sexta-feira, março 30, 2012

Conheça antes de sair por aí repetindo fragmentos...




Muito além da Copa: derrame de dinheiro público.

Por Chico Alencar.

Chico Alencar é professor de História e deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro.

1. O alerta sul-africano

A África do Sul – que ainda tem o “apartheid” da desigualdade social – gastou US$ 4,9 bilhões (R$ 8,8 bilhões) em estádios e infraestruturas para realizar a Copa do Mundo de 2010.

Ao todo, US$ 2 bilhões (R$ 3,6 bilhões) foram consumidos na construção ou reforma das dez arenas do torneio.

Hoje, o Soccer City, de Johannesburgo, é usado para rúgbi e shows.

O Green Point, da cidade do Cabo, tem manutenção de US$ 4,5 milhões (R$ 8,1 milhões) por ano e só foi usado 12 vezes desde então. 

Vários outros são, na terra dos safáris, desinteressantes e dispendiosos “elefantes brancos”.

Alegava-se à época que todo esse investimento geraria rendas imediatas de US$ 930 milhões (R$ 1,69 bilhões), derivadas do afluxo de 450 mil turistas.

Valores superestimados: o país só arrecadou US$ 527 milhões (R$ 961 milhões) dos 309 mil turistas que de fato lá entraram.

Já as rendas de radiofusão e marketing da FIFA ultrapassaram os US$ 4 bilhões (R$ 7,2 bilhões), no ciclo quadrienal encerrado com a Copa da África do Sul.

Seus dirigentes sabem fazer negócios.

Há, no país, um local chamado Blikkiesdorp, que quer dizer Cidade de Lata.

Lá, em 1.600 containers, colocaram os removidos da Cidade do Cabo, a 30 quilômetros de onde foi construído um dos estádios mais bonitos do mundo, vendido internacionalmente como um “estádio ecológico”.

No país, cerca de 100 mil ambulantes perderam sua renda durante a Copa.

Após o evento, o emprego anual diminuiu 4,7% no país, com perda de 627 mil postos formais de trabalho.

Nem seria preciso pegar o exemplo sul-africano.

Bastaria o nosso Pan-americano de 2007, no Rio de Janeiro, cujos protagonistas continuam sendo os mesmos hoje (até o antigo Secretário de Esportes é, agora, o prefeito).

O orçamento do evento foi multiplicado por dez.

Houve remoções até mesmo depois dos jogos, no Canal do Anil.

Os monumentos ociosos estão lá, para todo mundo ver. 

Só em serviços sem execução comprovada teriam sido gastos R$ 6,8 milhões.

Em pagamentos com duplicidade, outros R$ 4,1 milhões.

É recorrente o argumento de que uma Copa estimula a realização de obras de mobilidade urbana, que ficariam como utilíssimo ‘legado social’.

Um mínimo de inteligência e sensibilidade social questionará esse ‘êmulo’.

Quem vive em sociedade tem o direito irrenunciável de, com ou sem megaevento, receber transporte coletivo (aí incluídos seus terminais) e moradia dignas!

Só incompetência ou interesses escusos vinculam políticas públicas necessárias e urgentes com a viabilização de investimentos que um acontecimento episódico possa criar. 

Mas, pelo andar da carruagem no Brasil, nem com o atrativo da Copa haverá melhoria efetiva e duradoura na vida cotidiana das populações das cidades-sede.

2. Remoções arbitrárias

Segundo levantamento da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP) há, em todo o Brasil, 170 mil pessoas ameaçadas de remoção forçada por causa das obras ligadas à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016: megaviolação de direitos.

O cálculo tomou por base os projetos divulgados pelos próprios governos, nem sempre claros.

O Poder Público garante que os reassentamentos estão sendo feitos dentro dos limites da lei.

Mas não divulga relação completa de todas as comunidades ameaçadas de remoção.

Nem os nomes, os valores de avaliação de cada imóvel e os locais de reassentamento de todas as famílias que já foram removidas, desde 2009.

Isso devia estar disponibilizado para a Defensoria Pública e para a sociedade, nos portais de transparência.
Há sonegação de informações e esbulho do direito à moradia.

No Rio, o padrão tem sido “derrubar primeiro, definir o reassentamento depois”.

O “aluguel social” de R$ 400 não é suficiente para a manutenção das famílias até que outra opção seja encontrada.

Por sinal, é intolerável esse interregno.

A relatora da ONU para o Direito à Habitação, Raquel Rolnik, relembra o princípio universal do reassentamento “chave por chave”: nenhuma família pode ser despejada de sua casa antes de ter participado (e concordado) com a realocação e receber seu novo imóvel.

As remoções também causam problemas indiretos, como o agravamento do gargalo no transporte público – uma vez que muitos estão sendo reassentados em regiões distantes dos bairros centrais – e limitações ao acesso precário a serviços, como hospitais e escolas.

As remoções são realizadas em total dissonância com a legislação nacional e com os acordos internacionais assinados pelo Brasil.

A Constituição estabelece a moradia como direito fundamental, e cria a função social da propriedade. 

O Estatuto das Cidades de 2001 torna obrigatórios os Planos Diretores que, entre outras atribuições, regulamenta a questão habitacional.

A Lei 11.124 e a Constituição do Estado do Rio determinam a utilização prioritária de terrenos públicos para a implantação de projetos habitacionais de interesse social.

Remoções forçadas fazem parte desse novo modelo de gestão das cidades pelo mercado via megaeventos.

Têm ocorrido em todos os países ditos “emergentes”.

Na China, onde foram realizadas as Olimpíadas de Pequim (2008), teriam sido transferidas 1,2 milhão de pessoas.

Embora, por enquanto, sejam pouco abordadas pela imprensa nacional, às remoções no Brasil já foi motivo de denúncias em veículos de diversos países (New York Times, The Guardian, The Huffington Post, Al-Jazeera e El País, entre outros).

3. Desperdício de dinheiro público

O valor inicial previsto para a reforma ou construção dos 12 estádios que serão usados para a Copa do Mundo de 2014, de R$ 5,3 bilhões, subiu 47%, desde janeiro de 2010.

As mudanças de estádios e o aumento dos preços finais contratados fizeram com que o valor subisse para 7,8 bilhões, dos quais R$ 4,8 bilhões são de responsabilidade do BNDES e dos governos estaduais.

Segundo relatório do Tribunal de Contas a União (TCU), algumas cidades-sedes como Natal, Manaus, Cuiabá e Brasília correm o risco de ficarem com “elefantes brancos” após a competição.

A média de público nas competições esportivas nessas cidades é dezenas de vezes menor que a capacidade das ‘modernas’ arenas que ali estão sendo erguidas.

A falta de pessoal qualificado do BNDES para análise técnica dos projetos de engenharia das obras foi outro problema apontado pelo TCU, o que pode fazer com que sejam aprovados aditamentos que não condizem com a realidade da empreitada.

