terça-feira, dezembro 04, 2012

Resposta ao comentário do leitor José Carlos de Medeiros...




O leitor José Carlos de Medeiros enviou o comentário abaixo para a postagem “A diferença que separa os grandes clubes dos outros, não se resolve com choramingo e sofisma”, publicada ontem, dia 03 de dezembro...

Resolvi responder em virtude da imagem distorcida que José Carlos Medeiros tem do futebol no mundo socialista, principalmente na extinta União Soviética.

Anônimo disse...

SÓ COM O FIM DO CAPITALISMO.

Ai sim cada Estado vai ter seus jogadores, da sua terrinha e em seus clubes.

Como na antiga Soviética: vencia o campeonato pela bola que jogava e não pelos salários; num ano era um time do norte no outro no sul e até da Sibéria tinha time campeão nacional. 

Hoje, só vence time dos empresários ricos.

PONTO FINAL.

 Anônimo que nada,

José Carlos de Medeiros.


Meu caro José Carlos de Medeiros,

Antes de qualquer coisa, saiba que gostei do seu bordão:

“Anônimo que nada, José Carlos de Medeiros”...

Muito bom.

Bem, sobre seu comentário, vou ser obrigado a desapontá-lo...

A imagem que você tem da União Soviética em termos de futebol, passa longe da verdade.

Mas vamos lá...

Antes da revolução bolchevique a bola já rolava nas terras de Catarina e Pedro, O Grande.

Entre os anos de 1901 e 1923, a Liga de Petrograd (Leningrado/São Petersburg) realizou campeonatos no sistema de pontos corridos com jogos de ida e volta...

Em 1908 criaram a Copa Petrograd e que era disputada nos mesmos moldes de hoje.

O primeiro campeonato organizado pela liga foi disputado em 1901, e contou com três equipes...

Nevka; Victoria e Nevski.

O Nevka sagrou-se campeão com 6 pontos ganhos (na época as vitórias valiam dois pontos, os empates um e a derrotas zero).

A última competição patrocinada pela liga aconteceu em 1923 e o campeão foi o Mercur.

Em Moscou havia a Liga de Moscou...

Sua fundação data de 1910 e seu fim aconteceu em 1920.

O Primeiro campeonato contou com 5 equipes:

KSO Orechovo; SKS; ZKS; KFS e Union.

O KSO Orechovo foi o campeão com 14 pontos.

Pois bem, em 1912 surgiu o primeiro campeonato nacional...

Os participantes não eram clubes, mas sim, combinados de cidades.

Na verdade, os registros indicam apenas dois campeonatos disputados: 1912 e 1913.

O de 1912, teve como participantes, Moscou (Rússia); São Petersburg (Rússia); Kharkov (Ucrânia); Kiev (Ucrânia) e Odessa (Ucrânia)...

Infelizmente foi um fracasso.

Moscou venceu Kharkov por 6 a 1 e São Petersburgo obteve classificação para final sem jogar, pois Kiev e Odessa desistiram de participar.

Na final, São Petersburg conquistou a taça ao derrotar Moscou por 4 a 1, depois de empatar a primeira partida em 2 a 2, numa disputada prorrogação.

Ambos os jogos foram realizados em Moscou.

A segunda tentativa em 1913, também fracassou.

Neste ano, dois grupos foram formados; o Grupo Norte e o Grupo Sul.

No Grupo Norte, Moscou, Bogorodsk, São Petersburg e Lódz se apresentaram para a disputa.

No Grupo Sul, Yusovka, Rostov, Kharkov, Kiev, Sebastopol, Kherson, Odessa e Nikolaev, assinaram a ficha de inscrição.

Pelo Grupo Norte, Moscou goleou Bogorodsk por 11 a 0...

Porém, São Petersburg não jogou devido à desistência da cidade de Lódz.

Na decisão do grupo, São Petersburg venceu Moscou por 3 a 0 na prorrogação.

Pelo Grupo Sul, Yusovka bateu Rostov por 5 a 1 e Odessa venceu Nikolaev por 3 a 2.

Kharkov e Kherson se classificaram em virtude da desistência de Sebastopol e Kiev.

Na semifinal do grupo, Kharkov venceu Yusovka por 2x1 e Odessa ganhou de Kherson por 10 a 0.
Na final, Odessa ganhou de Kharkov por 2 a 0.

Campeões de seus grupos, Odessa e São Petersburg se enfrentaram na cidade de Odessa e os donos da casa venceram por 4 a 2, mas a vitória nunca foi homologada.

Segundo os documentos pesquisados, Odessa teria utilizado quatro jogadores estrangeiros, quando só eram permitidos dois.

