domingo, abril 15, 2018

Código de Ética libera CBF para dar viagem e ingresso para político e juiz...




Código de Ética libera CBF para dar viagem e ingresso para político e juiz

Por Rodrigo Mattos

O Código de Ética da CBF libera a entidade para pagar viagens e dar ingressos para agentes públicos, como políticos, policiais e juízes.

A confederação já pagou viagens e ingressos para autoridades públicas, algumas delas que poderiam investigar ou julgar dirigentes da entidade.

O texto contraria o código de Ética da Fifa que proíbe qualquer tipo de benefício que possa gerar suspeita ou conflito de interesse.

Em seu artigo 10, o Código de Ética da confederação trata da relação com a administração pública.

Há proibição de a CBF, federações e clubes oferecerem cortesias e brindes para agentes públicos, citando os termos da Lei Anticorrupção.

Só que logo em seguida o texto abre exceção para viagens e ingressos.

No parágrafo único, afirma-se que as proibições ''não se aplicam à concessão de viagens e hospedagens, pela CBF, pelas Federações, pelas Ligas e pelos Clubes, necessárias ao fomento do futebol brasileiro, que poderão ser oferecidas para entes públicos ou privados, desde que (i) não contrariem as normas éticas das instituições das quais os Beneficiários integrem (ii) sejam concedidas de maneira transparente''.

Em seguida, é liberado que existam convites e ingressos para os agentes públicos.

A CBF já deu passagens e ingressos a juízes e policiais até para assistir a jogos da Copa do Mundo.

Um exemplo é que o ex-diretor da Polícia Federal Fernando Segóvia recebeu ingressos VIPs para vários jogos da seleção, como contou matéria da ''Folha de S. Paulo''.

Já houve viagens pagas a desembargadores na Copa-1998.

É comum a distribuição de ingressos a políticos e autoridades em jogos da seleção.

Dirigentes e ex-cartolas da CBF enfrentam inquéritos na PF como Marco Polo Del Nero, Ricardo Teixeira e José Maria Marin.

Já houve CPIs no Senado em que parlamentares barraram investigações, além de a entidade ter obtido vitórias na Justiça em processos relacionados a acesso a documentos da confederação.

O Código de Ética da Fifa, que serve como parâmetro para as regras nacionais, não prevê nenhuma exceção para a proibição de presentes e benefícios a serem dados ou recebidos por dirigentes.

Em seu artigo 20, o código da Fifa estabelece que só pode ser dado presente ou benefício que tenha valor simbólico e não crie conflito de interesse.

Pelo texto, na dúvida, dirigentes não podem dar presentes e devem evitar comportamento suspeitos.

Na prática, dirigentes da CBF podem ser punidos pelo Código de Ética da Fifa por dar ingressos, já que este vale para todos.

Especialista ouvidos pelo blog que pediram anonimato deixaram claro que há uma contradição entre o texto da CBF e o da federação internacional.

Questionada, a confederação pediu que o presidente da Comissão de Ética da confederação, Carlos Renato de Azevedo Ferreira, explicasse.

Ele informou ao blog que faria uma consulta oficial dentro da comissão sobre se havia contradição entre a liberação para passagens e a proibição de aliciar políticos.

''Quando fomos chamados para presidir a comissão, o código já estava pronto. O código foi feito pela CBF em consultoria com a Ernest & Young.  Já temos um protocolo de sua consulta que seguirá o curso na comissão'', informou Ferreira, que em seguida enviou o documento confirmando aberto de consulta.

''Desde abril de 2015, o código já teve 103 denúncias, enquanto o da Fifa tem dois por mês. Já temos processos julgados como o caso de nepotismo.''

Após a redação inicial, da qual a atual comissão de ética não participou, a CBF modificara o seu código de ética para criar outra exceção relacionada a nepotismo.

Dirigentes estão proibidos de contratar parentes, mas dentro de comissões técnicas isso é permitido.

Assim, o filho de Tite pôde ser contratado para a comissão da seleção.

A Escócia sofre um gol da Inglaterra... Anos 60.

Imagem: Autor Desconhecido

É preciso esfregar, enxaguar e lavar o futebol brasileiro...

Imagem: G1 Globo


Um dia, talvez não muito distante, espero eu, esse grupo que ajunta, empresários, agentes, dirigentes e até mesmo jogadores de futebol, será investigado minuciosamente...

Salvo, pouquíssimas e honrosas exceções, o que há de surgir, em nada será diferente do que estamos presenciando na política.

Mas, uma coisa é certa:

Para que ao final tudo esteja limpo, será preciso, esfregar, enxaguar e lavar com cuidado e por muito tempo...

Um lava-jato no futebol, não resolve.

Desafiando a neve...

Imagem: Christian Hartmann/Reuters 

Presidente do Santos está numa "saia justa"...

Imagem: Autor Desconhecido


O Santos comemorou 106 anos de existência neste sábado (14) num clima bastante tenso...

A revelação pelo blog do Perrone (UOL) que o presidente José Carlos Peres é sócio de uma empresa de marketing, agenciamento de jogadores e intermediação de vendas de atletas causou profundo mal-estar e deixou o dirigente numa saia justa.

Quase...

Imagem: Alex Livesey/Getty Images

Corinthians testa patrocínio inovador da Unilever que só aparece com suor...

Imagem: Globoesporte.com


Corinthians testa patrocínio inovador da Unilever que só aparece com suor

Caso negociações se confirmem, aporte será pontual no espaço principal da camisa

Por Redação do Máquina do Esporte

O Corinthians começou a testar nesta quinta-feira (12) um patrocínio no mínimo inusitado para a camisa de jogo.

Segundo o Globoesporte.com, a marca de um produto da Unilever que só aparece em contato com o suor dos atletas foi testada no treino realizado no CT alvinegro.

De acordo com a publicação, as negociações com a multinacional estão avançadas.

Caso se confirmem, a marca seria estampada no espaço principal da camisa corintiana, mas apenas em um acordo pontual.

O clube continuaria, portanto, sem um patrocínio máster definitivo.