Segundo o TCU, em cinco meses, entre setembro de 2011 e fevereiro de 2012, o custo do conjunto de obras para a Copa – não só de arenas esportivas – subiu de R$ 23,3 bilhões para R$ 25 bilhões.

Calcula-se que chegue a R$ 33 bilhões, com 2/3 bancados pelo Estado: megaindividamento público.

No Rio de Janeiro, o orçamento total está R$ 683 milhões mais caro que o verificado no levantamento anterior do TCU.

Agora, alcança R$ 3,89 bilhões em obras no Maracanã, aeroportos, portos e mobilidade urbana.

Os custos estimados para o governo do estado e para a prefeitura do Rio praticamente dobraram, na comparação com setembro de 2011.

O governo estadual deve bancar R$ 483,5 milhões, contra uma previsão anterior de R$ 200 milhões. 

Já o custo para a Prefeitura da capital subiu de R$ 420 milhões para R$ 704 milhões.

A princípio, os maiores investidores na Copa do Mundo do Brasil seriam, na ordem, Caixa Econômica Federal (28,43%, ou R$ 6,65 bilhões), a Infraero (22%, ou R$ 5,15 bilhões) e BNDES (20,8%, ou R$ 4,8 bilhões).

Logo, financiamento público.

Na prática, o dispêndio do BNDES é bem maior.

Inclui a participação do banco no financiamento à expansão dos portos, aos preparativos dos governos estaduais e municipais, e até na recente privatização de três aeroportos brasileiros.

A Copa da FIFA 2014 está produzindo no Brasil um derrame de dinheiro público inédito em nossa história.

E sem transparência: os propalados compromissos assinados pelo governo com a FIFA em 2007 têm sido mantidos sob sigilo, gerando constante controvérsia.

Um ofício que fiz à Casa Civil solicitando cópia desses supostos acordos, em 18 de janeiro de 2012, não mereceu qualquer resposta!

4. Legado Social

José Roberto Bernasconi, coordenador para assuntos da Copa do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), é objetivo: “não houve planejamento consistente para a Copa”.

Hoje o País sai correndo, faz contratações sem licitação, tem obras com gente trabalhando 24 horas por dia, contra o relógio.

Fizeram vários discursos, mas não uma lista imediata de prioridades (…) o legado de infraestrutura será muito pequeno perto do que poderia ter sido”, diz, o insuspeito técnico (Carta Capital, 29/2/2012).

Dos R$ 27 bilhões totais previstos em investimentos e financiamento pela Matriz de Responsabilidade do governo federal com estados e municípios, até aqui somente 9,8 bilhões foram contratados e 1,4 bilhão foi executado, segundo o Portal Transparência da Presidência.

A pouco mais de dois anos para o início dos jogos, apenas 2,14% dos investimentos em mobilidade urbana saiu do papel. Dos 50 projetos listados na Matriz, somente 18 tiveram avanço até o fim de janeiro.

Estão previstos investimentos de R$ 12,36 bilhões de reais em sistemas de transporte como BRT e monotrilhos.

Mas só R$ 265 milhões se transformaram em obras.

O programa Mobilidade Urbana, do governo federal, ficou praticamente parado em 2011.

Cogita-se, inclusive, que esse atraso seja, em parte, proposital.

O discurso da emergência, da pressa, faz com que projetos tomem corpo sem passar pelos processos tradicionais de licitação.

Não é acaso que tenha sido aprovado no Congresso Nacional, em 2011, o Regime Diferenciado (ou desesperado?) de Contratações (RDC), na contramão da Lei 8666.

Esse tipo de “legislação de exceção” dá margem a aditivos contratuais que certamente vão gerar superfaturamento.

Segundo o Ministro do TCU Valmir Campelo, em audiência pública na Câmara dos Deputados, em 21/3/2012, “o atraso pode resultar numa Copa mais cara, porque enseja aditamentos”.

A pouco mais de 2 anos do evento, apenas 3 dos 12 estádios em reformas ou construção têm metade das obras realizadas (Fortaleza, Salvador e Belo Horizonte).

Para legitimar esse processo escandaloso, os governantes utilizam o chamado “patriotismo de cidade”, ou seja, a ideia de que “o Brasil não pode fazer feio.”

É a utilização do natural orgulho nacional das pessoas para justificar a cobiça e a irresponsabilidade com o Erário.

5. Um gasto socialmente útil

Apenas com os R$ 2,5 bilhões do ‘reajuste’ dos preços das obras em estádios – valor que corresponde a 37% de todo o gasto na Copa da Alemanha, em 2006! – seria possível:

- garantir 806,5 mil bolsas atleta para esportistas olímpicos ou paraolímpicos (R$ 3.100 por mês) ou…
- construir 3.125 quadras poliesportivas cobertas (R$ 800 mil a unidade) ou…
- construir 46,3 mil casas ou apartamentos do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ (média de R$ 54 mil a unidade) ou…
- construir 2,9 mil creches ou pré-escolas (R$ 854 mil a unidade) ou…
- construir 16,7 mil escolas rurais (R$ 150 mil a unidade) ou…
- 3,6 mil escolas de educação infantil (R$ 691 mil a unidade) ou ainda…
- 700 escolas de grande porte (R$ 3,57 milhões a unidade)

É uma questão de visão de desenvolvimento integral, com legado de educação e justiça social, para o país.

O afã capitalista do ganho rápido, que orienta a Copa e os Jogos Olímpicos, choca-se com isso.

O gerenciamento de negócios vai na contramão do interesse público e mesmo da massificação dos esportes.

Copa de futebol e Jogos Olímpicos já produzem no Rio não um legado social, mas a primazia de um ‘torneio de especulação imobiliária’ que o está transformando em um dos lugares mais caros do mundo para se morar.

Nas outras sedes a especulação e o vale-tudo do oportunismo mercantil também oprimem o direito à cidade e a qualidade de vida de amplos setores.

6. Legislação de exceção

Além do já aprovado RDC – contra o nosso voto –, facilitando a contratação de obras e serviços, flexibilizando licitações, agora temos a LEI GERAL DA COPA, como se já não tivéssemos arcabouço legal para abrigar eventos desse tipo. 

Nossa legislação ordinária vai para o banco de reservas…

O Projeto de Lei assegura megaprivilégios à FIFA.

O reconhecimento dos produtos FIFA no art.3º como “marca de alto renome” é mais uma garantia de boa-fé do governo brasileiro (desnecessária, aliás, de acordo com a própria lei 9279/96, que regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial).

O INPI é transformado em “cartório particular” para adotar regime especial relativo a pedidos de registro de marcas – estima-se em mais de mil! – apresentadas pela FIFA, que fica dispensada do pagamento de retribuições a todos os procedimentos no âmbito das patentes até 31/12/2014 (art.4 a 7). 

O Projeto de Lei libera uma Associação Suíça de Direito Privado do pagamento de custos e emolumentos imposto a todos que requerem registro de marca no Brasil. Renúncia fiscal longa e onerosa!