Odessa teve o título cassado, mas São Petersburg nunca foi declarado campeão.

Feito esse longo preâmbulo, entramos no período onde você afirma ter havido campeões de todas as regiões, inclusive da Sibéria e que o futebol era disputado por amor e não por salários.

Não é bem assim...

Na verdade, não é nada assim.

O primeiro campeonato disputado nacionalmente por clubes aconteceu em 1936, e foi dividido em duas partes...

Campeonato da Primavera e Campeonato de Outono.

No Campeonato da Primavera, participaram as seguintes equipes:

Dínamo Moscou, Dínamo Kiev, Spartak Moscou, CDKA (mais tarde CSKA) Moscou, Lokomotiv Moscou, Dínamo Leningrado (São Petersburg) e Kr Zaria Leningrado.

O campeão foi o Dínamo Moscou.

No Campeonato de Outono, participaram as equipes do Spartak Moscou, Dínamo Moscou, Dínamo Kiev, Dínamo Leningrado, Kr Zaria Leningrado, CDKA (mais tarde CSKA) Moscou, Lokomotiv Moscou e Dínamo Tbilisi.

O campeão foi Spartak Moscou.

Não houve decisão entre Dínamo Moscou e Spartak Moscou.

De 1936 até 1991, quando a União Soviética evaporou, tivemos os seguintes campeões:

Dínamo Kiev, 13 títulos;
Spartak Moscou, 12 títulos;
Dínamo Moscou, 11 títulos;
CSKA Moscou, 7 títulos;
Torpedo Moscou, 3 títulos;
Dínamo Tbilisi, 2 títulos;
Dnipro Dnipropetrovs'k, 2 títulos;
Ararat Yerevan, 1 título;
Dínamo Minsk, 1 título;
Zenit Leningrado, 1 título e Zorya Voroshilovhrad (Luhansk), 1 título.

A distribuição de títulos por república é a seguinte:

Rússia 34, Ucrânia 16, Geórgia 2, Armênia 1 e Bielorrússia, 1.

Portanto, igualzinho a qualquer lugar no planeta...

Ganha quem pertence às regiões economicamente mais fortes.

Perceba, nunca houve um campeão das repúblicas da Moldávia, da Estônia, da Letônia, da Lituânia, do Uzbequistão...

Assim, como nunca a região da Sibéria venceu nenhuma competição. 

Em relação aos jogadores, nenhum deles jogava por amor tão somente...

Eram quase todos, funcionários do Estado que recebiam seus salários não para prestar serviço ao público, mas sim, para jogar futebol.

Todos moravam em apartamentos pagos pelo governo e todos aqueles que ganhassem um campeonato ou chegassem à seleção eram presenteados com carros da marca, Lada.

Da mesma forma que a maioria dos clubes era propriedade do Estado e mantidos com dinheiro público.

Eis aqui uma pequena lista de quem pertencia a quem.

Dínamo de Moscou – NKVD ou KGB, CSKA Moscou – Exercito Vermelho, Torpedo Moscou – Indústria Automobilística, Zenit Leningrado – Siderúrgica de Leningrado, entre outros.

A única equipe da União Soviética que se enquadra no que você chama “futebol jogado por amor” é o Spartak Moscou.

Fundado em 1922 por Nikolai Starostin, o clube sempre foi independente.

Mesmo que lhe cause espanto, o Spartak surge da vontade de rapazes pobres (havia pobreza na URSS) que sem espaço para jogar entre os clubes da elite (havia elite na URSS) jogavam futebol nas ruas ou em qualquer lugar com espaço o bastante para a bola correr – esses jovens e sua forma de jogar eram conhecidos com praticantes do “futebol marginal”.

O primeiro nome do clube foi Krasnaya Presnya, via principal do Bairro de Presnya...

O bairro estava localizado numa região habitada por trabalhadores braçais, repleta de fábricas, cortiços e favelas (sim, havia cortiço e favela na URSS) e conhecida pelas gangs que dominavam o local e o tornavam um lugar violento e perigoso.

Nikolai e seus irmãos, Alexander, Pavel e Anatoly, fundadores e jogadores do time, mais tarde rebatizaram o Krasnaya Presnya com o nome do líder da revolta de escravos contra o Império Romano – Espártaco.

Daí, Spartak.

A sobrevivência do Spartak longe das benesses estatais se deu pelo espirito empreendedor (também havia empreendedores na URSS) de Nikolai e sua capacidade de gerir os recursos conquistados através de doações (deve ter sido o modelo sócio torcedor a moda soviética) e venda de ingressos.

