Lucas Pinheiro coloca o Brasil
na história dos Jogos Olímpicos de Inverno
Venceu a prova de slalom
gigante, dando ao Brasil e à América do Sul sua primeira medalha de inverno
Quem é Lucas Pinheiro?
Lucas Pinheiro Braathem nasceu em Oslo, em 19 de abril de 2000.
Seu pai é norueguês e sua mãe,
Alessandra Pinheiro de Castro, é paulistana, Brasil.
Quando ele tinha apenas três
anos, seus pais se separaram.
O menino foi morar com a mãe no
Brasil, mas o pai logo obteve a guarda.
Ele retornou a Oslo, embora o
Brasil continuasse a fazer parte de sua criação.
A partir dos 11 anos, ele viajava
uma vez por ano para ficar com a mãe.
A influência da cultura
sul-americana deixou uma marca profunda no jovem.
Grande parte de sua personalidade
festiva, jovial e musical está ligada a essas estadias no Brasil.
Mas seu cotidiano era bem
diferente do sol, da praia e do futebol.
Lucas sonhava em ser como
Ronaldinho.
Mas a sua realidade era a neve.
O pai, que queria ser um
esquiador de elite, trabalhava em estações de esqui.
Viajava de uma para outra com o
filho ao lado.
Mas a paixão do pai pela neve não
combinava com Lucas.
- “Eu disse a ele: sou
brasileiro, isso não está no nosso sangue. Vou ficar doente se ficar exposto a
essas temperaturas. Meus pés são feitos para a praia, não para botas de neve”,
conta ele.
Mas naquela idade, o demônio do
esqui tomou conta do norueguês que também vive dentro dele.
Ele assistia a estrelas como
Aksel Lund Svindal na televisão e ficava impressionado com a velocidade que
elas atingiam nos esquis.
Lucas começou a esquiar, para
grande alegria do pai.
Era bom, muito bom.
Tão bom, aliás, que em 8 de
dezembro de 2018, juntou-se à poderosa equipe norueguesa da Copa do Mundo para
o slalom gigante em Val d’Isère.
Sua primeira vitória veio em
Sölden, na abertura da temporada 2020/21.
Dois anos depois, era o melhor
esquiador de slalom do mundo e conquistou o título mundial nessa disciplina.
Em 27 de outubro de 2023, um dia
antes do início da temporada, Lucas convocou uma coletiva de imprensa.
- “Vou me aposentar. Avisei
meus companheiros de equipe ontem”, anunciou.
Ele tinha 23 anos.
Foi uma notícia bombástica.
“Recebi a notícia da decisão
de Lucas pouco antes do início da coletiva de imprensa, e foi uma surpresa
total”, explicou Claus Johan Ryste, diretor da Federação.
Mais tarde, descobriu-se que o
problema se originava de uma questão relacionada aos direitos de imagem dos
atletas e às regulamentações de patrocínio.
Rapidamente se espalhou a notícia
de que Braathen estava considerando mudar de nacionalidade e competir pelo
Brasil.
Em 27 de outubro de 2023, ele
estreou sob sua nova bandeira: quarto lugar em Sölden… com três noruegueses à
sua frente.
Hoje, 14 de fevereiro de 2026, o
nome Lucas Pinheiro Braathen muda a história.
Graças a ele, o Brasil e a
América do Sul despontam no cenário de medalhas dos Jogos Olímpicos de Inverno.
Em Pequim, representando a
Noruega, ele não completou nenhuma das duas provas.
Agora, ele é campeão olímpico.
Pelo Brasil.
E na segunda-feira, ele competirá
no slalom.
Por Miguel Angel Lara para o Marca

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