O teste foi realizado no treino desta quinta-feira (12). Três jogadores (o zagueiro Marllon e os laterais Mantuan e Sidcley) vestiram a camisa de jogo durante os trabalhos e foi possível ver a marca teste aparecendo em contato com o suor dos atletas.

A ideia é ver se a tecnologia, de fato, funciona na prática.

Como as negociações ainda não estão 100% confirmadas, ainda não se sabe quando seria a estreia do novo patrocínio.

A intenção do departamento de marketing do Corinthians é que seja o mais rápido possível, mas é improvável que tudo se acerte até a estreia do clube no Campeonato Brasileiro neste domingo (15) diante do Fluminense.

A opção seguinte seria o confronto da próxima quarta-feira (18), contra o Independiente, na Argentina, pela Libertadores.

Vale lembrar que o Corinthians, atual campeão brasileiro e bicampeão paulista, está sem patrocinador máster há um ano, desde que não renovou com a Caixa.

No ano passado, na reta final do Brasileirão, o clube chegou a estampar a marca da Cia do Terno no espaço máster, mas o acordo acabou sendo apenas pontual.

Se a marca da Unilever fechar o acordo, será a sexta a figurar no uniforme do clube paulista.

Atualmente, o Corinthians tem aportes de Universidade Brasil (ombros), Minds e Valle Express (barras das mangas), Foxlux (barra das costas) e Positivo (costas).

sábado, abril 14, 2018

Milan versus Leeds United - Futebol no anos 70...

Imagem: Colorsport/Rex/Shutterstock

Datafolha mostra a queda do interesse dos brasileiros pelo futebol...

Imagem: Robbie Jay Barratt/AMA/Getty Images


Certamente esses são os dados mais preocupantes apontados pelo Datafolha, na pesquisa realizada sobre o futebol no Brasil...

Foram ouvidas 2.826 pessoas em 174 municípios, entre os dias 29 e 30 de janeiro de 2018.

A crescente queda de interesse por futebol no país, o baixo percentual dos que costumam frequentar estádios, somados aos baixíssimos índices de engajamento entre as mulheres é extremamente preocupante...

Abaixo o trecho que trata sobre os dados da crescente queda do interesse pelo futebol.

O crescimento do desinteresse

Um em cada quatro brasileiros (26%) com 16 anos ou mais tem grande interesse por futebol, e uma parte significativa, de 41%, não tem nenhum interesse por futebol. 

Há ainda aqueles que têm interesse médio pelo esporte (23%), e uma parcela de 9% que tem pequeno interesse.

A comparação com pesquisa sobre o mesmo tema realizada pelo Datafolha em 2010 mostra que, neste intervalo, cresceu o desinteresse por futebol (de 31% para 41%), e caiu o percentual dos que têm grande interesse (de 32% para 26%). 

A parcela com médio interesse variou dentro da margem de erro (era de 22%), e o percentual com pequeno interesse também caiu (era de 16%).

Entre os homens, 42% tem muito interesse pelo futebol, ante 12% entre as mulheres. 

O desinteresse total pelo futebol atinge 56% entre as mulheres, enquanto entre os homens fica em 24%. 

Na parcela de brasileiros que estudou até o ensino fundamental, o desinteresse pelo futebol é mais alto (48%) do que entre aqueles que estudaram até o ensino médio (38%) ou superior (35%).

A Copa da Rússia também sofre com a falta de interesse

A Copa do Mundo da Rússia desperta interesse similar entre os brasileiros: 24% têm grande interesse, 23%, médio interesse, 9%, pequeno interesse, e 42% não tem interesse no evento. 

Também é mais alto o grau de grande interesse entre homens (35%) do que entre as mulheres (15%), e o contrário ocorre com o desinteresse pelo evento (54% entre as mulheres, 30% entre os homens).

Quem são e quantos praticam futebol no Brasil

O percentual de brasileiros que pratica futebol é de 20%, sendo que 12% praticam uma vez por semana ou mais, os mais assíduos, e 5%, uma vez por mês ou menos. 

Entre os homens, 38% jogam futebol (24% uma vez ou mais por semana), ante somente 4% entre as mulheres. 

Os mais jovens, na faixa de 16 a 24 anos, são os maiores praticantes (41%, ante 28% na faixa seguinte, de 25 a 34 anos). 

Também há diferença no grau de escolaridade: entre os menos escolarizados, 13% jogam futebol, ante 24% entre os mais escolarizados. 

A análise por renda mostra que na fatia de renda familiar mais baixa, com ganho de até 2 salários, o percentual de praticantes de futebol é mais baixo (16%) dos que nas faixas de renda mais alta (entre quem tem renda familiar de 5 a 10 salários, por exemplo, 29% jogam).

Frequência aos estádios

Também é de 20% o percentual de brasileiros que costumam ver partidas de futebol no estádio, sendo que metade (10%) vai a estádios pelo menos uma vez por mês, e 4%, uma vez por ano. 

Entre os homens, 29% costumam ir a estádios (16% vão pelo menos uma vez por mês), índice que cai para 12% entre as mulheres.

Fonte: Folha de São Paulo com dados do Datafolha

Melhor sair da frente...

Imagem: Tony O'Brien/Action Images via Reuters

Como o futebol alça a bola para a política...

Imagem: The Historical Truth Project


Como o futebol alça a bola para a política

Na América Latina, proliferam os presidentes que foram cartolas de clube, numa demonstração da tênue linha entre política e futebol na região

Ariel Palacio para o El País

A Fifa, com 211 países-membros, é maior que a Organização das Nações Unidas (ONU), integrada por 193 Estados. 

A entidade futebolística mundial também consegue obter obediência total por parte dos países que a compõem, enquanto as Nações Unidas, a duras penas, conseguem ter suas normas acatadas. 

Esse é um dos vários sinais de que os governantes, muitas vezes, levam mais a sério o futebol que a própria política. 

“A política é um mecanismo para conciliar conflitos verdadeiros, enquanto o futebol cria conflitos falsos e os mantém perpetuamente. A política é importante e deve ser levada a sério. O futebol não tem transcendência e por isso deve ser levado muito mais a sério”, afirmou o colunista esportivo espanhol Kiko Llaneras.

A política e o futebol são protagonistas no conflito diplomático entre Reino Unido e Rússia. 