A independência do regime e sua rebeldia (seus torcedores grivam “bei militsia” ou, peguem os policiais, quando jogavam contra o Dínamo) atraíram para o Spartak uma legião de torcedores.

Torcer pelo o Spartak, significava dizer não ao estado policial e opressor.

Ainda hoje, mesmo sem conseguir reeditar as glórias passadas, o Spartak é dono da maior torcida da Rússia.

Espero que este longo texto, sirva para aclarar sua visão sobre o futebol por trás da “cortina de ferro”.

Obrigado por seu comentário.


segunda-feira, dezembro 03, 2012

O Sport caiu...

Charge: Mário Alberto/Adaptação: Fernando Amaral

A diferença que separa os grandes clubes dos outros, não se resolve com choramingo e sofisma...




Iniciei há alguns dias uma ampla e cansativa pesquisa sobre a distribuição das cotas de televisão no futebol brasileiro.

Foi preciso paciência para ler, ler e ler...

Foi preciso dedicação, pois o que está à disposição, normalmente é opinião e não dados concretos...

Critérios para ser mais exato.

Ainda falta reunir mais uns poucos dados – depois, é sentar organizar e colocar no papel.

Não esperem nada de fantástico, pois na verdade, muito do que li está de acordo com a lógica comercial... 

Porém, comparando com a Itália, a Alemanha e a Inglaterra, é possível ver que existe uma fórmula mais justa, menos concentradora...

Não é nada mágico,  não iguala, mas também, não condena a inanição.

Sei que meus críticos não gostam quando faço tais comparações, mas infelizmente, sem parâmetros não há como argumentar...

Insistir em argumentos aparados no “achismo” é propagar a ignorância...

Jogar para a plateia usando argumentos simplistas como preconceito e discriminação para justificar o fosso na distribuição das cotas entre os clubes, não acrescenta, não informa, mas sim, deforma, desinforma e deseduca.

Par se ter uma ideia de como tais argumentos podem afetar o raciocínio lógico das pessoas, cito o exemplo do Senador Paulo Davim (PV/RN)... 

Médico, inteligente e lúcido, Paulo Davim ao se manifestar, na audiência pública presidida pela Senadora Ana Amélia (PP/RS), no Congresso Nacional, repetiu o senso comum e mostrou o quanto está órfão de assessoria quando o assunto é esporte.

Eis o que disse o senador:

“A diferença condena os pequenos a serem sempre pequenos. Há quanto tempo o Nordeste não dá um craque ao país? As emissoras [de tevê] precisam ter essa sensibilidade. O futebol está empobrecendo e a seleção mostra isso. Deixamos de produzir craques, porque não há visão nacionalizada do futebol. Há quanto tempo um time fora do eixo Rio-São Paulo não conquista um título nacional?”

Está claro que o discurso é repleto de boas intenções, mas não se sustenta...

Diferenças econômicas não condenam ninguém a nada...

O que condena é a má gestão, a ineficiência, a falta de criatividade e a ilusão de que é possível em meses, alcançar o que outros construíram em anos.

Como exemplo, utilizo o ABC FC, clube por quem torce Paulo Davim.

Todos concordam que existe uma gigantesca diferença econômica entre o alvinegro de Natal e o Sport, o Bahia e o Vitória, por exemplo?

Pois bem, essa diferença não impediu que o ABC construísse seu estádio...

Estádio que hoje, é considerado como um dos melhores entre os clubes nordestinos.

Não foi a diferença econômica que levou o ABC a estar numa situação financeira difícil, mas sim, os excessos cometidos em busca de alcançar em meses o que outros levaram anos para conquistar.

Desde quando, dinheiro é fator primordial para o “nascimento” de um craque?

Fosse assim, os craques só nasceriam nas famílias abastadas e não nas vielas e becos de favelas e comunidades pobres.

Romário, Ronaldinho, Neymar e tantos outros, estariam trabalhando em feiras livres ou vendendo bugigangas na praia e a seleção teria um Thor Batista como seu goleador, um Paes Mendonça como zagueiro, um Monteiro Aranha como meia e um Ermírio de Moraes no gol.

Fosse assim, apenas os Estados Unidos e a Europa rica produziriam gênios da bola...

África, América do Sul e qualquer outra nação pobre seriam uma floresta de pernas de pau...

Sobre há quanto tempo o nordeste não produz um craque, respondo:

O nordeste produz craques todos os dias...

Só não vingam por que os clubes locais não os deixam florescer e as torcidas preferem nomes de “peso” buscados a preço de ouro em clubes do tipo me engana que eu gosto do eixo Rio/São Paulo.

Aqui, volto a citar o ABC FC...

Não faz muito tempo, o ABC revelou um craque...

