domingo, julho 20, 2025

Hannah Hampton: primeiro sangrou, depois defendeu dois pênaltis e classificou a Inglaterra para a semifinal de Euro feminina

Imagem: Eddie Keogh/Getty Images

Hannah Hampton, da Inglaterra, chega às manchetes no mais recente ato de uma carreira improvável

A heroína do pênalti com o nariz sangrando contra a Suécia nasceu com uma doença ocular grave que ainda afeta sua visão

Por Tom Garry em Zurique para o The Guardian

Hampton, com um algodão enfiado na narina direita após uma colisão na área na prorrogação que causou um sangramento nasal, encontrou a compostura, o foco e a agilidade para defender dois pênaltis da Suécia e ajudar o time de Sarina Wiegman a vencer por 3 a 2 nas penalidades e garantir o confronto com a Itália na semifinal da próxima terça-feira (22), após uma improvável reviravolta e um empate por 2 a 2 na prorrogação.

Foi uma atuação de amadurecimento para a jogadora de 24 anos de Birmingham, que também fez duas defesas cruciais quando a Inglaterra estava perdendo por 2 a 0, e certamente dissipou qualquer dúvida sobre sua aptidão para ser a goleira titular da seleção inglesa.

Hampton foi confirmada por Wiegman como a goleira titular da Inglaterra após Mary Earps se aposentar da seleção em maio.

A atuação de Hampton, eleita a melhor jogadora da partida nas quartas de final, em sua 20ª partida pela seleção principal, significa que os torcedores ingleses têm uma nova goleira para idolatrar.

Ter uma carreira profissional no futebol é uma conquista notável para a jogadora do Chelsea, ex-jogadora do Birmingham City e do Aston Villa, que nasceu com uma doença ocular grave e foi aconselhada pelos médicos a não jogar futebol.

Ela passou por várias cirurgias quando jovem para tentar corrigir a visão, mas ainda tem problemas de percepção de profundidade.

Hampton, no entanto, desafiou as adversidades médicas para prosperar pelo clube e pela seleção, conquistando, uma tríplice coroa nacional com o Chelsea este ano.

Sua atuação contra a Suécia, com sangramento nasal e tudo, foi seu maior momento até agora com a Inglaterra.

“Como algumas das meninas disseram, eu sou melhor com uma narina, então talvez eu tenha (um sangramento nasal) de novo no próximo jogo, para ser sincera”, brincou Hampton após a partida.

“As meninas me apoiaram bastante. Elas sabem o quão difícil tem sido, para mim, estar no grupo. Poder ajudá-las e ver todo o time fazer uma apresentação como fizemos, é um momento adorável.” 

Todas as meninas ficaram em êxtase.

Elas viram todo o meu trabalho duro, o quão difícil foi e como me ajudaram a chegar, onde estou agora, feliz por vestir a camisa da Inglaterra novamente.

Eu só quero fazer o que puder para que o time consiga essa vitória.

Nós simplesmente não queremos ir para casa.

Hampton parecia estar se referindo a um período no outono de 2022 em que foi retirada da seleção da Inglaterra, com Wiegman dizendo na época que “ela tem alguns problemas pessoais que precisa resolver, então, para ela, neste momento, é melhor ficar no clube”.

Na noite de quinta-feira, Wiegman elogiou Hampton e disse que nunca houve dúvidas dentro da concentração inglesa sobre se Hampton conseguiria se sair bem.

A atacante da Inglaterra, Beth Mead, disse: “Às vezes você precisa que sua goleira se destaque e Hannah fez isso hoje. Hannah fez algumas defesas incríveis”.

Foi a primeira partida do Campeonato Europeu Feminino a ser decidida por pênaltis desde 2017, já que não houve disputa por pênaltis quando a Inglaterra sediou o torneio em 2022, e o drama eletrizante em Zurique parecia estar tentando compensar essa longa espera.

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