O art.11 deste Projeto de Lei é uma afronta a um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, tão defendida pelos ditos liberais de todos os matizes: a livre iniciativa (art.1º IV da Constituição Federal). 

Isto é evidenciado ao se “assegurar à FIFA e às pessoas por ela indicadas a autorização para, com exclusividade, divulgar suas marcas, distribuir, vender, dar publicidade ou realizar propaganda de produtos e serviços, bem como outras atividades promocionais ou de comércio de rua, nos Locais Oficiais de Competição, nas suas imediações e principais vias de acesso”.

De acordo com essa norma, ambulantes serão proibidos de vender suvenires, mesmo que nada tenham a ver com os símbolos da Copa do Mundo. Outdoors deverão ser retirados das vias de acesso e mesmo placas de lojas ou faixas deverão ser removidas.

O art.16 prevê que será ilícita e objeto de sanções (inclusive prisão de 3 meses a 1 ano!), a “oferta de provas de comida ou bebida, distribuição de panfletos ou outros materiais promocionais ou ainda atividades similares de cunho publicitário (inclusive em automóveis), nos Locais Oficiais de Competição, em suas principais vias de acesso ou em lugares que sejam claramente visíveis a partir daqueles”. 

E até a “exibição pública das partidas, por qualquer meio de comunicação, em local público ou privado de acesso público, associada à promoção comercial de produto, marca ou serviço ou em que seja cobrado ingresso”.

A União fica obrigada a disponibilizar, sem quaisquer custos para a FIFA, “a segurança, serviços de saúde, vigilância sanitária e alfândega e imigração”. 

Além de disponibilizar gratuitamente todos esses serviços para um evento privado, o Brasil também se responsabiliza por quaisquer acidentes (art. 22, 23 e 24).

A garantia de meia entrada existe apenas para a categoria 4 (a pior e mais barata), num total de 300 mil ingressos (art. 26). As outras três categorias não poderão ser compradas com a meia entrada, o que ofende todas as leis que dispõem sobre esse direito de estudantes e idosos.

Pode ser autorizada a venda e consumo de bebidas alcoólicas nos bares e restaurantes nos locais dos eventos (art. 29).

O art.13-A da Lei 10671/2003 (Estatuto do Torcedor), dispõe como “condições de acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo (…) não portar objetos, bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência”. 

Há muitas leis estaduais que preveem expressamente a proibição de bebida alcoólica em estádios.

Nenhuma de inspiração religiosa, por óbvio, mas vinculada à redução da violência entre torcedores.

Projeto de Lei cria novos tipos penais como o Marketing de emboscada (associar uma marca à de outrem sem autorização) e o Marketing de emboscada por intrusão (expor marca em evento ou espetáculo sem autorização).

E também a utilização indevida de símbolos oficiais de titularidade da FIFA. 

Nossa legislação penal já contempla proteção às marcas (art.189 e 190 da Lei 9279/96). 

E a indenização por dano material ou moral já seria suficiente para coibir as referidas práticas.

A previsão de pagamento de um “bicho” retardatário de R$ 100 mil reais aos jogadores da seleção brasileira de futebol, vitoriosos nas Copas de 1958, 1962 e 1970, é questionável: há diversas outras modalidades esportivas que não gozam de quaisquer benefícios do Estado.

Além disso, vários desses ex-futebolistas têm boa ou ótima situação financeira.

O dispêndio não será incluído na L.R.F., diz o Projeto, pois é ‘inclusão social’! 

Inclusão seria cuidar efetivamente das famílias afetadas pelas obras. 

Ou ampliar o desprestigiado bolsa-esporte.

Quanto às férias escolares durante todo o período da Copa (art. 63), de 12 de junho a 13 de julho, perde-se oportunidade pedagógica de grande motivação para conhecimento do mundo, que o ambiente das salas de aula e do cotidiano nas escolas possibilita.

Os jogos, comentados em sala de aula, a partir da história e cultura dos países que os disputam, teriam imenso valor informativo e educativo.

E continuaremos com cerca de 80% das escolas brasileiras sem quadra esportiva, porque o Poder Público considera prioritária a construção de grandes estádios…

Em ‘Nota de Repúdio’ à aprovação deste Projeto, lançada em 7/3/2012, a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa lembra que “em cada cidade já foram emitidas ‘leis de segurança’, ‘leis de isenção fiscal’, ‘leis de restrição territorial’, ‘leis de transferência de potencial construtivo’, etc.”

No Senado, ainda, para onde seguirá, caso os deputados aceitem a submissão à FIFA, a Lei Geral se associará a pelo menos outros dois PLs (394/09 e 728/11) que, entre outras propostas, restringem o direito à greve a partir de três meses antes da Copa, abrem a possibilidade de proibição administrativa de ingresso de torcedores em estádios por até 120 dias, inventam o tipo penal de ‘terrorismo’ – hoje inexistente no Brasil – e estabelecem justiças e procedimentos de urgência para julgá-lo. 

“Criam, ainda, as chamadas ‘Zonas Limpas’, de exclusividade da FIFA nas cidades e privatizam o hino, símbolos, expressões e nomes para a Confederação Brasileira de Futebol – a tão ‘idônea’ CBF”.

Por fim, um aspecto revelador da dinâmica pouco democrática que preside o empreendimento da FIFA no Brasil: a escolha do símbolo da Copa, o simpático tatu-bola, não derivou de ampla consulta ao povo brasileiro, que conhece e curte seus bens naturais. 

A aferição foi restrita e a decisão vertical. A onça pintada, a arara, o jacaré e o Saci Pererê, derrotados, não sabem nem a quem recorrer…


quinta-feira, março 29, 2012

Ficamos mais burros e eu, definitivamente me sinto intelectualmente órfão.



Montagem: Fernando Amaral


“Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

Millôr Fernandes.

A frase de Millôr deveria ser o primeiro mandamento de todo jornalista.

Sai daqui...



Imagem: Camera 4 - Thonfeld

Sexta rodada do Campeonato Potiguar de 2012... América vence bem e o ABC, só no finalzinho.



Ontem tivemos uma quarta-feira bem quente em Natal...

Ah, não estou falando de futebol, pois na capital não houve nenhuma partida, mas sim do clima que insiste em nos fazer suar...

A salvo mesmo, só os felizes proprietários de aparelhos de ar-condicionado...

Bem, pensando melhor, nem tão felizes assim, pois espantar o calor significa uma salgada conta de luz no final do mês.

Agora, por que estou escrevendo sobre calor?

O assunto por aqui é esporte e não clima...

Mas acho que sei o motivo de estar tão irritado com o clima...

Como não possuo aquele magnifico aparelho que transforma o “Saara” numa Islândia, tenho que me contentar com um ventilador que faz circular o ar quente, como se um leão arfa-se em minha nuca.

Resmungos à parte, a bola rolou pela sexta rodada do Campeonato Potiguar de 2012...

Rolou longe de Natal, mas rolou.