Nem ministros nem integrantes da família real britânica estarão presentes aos jogos da Copa do Mundo na Rússia, numa retaliação à tentativa de assassinato do ex-espião russo Sergei Skripal, em Salisbury, que o governo da primeira-ministra Theresa May diz ter sido encomendado pelo Kremlin, comandado por Vladimir Putin. 

Se a conexão entre a política e os estádios é intensa na Europa, ela é ainda mais forte na América Latina, onde vários cartolas se transformaram em presidentes da República.

Esse é o caso do presidente da Argentina, Mauricio Macri. 

Em 1995, Macri resolveu se afastar da figura do pai, o empresário Franco Macri, ao deixar as empresas familiares e disputar a presidência do clube Boca Juniors, o mais popular do país, com 43% da torcida nacional. 

Macri não era propriamente dito um fanático do futebol. 

Mas a conquista do posto de cartola do Boca lhe serviu de treino para aprender manobras políticas e ter, pela primeira vez, contato com a classe operária. 

Sua gestão foi marcada por um viés empresarial, na ocasião uma novidade no mundo futebolístico argentino. 

Na sequência, Macri criou seu próprio partido político. 

E, em 2007, deixou o Boca para ser prefeito de Buenos Aires.

Do outro lado do Rio da Prata, o atual presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, foi presidente do Club Atlético Progreso em 1989, ano em que esse time conquistou (pela primeira e única vez) o campeonato da Primeira Divisão do Uruguai. 

O clube está no bairro operário de La Teja, em Montevidéu, onde Vázquez nasceu. 

O presidente do Uruguai é torcedor do Progreso desde criança.

No Paraguai, o presidente Horacio Cartes é outro exemplo de cartola que chegou ao poder. Cartes comandou um dos principais clubes do país, o Libertad. 

Em sua gestão, o Libertad voltou à Primeira Divisão do campeonato paraguaio, obteve o tetracampeonato e chegou às semifinais da Libertadores de 2006. 

A holding de Cartes, formada por 25 empresas, é o suporte financeiro do clube. 

Cartes também foi diretor de seleções da Associação Paraguaia de Futebol durante as eliminatórias da Copa de 2010. 

Nesse posto, manteve ótimas e fluidas relações com a diretoria da influente Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), onde os paraguaios, que hospedam a sede da entidade, têm uma influência desproporcional.

Embora a política seja lenta na hora de resolver a miríade de problemas internos do Mercosul, do qual Argentina, Uruguai e Paraguai são sócios fundadores, esses três presidentes se uniram no ano passado para pleitear, perante a Fifa, a realização da Copa do Mundo de 2030. 

Uruguai, Argentina e Paraguai querem organizar juntos a edição centenária desse convescote futebolístico mundial, realizado pela primeira vez em 1930 em Montevidéu.

O Chile tem um novo presidente com passado de cartola, Sebastián Piñera, o maior bilionário de seu país. 

Piñera foi presidente do clube Colo-Colo, mas deu um passo além de Macri, Cartes ou Vázquez. 

Em 2004, ele se transformou no maior acionista individual da empresa que controlava o Colo-Colo. 

Na ocasião, o movimento de Piñera foi visto como uma tentativa de usar o clube como trampolim para a política. 

Em 2010, meses após tomar posse como presidente da República pela primeira vez (2010-2014), depois de acusações de que usava o clube com fins políticos, decidiu vender sua participação ali.

Na Argentina, o futebol foi usado intensamente pela presidente Cristina Kirchner (2007-2015) com fins políticos a partir de 2009, quando ela decretou a estatização das transmissões pela TV dos jogos do campeonato argentino. 

Durante seis anos, até 2015, ela deu mais de US$ 1,3 bilhão aos cartolas, que embolsaram o dinheiro, sem qualquer tipo de fiscalização. 

Paradoxalmente, apesar das grandes transferências de recursos, nesse período os clubes estiveram — em sua maioria — com graves problemas financeiros.

O governo Kirchner não ganhou dinheiro algum com as transmissões dos jogos, já que não autorizou publicidade privada, apenas oficial, com autoelogios ao governo de Cristina, a prefeitos e governadores aliados. 

Na ocasião, a oposição classificou esse esquema de “populismo esportivo”. 

A estatização das transmissões absorvia mais verbas do que os fundos federais destinados à cultura ou ao tratamento e à prevenção da aids.

O futebol já fora usado intensamente com fins políticos na Argentina durante a Copa do Mundo de 1978, quando a ditadura militar do período 1976-1983 colocou toda a máquina de propaganda do regime para exaltar a seleção e expor as pessoas que ignoravam a competição — ou não exibiam um fervoroso interesse pelo futebol — como “traidoras da pátria”.

Devido ao desespero do ditador Jorge Rafael Videla (foto) em vencer a Copa, existem diversas teorias sobre o controvertido jogo no qual a seleção argentina venceu a peruana por 6 a 0 e eliminou o Brasil na fase de quartas de final. 

Os jogadores foram intimidados pelo próprio general, que repentinamente adentrou o vestiário dos peruanos quando eles estavam se vestindo para entrar em campo contra a Argentina (e alguns ainda estavam de cuecas) e fez um discurso sobre a intensa “solidariedade” entre peruanos e argentinos. 

Vários jogadores peruanos deduziram que os militares argentinos poderiam assassiná-los depois do jogo caso o Peru vencesse e que colocariam a culpa do “atentado” em algum grupo guerrilheiro. 

Integrantes da seleção peruana foram a campo tremendo de medo.

O placar de 6 a 0 gerou suspeitas mundiais, mas a Argentina conseguiu chegar à final e vencê-la na disputa contra a Holanda. 

A final foi no Estádio Monumental de Núñez, a dez quarteirões da Escola de Mecânica da Armada, a ESMA, que era o maior centro de torturas de Buenos Aires. 

Hoje, de forma geral, os argentinos preferem recordar a conquista da Copa de 1986, sem as suspeitas de 1978 e sem a sombra de uma ditadura sanguinária. 

A Copa de 1978 teve outro viés muito característico dos eventos esportivos: o superfaturamento. 

