domingo, dezembro 13, 2015

Os partidários - o melhor está nas entrelinhas...

Aqueles partidários

Por Rafael Morais

Para Carta Potiguar

No futebol podemos controlar tudo, menos os torcedores, aqueles partidários, movidos pela paixão, pelo coração e pelo amor.

Os torcedores, aqueles que, na imensa maioria das vezes, vêm apenas o que lhes é favorável.

Aqueles que não são simples simpatizantes, mas sim seguidores que, em noventa minutos de jogo, são capazes de transformar vizinhos, amigos e até mesmo parentes em inimigos mortais.

Os partidários do futebol, esses mesmos seguidores, altamente críticos, exigentes e que não aceitam as derrotas tão facilmente.

Escrevi sobre isso dias atrás.

E de fato, eles têm razão de ser.

Dia desses li que o nascimento de um clube se dá a partir da união de sócios.

É assim que tudo começa ou foi assim que começou no fim do século XIX e início do século passado.

Somos todos, associações jurídicas e humanas.

E mais, o crescimento dos clubes se dá em função de seus torcedores e sua capacidade de consumi-lo a qualquer preço, a qualquer custo.

Quanto mais apaixonada, fidelizada e grande é a torcida, mais forte é a agremiação, mas robusta é a associação.

Sendo assim, os torcedores, aqueles partidários-seguidores-críticos-exigentes, que não aceitam as derrotas facilmente, desempenham, segundo o economista Cesar Grafietti, o papel de acionistas.

Dentre as muitas definições para acionista, temos a que diz que são detentores de bônus que gostariam de um sólido desempenho da empresa e, portanto, uma redução do risco de perda.

O torcedor-acionista também quer resultado.

Ele quer que cada centavo seu gasto seja revertido num objetivo: tornar seu time vencedor e campeão.

E é por isso que a Frasqueira clama.

O torcedor do ABC roga por dias de vitórias e pela volta dos títulos.

As derrotas dos últimos anos atingiram, como uma bala de rifle, em cheio os corações sofridos dos partidários do ABC.

É um círculo vicioso.

José Mourinho, certa vez, disse que as vitórias trazem poder, poder traz independência, mais independência traz ainda mais vitórias.

Deduzo então que o avesso da fórmula do Rockstar pode ser aplicada nesse caso: derrotas minguam o poder e aumentam a dependência do índice de rejeição, que trazem ainda mais derrotas.

Não que as derrotas sejam “o fim da bola” – expressão usurpada do amigo jornalista Leonardo Pessoa – mas se as vitórias nos levam ao delírio, ao mundo da lua, as derrotas abalam e, sem dúvida, mexeram com os sentimentos dos torcedores do ABC, aqueles partidários.

Por isso escrevi, em outra oportunidade, que por representar continuidade de uma gestão que mais errou e perdeu do que acertou e venceu, Fabiano Teixeira possui alta rejeição por parte dos torcedores.

Fabiano paga, na realidade, o preço das derrotas.

Por outro lado, há de se concordar com as palavras do representante do povo Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, que afirmou que a vitória nos emburrece e a derrota nos faz reavaliar quem somos, o que somos, quem pretendemos ser e como crescer.

É preciso reavaliar e tirar lições das derrotas.

A torcida não deve ter medo dos seus dirigentes.

Os dirigentes é que devem ter medo da sua torcida.

Foi ela a razão de tudo existir e é ela quem faz o clube ser grande.

Duvidar do desejo de uma torcida é, simplesmente, não entender o papel dela no processo.

É desafiar quem clama desesperadamente por uma revolução.

É por isso que eu escrevo, falo, digo e repito, no futebol podemos controlar tudo, menos os torcedores, aqueles partidários.

sábado, dezembro 12, 2015

Rogério Ceni, goleiro do São Paulo, se aposentou... O futebol lamenta.

Imagem: Autor Desconhecido


Rogério Ceni

Goleiro;

42 anos;

25 anos de carreira;

1237 jogos;

131 gols marcados;

26 troféus;

Tudo isso com uma única camisa.

Você pode ou não gostar do goleiro Rogério Ceni, mas ainda assim terá que admitir que poucos, raros, tiveram uma carreira tão vitoriosa...

Rogério Ceni, honrou o futebol e certamente o futebol foi quem mais perdeu com sua aposentadoria.

* Não foram computados os gols marcados na partida de despedida e nem essa partida foi somada ao número de jogos disputados.

Arnold Peralta da seleção de Honduras foi assassinado...