- O ABC foi a Mossoró – se aqui está quente assim, imagino por lá – e precisou esperar até o cronometro marcar 47 minutos do segundo tempo para comemorar a suada vitória – em Mossoró, todo jogo é suado – sobre o Potiguar.

Não vi o jogo, mas lendo aqui e ali, fiquei sabendo que o alvinegro mereceu o gol que Thiaguinho marcou e livrou a equipe comandada por Leandro Campos do sufoco.


- Lá em Goianinha o América venceu e venceu bem o Alecrim por 4x1.

Marcio Passos, Bruno, Júnior Xuxa e Pingo, marcaram para os rubros e Ângelo, de pênalti, marcou para o Alecrim.

Como não fui a Goianinha, também fui obrigado a ouvir e ler quem foi...

Todos foram unanimes em considerar a vitória americana inquestionável e justa...

Melhor para o campeonato.

- Em Santa Cruz, faltou gol e também energia...

Portanto, nada mais justo que um chato 0x0 acabasse perdurando.

- Em Caicó, a medíocre equipe que ostenta o nome da cidade, levou uma sonora goleada do ASSU...

Gilmar duas vezes, Léo Carioca e Carlinhos, assinalaram os gols do ASSU.

Hoje, em Goianinha, o Palmeira fecha a rodada enfrentando o Corintians.



Hugo Lloris, o ótimo goleiro francês...



Imagem: Getty Images - AFP - Jean-Christophe Verhaegen

Sylvie van der Vaart, a bela esposa de Rafael van der Vaart...





Aos 33 anos, mãe de um menino de 6 anos e vitoriosa na luta contra um câncer de mama, Sylvie van der Vaart, esposa do meio campista Rafael van der Vaart do Tottenham Hotspurs, mostra toda sua beleza num comercial de roupas intimas da marca alemã, Hunkemöller.



terça-feira, março 27, 2012

Até a última gota...



Imagem: Getty Images

Racismo não... preconceito não!



Não sou e nem nunca fui fã do tal politicamente correto...

Mas sou e serei sempre a favor do humanamente correto.

O que parte da torcida do América fez com Milton Otaviano no estádio Nazarenão ao término da partida entre o América e o ABC é humanamente incorreto.

Primeiro pelo motivo que é torpe...

Milton Otaviano como comentarista de arbitragem, tem o sagrado direito de achar que o árbitro por ele analisado, foi correto em seu desempenho durante a partida.

Aquele que não concorda com Milton ou com qualquer outro, pode e deve mudar de estação.

Segundo porque Milton Otaviano, não é um macaco, um negrinho, uma bicha, ou seja, lá o que for...

Milton Otaviano construiu uma carreira vitoriosa e internacionalmente reconhecida como auxiliar de arbitragem...

Milton é respeitado na Alemanha, na Inglaterra, na Espanha, na Turquia, na Bósnia, na índia, no Paquistão e em qualquer outro lugar onde a bola role...

Milton é negro e não há nenhuma razão para que ele se envergonhe disso...

O negro Milton carregou com orgulho sua origem potiguar pelos quatro cantos do mundo e todos nós, pegamos carona com ele.

A vida pessoal e sexual de Milton Otaviano só interessa a Milton Otaviano e mais ninguém...

Ele não tem que dar nenhuma satisfação a quem quer que seja.

Milton é um homem cujo comportamento profissional jamais envergonhou seus companheiros, seus conterrâneo e sua família...

E, para finalizar, digo que é muito fácil, reunir dez, vinte ou trinta desocupados em frente a uma cabine de rádio e despejar impropérios racistas e homofóbicos sobre alguém cujo temperamento é pacifico e gentil.

Não acredito que a direção do América compactue com ocorrido, não mesmo...

A direção do América é formada por homens civilizados e incapazes de aceitar racismo ou acoitar preconceitos toscos.

Só lamento que seus chefes, Milton, não tenham reagido, assim como lamento o silencio da ACERN – Associação dos Cronistas Esportivos do Rio Grande do Norte.

Foram poucas as vozes que se levantaram em defesa de Milton Otaviano e a elas, presto minha homenagem citando uma por uma:

Marcos Lopes, Pedro Neto, Santos Neto, Ricardo Silva, Gabriel Negreiros e Lupércio Luiz.


Esses dirigentes me matam de vergonha...



Imagem: Getty Images

É tão empolgante que as pessoa preferem não ver...



Mais um fim de semana onde o torcedor maciçamente deu provas do quanto gosta de um campeonato estadual e de suas emocionantes emoções...

Clássico regional, disputado em Mossoró entre Baraúnas e Potiguar...

Público: 2.415 pagantes.

Clássico regional, disputado em Caicó entre Corinthians e Caicó...

Público pagante: 1.098.

Clássico norte-rio-grandense, disputado entre América e ABC, as duas maiores forças locais e que reúnem o maior número de títulos do Estado, ontem em Goianinha...

Público pagante: 2.462.

Atacante trombador...



Imagem: Sascha Fromm

Chutar garrafas é caso de expulsão em qualquer lugar...



Para aqueles que por desconhecimento ou paixão, estão tentando ridicularizar o motivo da expulsão de Leandro Campos na partida como América, ontem em Goianinha e desqualificar o árbitro Suélson Diógenes e o quarto árbitro, Flávio Roberto, aí vai um vídeo elucidativo e educativo...


Aquela garrafa que você chutou, era minha...



Action Images

Leandro Campos desafia o Tribunal de Justiça Desportiva...



“O ABC só perdeu o jogo porque seu treinador não estava à beira do campo. Eu jogo com o time e todos sabem disso. Se eu for punido por esse lance pelo TJD eu não serei mais treinador do ABC.“

Domingo em Goianinha, Leandro Campos perdeu as estribeiras ao ser expulso por chutar, segundo consta na súmula da partida, uma garrafa de água colocada ás margens da área técnica...

Perdeu as estribeiras, e abriu as comportas inundando a beira do gramado com tantos palavrões que chegou a proporcionar ao repórter Ricardo Silva da rádio Globo, uma observação que considerei a mais perfeita para definir o espanto de todos os presentes...

“Leandro Campos falou em dois minutos, mais palavrões que nos dois anos que está à frente do ABC.”

Vendo o vídeo posteriormente, não pude deixar de me espantar diante da fúria verbal de Leandro Campos.

Porém, para o meu segundo espanto, o treinador do ABC ao conceder uma entrevista coletiva no centro de treinamento do clube, se insubordina e desafia o Tribunal de Justiça Desportiva...

Alguém pode me explicar que estratégia é essa?

Como antes mesmo de saber se será ou não levado às barras do tribunal, alguém declara que não irá aceitar ser julgado e nem tão pouco o resultado do julgamento?

Não sou advogado, mas se o fosse e Leandro Campos fosse meu cliente, lhe diria com todas as letras: a única alegação que me sinto em condições de fazer para minorar sua pena, é a de insanidade temporária.  



