição...

Se equivocaram, se enganaram ou me enganaram, publiquei como certo.

Azar o meu, acreditei...

Vivendo e aprendendo.

Na verdade, os números são bem inferiores...

Público pagante - 12679

Não pagante - 2085

Público total -14764

Renda - R$ 244.031.50

Vão tentando, quem sabe vocês conseguem acertar a bola...

     Imagem: Adam Fradgley/AMA/West Bromwich Albion FC via Getty Images 

O cacete comeu solto na porta do CT do ABC...

Luzes apagadas, estádio vazio, todo mundo a caminho de casa e uma grande confusão na entrada do CT do ABC...

Ao chegar no CT, o ônibus que trazia a comissão técnica, os jogadores, assessores de imprensa e três seguranças teve seu caminho barrado na entrada por um Peugeot 207, branco.

Difícil crer, não?

Do carro desceram 4 sujeitos com camisas do América e começaram a esmurrar o ônibus alvinegro...

Diante do inusitado, Dedé, desceu e foi tomar satisfação, mas os rapazes correram para o carro e voltaram com pedaços de pau nas mãos.

Nesse momento, os três seguranças desembarcaram, se juntaram a Dedé e aos seguranças que estavam no interior do CT e que saíram para ver o que estava acontecendo e o pau cantou...

Segundo soube, os quatro destemidos americanos terminaram no chão, tão moídos que quem tirou o carro deles do lugar para o ônibus passar foi um segurança do ABC.


Quando a PM chegou para tomar as providências cabíveis a coisa descambou para o hilário...

Com os quatro devidamente detidos, a polícia se preparou para se dirigir a delegacia, mas a viatura não conseguiu dar a partida.

Foi preciso que um assessor do ABC fosse buscar água para colocar no radiador do veículo...

Assim fica complicado a PM trabalhar.

E agora, vão reclamar do que?

Imagem: Dan Mullan/The FA via Getty Images

Cascata do América aborrecido com a torcida... Gustavo Bastos do ABC cobrando por não ter sido relacionado.

- " A gente ganhando o jogo em casa e a torcida calada. Depois quer cobrar do jogador"

Cascata, zangado com a torcida americana que silenciou mesmo estando vencendo por 2 a 0.

- Gustavo Bastos do ABC, publicou em seu Twitter que não foi vetado por lesão e que não estava machucado e que como profissional esperava esclarecimentos...

Minutos depois a publicação foi apagada.

Kasper Schmeichel parou o Manchester United...

Imagem: The Guardian

Copa do Nordeste: Santa Cruz de Recife é o Campeão...

O Santa Cruz venceu o Campinense na primeira partida, em Recife, por 2 a 1...

Vitória importante, mas que como afirmei antes, não lhe garantiria vida fácil em Campina Grande.

Dito e feito...

Não foi fácil.

Em Campina Grande, com casa cheia, foi preciso suar...

Os paraibanos saíram na frente aos 25 minutos do segundo tempo e deram a impressão que mudariam a história, ganhando pela segunda vez a Copa do Nordeste.

Por 8 minutos, o gol de Rodrigão encheu de esperança a torcida do Campinense...

Oito delirantes minutos.

Porém, quando o ponteiro do relógio chegou ao minuto 33, o castelo desabou...

Arthur empatou para o Santa Cruz e calou a massa rubro-negra presente ao Estádio Amigão.

Daí para frente, abalados, os jogadores do Campinense não tiveram forças para buscar o segundo gol e viram o Santa Cruz controlar a partida até o apito final...

Apesar da decepção a torcida paraibana ao fim da partida aplaudiu seus jogares, reconhecendo a ótima campanha de sua equipe e os pernambucanos soltaram o grito de campeão e foram para casa felizes da vida.



Erramos...

Imagem: Phil Nobles/Reuters

Um bonito gesto de humanidade...

Torcida na Holanda canta e aplaude goleiro adversário que perdeu a mãe

Por: Bruno Bonsanti/para o site Trivela

Durante boa parte dos 90 minutos, a torcida do Go Ahead Eagles, brigando por vaga nos playoffs da segunda divisão do Campeonato Holandês, não queria nada mais do que vencer o NAC Breda.

Mas, por um minuto, deixou tudo isso de lado por uma causa das mais nobres.

O goleiro do NAC Breda, Jelle ten Rouwelaar, perdeu a mãe na última semana, aos 61 anos.

Logo, no 16º minuto do segundo tempo, o 61º no total, a torcida do Go Ahead Eagles aplaudiu e cantou You’ll Never Walke Alone para o jogador adversário, em uma incrível demonstração de respeito pelo ser humano.

Rouwelaar, claro, ficou bastante emocionado.

O Go Ahead Eagles venceu por 4 a 1.


domingo, maio 01, 2016

Fazendo novas amizades...

Imagem: AP/DPA

Rivalidade... a tênue linha entre o positivo e negativo.

A rivalidade que empobrece

Por Rafael Moraes

Para Carta Potiguar

Essa semana estive comigo pensando, o que é essa tal rivalidade que mata tanta gente por aí.

Rivalidade é competir entre si?

É ser inimigo ou ser rival?

Os rivais têm razões para tal?

A rivalidade está acampada?

Ser rival é bom ou ruim?

É uma discussão quase sem fim.

Confesso que me deu vontade de perguntar ao mestre Cascudo.

Os que com ele puderam conviver, diziam que o velho era uma Enciclopédia em vida.

Quando havia uma dúvida ou uma discussão sem fim, bastava pergunta-lo que a resposta sempre estava na ponta da língua.

Mas como Câmara Cascudo não está mais entre nós, e pior, não deixou um herdeiro intelectual para nos amparar em momentos como esse, vou tentar por minha conta e risco.

Um conceito bacana diz que rivalidade é a “disputa ou oposição entre pessoas, empresas, clubes esportivos ou quaisquer outros tipos de seres ou entidades que pode ou não envolver a busca por um mesmo objetivo”.

É mesmo um embate de ideias.

Pode ser a concorrência de pessoas que pretendem a mesma coisa.

De pessoas que pensam diferente, mas que ao final do jogo almejam quase sempre o mesmo objetivo.

Nesse contexto, a rivalidade não tem nenhuma conotação negativa, exceto quando a paixão deriva em violência.

Aí sim, você abandona a condição de rival e passa a ser um inimigo.

Mas a rivalidade pode ser sim muito positiva.

Ela, muitas vezes, expõe fragilidades e aponta caminhos a serem seguidos.

Dizem que as rivalidades fazem bem à alma do futebol, mesmo que as birras façam mal.

A rivalidade sempre vai existir, seja entre clubes, cidades, países.

A rivalidade no futebol é esperar ansiosamente pela divulgação da tabela do campeonato e quando ela sair, a primeira coisa é ver quando será o primeiro clássico para correr no calendário e reservar com caneta vermelha a data.

Denise Fraga, atriz Global, que confessadamente não entende (quase) nada de futebol, disse que “a paixão incondicional por um time é uma coisa insana, difícil de explicar”.

“Mas é bela”, completa se rendendo ao inevitável.

Os rivais se enfrentam quatro, cinco vezes seguidas e mesmo assim, não haverá consenso algum depois de tantos jogos, pois assim mesmo é a rivalidade.

Sem consenso.

Tem até aquela que gera receita para os clubes, como a rivalidade corpo a corpo, centavo a centavo, clube a clube entre a Globo e o Esporte Interativo, que lutam pelos direitos de transmissão do futebol brasileiro a partir de 2019.

É a concorrência que valoriza o produto.

É a rivalidade sadia, a que promove.

E tem a rivalidade que mata.

Aliás, a rivalidade que se transforma em guerra.

As guerras das torcidas organizadas, que descambam para a violência.

Tem também a rivalidade lúdica, estilo Fla-Flu, capaz de, em noventa minutos, transformar vizinhos, amigos e até mesmo parentes em inimigos mortais.

Mas há também, infelizmente, a rivalidade cega, que gera conflito.

É quando a rivalidade é encarada no sentido de aversão, qualificando o adversário meramente como um inimigo.

Nesse contexto, a competição e a rivalidade agem no sentido contrário ao aumento da produtividade.

No futebol, é preciso utilizá-las com sabedoria, para promover e valorizar o produto oferecido. Em outras palavras, é mais viável unir esforços no sentido colaborativo, para promover, garantir brilho e agregar valor ao espetáculo esportivo.

Nessa Terra do Elefante, nos últimos tempos, nasceu um tipo de rivalidade que limita o adversário em “dez por cento”.

Uma rivalidade capaz até de criar mecanismos de boicote a torcida visitante.

É a rivalidade de quem comanda protegido com uma máscara de ferro de um cavaleiro medieval.

A rivalidade que empobrece e reduz nosso, já pobre, futebol.

Mas muitos não enxergam (ou não querem enxergar) o lado bom da rivalidade.