Imagem: Toshifumi Kitamura/AFP


O meio campista da seleção de Honduras, Arnold Peralta, de 26 anos foi assassinado a tiros na noite da última quinta-feira (10), no estacionamento de um centro comercial na cidade de La Ceiba, a terceira maior cidade no norte do país e distante 500 km da capital, Tegucigalpa...

Segundo a imprensa local, Peralta saía de seu carro quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e dispararam repetidas vezes a queima roupa.

A polícia descartou a possibilidade de assalto e trabalha com a hipótese de execução...

Os responsáveis pelas primeiras investigações constataram que nenhum pertence do jogador foi roubado.

Peralta jogou no Glasgow Rangers da Escócia e esteve com a seleção de Honduras nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012...

O centro campista em virtude de uma lesão não foi convocado para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

O jogador havia retornado da Europa a dois anos e estava jogando no Olímpia da Primeira Divisão de Honduras...

A morte de Peralta provocou profunda comoção no pais centro-americano.

A violência em Honduras

Honduras é um país centro-americano de 8 milhões de habitantes, e tem uma das taxas de homicídios mais altas do mundo...

Entre 2010 e 2014 as Nações Unidas nomearam Honduras como o país mais violento do mundo, mas em 2015, El Salvador lhe tomou o posto.

A taxa de homicídios em Honduras é de 58 pessoas para cada 100.000 habitantes, em El Salvador, a taxa é assustadora: 91 pessoas por cada 100.000 habitantes.

A violência entra as quadrilhas, “La Mara 18” e a “Salvatrucha” geram grande parte dos homicídios, porém, o narcotráfico tem forte influência nas mortes e na insegurança de Honduras...

O DEA dos Estados Unidos, afirma que 80% do tráfico de drogas que viaja da América do Sul para a América do Norte passa por Honduras.

Brasil 11 a 0 Trinidad & Tobago: Sequência de um dos muitos gols perdidos pelas brasileiras...

 Imagem: Fernando Amaral


 Imagem: Fernando Amaral


 Imagem: Fernando Amaral


Imagem: Fernando Amaral

A excelente entrevista que o jornalista Jamil Chade, correspondente do jornal o Estado de São Paulo concedeu ao jornal espanhol, El País... Vale ler.

“A CBF enriquece muita gente com a indústria de amistosos do Brasil”

Autor do livro “Política, Propina e Futebol”, Jamil Chade fala sobre os bastidores do futebol

El País

O ano de 2015 foi de mudanças no esporte.

As prisões de 30 altos dirigentes do futebol mundial, entre eles o presidente da CBF, José Maria Marin, no exercício do cargo, e a suspensão até do presidente da FIFA iniciou um movimento de renovação no cenário mundial.

Correspondente do jornal O Estado de S. Paulo na Europa desde 2000, Jamil Chade presenciou a ascensão do império da FIFA e a queda de cartolas que passaram anos enriquecendo às custas da paixão dos torcedores pelo futebol.

No recém-lançado “Política, Propina e Futebol”, o autor descreve acordos milionários, revela a rota do dinheiro na seleção brasileira e explica como o futebol virou uma máquina de fazer dinheiro para a oligarquia da bola.

Na entrevista abaixo, Jamil fala sobre os bastidores da cobertura do futebol mundial e conta por que a seleção brasileira, hoje, "é uma grande mentira".

Pergunta. O jornalista que investiga e dá notícias que os cartolas e dirigentes não querem ouvir muitas vezes é colocado como um traidor da seleção brasileira, contrário ao país. Você passou por isso?

Resposta. Muito. Na verdade, na cobertura diária da seleção brasileira há um sistema de chantagem. Falo isso tranquilamente. É uma chantagem das mais diretas. Quanto mais você mergulha no que de fato acontece, menos acesso você tem ao futebol. A retaliação primeira que a CBF fazia era a de fechar as portas para a cobertura adequada de uma partida de futebol, inclusive com entrevistas com jogadores. A punição inicial era: “Lembra aquela entrevista que você disse que queria com o Neymar, que você estava esperando há dois anos? Então, eu vou dar para o concorrente”. Literalmente dar para o concorrente sem o concorrente pedir, às vezes. Justamente para te dar uma mensagem: “você vai ter que escolher, ou você cobre a seleção brasileira como um produto, e aí você vai ter acesso, espaço. Se passar dos limites você está literalmente fora do jogo”. Quantas vezes eu ouvi assessor da CBF dizendo: “você acha que eu vou dar entrevista de tal jogador para aquele meio de comunicação depois do que eles disseram? ”. É uma punição justamente porque você está do lado errado do jogo. Essa chantagem sempre foi muito presente e é prejudicial aos meios de comunicação porque o leitor também quer a entrevista com o principal craque da seleção no jornal. Além disso, existe a constante ameaça de processo. Lembro de uma das primeiras matérias que eu fiz, o recado era “se você publicar isso, a gente vai ter que abrir um processo”.