Seu nome?

Wallyson.

Wallyson só não vingou ainda, em função de contusões e não por que lhe falta condição técnica.

O futebol brasileiro não empobreceu por falta de craques e sim, por uma gestão desastrosa da CBF e pela falta de investimentos nas categorias de base da maioria dos clubes.

Por fim, o domínio dos clubes do eixo Rio/São Paulo é simples de explicar:

É no eixo Rio/São Paulo que se concentra a poder econômico do Brasil.

Apenas para ilustrar...

O PIB per capita da Avenida Paulista é duas vezes maior que o da cidade de São Paulo...

Na média, o PIB per capita do entorno da Avenida Paulista é de R$ 47 mil, enquanto em toda a capital a média é de R$ 20,7 mil.

Acho que isso explica.

Bem, nos próximos dias vou publicar o pequeno estudo a respeito dos critérios usados no Brasil e de como as três mais rentáveis ligas do planeta fizeram para tornar a desigualdade menos desigual.


domingo, dezembro 02, 2012

Messi e a chuteira em homenagem ao filho Thiago...

Imagem: Mundo Deportivo

Primeiro mude o que está perto de você, só depois pense em mudar o mundo...




 Imagem: Jennifer Foster


O que era para ser unicamente uma atitude pessoal ganhou o mundo graças a uma turista do Arizona que registrou com a câmera de seu celular e postou no Facebook a imagem de um ser humano agindo com humanidade.

Estranho mundo esse nosso...

O que deveria ser corriqueiro casou espanto e admiração...

Foram mais de 400.000 compartilhamentos.

Tudo começou quando o Larry DePrimo um policial de Nova York de 25 anos fazia sua ronda normal pela 7º Avenida na altura da Rua 44...

DePrimo, observou sentado numa calçada um morador de rua que tremia de frio...

Sem ter com que se cobrir e descalço o homem tentava se aquecer mantendo-se encolhido e silencioso.

Diante da cena, o jovem policial se aproximou olhou, deu meia volta, entrou uma loja e com o dinheiro que carregava em seu bolso, comprou um par de meias térmicas e uma bota de inverno – gastou 75 dólares.

De volta à presença do morador de rua, DePrimo, lhe entregou as meias e as botas.

O homem, segundo DePrimo, deu um sorriso de orelha a orelha e lhe disse:

“Eu nunca tive um par de sapatos em toda a minha vida”.

No entanto, o gesto não se conclui na entrega do presente...

Percebendo que o morador de rua tinha dificuldade em se mover, o policial se agachou, colocou as meias, as botas, amarrou os cadarços e pergunto: ficou bom?

A resposta foram dois olhos felizes, lagrimejados e um novo sorriso.

Ao se despedir, DePrimo perguntou se o homem queria um copo de café e algo para comer...

“Ele me olhou e cortesmente declinou a oferta. Disse que eu já havia feito muito por ele”.

Aqui deveria ser o fim da cena.

O pano cairia e todos iriam para casa...

Mas não foi.

Jennifer Foster, autora da foto, foi para casa abriu seu computador e postou em sua página a foto e escreveu o seguinte texto, dirigido ao Departamento de Policia de Nova York.

“Hoje, me deparei com a seguinte situação. Caminhava pela cidade e vi um homem sentado na rua com frio, sem cobertor e descalço. Aproximei-me e justamente quando ia falar com ele, surgiu por trás de mim um policial de seu departamento. O policial disse: ‘tenho umas botas tamanho 12 para você e umas meias. As botas servem para todo tipo de clima. Vamos colocar’?”

“Afastei-me e fiquei observando. O policial se abaixou, calçou as meias no homem, as botas e amarrou seus cadarços. Falou alguma coisa a mais que não entendi, levantou e falou, cuide-se”.

“Ele foi discreto, não fez aquilo para chamar a atenção, não esperou reconhecimento, apenas fez”.

“Se foi sem perceber que eu o olhava e que havia fotografado a cena. Pena, me faltou coragem para me aproximar, lhe estender a mão e dizer obrigado por me fazer crer que a policia que sonho é possível”.

“Bem, digam a ele isso por mim”.

Jennifer Foster.

Em poucas horas, o texto e a foto de Jennifer pipocaram por todo o território americano e por boa parte do mundo.

Larry DePrimo, soube por um colega que lhe telefonou para contar...

Quando voltou ao trabalho e se preparava para sair às ruas foi chamado por seus superiores, ouviu um elogio, recebeu abraços de seus companheiros e quando seu chefe lhe disse que o departamento iria lhe ressarcir o dinheiro gasto de seu próprio bolso, Larry recusou e disse: “Não senhor, obrigado. Com meu dinheiro, faço coisas nas quais acredito”.