Sobre isso, nada mais a dizer do que a palavra lamentável.

Se você tem a intenção de prejudicar os outros, certamente estará prejudicando a si próprio¹.

O egoísmo, por natureza, não tem limites².

Como dizem por aqui nesse país, desde a era colonial, não existe pecado abaixo da linha do Equador.

Aqui, todo dia é dia de tudo pode.

¹ Provérbio Hindu.

 ² Filósofo Arthur Schopenhauer.

sábado, abril 30, 2016

Chamem o ortopedista...

Imagem: AFP

América e ABC, ABC e América... chegou a hora.

Faltam poucas horas para o único jogo realmente interessante desse nosso entediante campeonato estadual...

O clássico.

Comenta-se que a torcida do América já lançou mão de 17 mil ingressos e que os alvinegros esgotaram em poucas horas os 1.600 bilhetes de um primeiro lote destinado a eles...

Não chequei, mas espero que a informação esteja correta.

Futebol é bola rolando, é drible, é lançamento, é o passe calculado com precisão intuitiva que ultrapassa a barreira de adversários e faz a bola chegar limpa no destino...

Futebol é o erro, é o chute nas nuvens, é a bola que roça a trave ou nela se choca, é a furada e, entre tantas coisas mais, é gol.

Porém, sem torcida, tudo se perde no grande vazio de um estádio sem alma...

Por isso, é só por isso, me recuso a aceitar que picuinhas diminuam a presença de torcedores... que causem espaços vazios.

Não sou médico, não tenho vocação e nem mesmo talento para tal, mas me arrisco a dizer que numa ultrassonografia, as manchas vazias em estádio preocupem...

Mostrem que algo vai mal, muito mal.

Estádios, campinhos ou qualquer espaço demarcado por linhas por onde a bola corra, não são nada se a sua volta ninguém estiver...

Lotem os estádios senhores.

A esquiadora, Lindsey Vonn...

Imagem: Noel Vasquez/GC Images

A um passo de tornar realidade um delirante conto de fada...

O conto de fadas embala a cidade Leicester...

3.125 torcedores do atrevido clube da região de East Midlands, localizada no Condado de Leicestershire, esgotaram em poucos minutos os bilhetes colocados à sua disposição.

Quase um pingo em meio aos 72.510 fãs do Manchester que vão lotar o Old Trafford... 

Mas, serão eles os protagonistas.

Alguém tem duvida?

Câmeras de TV e fotógrafos vão estar atentos ao mais mínimo movimento dessa gente vestida de azul.

O gigante Manchester pode adiar o sonho, apenas adiar...

Porém, é muito pouco provável que alguém possa deter, agora, o pequenino Leicester City FC.

Se os pequeninos derrubarem o gigante em seu solo, é quase certo, que não haverá nenhuma vaia ou tristeza por parte de seus adversários...

No fundo, penso eu, todos irão deixar o Old Trafford com um só pensamento – eu estive lá, eu vi o mais improvável dos sonhos se tornar realidade – eu vivi par ver isso.

sexta-feira, abril 29, 2016

O beijo inesperado...

Imagem: Joe Toth/BPI/Rex/Shutterstock

O América queria afastar a torcida do ABC do primeiro jogo da final... a justiça disse não.

Foi preciso que um magistrado com uma sentença, devolvesse ao bom senso, o lugar que a falta senso tentou tomar...

Em um momento de crise, onde cada centavo é bem-vindo, afastar a torcida alvinegra do estádio, aumentando o preço dos ingressos para eles, no único confronto onde a grana aparece, não me parece lógico.

O juiz Madson Ottoni, repreendeu o ilógico argumento com o argumento lógico...

Torcedores de América e ABC são iguais e como tal devem ser trados.

Por mais que se tente justificar, cobrar mais caro dos alvinegros só se ampara no desejo de afastá-los...

Fora disso, não existe nenhum amparo racional.

Em direção ao gol...

Imagem: Andrew Yates/Reuters

Torcida do Leicester City, emociona Claudio Ranieri...

O canal “TRT World” pegou de surpresa o treinador do Leicester, Claudio Ranieri, durante uma entrevista ao vivo... 

Durante a conversa com a repórter, Ranieri foi interrompido para ver e ouvir as diversas mensagens de agradecimento da população da cidade pelo trabalho à frente do quase campeão da Inglaterra. 

Claudio Ranieri emocionado e com um sorriso nos lábios agradeceu... 

Se conquistar o que agora parece impossível perder, o técnico italiano entra para história do futebol inglês por levar a taça da mais organizada e rica competição do planeta para a sede de um clube que nos seus 132 anos de existência jamais imaginou que um dia o improvável sonho se tornaria realidade. 

Apesar de estar em inglês é fácil perceber o clima de emoção que tomou conta da entrevista de Claudio Ranieri.



 

quinta-feira, abril 28, 2016

Diante do rebaixamento a torcida do Aston Villa Birmingham, pergunta: Proud History, What Future? (Uma História Orgulhosa, Qual o Futuro?)

Imagem: Gareth Copley/Getty Images

Copa do Nordeste: O Santa Cruz vence em Recife por 2 a 1, mas não terá vida fácil em Campina Grande na segunda partida...

A luta ponto a ponto...

Imagem: Getty Images

Champions League... O Atlético de Madrid foi valente no início e depois, seguro durante todo o jogo.



Se Manchester City e Real Madrid foi morno, quase sonolento, Atlético de Madrid e Bayern de Munique foi vibrante...

Simeone soltou seu time nos 10 primeiros minutos e colocou os rapazes de Guardiola nas cordas.

Ficar na defensiva não é o forte dos alemães e, por isso, sofreram o gol...

Jogar sempre no ataque não faz parte da filosofia da equipe espanhola e, por isso, depois, sofreram para segurar o resultado.

Agora, tudo será decidido em Munique...

Nem Simeone irá sair para o jogo e nem Guardiola será surpreendido por minutos de ferocidade.

O maior problema de Guardiola será evitar que Simeone controle o jogo como fez ontem...

O Atlético de Madrid é um time valente, mas não deve suportar a melhor técnica do Bayern, assim, imagino eu.

Em Madrid, o Manchester City deverá jogar de olho no relógio, porém, é pouco provável que suporte todo o peso do Real.

A chance foi perdida em casa.

Cabelos de bombons...

Imagem: AP/DPA

Dez motivos para duvidar e dez motivos para acreditar nos Jogos Olímpicos de 2016...

O site Máquina do Esporte escalou dois jornalistas para que cada um mostrasse dez motivos para se temer o fracasso ou apostar no sucesso das olimpíadas...

Vejamos o que eles escreveram.

Dez motivos que preocupam a organização do Rio-2016

Velódromo e pista de atletismo estão atrasadas; crise política e econômica geram incertezas para evento brasileiro

Por Adalberto Leister Filho

1 - Arenas

Duas construções estão atrasadas: o Velódromo, no Parque Olímpico, e a pista de atletismo, no Engenhão. A arena de ciclismo tem o problema do delicado transporte de pinho siberiano, usado no piso, que cancelou o evento-teste. Já a pista de atletismo do Engenhão está sendo toda reconstruída.

2 - Crise política

Não se sabe quem será o presidente do Brasil no dia 5 de agosto. Até lá, o processo de impeachment já deve ter sido resolvido, nem quem será o ministro do Esporte (há possibilidade até de a pasta perder esse status). Mas a instabilidade política pode gerar uma onda de manifestações de rua, e a Olimpíada é o palco ideal para que esses movimentos ganhem uma visibilidade mundial.

3 - Crise econômica

O Brasil fechou 2015 com queda de 3,8% no PIB. Para este ano, as previsões seguem pessimistas. A estagnação econômica já afetou o Estado do Rio de Janeiro, um dos principais responsáveis pela conta dos Jogos, que atrasou o pagamento de funcionários e ainda prejudicou serviços básicos, como atendimento nos hospitais.

4 - Zika

A Embora a Organização Mundial da Saúde tenha divulgado que a epidemia de zika está em regressão no Brasil, o problema ainda preocupa. Todas as instalações esportivas dos Jogos serão vistoriadas diariamente. Vários atletas já expressaram preocupação com o problema.

5 - Metrô

Obra fundamental para o transporte durante os Jogos, a conclusão do primeiro trecho da linha 4 do metrô, que liga Ipanema à Barra da Tijuca, sede da maioria das competições, está ameaçada de não ficar pronta. Caso a obra não seja entregue, a organização terá que fazer uma solução paliativa.

6 - Terrorismo

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) já divulgou alerta de que o Brasil seria um dos alvos do Estado Islâmico. A visibilidade dos Jogos Olímpicos e o número de turistas e delegações internacionais faz com que o evento seja o palco ideal para a atuação de grupos terroristas, o que preocupa governo e organizadores.