R. Sim, assessoria de gente bastante elevada dentro da CBF. Eu nunca tive nenhum processo da CBF porque eles sempre souberam que eu público a partir de documentos, não de alguém que me disse. Isso limitava bastante a atuação deles. Além dessas chantagens e das ameaças, tem a outra parte que é literalmente tirar todo o seu crédito como jornalista. Te ofendem para ver se você cai no mesmo jogo, porque aí a festa está feita. Eles usam de chantagem, ameaça e jogo sujo. É bastante grande a pressão.

P. Diante disso, quanto realmente chega para o público do que acontece de verdade no futebol brasileiro?

R. Te dou um exemplo. Já perdi a conta da quantidade de amistosos que eu cobri. Quanto mais eu sabia o que de fato acontecia na organização de um amistoso, mais eu me sentia mal comigo mesmo, como jornalista, de estar tratando aquele jogo como um jogo. De passar para o leitor: “olha, o treinador vai fazer esse teste, vai fazer aquilo, o resultado é importante porque prepara a seleção”. Era tudo mentira. Quanto mais eu conhecia a forma com a qual os amistosos eram utilizados, mais eu entendia que a gente não estava sendo honesto com o torcedor. Dou exemplo de dois amistosos que foram totalmente estapafúrdios, que a real cobertura deveria ignorar o jogo e falar só sobre o que aconteceu. O primeiro é Brasil x Japão (em 2012, vitória do Brasil por 4 a 0), ao meio-dia de uma terça-feira, dia normal de trabalho, no interior da Polônia (em Wroclaw). O estádio estava vazio. O jogo era entre duas seleções que não têm nenhuma relação com aquela cidade no interior da Polônia. Aí comecei a investigar. Aquele horário foi escolhido porque é o horário nobre no Japão, muito bem. Então por que o local? O local faz parte de um esquema para alguém ganhar com aquilo. Quem estava organizando o jogo era um sócio de alguns ali dentro da CBF. Ou seja, aquela partida não tinha nada a ver com o futebol. Cinco dias antes, eu estive em outro jogo da seleção. Brasil e Iraque, na Suécia. O Brasil ganhou por 6 a 0, mas aquilo não foi um jogo, foi um esquema. Eu mostro com documentos é que esses jogos servem para enriquecer algumas pessoas. Esse enriquecimento a gente não conhecia. Não de uma forma institucional, com contrato. E pior, com o dinheiro indo para paraísos fiscais, com empresas de fachada e paraísos fiscais. O que existe em torno da seleção brasileira é uma indústria dos amistosos. Mas pelo menos a gente aproveita para preparar a seleção para algum torneio? Não, porque o técnico é obrigado a colocar em campo alguns jogadores. Não tem espaço para preparação. O que é hoje a seleção brasileira? Falo isso com tranquilidade total: é uma grande mentira. Hoje a seleção brasileira é uma grande mentira.

P. Você pode citar algum jogador que só foi convocado para a seleção brasileira para ser vendido?

R. Eu prefiro te dizer um exemplo contrário. Alguns jogadores convocados não eram ainda as grandes estrelas, e por conta disso os patrocinadores reclamaram. Aconteceu em dois jogos, em 2011, um deles era Brasil x Egito e o outro era Brasil x Gabão. David Luiz e Hulk foram convocados e os organizadores chiaram porque eles não eram jogadores do time 'A', não eram estrelas, eram promessas. O David estava no Benfica e o Hulk estava no Porto. As empresas que tinham direito sobre a seleção avisaram a CBF que se aquilo acontecesse de novo, o cachê pago seria cortado em 50%, porque estava no contrato. É uma realidade, existem esses esquemas. Está escrito isso, eu tenho um documento que prova isso. O contrato chega até a falar no nome desses dois jogadores dizendo que aquilo não poderia mais acontecer. O Dunga falou há pouco tempo que a pressão dos empresários por convocação é muito forte. Isso existe. Se voltarmos um pouco no tempo, lembro do (Vanderlei) Luxemburgo na seleção (foi treinador entre 1998 e 2000), que em dois anos convocou 90 jogadores. É de se perguntar: 90 jogadores? Haja teste.

P. O Del Nero foi colocado entre os investigados pelo FBI e pediu licença da CBF. O que significa esse momento para o futebol brasileiro? Ricardo Teixeira e Del Nero podem ir para a cadeia?