Fonte: Elmundo.es/Nueva York e Newsday.

Essa história me tocou por me remeter a uma situação vivida bem próxima de mim...

Meu filho costuma em seus plantões, como membro do Corpo Segurança Operacional do Metrô de Brasília, trocar com meninos e meninas de rua, sanduíches por pedras de crack e frascos de cola...

Tudo começou quando um garoto foi detido por consumir crack na estação do metrô e depois de horas, chorou e pediu comida...

Alexandre saiu da sala, comprou um sanduíche lhe deu e lhe fez uma proposta...

“Eu lhe pago um lanche todos os dias, mas você me entrega a cola e o crack”.

Virou rotina e logo, havia uma pequena “multidão” de meninos e meninas que lanchavam na conta do Alex.

Um dia lhe fiz algumas perguntas:

O que você se faz com as pedras e os frascos?

- “Coloco tudo num saco, entrego a policia militar”...

E eles, perguntei?

- “Na primeira vez se assustaram e me perguntaram onde havia encontrado aquelas pedras e a cola. Disse que estavam escondidas num matagal próximo”.

Eles acreditaram?

- “Acho que não pai, nem eu acreditei”.

- “Engraçado é que com o tempo, passaram, a saber, da verdade, mas nunca me pediram para identificar os menores”.

Por que você não os detém?

- “Para que meu pai? O Estado brasileiro não está nem aí. Não temos nenhum investimento sério voltado a recuperar essas crianças. Não há o menor interesse em combater o tráfico e os donos da droga”. 

- “Deter esses meninos é enxugar gelo, é bater na parte mais fraca e indefesa de toda essa porcaria. O que faço e conversar e contar histórias e tentar mostrar que existe escolha. Eles me ouvem com atenção, mas eu sei que não vão parar. Eles não têm a quem recorrer. A vida se esqueceu deles, e eles, já nem se importam mais”.

E você, como se sente?

- “Só, cansado de tanto discurso vazio, de tanta conversa fiada, de tanto religiosidade hipócrita e de tanto intelectual arrotando soluções sem nunca terem descido ao inferno para conhecer o diabo”.

Por que continua então?

- “Não sei... ou melhor, sei sim. Estou aprendendo”.

Bem, acho que tenho fortes razões para me orgulhar de meu filho.


Atropelamento de atacante...

Imagem: World Soccer

Carlos Nuzman, o eterno...




Carlos Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiros concedeu entrevista a revista Veja e deixou para posteridade declarações que vão da arrogância pura e simples a vaidade extremada...

Nuzman se considera imprescindível...

Adora viajar, mandar e ser o centro das atrações...

Enfim, Carlos Arthur Nuzman se ama louca e perdidamente.

Eis algumas frases ditas por Nuzman à repórter Leslie Leitão.

Sobre si mesmo:

“Sem querer ser arrogante nem melhor ou pior do que ninguém, mas é preciso lembrar que não havia e não há ninguém tão preparado para esse cargo (presidente do COB) como eu”.

Sobre seu cargo:

“Transito por todas as esferas e já fui a mais de 100 países. Meu cargo propicia tudo isso. Acho prazeroso mandar”.

Sobre o principio democrático da renovação:

“Não concordo com o projeto apoiado pelo governo que limita o mandato dos dirigentes esportivos. Certas batalhas levam tempo e demandam experiência para ser vencidas. Não sou insubstituível, mas meu perfil é único”.

Sobre o futuro:

“Ficar depois da Olimpíada é uma opção, sim. O projeto de lei que limita o tempo nessa função que ocupo não seria um impedimento para isso. Ele viria justamente a partir de 2016, e por dois mandatos. Seria possível, portanto, permanecer no cargo até 2024.”

Apesar de não concordar com Nuzman, me vejo obrigado a reconhecer que o presidente do COB tem “coragem” bastante para dizer de forma clara e aberta aquilo que todos nós sabemos ser o pensamento da maioria absoluta de nossos “líderes”.

Ah, a melhor frase de Nuzman, expõem definitivamente o caráter aventureiro de sua administração e do governo brasileiro.

“Somos o único país em toda a história a ganhar o direito de sediar uma Olimpíada sem ter essa estrutura mínima” (para formação de atletas).

E aí, me permito parafrasear o jornalista José Cruz que diz:

“Ora, se nos falta o básico, o indispensável para que se tenha uma representatividade à altura do país sede, porque levar o governo federal a essa ousada candidatura de pavão deslumbrado”?

E, completo:

Mais que estrutura, nos falta humildade e autocritica.