7 - Poluição

Um dos principais legados seria a despoluição da Baía de Guanabara. No entanto, o poder público já admitiu a impossibilidade de finalização da obra. Com isso, os atletas que forem disputar a competição terão que conviver com o cheiro fétido e tomar cuidado com detritos acumulados na orla.

8 - Imagem

À série de problemas que têm arranhado a imagem do Rio, soma-se o desabamento de parte da ciclovia Tim Maia, na última quinta-feira (dia 21). A obra de infraestrutura viária era uma das meninas dos olhos de divulgação da cidade por conta do belo trecho de orla que a cerca. No entanto, o acidente aconteceu pouco mais de três meses após sua inauguração.

9 - Organização

Finalizadas as grandes obras, o Comitê Organizador dos Jogos do Rio passa a conviver com milhares de microproblemas. E eles já apareceram. Houve apagão durante os eventos-teste de ginástica e natação, gerando reclamações de dirigentes. Houve protesto também da Federação Internacional de Tiro, que pediu ajustes na arena erguida em Deodoro.

10 - Legado

Boa parte das obras de infraestrutura será inaugurada às vésperas ou após os Jogos. É o caso de parte do Veículo Leve sobre Trilhos. A linha entre Praça XV e rodoviária Novo Rio, por exemplo, só deve ficar pronta depois do evento. Já os BRTs (ônibus articulados) terão só um trecho de 7 km da linha que vai de Deodoro à Av. Brasil (centro) em operação.

Dez motivos para dizer que o Rio-2016 já é um sucesso

País tem 98% de obras de arenas prontas, moderniza rede hoteleira e investe, renova e capacita esporte brasileiro

Por Duda Lopes

1 - Arenas

A maior parte do Parque Olímpico já está pronta. A organização dos Jogos conseguiu seguir o prazo das estruturas (98% das obras estão prontas) e muitas já receberam eventos testes, como o Centro Olímpico de Esportes Aquáticos. A preparação tem causado bem menos preocupação ao COI do que os Jogos de Atenas, por exemplo.

2 - Segurança

Há um mês, o Governo Federal declarou ter investido R$ 350 milhões em segurança aos Jogos Olímpicos. A preocupação é um problema distante da realidade brasileira: o terrorismo. Para prevenir a situação, foi criado o Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo, em cooperação com agências de inteligência internacionais.

3 - Infraestrutura dos clubes

Grandes clubes do país têm se preparado para receber delegações internacionais. E, para isso, têm ganhado investimento de federações esportivas de países tradicionais nos Jogos Olímpicos. A estadia será temporária, mas a modernização das estruturas ficará para os atletas do país.

4 - Pontos turísticos

O Rio de Janeiro passa por diversas reformas para os Jogos Olímpicos. E a cidade, conhecida pela beleza, ganha novos cartões postais com o evento. O exemplo máximo dessa mudança é o Porto Maravilha, projeto de revitalização do porto carioca. O Museu do Amanhã, construído no local, já virou um novo símbolo da cidade.

5 - Modernização da rede hoteleira

Para receber os Jogos Olímpicos, o Rio de Janeiro deveria oferecer 40 mil quartos durante o evento. Hoje, com o aumento de turismo na cidade, a meta já foi ultrapassada. Em comparação, eram 28 mil quartos em 2010.

6 - Investimento no esporte

O Comitê Olímpico Brasileiro, com o Time Brasil, nunca teve tanto investimento. Mas não foi o único. Com os Jogos próximos, confederações e clubes se beneficiaram com o maior interesse de empresas públicas e privadas. Somente o Bradesco investe em seis confederações. A CBJ mantém seis parceiros. Eram cenários raros na década passada.

7 - Capacitação do esporte

Consequência do maior investimento e do anseio da organização em elevar o nível do Time Brasil, confederações e clubes não hesitaram em investir em profissionais com maior capacitação no esporte, inclusive com técnicos estrangeiros.

8 - Voluntariado

Por corte no orçamento, o Comitê Organizador dos Jogos reduziu o número de voluntários de 70 mil para 50 mil. Ainda assim, isso não apaga o sucesso do programa, que teve 242 mil inscritos. Ainda em 2015, foi aberto com Centro de Formação para os voluntários, em parceria com a Estácio, reforçando a capacitação dos envolvidos no evento.

9 - Ingressos

Até agora, 62% dos ingressos para os Jogos já foram vendidos. O favorito do público brasileiro tem sido o vôlei, a modalidade com as entradas mais procuradas. Neste mês, a organização anunciou uma nova venda para o futebol, que terá o ingresso mais barato do evento. Na área sem assentos na Arena Corinthians, a entradas custará apenas R$ 20.
 
10 - Ações sociais

Ação social é uma ativação segura para qualquer patrocinador. Não por acaso, elas são recorrentes entres os parceiros do Rio 2016. Apoio da Omega a ONGs, iniciativa da Nissan no Caju, curso de inglês da Education First, aulas de ciências da Dow, espaços esportivos da Nike... O social tem sido medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. 

Agora, você tira suas conclusões.

Vou ou não vou?

Imagem: Miguel Toña/EFE

O que Neto Coruja pede na Justiça do Trabalho...

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ___ª VARA DO TRABALHO DA COMARCA DE NATAL/RN.