Eu não sei chutar nem a bola direito, quanto mais uma garrafa...



Imagem: Getty Images

A direção diz uma coisa e o treinador, diz outra...



A direção do ABC através do seu presidente, Rubens Guilherme, declarou que o árbitro Suélson Diógenes não tem nenhuma condição de arbitrar um clássico...

Já o vice-presidente de futebol do ABC, Flávio Anselmo, afirma que vai vetar o nome de Suélson nas partidas do ABC...

No entanto, Leandro Campos, treinador do ABC, expulso por Suélson durante o clássico do último domingo, declarou em entrevista coletiva na sede do clube que o árbitro do jogo se portou de maneira correta e que tecnicamente não cometeu nenhuma falha.

E aí, acredito em quem?


domingo, março 25, 2012

Adriano está voltando para a casa da mãe Joana e aí, nem ela suportou...



Charge: Mário Alberto

Quinta rodada do Campeonato Potiguar...



- No sábado a tarde em Goianinha o Palmeira enfrentou o Alecrim e não tomou conhecimento do adversário...

Damião, Zig Zig e Diego Maradona marcaram os gols da equipe palmeirense.

- À noite em Santa Cruz, o tricolor local venceu por 3x0 o ASSU e entrou na briga por uma das quatro vagas nas semifinais do campeonato.

Douglas duas vezes e Danilo Lopes, marcaram para o Santa Cruz.

- No domingo, Corinthians e Baraúnas enfrentaram respectivamente, o Caicó, lanterna da competição e o Potiguar, vice-lanterna e, deram uma clara demonstração de incompetência: empataram em 0x0.

O Corintians deixou de marcar pontos importantes e o Baraúnas, desperdiçou a chance de assumir a liderança e dar um importante passo em busca da classificação.



Doação...



Imagem: Getty Images

América 1x0 ABC... fim do tabu de nove partidas.



O primeiro tempo não foi bom...

Mas o América jogou para vencer e o ABC, se entrincheirou buscando não perder.

O segundo tempo foi melhor...

Mas quem pressionou e tentou a todo custo abrir o placar foi o América, enquanto o ABC continuou tentando evitar a derrota.

Roberto Fernandes colocou Pingo no jogo e deu maior movimentação ao ataque americano...

Aos 47 minutos do segundo tempo, Pingo fez transbordar nas arquibancadas do Nazarenão a alegria que há muito os rubros vinham guardando para depois, quem sabe...

O gol de Pingo derrubou um tabu de nove jogos sem vitória e com ele a sensação de impotência.



Marcas de uma paixão...



Imagem: AP/Frank Augstein

Frases do clássico América e ABC...




- “Leandro Campos falou em 2 minutos mais palavrões que nos dois anos que está à frente do ABC”...

Ricardo Silva, repórter da Rádio Globo no momento em que acompanhava a expulsão do treinador do ABC.

- “O treinador do ABC estava destemperado e desequilibrado, aliás, ele, já expulsou um jornalista de uma coletiva. Esse tipo de violência tem que acabar... isto aqui é futebol”.

Alex Sandro Melo, presidente do América...

Concordo com o presidente e vou mais longe: expulsar um jornalista de uma coletiva é algo abominável numa sociedade regida pelo estado de direito...

Entretanto pergunto: e procurar o dono de um canal de televisão e depois a direção de uma emissora de rádio para pedir a demissão de um jornalista...

É correto?

Não é violência?



Obrigado menino...



Imagem: Getty Images

Torcedor, vá torcer...



Daqui a pouco, você que torce para o América e você que torce para o ABC, vista sua camisa, pegue a estrada e vá curtir sua paixão...

Não se deixe influenciar pelo que foi dito pelos dirigentes...

Você, assim como a maioria, sequer votou neles...

Então, por que levá-los a sério?

O que eles disseram nada tem haver com a promoção do evento...

É bílis pura e simples.



Coalhada, o melhor de todos...



Charge: Gustavo Duarte

Tem alguma coisa muito errada... chegamos ao limite?



Vigor Bovolenta morreu durante uma partida de voleibol pela Série B2 do campeonato italiano – quarta divisão – ao sofrer um infarto.

No terceiro set entre o Volley Forli, sua equipe, e a equipe do Lube Macerata, Bovolenta se preparava para sacar desde a linha de fundo, quando olhou para seu companheiro mais próximo e disse:

- “Estou me sentindo tonto, vou cair, me ajude”...

Essas foram suas últimas palavras antes de cair para não mais levantar.

Apesar de todo o esforço da equipe médica e do serviço de emergência, nada pode ser feito e Bovolenta, foi declarado morto.

Vigor Bovolenta, 37 anos, ganhou jogando pelo Ravenna e pela seleção italiana, três Campeonatos da Itália, uma Copa do Mundo, dois Campeonatos da Europa, quatro Ligas Mundiais e uma medalha de prata nos jogos olímpicos de Atlanta (1996).



sexta-feira, março 23, 2012

Chico Anysio: Maranguape, 12 de abril de 1931 - Rio de Janeiro, 23 de março de 2012... E o riso transformou-se em pranto...



Arte Digital: Fernando Amaral

Sepp Maier versus Timo Konietzka...



Imagem: Imago

O jeito brasileiro de ser... e como justificar depois.






Charge: Mário Alberto


O Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, tentando minimizar os atrasos nas obras para a Copa do Mundo de 2014 deu a seguinte declaração:

“O brasileiro tem um jeito próprio de organizar eventos, mas sempre entrega o que é necessário”.

Aldo Rebelo tem toda a razão...

O brasileiro tem um jeito próprio para quase tudo... inclusive o de arrumar desculpas esfarrapadas, para justificar sua inaptidão em cumprir o combinado e entregar não só o necessário, mas sim, na totalidade o que previamente foi pactuado.





Como era mesmo aquela oração que mamãe me ensinou?



Imagem: Getty Images

Versos toscos para uma ambulância e uma arquibancada móvel...




Alguns americanos tem razão...

Não se pode ver no Frasqueirão uma reluzente ambulância estacionada a beira do gramado...

Que mancada deu o projetista...

Sua desatenção provoca desde 2006, profunda angustia e depressão...

Porém, não é o caso do Nazarenão...

Lá, a ambulância pode ser vista...

Pode ser filmada, fotografada e até mesmo tocada, caso queira o cidadão...

Porém, para que tudo seja perfeito...

Que tal colocar num pedestal bem frente das cabines de rádio e televisão, um novíssimo desfibrilador e todo o material necessário para fazer bater de volta um coração que por doença ou emoção, parou de bater.


Já alguns alvinegros, também tem razão...

Arquibancadas não concretadas e camarotes montados, só prestam no Carnatal...

Num campo de futebol, seja lá onde for, assustam e obrigam os saltitantes dançarinos a ver jogo como se fosse um batizado, ou primeira comunhão...

Por isso, esperneiam, protestam e apontam o adversário como se aponta um vilão...