R. Não nos Estados Unidos. Duvido que haja uma possibilidade legal de que eles acabem sendo presos lá. O Brasil não extradita, essa é a lei que existe no país. A questão é se eles vão para a prisão no Brasil. E aí existem ainda alguns desafios ainda. Primeiro é de que a corrupção privada não é crime no Brasil. Se eu e você fecharmos um negócio com uma terceira empresa e você ficar com 10%, não é crime no Brasil. Agora, se for usando dinheiro público, aí sim. O desafio no Brasil é sair da esfera privada. É fazer uma ligação disso tudo que aconteceu com a parte pública. Existe a possibilidade de que eles sejam presos? Existe, mas por esse caminho e por dois outros: lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Se for depender o processo do FBI nos Estados Unidos, ainda não chegou a hora.

P. O que esperar dessa saída do Del Nero da CBF e dos novos dirigentes que podem assumir o futebol brasileiro?

R. Ainda estamos na fase da transição. O golpe ainda não aconteceu. Não digo golpe de Estado, mas o processo de transição que está acontecendo com duas forças diferentes. A primeira é daqueles que estiveram no poder e ainda estão com muita influência, ainda tentam de alguma forma controlar o que está acontecendo. Podem até deixar o poder, mas sem que isso signifique uma punição muito alta. É o Del Nero, por exemplo, tentando manobrar para escolher seu sucessor que, claro, vai blindar a pessoa que estava ali antes. Isso como fez o Marin com o Ricardo Teixeira e como fez o Del Nero com o Marin. O Del Nero agora prepara uma transição para que ele possa dormir tranquilo. Essa é uma realidade de um contexto que eu acho que está acabando. Porque nós temos jogadores protestando, temos uma desilusão cada vez maior em relação à seleção brasileira, pela primeira vez patrocinadores estão hesitando assinar contratos com a CBF e eu vejo uma conscientização maior do torcedor.

P. O que dá para ver é que as pessoas estão comprando menos a camisa da seleção, no geral.

R. Sim, é verdade, mas isso já é um passo muito bom e muito grande. Isso não é pouco para um país que aprendeu que aquela seleção era praticamente a nossa identidade nacional. Dar um passo assim é um rompimento importante, mas vai precisar de um empurrão a mais para esse lado da reforma vingar sobre o lado do status quo.

P. O que aconteceu na Fifa pode servir de exemplo para o Brasil? A pressão dos patrocinadores foi decisiva para o começo de uma mudança, a queda do Blatter, por exemplo. Tanto é que a FIFA pode fechar 2015 com déficit depois de muito tempo.

R. Sim, isso foi absolutamente fundamental para tudo o que aconteceu. Mas o patrocinador tirar dinheiro envolve o cálculo do torcedor, porque o patrocinador não quer ver o nome dele vinculado a uma entidade que o torcedor/consumidor vê como corrupta. É um triângulo muito real na mente do patrocinador, principalmente. Porque o patrocinador não está ali apenas para apoiar o esporte, ele também precisa vender o produto dele. Se vender o produto começa a ficar complicado porque ele começa a ser visto como cúmplice daquele crime, então ele vai pensar duas vezes. É o torcedor que manda esse recado. A imprensa pode trazer revelações, pode apontar caminhos, mas no final das contas é o torcedor que decide acreditar ou não. Se o patrocinador sentir que o torcedor está se desconectando daquela marca, ele vai repensar. Mas talvez ainda falte um o elemento final para tudo isso que é a Polícia Federal agir no Brasil. Por enquanto eles não podem, porque a corrupção é privada, só podem agir se tivermos lavagem de dinheiro, evasão fiscal. Acho que está muito perto disso. Na verdade, apesar de muita gente ainda falar do 7 a 1 em 2014, o ano decisivo para o futebol brasileiro foi 2015, quando ficou estabelecido que não era apenas um grupo de jornalistas que pega no pé ou traidores da pátria que apontavam aquele esquema como corrupto. Foi o FBI dizendo que o esquema que foi montado no Brasil fraudou o futebol brasileiro. Essa é uma mudança bastante grande. Estamos diante de um momento decisivo, mas ele ainda não acabou.

P. As inúmeras doações que a CBF vem fazendo para políticos há pelo menos 20 anos não podem travar esse processo no Brasil?