O almirante Emilio Massera, um dos integrantes da junta militar que governava a Argentina, prometeu a Videla (foto) que o evento — com a construção e remodelação de estádios, entre outros gastos — custaria US$ 70 milhões. 

Mas o custo final foi de US$ 700 milhões, dez vezes maior.

O vínculo intenso entre o futebol e a política teve seu pontapé inicial na Copa de 1934 na Itália, quando o “duce” Benito Mussolini usou a competição para promover seu regime fascista: o frenesi nos estádios, com milhares de torcedores agitando bandeiras italianas, servia para desviar a atenção dos problemas econômicos e da censura política na Itália da época. 

Ditadores costumam ser obsessivos com o controle dos detalhes. 

Isso não se encaixa com o futebol, esporte de natureza imprevisível e fora do controle de um governo. 

Obcecados com a vitória, os homens de Mussolini ameaçaram de morte os integrantes da seleção caso não conquistassem o troféu. 

Os historiadores esportivos consideram que a seleção italiana, embora contasse com grandes jogadores, foi favorecida de forma pouco discreta pelos árbitros em diversos jogos, especialmente na final contra a Tchecoslovaquia. 

Os jogadores italianos — respirando aliviados pela garantia de sobrevivência — receberam da Fifa a Taça Jules Rimet. 

Foram premiados ainda com uma copa própria, a Coppa del Duce (a Copa do Duce), uma espécie de troféu adicional que tinha seis vezes o tamanho da Jules Rimet.

O escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor de As veias abertas da América Latina, era um fanático do futebol, mas alertava que as tensões futebolísticas, ocasionalmente, transbordam dos estádios. 

“Futebol, metáfora da guerra, às vezes se transforma em guerra real”, disse o escritor, a respeito da única ocasião da história mundial na qual o futebol foi protagonista de um conflito bélico, a denominada “Guerra do Futebol”.

Essa guerra explodiu em 1969, quando existia uma crescente tensão entre El Salvador e Honduras devido a ataques de grupos paramilitares contra os imigrantes salvadorenhos do lado hondurenho da fronteira. 

Por trás dos ataques estava a política do presidente de Honduras, López Arellano, de realizar uma reforma agrária para tentar aliviar a crise entre os camponeses de seu país. 

Mas, para não confiscar terras da empresa americana United Fruit Company (que tinha 10% do território do país) ou dos latifundiários hondurenhos, López Arellano decidiu expropriar os sítios dos imigrantes salvadorenhos.

Dezenas de milhares de lavradores salvadorenhos — muitos dos quais estavam havia décadas em Honduras — começaram a ser expulsos de volta para seu país de origem. 

A tensão foi turbinada pelos jornais e rádios de cada país. 

Nesse contexto de ânimos enfurecidos, foi realizado o primeiro jogo entre as seleções de Honduras e El Salvador, em Tegucigalpa, em junho de 1969, para as eliminatórias da Copa do México de 1970. 

Honduras venceu por 1 a 0. 

Torcedores e jogadores de El Salvador foram hostilizados e agredidos pelos hondurenhos.

No segundo jogo, dias depois, em San Salvador, os salvadorenhos venceram por 3 a 0. 

A seleção hondurenha, da janela do hotel, viu como um jovem torcedor de seu país foi apedrejado até a morte na calçada da frente. 

Os hondurenhos tiveram de fugir para casas de pessoas que os receberam de forma secreta. 

No dia seguinte, o Exército salvadorenho os escoltou até o estádio, onde um pano de cozinha substituía a bandeira de Honduras, que jazia queimada no chão.

Um terceiro jogo foi realizado em território neutro, o México, dias mais tarde — e El Salvador venceu de novo, por 3 a 2. 

No mesmo dia, o governo salvadorenho rompeu relações diplomáticas com Honduras, já que López Arellano nada fazia para deter a violência contra os imigrantes salvadorenhos. 

Dias depois, o Exército de El Salvador invadiu Honduras e conseguiu chegar perto de Tegucigalpa, até ser empurrado de novo para seu lado da fronteira.

López Arellano protagonizou cenas pouco marciais ao se esconder dentro dos cofres do Banco Central de Honduras durante as 100 horas que durou a “Guerra do Futebol”

Dali, desde o subsolo blindado — com o conforto de provisões de alimentos adequadas e linhas telefônicas para emitir ordens —, o ditador comandou as batalhas, enquanto as tropas dos dois países se confrontavam.

Seus críticos ironizaram: “No século passado faziam estátuas de presidentes a cavalo, com o sabre, para celebrar vitória na guerra. Neste caso, ficará difícil montar um monumento a um homem dentro de um enorme cofre de banco...”.

A guerra gerou 3 mil mortos e 15 mil feridos em ambos os lados, entre civis e militares. 

Trezentos mil salvadorenhos expulsos de Honduras transformaram-se em refugiados em seu próprio país, criando as tensões que alimentaram a guerra civil de El Salvador dos anos 1970 e 1980. 

Um dos mais famosos correspondentes internacionais da segunda metade do século XX, o polonês Ryszard Kapuściński, foi o autor da denominação “Guerra do Futebol” para esse conflito centro-americano. 

“Os pequenos países do Terceiro Mundo têm a possibilidade de despertar um vivo interesse somente quando se decidem a derramar sangue. É uma triste verdade, mas é assim”, disse. 

Em 2002, em Buenos Aires, ao falar dessa guerra. 

Kapuściński disse, em espanhol, com forte sotaque de Varsóvia: “Foi talvez a guerra mais absurda que já vi. De forma geral, na América Latina, a fronteira entre o futebol e a política é tão, mas tão tênue, que é quase imperceptível!”.

A queima roupa...

Imagem: Peter Cziborra/Action Images via Reuters

Champions League... Real Madrid e Bayern de Munique, Liverpool e Roma, definem quem vai à final na Ucrânia...



Agora falta pouco para que se conheça os finalistas da Champions League que vão disputar o título de campeão da Europa, em Kyiv, capital da Ucrânia, no dia 26 de maio, um sábado...