                        ISMAEL SOARES BASTOS NETO, brasileiro, inscrito no CPF sob o nº 03128295581 e RG 13.884.488-4, residente e domiciliado na Rua Iemanjá, Casa 14, Piatã, Salvador/BA, por intermédio de seus advogados que esta subscrevem, com escritório a Av. Celso Morato Leite, D200, Distrito Industrial, Agudos/SP, endereço que desde já indica para receber futuras e eventuais intimações e notificações, de acordo com artigo 39, I, do CPC, vem, respeitosamente a presença de Vossa Excelência, propor a presente
RECLAMAÇÃO TRABALHISTA
em face de ABC FUTEBOL CLUBE, Entidade de Futebol Profissional, devidamente inscrita no CNPJ/MF sob o nº 08430498000134, com sede na Av. Dep. Antônio Florêncio Queiroz, S/N, Rota do Sol, Ponta Negra, Natal/RN, CEP 59092-500, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos:
DOS FATOS
                        O reclamante é conhecido pelo apelido de Neto Coruja.
                        O reclamante mantinha Contrato Especial de Trabalho Desportivo com a agremiação Vitória EC, com vigência até 30/06/2015. A reclamada tinha interesse na contratação por empréstimo do reclamante.
                        Foi firmado Instrumento Particular de Cessão Temporária de Direitos Federativos entre a reclamada e Vitória EC, com anuência do reclamante. Em 23/02/2015 o reclamante foi então contratado pela reclamada para exercer a função de atleta profissional de futebol. As partes celebraram contrato específico de trabalho, onde o reclamante exerceria a função de Atleta Profissional de Futebol.
                        No ato de sua contratação foi submetido a exame admissional, sendo atestado pelo médico da Reclamada, Dr. Roberto Vital, CRM 1182, no próprio Contrato que:
“Atesto para os devidos fins que o jogador encontra-se em boas condições de saúde física e mental, podendo exercer suas atividades profissionais.”
                        A vigência do contrato iniciou-se na mesma data e encerrou-se em 30/06/2015, com remuneração mensal R$20.000,00 e R$2.200,00 de auxílio moradia.
                        O contrato encerrou-se em 30/06/2015, sem o pagamento das verbas rescisórias.
                        Durante a Cessão Temporária o Reclamante foi destaque da agremiação, sendo um dos principais atletas da equipe. Com o iminente término de seus contratos, definitivo com o Vitória EC e de cessão com a Reclamada, ambos com vencimento em 30/06/2015, a Reclamada propôs novo contrato ao Reclamante, deste vez na modalidade definitiva, com a mesma remuneração.
                        Assim, em 01/07/2015 o reclamante assinou novo Contrato Especial de Trabalho Desportivo com a Reclamada, com vencimento previsto para 30/11/2015. Ocorre que a Reclamada informou ao Reclamante que reduziria seu salário para R$5.0000,00, e que pagaria R$15.000,00 como Direito de Imagem, mantendo-se os R$2.200,00 do auxílio moradia.
                        A reclamada informou ao Reclamante que neste novo Contrato, teria que fornecer Nota Fiscal da prestação de seus serviços. Ora, o Reclamante é atleta profissional de futebol, e não profissional liberal ou empresário, sendo impossível que fornecesse nota fiscal, ainda mais por ser funcionário registrado pela Reclamada.
Foi então compelido a procurar uma empresa, para que assinasse conjuntamente referido Contrato de Imagem, e assim pudesse o reclamante receber a maior parte de seu salário.
                        Foi novamente submetido a exame admissional, sendo atestado pelo médico da Reclamada, Dr. Bruno Magalhães, CRM 4176, no próprio Contrato que:
“Atesto para os devidos fins que o jogador encontra-se em boas condições de saúde física e mental, podendo exercer suas atividades profissionais.”
Ocorre que após a partida contra o Macaé/RJ pelo Campeonato Brasileiro Série B 2015, o reclamante teve uma lesão muscular grave. A notícia da lesão foi publicada inclusive pela Rede Globo, relatando a lesão muscular sofrida pelo Reclamante:
O volante Neto Coruja não embarcou com a delegação do ABC para Goiânia, onde o time encara o Atlético-GO nesta terça-feira. O jogador reclamou de dores musculares antes da viagem e o departamento médico do Alvinegro decidiu por vetá-lo. Em Natal, faz tratamento com fisioterapeutas e passará por exame de imagem para saber a gravidade da lesão.
Foram realizados inúmeros exames, todos eles retidos pela Reclamada, que negou fornecer cópias ao Reclamante.
Mais preocupada com sua imagem à lesão do Reclamante, a Reclamada publicou inclusive uma Nota Oficial em seu site, onde ardilosamente citou que havia feito um “contrato de risco” e que poderia ser rescindido a qualquer hora pela Reclamada, sem perdas, citando ainda que o Reclamante necessitaria de um tratamento mais sério e rigoroso:
Nota de Esclarecimento sobre a situação de Neto Coruja
4. Mesmo sendo considerado um atleta diferenciado o clube teve o cuidado de fazer um contrato de risco, onde caso o atleta não consiga jogar o Campeonato Brasileiro, poderá ter o referido contrato rescindido pelo ABC sem perdas para o clube.
5. O fato do atleta não ter viajado para a partida diante do Atlético/GO faz parte do planejamento da fisiologia e da parte médica do clube.
6. É comum atletas que vêm de contusões mais sérias fazerem etapas alternadas de jogos. Foi assim com Ronaldo Fenômeno e Alexandre Pato no Corinthians/SP, além de outros clubes que agem dessa forma.
Ocorre que ao invés de dispensar um tratamento digno ao Reclamante, a Reclamada e respeitar a lesão e estabilidade do Reclamante, a Reclamada somente olhando seu lado financeiro, sem atentar-se a Legislação vigente, demitiu o reclamante.
Expos à mídia a imagem do Reclamante, denegrindo seu bom nome, conquistado ao longo de sua carreira vitorioso. Tanto é que a maio rede de comunicação do Brasil publicou a seguinte matéria:
ABC negocia saída de Neto Coruja, sem condições clínicas para jogar
Sem jogar desde o dia 4 de julho, quando entrou em campo no empate por 1 a 1 com o Macaé, pela 10ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, o volante Neto Coruja não deve permanecer no ABC. Com contrato renovado até o final do ano com o Mais Querido, o jogador enfrenta problemas físicos e faz trabalhos separado do restante do grupo abecedista. Colocado em uma lista com outros seis jogadores, Coruja foi liberado pela diretoria para procurar outro clube, mas a negociação está complicada.
Responsável em negociar a saída do jogador, o diretor de futebol do ABC, Marcelo Abdon, explicou que Neto Coruja está "intransigente" e ainda não definiu um acerto.
Ora, a Reclamada queria que o Reclamante rescindisse seu contrato, sem despender da ajuda médica à qual é responsável, colocou-o em uma lista de dispensa e ainda queria que o Reclamante procurasse novo Clube. Excelência, por óbvio, nenhum Clube iria contratar o Reclamante, inapto para exercer sua profissão.
Em 07/08/2015 o Reclamante foi demitido, sem justa causa. A reclamada informou ao Reclamante que não teria condições financeiras de pagar o saldo salarial (Julho e dias de Agosto), Férias e 13º Proporcional, e depósitos do FGTS. Como o Reclamante ainda tinha dias de Agosto, Setembro, Outubro e Novembro para receber de salários, a Reclamada propôs ao Reclamante pagar o valor de R$45.000,00, em 5 pagamentos, incluídos neste acordo o valor de R$7.531,46, inserida no TRCT.
Em relação ao TRCT, importantíssimo frisar que constou expressamente a Despedida Sem Justa Causa pelo Empregador. Outrossim, a Reclamada tomou como base de cálculo o valor de R$5.000,00 e não o valor total dos salários do Reclamante, no valor de R$22.200,00.
Insta salientar que quando da demissão injusta, o Reclamante estava inapto para o exercício de sua profissão, estando inapto, inclusive, até a data da distribuição desta ação. Ou seja, mesmo quase 3 meses após sua demissão, o Reclamante encontra-se inapto, sem poder exercer sua profissão, e consequentemente, desempregado e sem auferir renda.
Mesmo com a demissão, a Reclamada não efetuou o pagamento das verbas rescisórias, não sendo pago: saldo de salário, férias vencidas, férias proporcionais, 13º proporcional de 2015, bem como não foram depositados o FGTS do reclamante. Verbas estas que seriam pagas no Acordo que a Reclamada impôs ao Reclamante. Seriam, pois não foram pagas.
Frisa-se que o Reclamante foi obrigado a aceitar a proposta de Acordo da Reclamada. Demitido, sem receber salários de Julho e Agosto, sabedor de que ficaria longo período sem atuar, viu-se sem saída. Referido acordo sequer foi pago.
Mesmo após demitir o Reclamante, novamente a Reclamada expos a imagem do Reclamante à mídia, usando novamente a maior empresa de comunicação do Brasil:
Depois de ter contrato renovado até o fim do ano e ficar um mês sem jogar, volante deixa o clube por problemas físicos.
O volante Neto Coruja e o atacante Bruno Luiz assinaram a rescisão contratual e deixaram o ABC nesta sexta-feira. Colocados em uma lista com outros cinco jogadores no início desta semana, os jogadores foram liberados pela diretoria para procurarem outro clube.
Sem condições clínicas para jogar, Neto Coruja vinha treinando separado do grupo abecedista [...] Coruja chegou a ter o contrato renovado até o final do ano, mas os problemas físicos acabaram tirando o atleta dos planos do clube.
Por fim, ressalta-se que a Reclamada negou-se a promover o Exame Demissional. Assim, não restou alternativa ao reclamante senão socorrer-se a esta justiça especializada.

IRREDUTIBILIDADE DE VENCIMENTOS
                        Na renovação contratual a reclamada reduziu os vencimentos do reclamante de R$20.000,00 para R$5.000,00. A irredutibilidade de vencimentos é taxativamente proibida pela Constituição Federal em seu art. 7º, VI, que estabelece a impossibilidade da redução salarial:
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
                        Assim, deve-se ser anulada a redução e mantido para todos os fins a remuneração total de R$20.000,00.

