sexta-feira, junho 17, 2016

Para Tite, respeitosamente...

Carta Aberta ao Novo Treinador da Seleção Brasileira

Caro Adenor Leonardo Bacchi,

Antes de tudo, gostaria de parabeniza-lo por ter chegado ao comando da Seleção Brasileira.

Sei que esperava por isso desde o término da Copa do Mundo de 2014.

Sei, também, que se preparou para tal, mas só agora foi possível realizar o sonho.
 
Apesar de não ser torcedor do Corinthians, reconheço que você mostrou uma enorme competência ao ganhar tudo que foi possível ganhar.

Dentro das quatros linhas, sem dúvidas, a nossa seleção terá um rumo melhor.

No entanto, não poderia deixar de fazer algumas ressalvas.

Serei sincero: não esperava que aceitasse o convite vindo do senhor que tem medo de viajar para fora do país.

Isso porque, até pouco tempo, você assinou – juntamente com outras personalidades ligadas ao futebol – um manifesto que exigia mudanças no corpo diretivo da CBF, incluindo a saída do, agora, seu chefe.

Eu achei estranho.

É como alguém ir a um restaurante, sabendo que a cozinha sempre está suja e mesmo assim não se importar em saborear as comidas ali preparadas.

Mas, imagino que o “Todo Poderoso da CBF” deve ter utilizado um belo de um argumento para que você aceitasse o convite.

Compreendo que o coração deva ter falado mais alto, mas meu caro Adenor, todo cuidado é pouco.

Porque lhe peço cuidado?

É simples...

O seu novo patrão sabe que a imagem dele está mais suja do que pau de galinheiro.

Sabe que grande parte dos torcedores perdeu aquele amor de outros tempos pelo produto que a entidade que comanda tinha por obrigação, zelar.

Produto esse que por omissão e descuido vem perdendo seu valor a cada partida.

Portando, para seu novo patrão, só restou uma saída...

Fazer o papel de bom moço.

Ao te convocar e te entregar da Seleção, o que ele deseja é que as coisas dentro das quatro linhas, funcionem...

Só assim, o foco será desviado para o time e ele, livre dos fiascos vividos até aqui, continuará livre para trabalhar pelo prolongamento do seu carcomido reinado.

Para encerrar, Adenor, é bem provável que apenas sua presença não possa influenciar na execução das propostas que há seis meses eram exigidas por você e as 126 personalidades que assinaram pedindo uma nova CBF.

No entanto, quero acreditar que você possa, aos poucos, mudar aquele lugar.

Sei que não será fácil e que a limpeza necessária não será feita de um dia para o outro.

Porém, espero que você não seja mais uma marionete nas mãos desses “coronéis da bola”.

Toda sorte do mundo nesse enorme desafio que você decidiu enfrentar.

Atenciosamente,

Diego Breno

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