R. Podem. Por isso que eu digo que a transição não acabou. A CBF está usando todos os mecanismos que ela detém. Tem o negócio de abrir a gaveta, pegar o canhoto do cheque, ver para quem ele foi dado, qual campanha de deputado, senador foi paga com o dinheiro da CBF e cobrar. Chegou a hora da CBF cobrar. Por isso esse é um momento decisivo. Agora nós vamos saber quem está de qual lado. Ficará muito claro. Eu tenho várias críticas à CPI do futebol, ao processo, aos membros da comissão. Imagine só, o Fernando Collor de Mello faz parte, então não precisa falar muito. O Romário, por exemplo, não ataca o Kléber Leite (ex-presidente do Flamengo) que está no mesmo processo do FBI que aparece o Marco Polo Del Nero. Então fica claro que tem vários problemas graves na comissão, mas a principal função da CPI é ser um espelho do que é hoje o poder no futebol, o poder político desses cartolas. O que vai ser testado na comissão não é se o sigilo bancário do Del Nero vai ser quebrado. É escancarar para o cidadão, para o eleitor, de que lado cada senador está. De alguma forma ela é positiva, ela não chegar aos resultados máximos que todo mundo pode esperara, como a prisão de alguém, por exemplo. Mas ela joga uma luz muito clara em quem é quem e quais são os aliados políticos desse grupo corrupto. No livro eu falo desse aspecto, não adianta ficar falando só dos corruptos do futebol, precisamos falar também dos cúmplices desses corruptos. E eles são senadores, deputados, juízes, televisões, imprensa. Existe gente dentro do governo, fora do governo. Os cúmplices são tão responsáveis pelo fracasso do futebol brasileiro hoje como os próprios corruptos.

P. Depois de tudo o que aconteceu com Ricardo Teixeira, João Havelange, Marin e Del Nero, estamos muito longe de ver um brasileiro chegar ao poder no futebol mundial?

R. Sim, muito longe. Nesse ano, que era decisivo para as reformas para o futebol, o Brasil perdeu espaço. Todo mundo ou estava preso ou simplesmente não queria se envolver por temer ter alguma coisa respingada. O Fernando Sarney, que hoje é vice-presidente da CBF, não quer assumir a presidência porque sabe que se isso acontecer o escrutínio sobre ele será muito maior. Hoje, a influência do Brasil no futebol mundial sofreu uma queda total, não existe uma pessoa que esteja hoje coordenando as reformas na Fifa que atenda aos interesses brasileiros.

P. E tem alguém que poderia fazer bem ao futebol brasileiro nesse momento?

R. Sim, existem pessoas que poderiam, mas o problema é mais grave do que isso. Nos últimos 30 anos foi montada uma estrutura que só chega ao poder ou só faz parte do grupo quem já está dentro de um esquema. As pessoas até são eleitas democraticamente pelas regras, só que as regras foram criadas de um jeito que só um determinado grupo de pessoas pode ser eleito. É dentro da lei, mas não é democrático. O que precisa é que a formação de líderes do futebol brasileiro não vai ser da noite para o dia, porque foi justamente impedido que uma geração nova em termos de pensamento chegue ao poder. Essa geração até existe, mas ela é barrada. Vamos sofrer mais alguns anos com isso. Ainda não está claro que essa nova geração vai conseguir romper com esse esquema montado da oligarquia da bola. Essa oligarquia coloca regras. Se isso não for rompido, temos dois cenários. Um é de total marginalização do futebol brasileiro no mundo e outro é um futebol nacional cada vez mais à mercê do interesse privado. É o pior dos mundos.

R. Sim, mas não só eles como organização. É também uma geração de pessoas que estão tentando pensar uma nova forma para o futebol brasileiro. Vai além do jogador, tem também a parte administrativa das coisas. Eu achei muito legal quando fiz o lançamento do livro em Porto Alegre e o goleiro Dida estava na plateia, ouvindo o que eu estava dizendo. E ele foi goleiro da seleção por 10 anos. Então a gente vê que existe a possibilidade de aqueles que de alguma forma estavam ali dentro queiram saber, agir para mudar alguma coisa. Não tenho uma visão pessimista do futebol, de que é um esporte de alienados, que só é usado para corromper. Não acho isso. Nós não somos alienados, o torcedor não é alienado, mas esse é o momento de reverter a história. Esse jogo é público? Então os principais acionistas são os jogadores e os torcedores. E esses acionistas hoje querem uma voz no futebol. Isso pode mudar muita coisa. Só quero dar mais um exemplo. Chegou a ser proposto em certo momento na Fifa de que presidentes de confederações nacionais fossem eleitos também pelos jogadores da primeira divisão daquele país. Qual foi a entidade regional que bateu o pé e falou “de jeito nenhum”? A Conmebol. Ela rejeitou dar qualquer tipo de poder aos principais atores do futebol, que são os jogadores. E aí a gente vê a distância do que se chama de uma gestão democrática do futebol.

Não é bom arrumar briga com este senhor... Festival de artes marciais em Vilnius, na Letônia.

Imagem: Imago

Renovação? Sim! Mas, se for na administração dos outros, na minha, não...