Os encontros das semifinais já estão definidos: 

Real Madrid e Bayern de Munique se enfrentam, primeiro em Munique e depois, em Madrid (apenas como curiosidade: nas últimas seis champions que ganhou o Real sempre derrotou um clube alemão)...

Roma e Liverpool jogam a primeira partida em Liverpool e a segunda, em Roma.

Os jogos estão marcados...

Partidas de ida, dias 24 e 25 de abril e as partidas da volta, nos dias 2 e 3 de maio.

sexta-feira, abril 13, 2018

Num dia frio o Leeds United enfrentou o Totteham Hotspurs... futebol dos anos 70.

Imagem: Ed Lacey/Popperfoto/Getty Images 

Handebol perde patrocínio do Banco do Brasil...

Imagem: Autor Desconhecido


Banco do Brasil encerra patrocínio ao handebol nacional por crise política

Apoio havia começado em 2013 e não será renovado por grave crise na CBHb

Por Redação do Máquina do Esporte

O Banco do Brasil enviou um ofício à Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) na última terça-feira (10) e informou que não vai renovar o contrato de patrocínio que expira no próximo dia 30 de maio. 

Com isso, o esporte brasileiro toma mais um golpe, dois dias depois da Nestlé ter anunciado a retirada de seu patrocínio de nove anos ao vôlei de Osasco.

Oficialmente, a explicação do Banco do Brasil é de uma mudança de estratégia. 

A instituição pretende continuar no esporte, mas focar seus esforços no vôlei, vôlei de praia e em seu circuito de corridas de rua, que terá o dobro de etapas neste ano em relação ao ano passado, como antecipou a Máquina do Esporte.

No entanto, o real motivo do término da parceria é outro. 

A CBHb passa por uma grave crise política que foi intensificada na semana passada, quando o agora ex-presidente Manoel Luiz Oliveira foi afastado do cargo pela Justiça Federal. 

A sentença fala em “prática de simulações, falsidades (ideológicas e materiais), superfaturamento e pagamento por serviços não prestados”

Oliveira estava no cargo há 28 anos.

Com a decisão do Banco do Brasil, o handebol brasileiro sofre um baque a pouco mais de dois anos dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. 

O aporte havia começado em 2013 e conquistado logo em seu primeiro ano o melhor resultado da história do handebol nacional: o título mundial da seleção feminina.

Em nota, a CBHb lamentou a decisão, agradeceu o apoio dado nos últimos cinco anos e ainda afirmou que “a parceria possibilitou também o desenvolvimento da modalidade, o aumento das fases de treinamento das seleções adultas e de base e o apoio às seleções de handebol de areia, que se mantiveram no topo do ranking da IHF (Federação Internacional de Handebol). Permitiu, ainda, a criação do Torneio Quatro Nações, importante para a promoção e a divulgação da modalidade e da marca do Banco do Brasil por todo  o país”.

Na mesma nota, a Confederação ainda fala que “terá de rever todo o seu planejamento, principalmente as ações relativas às seleções olímpicas”.

Vale ressaltar que, para a última edição dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, o handebol recebeu cerca de R$ 64 milhões no quadriênio de preparação para a competição. 

Agora, sem o aporte do banco do Brasil, a situação financeira ficará bastante complicada, já que o único patrocínio que sobrou, dos Correios, paga “apenas” 1,6 milhão por ano. 

A entidade ainda recebe R$ 2,5 milhões da Lei Agnelo Piva.

Romelu Lukaku versus Martin Dubravka...

Imagem: Mark Leech/Offside/Getty Images

Messi e Piqué criticam o treinador Ernesto Valverde...

Imagem: Autor Desconhecido


Segundo o site Deportes Quatro, da Espanha, o voo do Barcelona de volta para casa, não foi dos melhores...

Messi e Piqué, assim que o avião decolou, procuraram Ernesto Valverde e criticaram de forma dura e enfática o planejamento do treinador para a partida contra a Roma.

quinta-feira, abril 12, 2018

Braços para segurar, uma perna para atrapalhar, uma camisa para puxar e uma bola para dominar...

Imagem: David Klein/Reuters 

Andam falando muito bem do time que está sendo montado por Ney da Mata...

Imagem: Edmo Anderson/Vermelho de Paixão


Depois de ouvir algumas pessoas falando com entusiasmo sobre o amistoso do América contra o Atlético Potengi,  resolvi buscar informações, já que não vi o jogo...

As pessoas com quem conversei me passaram uma sensação de otimismo muito grande com a equipe que vem sendo montada pelo treinador Ney da Mata (foto).

Quem viu o jogo fez questão de elogiar a postura da equipe em campo, a movimentação dos laterais e a qualidade técnica dos novos contratados...

O conselheiro e meu amigo, o médico José Medeiros, normalmente cauteloso em seus comentários sobre jogadores e treinadores, desta vez se mostrou bem a vontade para opinar.

"Rodney, Luiz Fernando e Flávio Carioca me deixaram confiante. 
Se esse meia jogar o que jogou contra o Atlético estaremos muito bem servidos", disse Medeiros...

Depois, lendo aqui e ali, fiquei curioso para ver esse time em campo disputando pontos.

Não ouço vocês, não ouço...

Imagem: Michael Regan/Getty Images

Juventus faz uma partida sensacional, vence por 3 a 1, mas acaba eliminada da Champions League...

Zlatan Goal Ibrahimovic...

Imagem: Gary A. Vasquez/USA Today Sports

No jogo da volta o Liverpool vence o Manchester City por 2 a 1 e avança para as semifinais da Liga dos Campeões após esperar 10 anos...

De braços dados...

Imagem: Carl Recine/Action Images via Reuters 

Justiça do Trabalho confirma liberação do jogador Berguinho do ABC...

Imagem: Autor Desconhecido


O jogador Rosemberg da Silva (Berguinho) conseguiu via Justiça do Trabalho sua liberação do ABC...

O atleta não foi liberado por atraso de seus salários conforme foi anunciado.

O ABC conseguiu provar que não houve atraso nos vencimentos do jogador, conforme o empresário do atleta alegou...

Porém, o atestado liberatório foi conseguido em virtude do atraso no recolhimento do FGTS...

O ABC apresentou à Justiça o acordo de parcelamento do FGTS e o comprovante do pagamento das parcelas...

