Hannah Hampton, da Inglaterra,
chega às manchetes no mais recente ato de uma carreira improvável
A heroína do pênalti com o
nariz sangrando contra a Suécia nasceu com uma doença ocular grave que ainda
afeta sua visão
Por Tom Garry em Zurique para o
The Guardian
Hampton, com um algodão enfiado
na narina direita após uma colisão na área na prorrogação que causou um
sangramento nasal, encontrou a compostura, o foco e a agilidade para defender
dois pênaltis da Suécia e ajudar o time de Sarina Wiegman a vencer por 3 a 2 nas
penalidades e garantir o confronto com a Itália na semifinal da próxima
terça-feira (22), após uma improvável reviravolta e um empate por 2 a 2 na
prorrogação.
Foi uma atuação de amadurecimento
para a jogadora de 24 anos de Birmingham, que também fez duas defesas cruciais
quando a Inglaterra estava perdendo por 2 a 0, e certamente dissipou qualquer
dúvida sobre sua aptidão para ser a goleira titular da seleção inglesa.
Hampton foi confirmada por
Wiegman como a goleira titular da Inglaterra após Mary Earps se aposentar da
seleção em maio.
A atuação de Hampton, eleita a
melhor jogadora da partida nas quartas de final, em sua 20ª partida pela
seleção principal, significa que os torcedores ingleses têm uma nova goleira
para idolatrar.
Ter uma carreira profissional no
futebol é uma conquista notável para a jogadora do Chelsea, ex-jogadora do
Birmingham City e do Aston Villa, que nasceu com uma doença ocular grave e foi
aconselhada pelos médicos a não jogar futebol.
Ela passou por várias cirurgias
quando jovem para tentar corrigir a visão, mas ainda tem problemas de percepção
de profundidade.
Hampton, no entanto, desafiou as
adversidades médicas para prosperar pelo clube e pela seleção, conquistando,
uma tríplice coroa nacional com o Chelsea este ano.
Sua atuação contra a Suécia, com
sangramento nasal e tudo, foi seu maior momento até agora com a Inglaterra.
“Como algumas das meninas
disseram, eu sou melhor com uma narina, então talvez eu tenha (um sangramento
nasal) de novo no próximo jogo, para ser sincera”, brincou Hampton após a
partida.
“As meninas me apoiaram bastante. Elas sabem o quão difícil tem sido, para mim, estar no grupo. Poder ajudá-las e ver todo o time fazer uma apresentação como fizemos, é um momento adorável.”
Todas as meninas ficaram em
êxtase.
Elas viram todo o meu trabalho
duro, o quão difícil foi e como me ajudaram a chegar, onde estou agora, feliz
por vestir a camisa da Inglaterra novamente.
Eu só quero fazer o que puder
para que o time consiga essa vitória.
Nós simplesmente não queremos ir
para casa.
Hampton parecia estar se
referindo a um período no outono de 2022 em que foi retirada da seleção da Inglaterra,
com Wiegman dizendo na época que “ela tem alguns problemas pessoais que precisa
resolver, então, para ela, neste momento, é melhor ficar no clube”.
Na noite de quinta-feira, Wiegman
elogiou Hampton e disse que nunca houve dúvidas dentro da concentração inglesa
sobre se Hampton conseguiria se sair bem.
A atacante da Inglaterra, Beth
Mead, disse: “Às vezes você precisa que sua goleira se destaque e Hannah fez
isso hoje. Hannah fez algumas defesas incríveis”.
Foi a primeira partida do Campeonato Europeu Feminino a ser decidida por pênaltis desde 2017, já que não houve disputa por pênaltis quando a Inglaterra sediou o torneio em 2022, e o drama eletrizante em Zurique parecia estar tentando compensar essa longa espera.

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