O mundo do futebol e seus dirigentes é complicado de entender para quem não concebe caminhos tortos...

Delfim Peixoto, presidente da Federação Catarinense de Futebol, aspira virar presidente da CBF e em suas falas, exalta a renovação como primeiro passo para a modernidade.

Entretanto, não larga o osso e nem permite renovação em seu território...

É presidente da Federação Catarinense de Futebol desde 1985.

sexta-feira, dezembro 11, 2015

Caçador de imagens...

Imagem: Fernando Amaral

ABC: Eduardo Bandeira, presidente do Flamengo e Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, pediram votos para a chapa da situação... A troco de que?

Segundo Pedro Neto, comentarista da Rádio Globo, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira e o deputado federal Andrés Sanches, ex-presidente do Corinthians, pediram voto para o candidato à presidência do ABC, Fabiano Teixeira...

Assim como Pedro, pergunto:

Em termos práticos, o que esse apoio significa?

Jogadores cedidos gratuitamente?

Parceria para reciclar os profissionais que cuidam da parte técnica do alvinegro?

Espaço para dar visibilidade a algum jovem da base do alvinegro que venha a se destacar?

Se não for isso, não sei o que pode ser...

Por outro lado, Andrés Sanchez, o apoio de Andrés Sanchez, me incomoda.

Eduardo Bandeira, é até prova em contrário, um homem sério...

Já Andrés Sanchez...pesquisem.

A bola aqui, o goleiro lá...

Imagem: Juan Flor/Diário AS

Mundial de Clubes da FIFA... A vitória do Sanfrecce Hiroshima e o super valorizado Barcelona.

Começou o Mundial de Clubes da FIFA de 2015...

Na partida inaugural, realizada ontem, em Yokohama, no Japão, o Sanfrecce Hiroshima, venceu o Auckland City da Nova Zelândia por 2 a 0.

Com a vitória a equipe japonesa se classificou para as quartas de final do torneio...

O Sanfrecce Hiroshima vai encara o MP Mazembe do Congo.

Torneios assim costumam ser um prato cheio para estudos sobre o valor das equipes disputantes...

O site Transfermarket, não deixou passar a oportunidade e divulgou um levantamento do valor de cada um dos sete participantes.

A avaliação dos clubes mostrou que o Barcelona sozinho vale mais que a soma de todos os outros...

Pior, só o trio, Messi, Luís Suárez e Neymar, vale 310 milhões de euros, ultrapassa o valor somado dos adversários.

O valor de cada um, segundo o Transfermarket:

1° - Barcelona/Espanha - 689,5 milhões de euros
2° - River Plate/Argentina - 57,4 milhões de euros
3° - Guangzhou Evergrande/China - 40,3 milhões de euros
4° - América/México - 38,1 milhões de euros
5° - Sanfrecce Hiroshima/Japão - 14,5 milhões de euros
6° - Mazembe/Congo - 7,5 milhões de euros
7° - Auckland City/Nova Zelândia - 5,4 milhões de euros

Paolo Maldini e Franco Baresi... Como eles não existem mais.

Imagem: Trivela

Banco Itaú pressiona CBF por uma gestão ética e transparente...

A CBF tem seis grandes patrocinadores...

A Procter & Gamble, deixou de ser – rompeu com a entidade diante do mar de lama que afoga a CBF.

Agora, é o Banco Itaú que se manifestou de forma direta e sem rodeios...

“Apoiamos as investigações em prol da transparência e da ética na gestão do esporte, no mundo e no Brasil. É fundamental que a CBF adote modelo de governança que demonstre o seu compromisso com esses alicerces, conforme já sinalizamos à Confederação em oportunidades anteriores.''

As outras empresas...

Vivo, Samsung, Ambev, BRF (Sadia) e Gol, não se manifestaram.

No caso da FIFA, os patrocinadores foram enfáticos em seu manifesto...

Coca-Cola, Mcdonalds, Visa e Budweiser, pediram a renúncia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, em outubro, logo que veio a público à série de escândalos da entidade...

O manifesto foi divulgado assim que Blatter começou a ser investigado pelo Comitê de Ética da Fifa.


A golfista, a bolinha e o obstáculo...

Imagem: David Cannon/Getty Image

Políticos e dinheiro público no futebol...

Sempre que ouvir alguém pedindo ajuda de políticos e dinheiro público para financiar o futebol, saiba que o que essa pessoa está dizendo nas entrelinhas é o seguinte:

Políticos, amaciem nosso caminho...

Não custa nada uma ajudinha, né?

Poder público, nos salve...

Fracassamos!

Ninguém quer comprar o que colocamos à venda.

Neblina...

Imagem: David Gonzalez/Diário AS

A Rede Globo contra-ataca...