O Tribunal, no entanto, não considerou o parcelamento e determinou a liberação de Berguinho

Um sábado difícil...

Imagem: Catherine Ivill/Getty Images

Bayern de Munique e Sevilha ficam no 0 a 0... A equipe alemã avança para as semifinais da Liga dos Campeões.

Pequenos torcedores do Clydebank no Kilbowie Park - Escócia 1989...

Imagem: Stuart Roy Clarke 

A Roma consegue o improvável ao vencer o Barcelona por 3 a 0 e volta a disputar uma semifinal da Liga dos Campeões 34 anos depois...

Vamos comemorar ali....

Imagem: Peter Byrne/PA

Na cadeia, corintianos fizeram a festa na final do campeonato paulista...

terça-feira, abril 10, 2018

O lanche antes do Manchester United estragar a tarde deles...

Imagem: Lee Smith/Action Images via Reuters

Classificatória para a Copa do Nordeste de 2019...



Os jogos que irão definir quem vai participar da Copa do Nordeste de 2019 já foram definidos...

O América enfrenta o Confiança, o Sampaio Corrêa pega o representante do Piauí (River ou Parnahyba), o Salgueiro vai decidir sua sorte com o Juazeirense e, o CRB terá como adversário o Campinense.

Em tese, o Sampaio Correa terá pela frente uma missão não tão árdua...

Porém, América, Confiança, Salgueiro, Juazeirense, CRB e Campinense, são equipes que se equivalem, mesmo que América, Juazeirense e CRB, tenham um ligeiro favoritismo.

Higuaín sem entender o que aconteceu diante da Espanha...

Imagem: Paul White/AP

Ter Stegen elege os cinco melhores goleiros do mundo...

Imagem: Autor Desconhecido


O Marca da Espanha pediu a Marc-André Ter Stegen, goleiro do Barcelona e da seleção da Alemanha, que nominasse os cinco melhores goleiro do mundo...

Eis os nomes que o alemão listou:

Gianluigi Boffon - Itália
David De Gea - Espanha
Manuel Neuer - Alemanha
Ederson Moraes - Brasil
Allisson Becker - Brasil

Aquele momento em nada mais se pode fazer...

Imagem: Nick Potts/PA 

O maior contrato de mídia do mundo pertence a NFL...



22,5 milhões de dólares é o custo para transmitir um jogo da NFL pela televisão; a liga americana é a que tem o maior contrato de mídia do mundo.

Fonte Máquina do Esporte

segunda-feira, abril 09, 2018

O beijo na "porta" do Goodison Park...

Imagem:  Stuart Roy Clarke 

John Verhoek do Heidenheim marca contra o 1.FC Nürnberg, um gol tão ou mais bonito que o gol marcado por Ibrahimovic contra o Los Angeles FC...

Kaitlyn Lawes, atleta da equipe canadense de Curling...

Imagem: Natacha Pisarenko/AP

Ciclista belga belga morre durante a prova Paris-Roubaix...

Imagem: T-Online


Depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória em plena prova Paris-Roubaix, o ciclista belga Michael Goolaerts, acabou falecendo...

Goolaerts tinha 23 anos, passou mal e caiu quando pedalava próximo a Briaste, distante 100 quilômetros do ponto de partida.

O atendimento foi rápido...

As equipes médicas que acompanham os ciclistas prestaram os primeiros socorros e Goolaerts foi levado por helicóptero para Lille, mas não resistiu e morreu 22 horas e 40 minutos deste domingo.


Imagem: La Prensa Gráfica

Gatito Fernandes, goleiro do Botafogo, Campeão Carioca de 2018...

Imagem: Globoesporte.com

Carlos Nuzman volta a mandar Comitê da Rio-2016...

Imagem: Autor Desconhecido


Nuzman se movimenta nas sombras

Por Lauro Jardim

Carlos Arthur Nuzman renunciou ao comando do comitê organizador da Rio-2016 logo depois que foi preso, há seis meses.

Mas agora, já solto, voltou a mandar no endividado comitê (R$ 130 milhões). 

Não oficialmente, mas nas sombras. 

Voltou ao comando por causa da renúncia na semana passada dos três conselheiros que não obedeciam suas ordens. 

Outros três, mais ligados a Nuzman, ficaram.

US$ 15 milhões é quanto vai ter que pagar quem quiser estampar sua marca nas costas da camisa de treino do Brasil...

Imagem: Autor Desconhecido


Por US$ 15 milhões anuais qualquer patrocinador poderá utilizar um espaço nobre na camisa de treino da seleção brasileira de futebol...

Esse é o valor que a CBF pretende negociar para o espaço ainda sem patrocinador, o das costas da camisa.

Os 15 milhões de dólares pagos anualmente garantem um contrato até a Copa de 2022...

Alguém se habilita?

Fabio Carille, técnico do Corinthians e Campeão Paulista de 2018...

Imagem: Marcos Ribolli/Globoesporte.com

Os primeiros 20 campeões estaduais brasileiros...

Imagem: Globoesporte.com


Confira os 20 primeiros campeões dos Campeonatos Estaduais 2018:

Acreano (Rio Branco)
Alagoano (CSA)
Amazonense (Manaus)
Baiano (Bahia)
Brasiliense (Sobradinho)
Capixaba (Serra)
Carioca (Botafogo)
Catarinense (Figueirense)
Cearense (Ceará)
Gaúcho (Grêmio)
Goiano (Goiás)
Maranhense (Moto Club)
Mato-grossense (Cuiabá)
Mineiro (Cruzeiro)
Paraense (Remo)
Paraibano (Botafogo)
Paranaense (Atlético Paranaense)
Paulista (Corinthians)
Pernambucano (Náutico)
Potiguar (ABC)
Sul-mato-grossense (Operário)

GP Argentina MotoGP 2018... Valentino Rossi pede punição para Marc Marquez.



"Tenho medo. Marquez destruiu nosso esporte. Ele faz o que quer. É perigoso"... 

A frase é do italiano Valentino Rossi, depois de ter sido retirado da prova após ser tocado pelo piloto espanhol Marc Marquez, durante a disputa do GP Argentina MotoGP 2018.

sexta-feira, abril 06, 2018

Me mostra o que está escrito....