VERBA PAGA COMO DIREITO DE IMAGEM
                        Não obstante a proibição da irredutibilidade de vencimentos, o Salário do Reclamante que antes era de R$20.000,00, passou a ser dividido em R$5.000,00 como salário e R$15.000,00 como Direito de Imagem.
                        A CLT em seu art. 468 garante ao trabalhador a nulidade de cláusula que resulte em prejuízo ao empregado:
Art. 468 - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.
                        Essa imposição em dividir o pagamento em duas parcelas, é nula, nos termos do art. 468 por resultar prejuízo direto ao reclamante, diminuindo as parcelas referentes a FGTS, Férias e 13º Salário.
                        Ademais, segundo o Contrato de Imagem, o reclamante deveria receber R$15.000,00 pagos por fora, à título de direito de imagem, E logo de início ressalta-se que o art. 87-A da Lei 9.615/98 aduz claramente que no contrato de uso de imagem deve haver expressa fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo, e não poderá ser superior à 40% da remuneração total, vejamos:
Art. 87-A.  O direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011).
Parágrafo único.  Quando houver, por parte do atleta, a cessão de direitos ao uso de sua imagem para a entidade de prática desportiva detentora do contrato especial de trabalho desportivo, o valor correspondente ao uso da imagem não poderá ultrapassar 40% (quarenta por cento) da remuneração total paga ao atleta, composta pela soma do salário e dos valores pagos pelo direito ao uso da imagem. (Incluído pela Lei nº 13.155, de 2015)
                        A manobra fraudulenta criada pelo reclamado para camuflar a situação jurídica com o propósito de desvirtuar a natureza jurídica dos valores referentes a verdadeiro salário, procurando sonegar tributos e demais direitos do atleta, incidentes sobre tais quantias, há de ser repudiada, declarando-se nula de pleno direito a teor do disposto no artigo 9° da CLT, in verbis:
Art. 9º - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação.
                        A reclamada informou ao Reclamante que neste novo Contrato, teria que fornecer Nota Fiscal da prestação de seus serviços. Ora, o Reclamante é atleta profissional de futebol, e não profissional liberal ou empresário, sendo impossível que fornecesse nota fiscal, ainda mais por ser funcionário registrado pela Reclamada.
Foi então compelido a procurar uma empresa, para que assinasse conjuntamente referido Contrato de Imagem, e assim pudesse o reclamante receber a maior parte de seu salário.
                        Caso o reclamante apresentasse uma nota fiscal para então receber seu salário, referida verba, seria depositada na Conta Corrente da pessoa física do reclamante.
                        Ora, se tal fato fosse concretizado, o reclamante estaria cometendo os crimes de SONEGAÇÃO FISCAL, EVASÃO DE DIVISAS e CRIME CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO. Frisa-se: de forma continuada.
Ademais, caso o reclamante fosse abrir uma empresa para fornecer nota fiscal, deveria:
- abrir filial na Comarca de Natal;
- alugar um escritório;
- requerer alvará de funcionamento;
- requerer Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiro (AVCB);
- recolher ICMS, ISS, IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS.
                        Sabemos, cremos e confiamos que a justiça do trabalho não corrobora com crimes como os que a reclamada tentou induzir o reclamante a cometer, nem pactua que um empregado não autônomo deva abrir uma empresa para receber seu salário.
                        Merece espaço o maravilhoso voto do Ministro Relator do Tribunal Superior do Trabalho, WALMIR OLIVEIRA DA COSTA, no Acordão TST-RR-39360047.2007.5.12.0050, publicado recentemente, em 26 de fevereiro de 2014, vejamos:
“...a jurisprudência desta Corte Superior firmou - se no sentido de reconhecer que a natureza jurídica salarial da verba intitulada direito de imagem, sendo uma das formas de remunerar as atividades do atleta profissional, uma vez que decorre do próprio contrato de trabalho, razão pela qual, o pagamento dos serviços por terceiros, que exploram a imagem do jogador, à semelhança do que ocorr e com as gorjetas, deve ser integrada à remuneração para todos os efeitos.”
                        Nesse sentido, indicam-se os seguintes precedentes, verbis:
RECURSO DE REVISTA – DIREITO DE IMAGEM – NATUREZA JURÍDICA – INTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO. A renda auferida pelo atleta profissional de futebol pelo uso de sua imagem por parte do clube que o emprega possui natureza salarial e deve ser integrada à sua remuneração para todos os fins. Isso porque constitui uma das formas de remunerar o jogador pela participação nos eventos desportivos disputados pela referida entidade, decorrendo, pois, do trabalho desenvolvido pelo empregado. Precedentes deste Tribunal. Recurso de revista conhecido e provido. (RR-60800-81.2007.5.04.0011, Relator Ministro: Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, 1ª Turma, DEJT 13/05/2011). 
DIREITO DE IMAGEM E ARENA. NATUREZA JURÍDICA. Registrado no acórdão regional que “[O]s autos evidenciaram tratar-se de verbas pagas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho em foco, com o fito de remunerar as atividades laborais do atleta, inclusive sua atuação em eventos esportivos”, a decisão recorrida segundo a qual “acertada a decisão de origem ao proclamar a natureza salarial das referidas parcelas”, encontra-se em consonância com a jurisprudência prevalente nesta Corte Superior. Precedentes. Recurso de revista, integralmente, não conhecido. (ARR-175-13.2010.5.05.0023, Relator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann, DEJT 08/11/2013, 1ª Turma) 
                        Não obstante, a imagem do atleta, em momento algum foi explorada pela reclamada, restando claro e evidente o intuito único de fraudar os cofres públicos e os direitos do reclamante. E mais, a quantia paga como “direito de imagem” no valor de R$15.000,00 refere-se a 300% do valor pago como salário, representando 75% da remuneração total, sendo o dobro do permitido por Lei.
                        Ademais, a verba paga por fora deve ser considerada parte integrante do Contrato Especial de Trabalho, e refletir em todas as verbas trabalhistas. Desta maneira já decidiu-se nos tribunais:
SALÁRIO “POR FORA” – CONFIGURAÇÃO. O pagamento de salário extrafolha ou “por fora” trata-se de prática voltada para a sonegação fiscal, que obstaculiza o direito à prova documental dos salários, prevista no artigo 464 da CLT. Dá-se, assim, especial valor à prova oral e aos indícios que levam à prática do ato ilícito, sendo suficiente o convencimento formado no espírito do julgador. Aplica-se, na espécie, o princípio da imediação, bem como o da primazia da realidade sobre a forma, segundo o qual deve o operador do Direito pesquisar sempre a prática entre os sujeitos da relação de trabalho efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes. MG, TRT da 3.ª Região; Processo: 02013-2011-103-03-00-5 RO; Data de Publicação: 22/10/2012; Órgão Julgador: Quarta Turma; Relator: Convocada Taisa Maria M. de Lima; Revisor: Convocado Vicente de Paula M.Junior; Divulgação: 19/10/2012. DEJT. 
“SALÁRIO “POR FORA” – PROVA – A realização de pagamento salarial extrafolha é uma prática de difícil comprovação nos feitos trabalhistas, sendo as evidências tênues e quase imperceptíveis. A fraude decorre exatamente de uma conduta patronal negativa, consubstanciada na omissão em contabilizar verbas trabalhistas quitadas ao obreiro. Neste diapasão, o princípio da livre apreciação da prova, ao mesmo tempo em que outorga ao magistrado o poder de valorar-avaliar, reconhece a condição privilegiada de estar próximo aos fatos, o que se dá, em especial, na análise de depoimentos. O ato, porém, não é meramente subjetivo, exige, na realidade, uma acurada objetividade ao escrutinar o conjunto probatório exposto à inteligência, à experiência e ao saber jurídico do julgador, daí porque, sem prova de vulneração desses critérios, deve ser prestigiada a avaliação probatória efetuada em primeiro grau de jurisdição. (TRT da 3.ª Região; Processo: 02321-2011-058-03-00-0 RO; Data de Publicação: 21/01/2013; Órgão Julgador: Sexta Turma; Relator: Jorge Berg de Mendonca; Revisor: Rogerio Valle Ferreira; Divulgação: 18/01/2013. DEJT.
                        Resta-se incontroverso que a verba paga por fora como Direito de Imagem deverá ser considerado parte integrante do Contrato Especial de Trabalho Desportivo, tendo todos seus reflexos garantidos nas demais verbas trabalhistas (FGTS, INSS, Férias, 13º Salario, Cláusula Compensatória Desportiva, etc)

DA VERBA PAGA COMO AUXÍLIO MORADIA
                        O reclamante recebia mensalmente a quantia de R$2.200,00 à título de auxílio moradia. A CLT reconhece como verba de natureza salarial a verba paga como “auxílio moradia”, vejamos:
Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.
                        Assim, a verba paga como Auxílio Moradia deverá ser considerado parte integrante do Contrato Especial de Trabalho Desportivo, tendo todos seus reflexos garantidos nas demais verbas trabalhistas (FGTS, INSS, Férias, 13º Salario, etc).

DOS SALÁRIOS ATRASADOS
                        Considerando que o salário do reclamante era R$22.200,00, já afastando a redução salarial imposta pela reclamada, incluindo a verba do auxílio moradia, é devido ao reclamante os seguintes valores:

Mês Referência
Salário
Julho
R$22.200,00
Agosto (7 dias)
R$5.180,00
TOTAL
R$27.380,00

DO FGTS DEVIDO
                        A reclamada não efetuou os depósitos do FGTS do reclamante durante todo o contrato. Com base na remuneração mensal de R$22.200,00, o valor mensal do FGTS refere-se à R$1.776,00. Tendo trabalhado por 5 meses e 7 dias, é devido ao reclamante o valor de R$9.353,60.
           
13º SALÁRIO e FÉRIAS
                        O reclamante não recebeu o 13º salário proporcional (5/12) de 2015 no valor de R$16.500,00, nos moldes do do §9º do art. 28 da Lei 9.615/98.
                        Não recebeu as férias proporcionais de 2015, acrescidas do terço constitucional, no valor de R$22.200,00, também nos moldes do §9º do art. 28 da Lei 9.615/98, in verbis:
Art. 28 - ...
...
§ 9º Quando o contrato especial de trabalho desportivo for por prazo inferior a 12 (doze) meses, o atleta profissional terá direito, por ocasião da rescisão contratual por culpa da entidade de prática desportiva empregadora, a tantos doze avos da remuneração mensal quantos forem os meses da vigência do contrato, referentes a férias, abono de férias e 13o (décimo terceiro) salário. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011).