A Globo contra-ataca e fecha com Jogos Olímpicos até 2032...

A emissora exibirá evento na TV aberta e terá exclusividade entre as emissoras pagas.

Após ficar fora da transmissão dos Jogos Olímpicos de 2012, que teve os direitos vendidos para a Record, o Grupo Globo garantiu os eventos até 2032...

Com o acordo, a Globo passou a ter direito de transmissão não exclusivo para a televisão aberta e exclusivo para a TV fechada, internet e celular.

O contrato inclui os Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno.

Fonte: Máquina do Esporte.

quinta-feira, dezembro 10, 2015

A mureta ajudando a despedaçar...

Imagem: Mark J. Rebilas/USA Today Sports/Reuters 

Canadá goleia o México por 3 a 0 em Natal, pelo Torneio Internacional de Futebol Feminino - Copa Caixa...

Imagem: Fernando Amaral


Ontem, no Arena das Dunas, a bola rolou pela Copa Caixa, ou como preferem outros, pelo Torneio Internacional de Futebol Feminino...

Na primeira partida, o Canadá enfrentou e venceu o México.

A vitória por 3 a 0 construída ainda no primeiro tempo, se deu pela superioridade das canadenses e pela fragilidade da defesa mexicana...

No segundo tempo, o Canadá freou e o México incapaz de realizar qualquer jogada eficiente não conseguiu reagir.

O abraço dos goleadores em dia de goleada...

Imagem: Trivela

Marta quebra o recorde de Pelé e o Brasil massacra Trinidad & Tobago - 11 a 0...

Imagem: Fernando Amaral


Depois da preliminar entre Canadá e México, o Brasil entrou em campo para enfrentar a seleção de Trinidad & Tobago...

Na verdade, enfrentar é exagero – melhor seria dizer: tocar a bola e fazê-la chegar ao fundo das redes das passivas adversárias.

Sem suas titulares que estão nos Estados Unidos disputando outro torneio e só chegam sábado em Natal, Trinidad & Tobago, apenas preencheu espaço no gramado...

Não houve jogo, nem sequer disputa...

A seleção brasileira fez o que quis, quando quis e da maneira que quis.

Os 11 a 0 poderiam ter sido 12, 18 ou 20...

Para cada gol feito, outros foram perdidos – alguns incompreensivelmente perdidos.

No entanto, Natal foi testemunha da história...

Marta derrubou um recorde que durava 44 anos...

Marcou cinco vezes e chegou aos 98 gols em 100 jogos vestindo a camisa verde e amarela, se tornando a maior goleadora da história da Seleção.

Possivelmente o recorde de Marta vai demorar bem mais tempo para ser quebrado...

Aliás, outra Marta também não deve aparecer tão cedo.

E aí, bateu um desânimo...

Imagem: Michael Sohn/AP

Marco Polo Del Nero é um injustiçado e José Maria Marin, uma lenda, segundo o Coronel Nunes...

O tal do Coronel Nunes, nem chegou, já sentou na janelinha e como uma boa marionete já desandou a elogiar seus iguais, em entrevista ao “Estadão”...

“Conheço o Marco Polo há muitos anos. Acho que ele está sendo injustiçado”.

“É uma pessoa tão correta que pediu licença da CBF para poder se defender (…) ”.

“Marco Polo está fazendo uma grande administração na CBF e não defendo a renúncia”.

“Para mim é uma honra assumir um cargo que foi do Marin, uma lenda do futebol brasileiro”.

Como é deseducado rir, vou bocejar...

Arena das Dunas, Natal, Rio Grande do Norte...

Imagem: Fernando Amaral

Série A lucra com bilheterias em 2015...

Primeira divisão do futebol brasileiro lucra 15% a mais com bilheterias em 2015

Confira quanto cada clube teve em receita líquida, após descontadas despesas e impostos, com a venda de ingressos

Por Rodrigo Capelo

Para a Revista Época

Os 20 clubes do Campeonato Brasileiro aumentaram o lucro com bilheterias em 15% neste ano em relação ao passado.

A soma saltou de R$ 111,4 milhões em 2014 para R$ 127,6 milhões em 2015.

ÉPOCA consolidou os dados de borderôs publicados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

O último dos 380 documentos desta temporada, do confronto entre Atlético-MG e Chapecoense pela última rodada, foi publicado na tarde desta quarta-feira (9).

Esta temporada foi a primeira na qual clubes puderam usar estádios reformados para a Copa do Mundo o ano todo.

Na passada, alguns estavam indisponíveis nos meses de abril e maio, antes do início da competição da Fifa.

Isso interfere no resultado do Brasileirão.