Cuidadosos, não acusam o CREA nem o Corpo de Bombeiros, estes sim, responsáveis pela determinação da estrutura a ser montada e sua liberação.

Mas para um bom entendedor, tudo é de fácil explicação...

Não é a ambulância ou a arquibancada a preocupação...

Não é a vida que importa, mas sim, a morte...

Pois é ela que abrirá oceânicos espaços para crucificar o coirmão.


quinta-feira, março 22, 2012

O senhor tem certeza que é assim que se trata uma fratura?


Imagem: Seven Sonntag

O foco deveria ser sobre os protagonistas - atletas, treinadores e torcedores...



Quem disse que um clássico não deve ser polemico?

Eu?

Nunca!!!

No futebol, todo clássico é polemico... aliás, qualquer pelada é polêmica.

Os amantes do clube A, vão afirmar que foram, são e serão sempre os melhores...

Os amantes do clube B irão rebater, dizendo exatamente o contrário...

Mesmo com os exageros normais provocados pela exacerbação dos ânimos, esse debate é saudável...

É a mola propulsora para atrair público, encher estádios e colorir as ruas.

Para os excessos, existe lei e a polícia.

Entretanto, substituir o jogador, o treinador e até mesmo o torcedor no palco central por dirigentes, não me parece, nem recomendável e nem inteligente.

A discussão deveria estar centralizada nos protagonistas e tão somente neles.

No velho continente, a exceção da Espanha e da Itália, ninguém dá tanta bola para dirigentes, a não ser no momento em que a presença desses senhores seja crucial.

Desafio a qualquer um, a dizer de chofre, sem abrir o Google e pesquisar, o nome do presidente do Manchester City ou do Manchester United...

A imprensa inglesa fala de Mancini, treinador do City...

Aborda as confusões de Tevez...

Interessa-se pelo que tem a dizer Alex Ferguson e divulga constantemente o dia a dia de Rooney...

Na Alemanha, pouco se fala no presidente do Schalke, do Bayern ou do BVB Dortmund...

Mas, sobre Raul, Huntelaar, Robben, Müller, Götz e Kehl, as notícias são fartas...

O mesmo vale para a Holanda, Bélgica, Dinamarca, França, etc.

Dirigentes só aparecem para dar grandes notícias ou para apagar incêndio.

Nos Estados Unidos, a imprensa exalta os atletas e os treinadores...

Dirigentes quando aparecem é para explicar fracasso, pois nestes países, quem joga, quem encanta, quem atrai a massa é o atleta...

Ninguém na Europa e nos Estados Unidos vai a um campo ou ginásio empurrado por declarações apaixonadas de nenhum dirigente.

Quem promove o espetáculo por lá, são os profissionais de marketing e as estrelas que estão em campo.

Portanto, se aqui um dirigente aparece mais que um atleta ou treinador na véspera de um clássico, ou depois dele, com certeza é por pura deformação da imprensa e pela necessidade que muitos têm em ser subalternos.



Take off...



Imagem: Getty Images

Uma suposição não pode gerar uma agressão...



O vice-presidente de futebol do ABC FC, Flavio Anselmo, soltou o verbo e o fez, sem a menor cerimônia...

Chamou o prefeito de Goianinha de marionete e não satisfeito disparou contra o secretário de esportes da cidade, adjetivando-o de bobo da corte.

O motivo da agressão verbal de Flávio Anselmo contra o prefeito e seu secretário se deu em virtude da negativa de prefeitura de Goianinha em ceder o estádio José Nazareno do Nascimento para um treino de reconhecimento do gramado, solicitado pelo ABC em função do jogo do próximo domingo contra o América.

Acontece que a prefeitura também fechou as portas do José Nazareno do Nascimento para o América, clube de Natal, que por não ter onde jogar em virtude da demolição do estádio Machadão para dar lugar ao estádio Arena das Dunas, que abrigará jogos da Copa do Mundo de 2014, passou a mandar seus jogos em Goianinha...

O veto se estendeu também ao Palmeira, clube da cidade e que disputa a primeira divisão do campeonato potiguar.

A prefeitura alega que como o estádio tem tido uma sobrecarga de partidas, pois além do Palmeira e do América, o Alecrim, outro natalense que sofre com as obras da copa, disputam suas partidas no estádio, abrir as portas para treinos de reconhecimento as vésperas do clássico, poderia comprometer as condições do gramado que, diga-se de passagem, é sem dúvida impecável.

Tecnicamente, o argumento dos responsáveis pelo estádio José Nazareno do Nascimento é absolutamente lógico e racional...

Mesmo que por força dos excessos que a rivalidade entre alvinegros e alvirrubros possam provocar especulações sobre uma suposta pressão dos rubros junto à prefeitura no sentido de não permitir a utilização do estádio pelo rival, Flávio Anselmo exagerou na dose...

O vice-presidente de futebol do ABC tem o direito sagrado de pensar o que quiser sobre o que quiser ou sobrem quem quer que seja...

Tem o direito sagrado de expressar seu descontentamento e até mesmo expor sua crença em qualquer teoria conspiratória, estapafúrdia ou não, mas acusar um prefeito de teleguiado e seu secretário de idiota é um flagrante desrespeito para com toda uma cidade...

Qualquer um com o mínimo senso de justiça sabe perfeitamente que Goianinha não deve nada ao América...

Muito pelo contrário...

Não fosse à disposição da prefeitura de pequena cidade em investir nas melhorias de seu estádio para receber os rubros, o América estaria a amargar um prejuízo infinitamente maior do que já amarga.


Temos que nos lembrar de que a direção do América, a prefeitura de Natal e o governo do Estado, jamais tiveram um plano, B, C ou D, para enfrentar o vazio deixado pela queda do Machadão.

Em tempo: sem ser formalmente apresentado, não reconheceria o prefeito de Goianinha e nem seu secretário de esportes em nenhuma circunstância.


É melhor a gente não ficar de mãos dadas... vão dizer que você está sendo parcial.



Imagem: Frank Dehlis

Um salto de qualidade...



Sugestão do Diário Lance, publicado no blog do Juca Kfouri e republicado aqui como forma de expressar minha total concordância com a ideia.


1- UMA NOVA GESTÃO

Mudança estatutária criando o Conselho de Administração (CA), abaixo do qual se situaria a diretoria executiva, profissional, responsável pela gestão cotidiana.

O CA, formado por brasileiros de alta reputação e compaixão pelo futebol, não tem remuneração e tem a responsabilidade de contratar e demitir a diretoria, além da condução das grandes estratégias para o crescimento do futebol do Brasil.

A eleição do próximo presidente da CBF seria a última de um só nome. 

Nas próximas, se candidatariam chapas, já com os nomes dos conselheiros. 

O número de conselheiros deve ser de 6 a 8, sendo que o presidente do CA tem o voto de desempate.

Este primeiro CA teria um mandato “Constituinte”, absolutamente alinhado com necessidade de revisão dos estatutos no sentido de, democraticamente apontar caminhos para o desenvolvimento do futebol brasileiro.