DA CLAUSULA COMPENSATORIA DESPORTIVA
                        As consequências da demissão injusta do atleta profissional são definidas pelo artigo 28 da Lei 9.615/98 (Lei Pelé).
Art. 28.  A atividade do atleta profissional é caracterizada por remuneração pactuada em contrato especial de trabalho desportivo, firmado com entidade de prática desportiva, no qual deverá constar, obrigatoriamente:
... -
§5º O vínculo desportivo do atleta com a entidade de prática desportiva contratante constitui-se com o registro do contrato especial de trabalho desportivo na entidade de administração do desporto, tendo natureza acessória ao respectivo vínculo empregatício, dissolvendo-se, para todos os efeitos legais:
... –
III - com a rescisão decorrente do inadimplemento salarial, de responsabilidade da entidade de prática desportiva empregadora, nos termos desta Lei;     (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011).
IV - com a rescisão indireta, nas demais hipóteses previstas na legislação trabalhista; e
V - com a dispensa imotivada do atleta.   
                        O artigo 28, §3 da mesma Lei, dispõe sobre o valor da clausula compensatória desportiva e as possibilidades de exigi-la:
Art. 28 - ...
II - cláusula compensatória desportiva, devida pela entidade de prática desportiva ao atleta, nas hipóteses dos incisos III a V do § 5º.
... -
§ 3º O valor da cláusula compensatória desportiva a que se refere o inciso II do caput deste artigo será livremente pactuado entre as partes e formalizado no contrato especial de trabalho desportivo, observando-se, como limite máximo, 400 (quatrocentas) vezes o valor do salário mensal no momento da rescisão e, como limite mínimo, o valor total de salários mensais a que teria direito o atleta até o término do referido contrato.
                        Não fosse a rescisão por culpa da reclamada, o Reclamante ainda teria 24 dias de Agosto, Setembro, Outubro e Novembro para receber de salários. 
                        Considerando o valor do salário base do Reclamante era R$22.200,00 tem-se que a Reclamada deverá ser condenada ao pagamento mínimo de R$84.360,00, referente a cláusula compensatória desportiva (Lei Pelé 9.615/98 artigo 28 parágrafo segundo).

DO SEGURO MORTE/ACIDENTE DE TRABALHO OBRIGATÓRIO
                        Conforme supracitado, o reclamante sofreu grave acidente de trabalho, qual seja, lesão muscular, e, após quase 3 meses após sua injusta demissão, o Reclamante ainda encontra-se totalmente inapto ao exercício de sua profissão, e consequentemente desempregado.
                        As entidades de prática desportiva são obrigadas a contratar seguro de vida e de acidentes pessoais (Lei 9.615/98 artigo 45), vinculado à atividade desportiva, para os atletas profissionais, com o objetivo de cobrir os riscos a que eles estão sujeitos.
Art. 45.  As entidades de prática desportiva são obrigadas a contratar seguro de vida e de acidentes pessoais, vinculado à atividade desportiva, para os atletas profissionais, com o objetivo de cobrir os riscos a que eles estão sujeitos. (Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011).
§ 1º A importância segurada deve garantir ao atleta profissional, ou ao beneficiário por ele indicado no contrato de seguro, o direito a indenização mínima correspondente ao valor anual da remuneração pactuada. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011).
§ 2º A entidade de prática desportiva é responsável pelas despesas médico-hospitalares e de medicamentos necessários ao restabelecimento do atleta enquanto a seguradora não fizer o pagamento da indenização a que se refere o § 1o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011).
                        Não obstante, a contratação do Seguro Obrigatório, previsto no art. 45 da Lei 9.615/98, estava previsto também no contrato de trabalho, na Cláusula Terceira, alínea “e”, vejamos:
CLAUSULA TERCEIRA – São obrigações do Clube:
...
(e) Contratar Seguro de vida e de acidentes pessoais, vinculado a atividade desportiva, com o objetivo de cobrir riscos a que o JOGADOR está sujeito, nos termos do artigo 45 da Lei 9.615/98, alterada pela Lei 12.395/11.
                        A legislação não deixa margem para dúvidas. O empregador de atleta profissional obrigatoriamente deverá incluí-lo em seguro contra acidentes do trabalho.
                        O futebolista depende de sua aptidão física. A indenização visa amenizar futuro impedimento ou limitação ao trabalho. Há inúmeros exemplos de jogadores que ao se recuperarem de uma lesão não mais alcançam o nível técnico anterior, obviamente prejudicando seus ganhos futuros.
                        Era ônus do reclamado contratar o seguro, nos termos do art. 45 da Lei 9.615/1998, ônus do qual não se desincumbiu.
                        A importância segurada deve garantir ao atleta profissional, ou ao beneficiário por ele indicado no contrato de seguro, o direito a indenização mínima correspondente ao valor anual da remuneração pactuada. A entidade de prática desportiva é responsável pelas despesas médico-hospitalares e de medicamentos necessários ao restabelecimento do atleta enquanto a seguradora não fizer o pagamento da indenização.
                        Ao tratar de tal temática, mister se faz relembrar que “o corpo do atleta é seu instrumento de trabalho”. Assim, ocorrendo lesões, distensões, problemas nas articulações, entre outros, estará configurado acidente de trabalho, respeitadas as condições previstas em lei.
                        A Lei n° 8.213/91 em seu artigo 19, define o que é acidente de trabalho:
 Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.
                        A contratação do seguro pelo empregador é direito previsto na Constituição Federal de 1988, em seu art. 7º, XXVIII, vejamos:
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
                        A profissão de atleta, em decorrência da alta competitividade, exige condicionamento físico perfeito, mesmo diante dos riscos de lesões ocasionadas por acidente de trabalho, os quais muitas vezes impedem a continuidade do exercício da profissão, causando afastamentos temporários ou definitivos.
                        A Lei 9.615/98, que regulamenta a prática do desporto no Brasil desde março de 1998. Determina o artigo 2º da citada Lei:
Art. 2º. O desporto, como direito individual, tem como base os princípios:
...
 XI – Da segurança, propiciado ao praticante de qualquer modalidade desportiva, quanto à sua integridade física, mental ou sensorial.
                        A lesão sofrida por um atleta garante, segundo o parágrafo único do artigo 45 da Lei 9.615/98, direito ao empregado de receber indenização mínima correspondente ao valor total anual da remuneração ajustada.
                        A contratação do seguro previsto no artigo 45 da Lei 9.615/98 não é facultativa. Ao contrário, a norma tem aplicação cogente e a não contratação do seguro implica, em caso de eventual sinistro ocorrido com o atleta, em dever do clube indenizar substitutivamente.
                        Mais grave! Além de ser obrigação decorrente da Lei, a obrigação da contratação do seguro foi estabelecida também no Contrato Especial de Trabalho Desportivo - CETD, na página 2, Clausula 3ª, “b” e “e”.
                        Pois bem, a obrigação do clube em contratar o seguro, além de decorrer da Lei, decorre do instrumento de cessão temporária e também do CETD.
                        Merece espaço o voto do Nobre Ministro do TST, HUGO CARLOS SCHEUERMANN, no processo TST-ARR-175-13.2010.5.05.0023, de 23 de outubro de 2013, vejamos:
Referida indenização não está vinculada à ausência de percepção dos salários, razão pela qual a circunstância de o atleta, diante de uma lesão, ter sofrido incapacitação apenas temporária, em nada impede que faça jus à indenização mínima a que se refere a lei. Com efeito, a indenização em comento visa a compensar os riscos a que estão sujeitos os atletas profissionais de alto rendimento, cujo desempenho e ascensão profissional dependem necessariamente de sua condição física. Justifica-se, segundo estudiosos, em razão da “correlação entre a frequência de acidentes e a tipologia de praticantes desportivos profissionais sinistrados”, diferenciando-se, portanto, de outras atividades profissionais, dado o esforço físico, o elevado risco de lesão e as paixões que desperta, a induzir, inclusive, significativas doses de agressividade (MELO FILHO, Álvaro. Novo regime jurídico do desporto: comentários à Lei 9.615 e suas alterações. Brasília: Brasília jurídica, 2001, p. 164-8). Diante de tais condições, não são raros os exemplos de atletas profissionais cujas carreiras foram precocemente interrompidas em decorrência de lesões. Também são conhecidos os casos de jogadores que, mesmo retornando à atividade, não conseguiram render tecnicamente o esperado, como o faziam antes do período de afastamento. No mais, o simples risco de uma lesão traz importante obstáculo de ordem psicológica ao desempenho profissional do atleta.”
                        E seguiu:
Por tais razões, ainda que ausente na Lei 9.615/98 sanção expressa para o caso de descumprimento da obrigação de contratar tal seguro, é devido, à semelhança do que a jurisprudência tem consagrado em situações análogas, o pagamento de indenização substitutiva, correspondente à importância que o atleta não-segurado deixou de auferir, diante da inércia do empregador.
                        Nessa mesma linha, cito recente julgado da Corte Superior, verbis:
INDENIZAÇÃO PELA NÃO CELEBRAÇÃO DO SEGURO DESPORTIVO (alegação de violação do artigo 45 da Lei nº 9.615/98). O artigo 45 da Lei nº 9.615/98 foi expresso ao determinar às entidades de prática desportiva a contratação de seguro de acidentes do trabalho em prol dos atletas profissionais a ela vinculados, no intuito de cobrir os riscos a que estão sujeitos, prevendo, também, que a omissão empresária ensejaria a indenização correspondente ao valor da apólice estabelecida no texto legal. Ou seja, a contratação do seguro previsto no referido dispositivo legal não é facultativa; ao contrário, a norma tem aplicação cogente e a não contratação do seguro implica, em caso de eventual sinistro ocorrido com o atleta, em dever do clube indenizar substitutivamente, na forma dos artigos 186, 927 e 247 do Código Civil. Vale lembrar, por relevante, que o artigo 45 da Lei nº 9.615/98 é obrigatório para a modalidade futebol, como preceitua o artigo 94 da mesma lei. Incólume, pois, o disposto no artigo 45 da Lei nº 9.615/98. Recurso de revista não conhecido. (TST-RR - 168500-29.2006.5.01.0046 Data de Julgamento: 04/09/2013, Relator Ministro: Renato de Lacerda Paiva, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 13/09/2013)
                        E desta mesma maneira tem-se decidido também nos Tribunais Regionais:
ATLETA PROFISSIONAL – JOGADOR DE FUTEBOL. As entidades de prática desportiva são obrigadas a contratar seguro de acidentes de trabalho para atletas profissionais a elas vinculados, objetivando cobrir os riscos a que se encontram sujeitos os atletas, conforme artigo 45 da lei Pelé, com a nova redação dada pela Lei nº 9.981/00. De sorte que, ocorrido o dano e ausente o seguro, o reclamado deve responder pela indenização correspondente, nos moldes dos artigos 8º e 45 da Lei em comento, 159 do Código Penal Brasileiro e art. 7º, inciso XXII da CR." (Processo 01320-2004-108-03-00-1 RO – Oitava Turma do TRT 3ª Região, publicação 19/11/2005, Relator Heriberto de Castro)
ACIDENTE DE TRABALHO - Concluiu a Eg. Turma não assistir-lhe razão porque, tendo o Reclamante sofrido três lesões no joelho enquanto laborava para o Reclamado e, por não ter o reclamado contratado seguro de acidentes pessoais e do trabalho para os atletas profissionais a ele vinculados, cujo prêmio correspondente à importância total anual da remuneração ajustada, devido, na forma do art. 45 da Lei 9.615/98, o pagamento de indenização que substitua o premio do seguro, no importe de 12 salários do autor, indenização esta, por óbvio, relativa a cada uma das lesões sofridas." (Processo 00283-2003-007-03-00-9 ED – Terceira Turma do TRT 3ª Região, publicação 19/01/2004, Relatora Juíza Maria Lúcia Cardoso Magalhães)
                        Neste sentido, cita-se o doutrinador Álvaro de Melo Filho, NOVO REGIME JURÍDICO DO DESPORTO, Ed. Brasília Jurídica, 2001, p. 164/168, verbis:       
"O contrato de seguro desportivo é fundamental quando se trata de atletas profissionais cujas competições, não raro, se confundem numa verdadeira guerra.Outrossim, não se pode olvidar o fato de que o desporto faz emergir momentos de violência em que a razão cede lugar à paixão e os atletas ‘projetam’ as outras equipes e até companheiros como ‘inimigos’, fruto da hipercompetitividade e rivalidade massificadas pelos órgãos de comunicação transformando a arte do jogo na arte da guerra.
A inexistência do seguro desportivo, por outro lado, tem influído negativamente no ânimo do atleta, cuja condição contratual de cumprimento do dever laboral sofre compreensível inibição – entre o que pode render, e o que rende o atleta – em favor do clube, para o deleite do público, pois, afinal, medeia a distância que somente a garantia legal do seguro desportivo pode suprimir.”
                        A não contratação do seguro, implica no dever do Clube em indenizar substitutivamente, conforme determina a Lei Civil em vigor "Especificamente quanto aos atletas, a Lei 9615/98 foi expressa em elevar a garantia individual a integridade física, mental ou sensorial, não exigindo a acumulação das três hipóteses. 
                        Verifica-se, pois, que a responsabilidade em indenizar é objetiva e qualquer lesão que o atleta venha a sofrer no exercício de sua profissão configura o direito de ser indenizado na forma do artigo 45 da Lei 9.615/98. Segundo a professora, jurista e magistrada Alice Monteiro de Barros (As Relações de Trabalho no Espetáculo, Item 15 do capítulo IV, pág. 199, Ed. LTr, ano 2003), até mesmo a distensão muscular é uma doença profissional:
A distensão muscular é tida como acidente do trabalho, enquadrando-se como doença profissional" 15 – DOENÇA PROFISSIONAL. DISTENSÃO MUSCULAR
                        Ressalta-se que a aplicação do art. 45 da Lei 9.615/98 é específica para atletas profissionais do futebol, nos termos do art. 94 da mesma lei.
Art. 94.  O disposto nºs arts. 27, 27-A, 28, 29, 29-A, 30, 39, 43, 45 e § 1º do art. 41 desta Lei será obrigatório exclusivamente para atletas e entidades de prática profissional da modalidade de futebol. (Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011).
                        Fato é que se a reclamada tivesse contratado referido seguro o reclamante consequentemente teria custeado uma reabilitação adequada, o que não ocorreu, sendo que, até hoje, o reclamante encontra-se inapto, sem condições de exercer sua profissão em decorrência da lesão.
                        Assim, como a remuneração pactuada era de R$22.200,00 mensais, e durante o ano qualquer empregado tem direito de receber 13 salários, deve-se condenar a reclamada ao pagamento no valor de R$288.600,00.