Imagem: Stu Forster/Getty Images

Blazevic e a origem do 3-5-2...

Imagem: Miroslav Blazevic


Blazevic e a origem do 3-5-2

Há muitos que reclamam a paternidade do 3-5-2, mas entre eles há um homem com razões para sentir-se o pricipal protagonista desta saga tática

Por Alexandre Martins para o futebolmagazine.com

Nos anos oitenta o futebol reagiu ao fim do Futebol Total e à estagnação do 4-4-2 de inspiração britânica com uma volta ao passado e a época dos três zagueiros. 

Num curto espaço de tempo começaram a brotar distintos projetos que colocavam o ênfase na importância de um novo modelo adaptado a um mundo sem centroavantes clássicos. 

Contra o que muitos podiam imaginar o pioneiro da metamorfose não chegou do futebol nórdico ou argentino. 

Foi na velha Iugoslávia que o 3-5-2, hoje tão de moda, verdadeiramente deu sinais de vida.

A consagração do 3-5-2 na França

Em 1998 a selecção da Croácia tornou-se a grande sensação do Campeonato do Mundo.

Não era novidade que o jovem país dos Balcãs tinha potencial, algo que o Eurocopa da Inglaterra, dois anos antes, já tinha claramente demonstrado, mas no torneio em solo gaulês ficou claro que os croatas tinham armas e argumentos para ambicionar fazer parte da elite continental. 

Mais além do enorme talento individual de alguns dos seus internacionais, com Davor Suker, Zvonimir Boban, Robert Prosinecki ou Robert Jarni à frente, os croatas contavam igualmente com um modelo táctico que encaixava perfeitamente nas debilidades mais evidentes dos modelos tradicionais dos anos noventa, onde os pontas-de-lança de elite começavam a escassear e o jogo, cada vez mais, se disputava no meio.

Depois de uma difícil fase de grupos, onde se viram superados pela Argentina – os croatas colocaram em prática o seu particular modelo de jogo e graças a ele foram eliminando os favoritos romenos e alemães até alcançar as semifinais onde ficaram a um breve suspiro de ser uma das maiores surpresas da história do futebol, não fosse a presença salvadora de Lilian Thuram naquela noite quente de Paris. 

Para não deixar dúvidas, o terceiro lugar conquistado contra uma, isso sim, desmotivada Holanda, confirmava o êxito prático da teoria. 

E reivindicava, definitivamente, a polémica figura de um pioneiro, o seleccionador Miroslav Blazevic.

O pai espiritual do futebol croata tinha sido determinante na aplicação táctica, em 1993, quando como treinador mudou de uma versão francamente ofensiva e vertical do 3-5-2 que tinha conhecido o seu auge nos anos oitenta mas que, depois da explosão do modelo de Arrigo Sacchi em Milão e da progressiva passagem do velho 4-4-2 para um mais moderno 4-2-3-1, parecia estar em declive. 

Blazevic não acreditava nessa tão anunciada morte e desde o principio inculcou esses princípios à sua talentosa geração de jogadores – muitos deles parte da equipa campeã mundial de sub-20 com a Jugoslávia, em 1989 no Chile – formando assim um conjunto sólido, compacto e com vontade de vencer. 

Em 1996 a equipa croata aterrou em Inglaterra silenciosamente, como underdogs num grupo onde os favoritos eram, a Dinamarca, e a geração dourada portuguesa.

Os lusos acabaram por vencer o grupo – incluindo uma vitória por 3 a 0 na última jornada contra os balcânicos – mas as vitórias croatas sobre dinamarqueses e turcos foram suficientes para selar a classificação que esbarrou contra uma dura e crua Alemanha. 
Blazevic não atirou a toalha e dois anos depois conseguiu a desforrar frente aos germânicos. 
A medalha de bronze no Mundial foi o apogeu dessa geração, já demasiado cansada para repetir a dose no Europeu de 2000, para o qual nem sequer se classificaram, e a anos luz da sua melhor versão nos torneios seguintes, já com outra geração e com outra liderança técnica. 

O que no entanto o Mundial de França confirmou foi a ideia pioneira de um homem, quase duas décadas depois de que essa visse a luz por primeira vez.

A viagem táctica de Blazevic.

Carlos Billardo reclamou em diversas ocasiões a paternidade do 3-5-2.

O argentino, efectivamente, popularizou o modelo graças ao seu triunfo no Mundial do México e em 1984 a equipa argentina que comandava, sem grande êxito, desde o Mundial de Espanha, começou efetivamente a utilizar o modelo para potencializar o gênio de Diego Armando Maradona. 

No período entre 1984 e os terrenos de jogo tórridos do México, a Albiceleste disputou um total de seis jogos com o esquema inovador em que os laterais tinham uma controlada projeção ofensiva e um terceiro central, exercendo a função de libero, reforçava as funções defensivas do coletivo, permitindo a Maradona tempo e espaço para colocar em campo todo o seu gênio.

Também a Dinamarca de Sepp Piontek popularizou nesse torneio o seu modelo inspirado no 3-5-2 mas no caso dinamarquês essa variação tinha chegado, dois anos antes, da metamorfose de um 1-3-3-3 inspirado na escola holandesa e actualizado pela ausência de Allan Simonsen, lesionado gravemente durante o Europeu de França e que nunca mais conseguiu alcançar o nível estelar dos anos anteriores, provocando que o seleccionadoralemão encaixasse atrás de uma dupla de ataque móvel com Michael Laudrup e Preben Elkjaer, um quinteto de centro-campistas de distintas características. 

Nenhum deles, no entanto, foi o genuíno pioneiro no modelo que tinha nascido, efetivamente, quatro anos antes, em Zagreb.

Em 1982 Blazevic voltou a casa depois de uma passagem pelo futebol suíço. 

Jogador consagrado no futebol croata dos anos sessenta, o agora técnico decidiu permanecer na Suiça, onde terminara a carreira de jogador assumindo primeiro o cargo no Vevey e logo depois no Sion e Lausanne antes de se converter em treinador da seleção helvética seguindo os passos de Karl Rappan, quatro décadas depois. 