Ao contrário do sistema atual, os clubes que disputarem no ano da eleição da CBF uma das quatro séries do Campeonato Brasileiro terão direito a voto e a indicação de nomes para a composição das chapas que disputarem as eleições.

2 – O USO DAS RECEITAS

Parcela importante da receita bruta da CBF (no mínimo 50%) passará a ser direcionada pelo seu estatuto, sem passar pelos cofres da entidade, para um FUNDO DE FOMENTO AO FUTEBOL que financie clubes e competições entre clubes promovidas pela CBF. 

O FFF teria uma forma de gestão compartilhada entre a confederação e os clubes, a ser definida em norma.

Seria tarefa deste FFF contribuir com a contrapartida que alguns clubes possam necessitar para viabilizar a construção de Centros de Treinamento, a estruturação das divisões de base e a construção ou reforma de estádios de modo a atender às novas exigências legais e às demandas de conforto e segurança. 

Parte dos recursos seria empregada, ainda, no pagamento integral de despesas de passagens, hospedagem e arbitragem das terceira e quarta divisões do Campeonato Brasileiro, o que vai significar economia para os clubes e aumentar a competitividade destas divisões de acesso.

A CBF estaria limitada em seus gastos de administração e operação a, no máximo, a parcela de receitas que entrasse nos seus cofres, sendo vetado aos seus executivos à realização de déficit orçamentário. 

A entidade deve apresentar e fazer publicar, trimestralmente, o seu balanço econômico/financeiro, como o fazem as maiores empresas – inclusive no site da entidade.

3- O PAPEL SOCIAL

Às atividades profissionais da CBF, prioritárias devem ser agregada uma forte atuação social, usando o futebol como ferramenta de inclusão, especialmente voltada para crianças e adolescentes e de acordo com políticas nacionais de incentivo à prática esportiva. 

Deve também viabilizar a presença nos estádios, formando os torcedores do futuro. 

Será obrigação da entidade a publicação regular do balanço social, como é norma das empresas mais modernas do país.

4- A MUDANÇA DO CALENDÁRIO

Mudança no calendário para adaptá-lo ao dos grandes eventos de clubes e seleções e ao modelo praticado na maior parte do mundo é tarefa urgente. 

O aproveitamento ideal do calendário atual está comprometido por não termos férias no meio do ano, pela realização das competições continentais (Libertadores e Copa Sul-Americana) simultaneamente no mesmo semestre e pela ausência de clubes importantes da primeira divisão na Copa do Brasil.

Além disso, o fato de que a Copa do Mundo, a Copa América e os Jogos Olímpicos serem disputados no meio do ano impõe que se paralise as competições mais importantes do país, perdendo os clubes importante período de atividade e comprometendo sua saúde econômica.

Esse novo calendário deve ter um período de pré-temporada, aliado com os países europeus permitindo aos times brasileiros excursionarem e, com isso, propagarem suas marcas globalmente, valorizando-as.

Medida que terá efeito imediato no aumento de patrocínios e estimulará o consumo de produtos brasileiros em todo o mundo.

Os estaduais e/ou regionais serão realizados no início de temporada e não poderão exceder a dez datas, livrando assim os clubes de primeira e segunda divisão de disputarem um excessivo número de jogos com prejuízos econômicos, fruto do desinteresse crescente dos torcedores.

5- A FORMAÇÃO DAS LIGAS

A CBF deve ter o compromisso de fomentar a criação e de atuar em harmonia com uma Liga Nacional de clubes, nos moldes dos países europeus. 

É a única maneira de termos no futuro os nossos clubes entre os maiores do mundo. 

Para tanto, o calendário e o sistema de disputa são peças essenciais, mas não suficientes para globalizar os times do Brasil.

Com a Liga, poderemos ampliar a nossa fatia nas fortunas do futebol mundial, fortalecendo as marcas dos clubes e arrecadando receitas de televisionamento e merchandising por todo o planeta. 

Os nossos campeonatos não são exibidos no exterior da forma como deveriam ser por que nunca foram pensados de fato para tal objetivo.

O futebol de clubes gera muito mais recursos que o de Seleções, que tem na Copa do Mundo sua maior atração, de quatro em quatro anos. 

A Champions League, só de TV, fatura quase o dobro que a Copa do Mundo, medindo-se períodos de quatro anos.

Somente teremos condições de manter aqui uma parcela significativa dos nossos craques se passarmos a rivalizar em importância com as competições mais bem-sucedidas do mundo e com os clubes mais fortes.

Este talvez deva ser o maior gol que a CBF pode marcar num cenário de cinco anos.

6- SEGURANÇA NOS ESTÁDIOS

A falta de proteção e conforto é o maior entrave para o aumento de público nos estádios. 

A CBF deve ser a maior articuladora e cobradora da implementação das novas políticas de segurança para o torcedor, seja cobrando do Judiciário o bom funcionamento dos tribunais de rito sumário para os estádios, seja articulando nacionalmente, com reduções de custos, itens como seguro de acidentes, assistência médica nos eventos, entre outras medidas. 

O resultado disso será a maior presença de famílias e um verdadeiro espetáculo de entretenimento, como deve ser o futebol.

7- NOVA ARBITRAGEM

A CBF deve trabalhar para criar a profissão de árbitro no país. 

Todos os que gravitam no futebol são profissionais, hoje em dia, menos os árbitros. 

Deve-se ampliar os investimentos na capacitação desses profissionais. 

Há de se garantir, ainda, a plena independência da comissão de arbitragem da entidade, submetendo o seu dirigente à aprovação do Conselho de Administração e criando mecanismos que impeçam formas de pressão e garantam a lisura do processo.

8- A JUSTIÇA DESPORTIVA

A Justiça Desportiva deve ser um braço do Judiciário Federal, remunerada em orçamento, e autônoma em relação às Federações e Confederações.

9- COMBATE À PIRATARIA

A CBF deve ter o compromisso prioritário de combater a pirataria dos produtos oficiais dos clubes, por meio de gestão política para se estabelecer convênios com a Secretaria da Receita Federal e com o Confaz visando a um aumento da arrecadação dos Estados e da União. 

Poderia se estabelecer um percentual de contribuição dos clubes/fabricantes para programas sociais, assim gerando um incentivo.


quarta-feira, março 21, 2012

Enquanto ladram os cães, Messi faz história...


Charge: Baptistão

América e ABC ou ABC e América... um clássico que os dirigentes fazem questão de diminuir.



Nada é mais triste em Natal que qualquer semana que anteceda o clássico ABC e América, América e ABC...

Nestes dias a cidade deveria se vestir com as cores de ambos os clubes...

Nossos olhos deveriam mirar o vermelho das camisas americanas contrastando como o preto e branco das camisas do ABC...

Faixas, bandeiras, deveriam pender de janelas...