DA ESTABILIDADE PROVISÓRIA
                        Conforme narrado, o reclamante sofreu grave lesão muscular, ficando temporariamente inapto ao exercício de sua profissão. Mesmo passados 3 meses, ante a impossibilidade de se empregar devido a lesão e sua inaptidão ao exercício de sua profissão, somados com sua injusta demissão, e por ainda estar obviamente desempregado, o reclamante não consegue recuperar-se adequadamente.
                        A Lei 8.213/91, em seu artigo 118 aduz que o trabalhador que sofrer qualquer tipo de acidente de trabalho, goza de estabilidade pelo prazo mínimo de 12 meses, tendo garantida a manutenção do contrato de trabalho, após a cessação do Benefício do auxílio-doença, independente da sua percepção.
Art. 118. O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente.
                        Ademais, a Sumula 378 do TST é clara ao assegurar a Constitucionalidade do artigo 118, e ainda evidencia a obrigação da garantia também para os empregados submetidos a contrato de trabalho por prazo indeterminado.
Súmula 378 TST - ESTABILIDADE PROVISÓRIA. ACIDENTE DO TRABALHO. ART. 118 DA LEI Nº 8.213/1991. (inserido o item III) - Res. 185/2012 – DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012
I - É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado. (ex-OJ nº 105 da SBDI-1 - inserida em 01.10.1997)
II - São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a conseqüente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego. (primeira parte - ex-OJ nº 230 da SBDI-1 - inserida em 20.06.2001)
III – O empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista no art. 118 da Lei nº 8.213/91.
                        E nesta mesma linha tem-se decidido no TST e nos demais Tribunais do Trabalho:
RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE - ESTABILIDADE PROVISÓRIA – ACIDENTE DE TRABALHO – CONTRATO DE EXPERIÊNCIA – SÚMULA 378, III, DO TST - VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI 8.213/91. 1. O entendimento desta Corte, consubstanciado na Súmula 378, III, é no sentido de que o empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista no art. 118 da Lei 8.213/91. 2. No caso, o Reclamante foi admitido por meio de contrato de experiência, sofreu acidente de trabalho e teve o contrato rescindido antecipadamente, dentro do período estabilitário. Todavia, o Regional concluiu que o Empregado não fazia jus à estabilidade provisória decorrente do acidente de trabalho por se tratar de contrato por prazo determinado. 3. Nesse contexto, merece reforma a decisão recorrida, a fim de adequar-se à jurisprudência desta Corte Superior. Recurso de revista obreiro provido. (PROCESSO Nº TST-RR-122800-26.2007.5.15.0007 – Min. Relator IVES GANDRA MARTINS FILHO)
ESTABILIDADE PROVISÓRIA. PROFISSIONAL. REINTEGRAÇÃO. CONVERSÃO EM INDENIZAÇÃO. Constatado, mesmo após a despedida do empregado, o nexo de causalidade entre a doença desenvolvida e o trabalho por ele executado na empresa, fica-lhe assegurado o direito à estabilidade provisória de que trata o artigo 118 da Lei nº 8.213/91. (TST, Súmula 378, II). E, havendo incompatibilidade entre as partes, decorrente do ajuizamento de ação trabalhista, a conversão da reintegração em indenização respectiva se coaduna com a jurisprudência consolidada na Súmula nº 396, I, do TST.  (TRT/SP - 00174005220085020006 - RO - Ac. 8ªT 20120846823 - Rel. SILVIA ALMEIDA PRADO - DOE 07/08/2012)
                        A reclamada demitiu injustamente o reclamante, expos sua lesão à mídia, consequentemente expondo sua imagem, o que torna impossível sua readmissão, ante a quebra contratual injusta e vexatória.
                        Como não houve a manutenção do contrato, em vista que o contrato foi extinto em 07/08/2015, estando ainda o Reclamante inapto, devendo apenas regressar à sua profissão em Dezembro, o reclamante faz jus a indenização substitutiva ao período de estabilidade, até Dezembro de 2016 (17 meses).
                        Assim, deve a reclamada ser condenada a indenizar o reclamante substitutivamente ao período em que gozava da estabilidade provisória, no valor de R$377.400,00.

