domingo, março 29, 2020

Fernando Torres... El Niño.

Imagem: Autor Desconhecido

El Niño

Por Lucas Costa/Universidade do Esporte

Fernando José Torres Sanz, ou apenas Fernando Torres, é tido por muitos como um dos maiores atacantes espanhóis da história.

Torres marcou época vestindo a camisa da Fúria, ganhando títulos importantes, jogou por diversos clubes, mas o brilhante jogador crescido nas ruas de Madrid e de coração colchonero ficou conhecido mundialmente quando atuou nos campos ingleses, defendendo as cores do Liverpool, onde viveu seu auge e encantou o mundo.

Um garoto que gosta de futebol e mora em Madrid tem basicamente duas opções de times para torcer: O galático Real Madrid, poderoso, rico e multicampeão, ou seu rival, o Atlético de Madrid, clube mais humilde, porém, de torcedores fanáticos e apaixonados, os colchoneros.

O coração de Torres pulsou mais forte para o lado atleticano e, aos 11 anos e com um potencial incrível, o Atlético o levou para treinar em suas categorias de base.

Em 2001, quando o Atlético estava jogando a segunda divisão espanhola, Torres recebeu sua primeira oportunidade como profissional.

O jovem jogador conseguiu mostrar suas habilidades e a torcida já tratou de transformá-lo em xodó, além de ter recebido dos companheiros de equipe um apelido que se espalhou na arquibancada e o marcou por toda a carreira: El Niño.

Aos 19 anos, já era ídolo e capitão da equipe.

O atacante, em sua primeira passagem no time espanhol, de 2001 a 2007, atuou em 214 jogos e marcou 82 gols.

Nesse período, o único título que ganhou no time foi a segunda divisão espanhola.

Novos ares viriam na vida de El Niño: por cerca de 36 milhões de euros, o Liverpool foi à Espanha e o tirou de lá.

Na terra da rainha, ao lado de Steven Gerrard e cia, Torres distribuiu bolas na rede.

Em sua primeira temporada na Premier League, marcou 24 gols e foi artilheiro da equipe na competição.

Jogando pela Espanha, na Eurocopa de 2008, Fernando marcou o gol da vitória da seleção contra a Alemanha, quebrando um jejum amargo de 44 anos sem título.

Nesse mesmo ano, ele foi escolhido como terceiro melhor jogador do mundo pela FIFA.

No Liverpool foram muitos gols e partidas memoráveis, brigas pela artilharia, porém sem nenhum título conquistado, o que deixou Torres frustrado.

Ao todo foram 142 e 81 gols pelos Reds. A torcida o amava, mas a idolatria ficou abalada em 2011, quando o jogador, numa transferência milionária, foi para o Chelsea.

Antes disso, conquistou com a Espanha, na África do Sul, a Copa do mundo, mesmo sem marcar um gol sequer.

Em Londres, El Niño não encontrou o futebol que o consagrou, viveu secas terríveis, foi muito contestado pelos torcedores azuis do Chelsea, que se perguntavam o que teria acontecido com o goleador espanhol.

Se a passagem num todo não foi boa, porém, Fernando apareceu em momentos cruciais, em títulos importantes para a equipe de Londres.

Marcou o segundo gol que cravou o Chelsea na final da Liga dos Campeões contra o Barcelona no Camp Nou, e um gol na final da Liga Europa contra o Benfica, abrindo o placar da vitória de 2 a 1 dos Blues.

Já desgastado no clube e com a chegada de novos jogadores, Torres foi emprestado ao Milan em 2014 e ao fim da temporada, foi repassado de forma definitiva ao time italiano, após o fim do contrato com o Chelsea.

Pelo Milan, só jogou por 10 partidas e não convenceu.

Após anos longe da Espanha, longe de casa, o menino que antes dos 20 anos foi capitão de uma das equipes mais tradicionais do futebol mundial, voltou ao seu lar.

Na sua apresentação de retorno, viu o Vicente Calderón lotado de torcedores que foram ver não só um ídolo, mas a volta de um torcedor apaixonado pelo Atlético tanto quanto eles.

Era volta do menino prodígio, de El Niño.

A festa foi grande, não porque esperavam que ele levasse a equipe a conquistar títulos, mas sim por tudo que Torres representava.

Na segunda passagem pelo Atlético, conseguiu o que tanto queria: um título de expressão pela equipe.

O clube conquistou a Liga Europa da temporada 2017–2018 contra o Olympique de Marseille.

Nesse retorno, passou três anos e meio na equipe e depois se transferiu para Sagan Tosu, do Japão, onde, no ano passado, anunciou sua aposentadoria do futebol.

Pela Seleção espanhola foram 110 jogos e 39 gols, três Eurocopas e três Copas do Mundo, fora outras competições.

Na carreira, 734 jogos e 258 gols.

Fernando Torres sabia marcar gols de todas as formas.

No seu auge, o atacante era imparável e atormentava qualquer zagueiro no mundo.

As lesões que sofreu ao longo da carreira foram minando seu futebol, mas ainda assim conseguiu ser peça importante para suas equipes e ainda é lembrado com carinho por onde passou.

 Imagem: Autor Desconhecido

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