Os bares, as praias, os escritórios, as repartições, as lojas e até mesmo as igrejas, deveriam se tornar ponto de uma alegre provocação, de um interminável bate boca entre amigos, agora rivais, sobre quem vencerá quem e de quanto será o "castigo" imposto ao adversário.

Deveriam os dias que antecedem o clássico, ser efervescentes, criativos, alegres, provocativos e capazes de excitar os menos empolgados a deixar a indiferença de lado e assumir um lugar nas arquibancadas...

Mas, infelizmente, não é isso o que acontece...

Ao invés dos protagonistas – treinadores, jogadores e árbitros –, quem ocupa as manchetes são dirigentes ou seus porta-vozes amestrados e sempre dispostos a fazer coro com a fraude intelectual e difundir com grande estardalhaço a indigência intelectual de seus líderes.

Hoje, quarta-feira, não se fala em foguetório, não se fala em papel picado, não se fala em carreata, não se comenta a possível e épica batalha entre Alison e Lúcio Curió e nem mesmo jogo particular que será travado entre Roberto Fernandes e Leandro Campos...

Não...

Nada disso...

O que se ouve é a medíocre preocupação com uma porta que permita a visão de uma ambulância num estádio que sequer será utilizado ou então, a hipócrita preocupação com arquibancadas móveis...

Nada pelo bem do clássico e de sua divulgação...

Nada para incentivar a presença de famílias, mulheres e crianças...

Não...

Aqui, o que prospera é a inveja pequena e rasteira ou a torcida disfarçada em preocupação para que desabem as arquibancadas e aí, ao invés de gritos e pulos de alegria, nossos ouvidos sejam tomados pela dor dos feridos...

Ninguém consegue esvaziar com tanta competência o nosso clássico, como os nossos dirigentes e seus amestrados seguidores.


terça-feira, março 20, 2012

Apanhar sentado é mais confortável...



Imagem: Sascha Fromm

Deveria ser condição fundamental...



O Esporte não pode nunca estar dissociado da educação, nem quando se fala em alto rendimento.

Por Alberto Murray

março 19, 2012

Uma das funções precípuas do esporte é tornar o praticante uma pessoa melhor para a sociedade.

E é verdade, quem o pratica aprende coisas que somente o esporte ensina.

E somente quem é do esporte entende. Antigamente o esporte cumpria melhor com seus dois papéis essenciais: promover saúde e criar indivíduos melhores para a sociedade.

Mesmo o atleta de alto rendimento, de nível olímpico, não treinava a exaustão, como é hoje em dia. Seu condicionamento físico geral, enquanto esporte saúde era mais adequado.

E o atleta também, paralelamente à sua atividade física, tinha outra atividade profissional, estudava, trabalhava.

Com o passar do tempo, o esporte distanciou-se desses objetivos.

Atualmente atletas de alto nível treinam em dois períodos, vivem no limite de suas capacidade, o que proporciona lesões em série, não tem tempo para mais nada e vivem exclusivamente dos ganhos que a atividade desportiva competitiva lhes proporciona.

A razão disso é o profissionalismo exacerbado e a ânsia de ganhar cada vez mais dinheiro. Também é a busca desenfreada por dinheiro que leva o atleta a se dopar.

Claro que nos dias atuais, não podemos exigir dos atletas de alta performance que tenham no esporte uma mera atividade diletante.

Mas o atleta, ainda assim, pode ter alerta que não fazer nada mais do que treinar e competir pode ser ruim para ele.

Isto porque o tempo de atleta de um indivíduo, se comparado com todo o período de sua vida é muito curto.

Portanto, alguém que dos 15 aos 30 anos não tenha feito outra coisa que não treinar e competir, quando abandonar o esporte de competição, não saberá fazer outra coisa.

Será ruim para o próprio, que pode ficar à margem do mercado de trabalho, enfrentando dificuldades financeiras.

E também não será bom para a sociedade, uma vez que a pessoa pode se tornar um peso social, um inútil.
Quando isso ocorre, é o esporte atuando justamente no sentido contrário do que deveria ser.

 Em vez de preparar pessoas melhores para o convívio social, o esporte servirá para criar pessoas que, mais tarde, poderão enfrentar sérios problemas de toda ordem.

São poucos os atletas profissionais que conseguem fazer um “pé de meia” que lhes dê tranquilidade pelo resto da vida.

Mesmo no futebol, os salários altos são para uma minoria.

E não é raro vermos atletas que foram fenomenais, passando por dificuldades financeiras e psicológicas após terem deixado de competir.

Por isso, por mais que a profissão de atleta exija muito de quem a exerce, ele não pode deixar de pensar no futuro.

E tentar conciliar a prática desportiva com outra ocupação que lhe possibilite continuar sendo cada vez mais útil à sociedade.

E também é por essa razão que o esporte nunca deve caminhar dissociado da educação, nem quando falamos em alto rendimento.


Bem, a bandeira não sujou... eu consegui segurar para o senhor...



Imagem: MIS - Sportpressphoto - Berd Feil

O homem do chute no traseiro, continua na função...



De nada adiantou a indignação do Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e nem tão pouco o pedido formal do governo brasileiro para que Jérôme Valcke fosse afastado da função de interlocutor entre a FIFA e o Brasil.

O presidente da FIFA, Joseph Blatter ao retornar a Suíça depois da viagem ao Brasil para encontro com a presidente Dilma Rousseff, reafirmou que Valcke permanece no cargo...

"Jérôme Valcke é o responsável por todas as atividades como secretário-geral, incluindo os preparativos para a Copa no Brasil”.



The guitar man...



Imagem: Getty Images

Ricardo Teixeira completa o processo de afastamento do futebol... pelo menos em termos legais.



Ricardo Teixeira completou o processo de afastamento do futebol ao renunciar ao cargo de membro do Comitê Executivo da FIFA.

A informação foi divulgada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), através de presidente, o paraguaio Nicolas Leoz (aquele que pediu aos ingleses, o titulo de Sir em troca de seu voto, apoiando as pretensões da Inglaterra em sediar a Copa de 2018).

Ricardo Teixeira fazia parte do Comitê Executivo da FIFA desde 1994, entregou a Nicolaz Leoz a carta renúncia que pode ser lida na integra abaixo.

Senhor Presidente,

Fui indicado pelo Comitê Executivo dessa conceituada entidade continental para integrar o Comitê Executivo da FIFA em 1994 e, a partir desta data, trabalhei com determinação para defender os interesse (sic) do futebol do nosso continente e elevar cada vez mais o futebol no contexto internacional.

Venho, por intermédio deste, solicitar a V.Sa. o meu afastamento, em caráter irrevogável, do cargo de Membro do Comitê Executivo da FIFA, por motivo particular.

Deixo aqui registrado, com agradecimentos ao ilustre Presidente, aos membros do Comitê Executivo da CONMEBOL e aos Presidentes das Federações filiadas a essa entidade pelo apoio e colaboração que sempre tive para o melhor desempenho de minhas funções.

Atenciosamente,

Ricardo Terra Teixeira