LUCRO CESSANTE
                        O artigo 402 do Código Civil estabelece que “as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar”.
Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar.
                        O artigo 950 do mesmo dispositivo legal aduz que se indenizará o ofendido em lucros cessantes até o fim da convalescença, com valor correspondente à importância do trabalho para o qual se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu:
Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.
                        Não obstante, o art. 949 do mesmo Codex menciona a possibilidade da indenização pelos lucros cessantes, vejamos:
Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido.
                   Conforme o trabalho exercido pelo reclamante, as sequelas tiveram grandes implicações e, consequentemente, a redução da capacidade laborativa que, por sua vez, implicou na redução da renda mensal do ofendido. O dano, portanto, é presente e com reflexos também no futuro.       
                        A citação adiante esclarece que os lucros cessantes aglomeram aquilo que se deixou de ganhar pelo evento, o qual é o reflexo futuro do ato ilícito sobre o patrimônio da vítima, com perda de um ganho esperável e diminuição do patrimônio.
                   O jurista Sérgio Cavalieri Filho em uma de suas obras, trata do assunto:
“Aqueles se referem a efetiva e imediata diminuição no patrimônio da vítima, e os lucros cessantes englobam aquilo que se deixou de ganhar pelo evento danoso, é o reflexo futuro do ato ilícito sobre o patrimônio da vítima, a perda de um ganho esperável, uma frustração e consequentemente também diminuição do patrimônio, mas em potencial. No entanto, se exige para os lucros cessantes uma probabilidade objetiva, pois não basta lucro imaginário, hipotético ou remoto”.
                   O reclamante deixa, portanto, de auferir a renda mensal que antes recebia. Diante do novo quadro fático, o dano é iminente, mensal e na maioria das vezes de grande proporção.
                        Ora, se o reclamante não estivesse inapto, poderia assinar novo contrato de trabalho com outra agremiação pelo menos até o final do presente ano, em Dezembro. Ocorre que por estar inapto, resta impossível se empregar. E mais, mesmo passados 3 meses, ante a impossibilidade de se empregar devido a lesão e sua inaptidão ao exercício de sua profissão, somados com sua injusta demissão, e por ainda estar obviamente desempregado, o reclamante não consegue recuperar-se adequadamente.
                        Desta maneira, o reclamante faz jus a uma indenização no valor referente a média salarial do reclamante, no valor de R$22.200,00, conforme os dois últimos contratos de trabalho do Reclamante, sendo o último inclusive firmado com a Reclamada, pelos meses em que encontra-se inapto, ou seja, de Agosto à Dezembro de 2015, perfazendo o valor total de R$111.000,00.

MULTA DO ART 467
                        Aduz o artigo 467 da CLT que as verbas incontroversas devem ser pagas em primeira audiência, sob pena de multa de 50%, assim deve a reclamada pagar em primeira audiência o valor referente ao Saldo Salarial, 13º Salário e Férias.

MULTA DO ART. 477
                        A Reclamada não quitou em tempo hábil as verbas rescisórias do Reclamante, conforme determina o disposto no parágrafo 6º do artigo 477, e assim deve arcar com a multa disposta no parágrafo 8º do mesmo artigo da CLT, referente a um salário integral no valor de R$22.200,00.
Art. 477 - É assegurado a todo empregado, não existindo prazo estipulado para a terminação do respectivo contrato, e quando não haja êle dado motivo para cessação das relações de trabalho, o direto de haver do empregador uma indenização, paga na base da maior remuneração que tenha percebido na mesma emprêsa.
§ 6º - O pagamento das parcelas constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverá ser efetuado nos seguintes prazos:
a) até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato; ou
b) até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão, quando da ausência do aviso prévio, indenização do mesmo ou dispensa de seu cumprimento.
§ 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora.
                        Salienta-se que a multa por atraso no pagamento das verbas rescisórias (estatuída no artigo 477 do Estatuto Consolidado) é devida também nos contratos por prazo determinado, pois a alínea ‘a’ do parágrafo 6º  estabelece prazo para pagamento “até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato”; sendo certo que o parágrafo 8º prevê a pena de 1 salário caso seja inobservado o parágrafo 6º.
                        Essa observação se mostra necessária pois o caput do artigo 477 da CLT menciona uma indenização devida a todo empregado “não existindo prazo estipulado para a terminação do respectivo contrato”. Todavia, essa norma referia-se aos empregados com direito a indenização antes da Constituição da República de 1988, que estavam sujeitos a contrato por tempo indeterminado e não eram estáveis e nem haviam optado pelo FGTS; não confundindo, de forma alguma, com multa por atraso no pagamento das verbas rescisórias (parágrafos 6º e 8º).
                        Deve-se aplicar uma multa para cada contrato findo e inadimplidas as verbas rescisórias.

DOS PEDIDOS
                        Ante todo o exposto, requer-se de Vossa Excelência o quanto segue:
                        a-) Requer seja anulada a redução salarial do reclamante, nos termos dos artigos 7º, VI da Constituição Federal/88 e 468 da CLT;
                        b-) Requer seja reconhecida como verba salarial a verba paga à título de Direito de Imagem, declarando a nulidade do Contrato de Imagem, nos termos dos artigos 9º e 468 da CLT, e assim seja a Reclamada condenada ao pagamento dos salários em atraso, no valor de R$27.380,00;
                        c-) Requer seja a Reclamada condenada ao pagamento dos valores devidos a titulo de FGTS no valor de R$9.353,60;
                        d-) Requer seja a Reclamada condenada ao pagamento do 13º salário proporcional de 2015 (9/12), no valor de R$16.500,00, nos termos do §9º do art. 28 da Lei 9.615/98;
                        e-) Requer seja a Reclamada condenada ao pagamento das férias proporcionais (9/12) de 2015, acrescidas de 1/3 constitucional, no valor de R$22.200,00, nos termos do §9º do art. 28 da Lei 9.615/98;
                        f-) Requer seja a Reclamada condenada ao pagamento da Cláusula Compensatória Desportiva, em seu mínimo, no valor de R$84.360,00, nos termos do art. 28, II, §3º, §5º, V da Lei 9.615/98 (Lei Pelé);
                        g-) Requer seja a Reclamada condenada ao pagamento dos lucros cessantes, no valor de R$111.000,00;
                        h-) Requer seja a Reclamada condenada ao pagamento do valor do Seguro Obrigatório, no valor de R$288,600,00, nos termos do art. 45, §1º da Lei 9.615/98 (Lei Pelé);
                        i-) Requer seja a reclamada condenada ao pagamento da indenização substitutiva a Estabilidade Provisória do Reclamante, no valor de R$377.400,00, nos termos do art. 118 da Lei 8.213/91;
                        j-) Requer aplicação do artigo 467 da CLT, e aplicação do artigo 477 da CLT, a todas as verbas devidas e não pagas corretamente e em tempo hábil, no valor de R$22.000,00 para cada contrato findo sem o pagamento das verbas rescisórias;
                        k-) Apresente a Reclamada todos os exames médicos e clínicos realizados pelo Reclamante;
                        l-) Requer pela produção de novas, por todos os meios em direito admitidos e permitidos, sem exclusão, requerendo desde logo o depoimento dos representantes legais da Reclamada, juntadas de novos documentos, perícias, bem como a oitiva das testemunhas, que serão oportunamente arroladas;
                        m-) Requer sejam concedidos ao Reclamante os benefícios da justiça gratuita, haja vista não estar em condições de arcar com as despesas processuais, nos termos do artigo 5°, LXXIV da Constituição Federal, da Lei 7510/86 e Lei 1060/50;
                        n-) Por final, requer que a Reclamada seja citada na pessoa de seu representante legal, dos termos da presente reclamatória e notificada para comparecimento à audiência a ser designada e, para, querendo, contestar os termos da presente ação, sob pena de revelia e confissão, e que acompanhe o processo em seus regulares termos até final decisão, quando deverá ser JULGADA TOTALMENTE PROCEDENTE a presente ação, com a declaração da rescisão indireta do pacto laboral e a condenação da Reclamada ao pagamento das verbas acima pleiteadas, conforme apurado em execução de sentença, tudo acrescido de juros e atualização monetária, e demais consectários legais. 
                        Dá-se à presente o valor de R$981.193,60. 

                        Filipe Souza Rino
                        OAB/SP 329.068 

                        Thiago de Souza Rino
                        OAB/SP 230.129