terça-feira, novembro 19, 2013

A polícia desconhece as torcidas organizadas...



Duas mortes, possivelmente provocadas por torcedores rivais, chocaram a cidade e a torcida do ABC, logo após o jogo da última sexta-feira contra o ASA de Arapiraca.

Flávio Leandro de 17 anos morreu quando caminhava com seu irmão e dois amigos pela BR 101 de volta para casa. 

Os quatro rapazes foram surpreendidos por disparos de arma de fogo que partiram de um veículo Pálio de cor preta...

O irmão de Flávio, Felipe Leandro e os amigos, também foram atingidos, mas sem gravidade.

Flávio, infelizmente, morreu ao dar entrada no pronto socorro do hospital Clóvis Sarinho.

A segunda morte aconteceu no loteamento José Sarney...

Ismael Aprígio Teixeira de 18 anos e dois amigos voltavam para casa após assistir o jogo ABC e ASA, quando foram atacados a tiros por pessoas não identificadas.

Ismael, não resistiu aos ferimentos e faleceu ao dar entrada no hospital Santa Catarina.

Entretanto, o mais impressionante foi a declaração do delegado Odilon Teodósio, Diretor de Polícia da Grande Natal (DPGran), após o lamentável acontecimento.

O delegado informou que não existe até aqui, nenhum trabalho de mapeamento para traçar o perfil dos integrantes dessas torcidas.

Odilon Teodósio disse ainda que não há estatística em relação aos crimes praticados por torcidas organizadas ou por seus membros, pois esses crimes são computados apenas como homicídios sem causa específica de causa.

Impressionante.

A mais de dez anos que as torcidas organizadas se enfrentam, vandalizam, ferem e matam pessoas, e a Secretária de Segurança Pública do Estado, não tem nenhum tipo de monitoramento sobre quem são, o que fazem, que tipo de conduta tem, como se organizam, quem os comanda e o que os move...

Eu pretendia perguntar porque eles agem livremente...

Por que essas gangues não são desbaratadas e seus membros, responsabilizados?

Por que os membros de torcidas organizadas, nunca respondem por seus atos?

Não preciso mais...

Já sei...

A polícia os desconhece.

segunda-feira, novembro 18, 2013

Bateu uma saudade...

Imagem: Autor Desconhecido

O protesto do leitor Wildson Amaral...



Senhor Fernando Amaral,

Sou leitor assíduo de seu blog e me identifico, em muitas oportunidades, com os seus pontos de vista.

Como sei que seu blog é muito lido, gostaria de solicitar a sua ajuda na divulgação de mais um absurdo imposto pela FIFA a nós brasileiros e em nossa pátria mãe gentil.

Adquiri dois ingressos para um jogo da copa/14 em Natal, sendo um para mim e outro para a minha esposa, pois, pensava eu, que meu filho Pedro Lucas, que à época terá 03 anos, não precisaria de ingressos, pois, como todos nós sabemos, crianças de 03 anos, em qualquer evento condizente com a sua idade, não paga.

Como estava em dúvida, decidi escrever para um órgão ligado à copa, questionando se havia a necessidade da compra de ingresso para meu filho.

A resposta dada pela entidade é que meu filho de 03 anos precisará de ingresso para o jogo da copa.

Acho isso um absurdo!!!!! 

Veja só a resposta dada pela FIFA e repassem para seus contatos para conhecimento. 

Wildson Amaral.


RESPOSTA DA FIFA 

Prezado cliente, 

Obrigado por contatar o Centro de Venda de Ingressos da FIFA. 

As suas compras constam em sua Conta de Ingressos em www.fifa.com/ingressos.  

Desde 11 de novembro de 2013, às 12:00 Horário da Europa Central / 09:00 Horário de Brasília, pode verificar o seu status individual através da sua conta FIFA e deve verificar o menu “Pedidos Anteriores", onde detalhes de todas as transações bem sucedidas ou não estarão listados.

Não existe idade mínima para crianças. Um Ingresso deve ser adquirido para cada pessoa que deseja comparecer à Partida, independentemente de sua idade.

Note, por favor, que qualquer Detentor de Ingresso que entre no Estádio acompanhado por crianças ou adolescentes, deverá portar e apresentar, a qualquer tempo em que seja solicitado pelas Autoridades da Copa do Mundo da FIFATM, a autorização necessária dos pais do menor ou do respectivo tutor, conforme estabelecido pelas normas locais, além de seu Ingresso para a Partida. 

Atenciosamente,

Do blog: 

Meu caro Wildson,

Infelizmente a FIFA é soberana...

Em todos os países onde  realizou copas, impôs sua vontade.

Sem chance...

Imagem: Imago


Os novos donos das Arenas...



Os Arenautas estão chegando…Estão chegando os Arenautas...

Publicado no blog do Juca Kfouri.

Por André Ribeiro

O que há de mais gostoso no mundo do futebol são as conversas, polêmicas, apostas, gozação pela vitória ou derrota e todo o tititi que corre fora das quatro linhas, ou como dizem os entendidos, o “extracampo”. 

Uma dessas “polêmicas” sempre foi a de que nunca podemos querer comparar épocas diferentes do futebol. 