Tal estava enraizada no futebol suíço a cultura de Rappan que foi aí que Blazevic começou a tomar contacto com a dimensão do jogo a partir de um modelo sem tantas peças de ataque, redistribuídas entre defesas e meiocampistas.

Se a isso se somava a larga tradição jugoslava no papel do libero – imortalizada por Vasovic, capitão do Partizan e figura fundamental do Ajax de Michels mas também pelo técnico Zlatko Cajkovski que a transportou para o Bayern de Munique e com ela ajudou a imortalizar a figura de Beckenbauer como o onipresente Kaiser – e começavam a juntar-se as peças do puzzle que ganharia forma anos depois. 

De regresso à sua Croácia natal, Blazevic começou em 1979 por treinar o Rijeka mas no ano seguinte assumiu o controle de um time em baixa, o Dinamo de Zagreb.
Logo no primeiro ano levou a equipe a quinta coloação  da exigente liga jugoslava. 

No ano seguinte conquistou o título nacional e a Copa da Iugoslavia  com uma equipe de forte projeção ofensiva,mas que começava rtendo os seus alas ofensivos em meio-campistas.

Vendo que a maioria dos seus rivais cada vez se rendia ao 4-3-3 ou ao 4-4-2, Blazevic entendeu que o papel do lateral como marcador de atacantes bem abertos estava no fim e optou então por operar uma metamorfose no desenho do colectivo. 

Recuou um dos meias ofensivos defensivos para a posição de libero, atrás dos centrais, entregando o papel ao veterano Zejic, dando-lhe autorização para assumir o papel de construtor de jogo desde a defesa, operando atrás ou à frente dos dois centrais, uma vez com a bola nos pés. 

Ao seu lado actuavam Cevktokic e Hadzic, mas ao contrario do velho WM, os três defensores moviam-se num triângulo que não abandonava a grande área, deixando a zona lateral vazia de ocupação fixa mas patrulhada pelos dois alas, inspirados nos tornantes do catenaccio, que tinham como missão mover-se por toda a ala em missões de ataque ou de defesa, de acordo com s ditusção do jogo.

À frente da defesa Blazevic instalou um meia defensivo para permitir manter o equilíbrio táctico, e à sua frente dois centro-campistas mais criativos atrás da dupla de ataque que habitualmente se movia entre um jogador mais livre e um atacante mais fixo.

Deste modo a equipe alinhava, na prática, a três zagueiros, cinco centrocampistas e dois atacantes mas o modelo permitia-lhe jogar com o desenrolar da partida, ora basculando para o ataque através do papel do libero ora recuando os alas a ponto de formar um 5-3-2.

De Zagreb ao Mundo, o êxito do novo modelo

A experiência de Blazevic começou a ganhar forma progressivamente em 1981/82 com o título conquistado pelo Dinamo de Zagreb, principalmente porque as equipas rivais, pouco habituadas a este novo posicionamento dos jogadores, começavam invariavelmente os jogos a perder o que permitia a Blazevic jogar na segunda parte com o recuo dos meias/ala à função mais defensiva de laterais e assim consolidar a vantagem da equipe.

Na seguinte temporada, as equipes já sabiam o que esperar, mas ainda assim o Dinamo chegou à última jornada com cjhances de ser campeão, um título que acabou nas mãos do Partizan ainda que tivessem tido a oportunidade de desforrar-se ao vencer a Taça da Iugoslávia.

Problemas com a direcção levaram Blazevic a abandonar o clube, regressando ao futebol suíço, onde repetiu a fórmula ganhadora e levantou os títulos de campeão helvético com o Grashopers.

Cinco anos depois, já depois do 3-5-2 como sistema ter passado de ser uma exótica novidade no México 86 a estar absolutamente datado no Europeu de 1992, o técnico assumiu os destinos da selecção croata operando um renascimento inesperado do 3-5-2 e lançando as sementes para que vários técnicos, ao longo dos vinte anos seguintes procurassem de novo explorar as suas virtudes a ponto de converter-se, trinta anos depois da sua concepção original, num dos novos sistemas tácticos em voga. 

Se a Argentina de Billardo demonstrou a sua eficácia e a Dinamarca de Piontek a sua expressão mais ofensiva, será sempre no entanto a Croácia de Blazevic a equipa que melhor soube exprimir as virtudes e os atrativos do sistema que o próprio técnico, no segredo dos deuses, para lá de um muro invisível, ajudou a nascer muito tempo antes da sua consagração definitiva.

Atropelamento doloso...

Imagem: Phil Noble/Reuters 

Liga da Europa.. Arsenal, em casa, desmancha o CSKA de Moscou...

Choveu bastante em Sheffield em 1990...

Imagem: Stuart Roy Clarke

Conor MacGregor surta em Nova Iorque...

Imagem: Autor Desconhecido


Conor McGregor invadiu um evento promocional do UFC 223 em Nova Iorque, nesta  quinta-feira, para agredir o russo Khabib Nurmagomedov, que vai lutar contra o americano Max Holloway...

Fora de controle, McGregor atirou latas de lixo e barras de ferro em direção ao ônibus que estavam Khabib e demais lutadores.

McGregor, segundo quem presenciou a cena, ficou irritado com Khabibi por este ter se desentendido com seu companheiro de treino, Artem Lobov, um dia antes...

Além da confusão, o irlandês acabou deixando o lutador americano Michael Chiesa com ferimentos no rosto ao ser atingindo pelos estilhaços da janela do ônibus.

Após a confusão Dana White informou que a polícia, munida de um mandato de prisão estava a procura do lutador e que o avião particular de MacGregor estava retido em Nova Iorque por ordem da Justiça...

Entretanto, Conor MacGregor, logo que soube da ordem de prisão, entregou-se as autoridades policiais novaiorquinas.

"O que ele fez foi péssimo para a carreira dele. Estamos falando de um homem que acabou de ter um filho. Como ele pode fazer algo assim?”, comentou Dana White...

MacGregor, além dos atos de vandalismo e da lesão que sua atitude acabou provocando em Michael Chiesa, vai responder por ma série de outros delitos menores.