Por exemplo, querer descobrir se esse ou aquele jogador da década tal foi melhor que um destes dos tempos modernos. 

Se a seleção de 1970 foi melhor que a de 1982. 

E por aí afora.
Mas se há uma comparação que precisa ser feita agora, no exato momento em que começam a “brotar” como grama pelo país as tais “arenas” é entre o torcedor dos “velhos” estádios e o que batizo aqui de “arenauta”.

Isso mesmo. Arenauta. Mistura de Arena com Internauta.

Para a nova geração é importante lembrar que “antigos” estádios tinham tipos e lugares que quase viraram “marca registrada”, ou que pelo menos nunca caíram no esquecimento. 

Em São Paulo, no estádio do Pacaembu, corintianos eternizaram a “torcida da curvinha”. 

No Maracanã, surgiram os “arquibaldos e geraldinos”, aquela galera típica das arquibancadas (arquibaldos) e gerais (geraldinos), cabeleira diferente, sorriso desdentado, fantasiados dos pés a cabeça, carregando símbolos religiosos, criação do então repórter de rádio nos anos 1960, Washington Rodrigues, o “Apolinho”.

Brasil afora, não foram criados somente cantinhos especiais nos estádios. 

Costumes e tradições, também, como a do velho Mineirão, de comer feijão tropeiro nas arquibancadas e outras tantas espalhadas pelo país.

As novas Arenas trouxeram, ou pelo menos era essa a promessa, conforto para o torcedor dos velhos estádios. Como tudo no tal “mundo globalizado”, novidades levam tempo para serem assimiladas.

Velhos hábitos custam paciência no aprendizado. 

Não foi assim com os caixas eletrônicos? 

E quem poderia imaginar um dia poder comprar e fazer quase tudo por intermédio dos computadores, diretamente da confortável cadeira de nossas casas? 

Não foi assim a aposentadoria dos aparelhos de fax?

Foi. 

Mas no terreno sagrado das tradições esportivas, as novas comodidades e tecnologias estão mexendo com a cabeça dos antigos “arquibaldos” e “geraldinos”, substituídos agora pelos Arenautas. 

Mas quem seriam esses novos seres?

Arenauta é aquele torcedor que tem carro próprio, de preferência, quase do ano, raros são os que têm motor 1.0. 

Tem renda mensal razoável que lhe permite pedir pelo telefone ao menos uma pizza por semana para a família e ainda uma ida a um rodízio de comida japonesa. 

Dificilmente usa transporte público. 

Nem quando é dia de seu rodízio e muito menos quando o veículo quebra. 

Tem no banco um limite de crédito bacana que o autoriza a ficar no vermelho todo mês para poder satisfazer a ânsia de consumo. 

Ou seja, tendo ou não dinheiro na conta, tem capacidade de adquirir ingressos para assistir ao time do coração nas novas Arenas. 

Ah, as Arenas…
Nelas, não se vê mais velhos rádios de pilha. 

Agora, Arenauta que é Arenauta possuí internet 3 ou 4G, celulares de última geração, posta foto nas redes sociais assim que chega à Arena e, durante o jogo, de qualquer flagrante que deixe as dezenas ou centenas de amigos do facebook, twitter ou instagram com inveja de babar.

Geraldinos e Arquibaldos só perceberam agora, com a maior torcida do Brasil, a do Flamengo, que as tão sonhadas Arenas começaram a “cobrar” seu custo. Donos da maior torcida do mundo, fizeram o de sempre neste ano: lotaram o velho Maraca, ops, a nova Arena, levando na marra o time rubro-negro a mais uma final de campeonato, desta vez, a Copa do Brasil. 

E agora, na hora “agá”, os ingressos não são para os bolsos dos velhos geraldinos ou arquibaldos, mas somente para os Arenautas.

A nova Arena vai lotar, mesmo assim? 

Com certeza, pois os Arenautas, apesar de minorias nos antigos estádios, são os únicos que conseguem, agora, pagar os preços abusivos cobrados pelos dirigentes e administradores do jogo da bola.

E bem que um deputado estadual, Marcelo Freixo, do PSOL carioca, e o ex-jogador Bebeto, que virou político, tentaram, bem antes da nova Arena ficar pronta, em 2011, emplacar um projeto que garantiria “cota mínima de 30% dos ingressos a preços populares em estádios de futebol, arenas e outros equipamentos esportivos que em sua construção ou reforma tenham recebido benefício fiscal”.

Claro, o projeto ainda não foi votado. 

Mas para que, não é mesmo? 

Parodiando os versos de um dos maiores rubro-negros do país, Jorge Benjor, “os alquimistas estão chegando…Estão chegando os alquimistas”, agora, a rima melhor para as novas Arenas, do Maracanã ou qualquer uma do país, deve ser: “os Arenautas estão chegando…Estão chegando os Arenautas”.


* André Ribeiro é criador e editor do Literatura na Arquibancada, autor dos livros “Diamante Negro – Biografia de Leônidas da Silva”, “Fio de Esperança – Biografia de Telê Santana”, “A magia da camisa 10”, “Uma ponte para o futuro – A história do sindicalismo esportivo brasileiro” e “Donos do Espetáculo – Histórias da Imprensa Esportiva Brasileira”.