O aumento na receita líquida também é explicado pela alta no preço dos ingressos.

O torcedor que pagava média de R$ 33 em 2014 para assistir a uma partida teve de desembolsar R$ 37 em 2015.

O Corinthians, campeão, teve a maior receita líquida, seguido pelo Palmeiras, ambos alavancados por estádios recém-construídos e preços inflacionados.

Juntos, embolsaram aproximadamente R$ 45 milhões.

Para que se tenha uma ideia da diferença que os paulistas abriram para os demais, a quantia é superior à que receberam 14 clubes somados, do Internacional até o Coritiba.


O cálculo não inclui mensalidades de sócios-torcedores, apenas com ingressos efetivamente comprados por sócios e torcedores "comuns".



quarta-feira, dezembro 09, 2015

Ela reinou no Estádio da Luz...

Imagem: Diário AS/Pepe Andres

O ABC deve na Justiça do Trabalho, 12 milhões...

O advogado Felipe Augusto, segundo o blog do ET, enviou mensagem para o programa de esportes da Satélite FM 87,9 e no momento em que o assunto era a dívida do ABC junto ao TRT, afirmando que a dívida do clube é de 12 milhões na Justiça do Trabalho...

Na mensagem, Felipe Augusto, ainda segundo o blog do ET, diz que os 70 mil reais pagos mensalmente através de acordo firmado com a justiça, não paga sequer a correção monetária e os juros mensais...

A postagem também informa que Felipe Augusto sublinhou que não existe nenhum acordo entre o ABC e os reclamantes.

No link abaixo a matéria original

http://blogdoemilsontavares.blogspot.com.br/2015/12/advogado-diz-que-abc-deve-12-milhoes-na.html

O rúgbi feminino nada tem de delicado...

Imagem: Getty Images

Os presidentes das federações de futebol do nordeste, se reuniram para decidir o que todo mundo já sabe que vão fazer...

Reunidos em Recife, sob o pretexto de discutir a quantas anda o futebol brasileiro, depois que a justiça americana prendeu José Maria Marin e indiciou Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, os presidentes das federações nordestinas, estão aproveitando também, para dar a impressão que irão deliberar sobre em quem vão votar na assembleia do dia 16 de dezembro, quando será escolhido o vice-presidente que vai ocupar a vaga aberta por José Maria Marin...

Sem participar da reunião e nem ter acesso a informação privilegiada, afirmo:

Vão votar em quem Marco Polo Del Nero quer:

O Coronel Nunes, o chefe da Federação Paraense de Futebol.

Querem apostar um Diamante Negro?

A bela sueca nas arquibancadas em Madrid...

Imagem: Javier Gandul/Diário AS

O novo presidente da CBF, viaja...

Pelo menos uma boa novidade após a licença de Marco Polo Del Nero...

O novo presidente da CBF, Marco Vicente, viaja.

Isso mesmo...

Marco Vicente vai ao Chile na quinta-feira, para participar de reunião agendada pela CONMEBOL.

Enfim, a CBF volta a ter um presidente que embarca para uma viagem internacional, sem ter medo de avião e sem risco de acabar na prisão.

O sorriso da moça no Santiago Bernabéu...

Imagem: Javier Gandul/Diário AS

A vez dos atletas...

"O plano é o Bom Senso FC lançar alguém como candidato à presidência da CBF na próxima eleição. Em 2017 ou 2018. Mas a gente briga com esse sistema. Com esse efeito dominó que chegou à cúpula da CBF nos dá esperança que tudo mude. Até o sistema de eleição. Eles estão fragilizados."

Alex

A violência no futebol do Chile...

Imagem: Claudio Santana/Photosport

Os paulistas apoiam o Coronel Nunes, mas querem a Liga de Clubes...

24 horas depois de concordar em apoiar o Coronel Nunes, indicado de Marco Polo Del Nero, para preencher a vaga de vice-presidente da CBF que era ocupada por José Maria Marin, a Federação Paulista de Futebol e os presidentes dos clubes que representam o estado nas séries A e B, divulgaram uma nota pedindo mudanças radicais na condução do Campeonato Brasileiros nas Séries A, B, C e D...

Eis a nota na íntegra:

Nós, presidentes da Federação Paulista de Futebol, de Bragantino, Corinthians, Oeste, Palmeiras, Ponte Preta, Santos e São Paulo, após reunião nesta segunda-feira (7), entendemos, em conjunto, que chegou a hora de os clubes assumirem o protagonismo dentro da CBF.

Unido, o futebol paulista reivindica que a gestão da CBF conduza um processo de transição para mudanças profundas no modo de administrar o futebol.

Este, na nossa visão, esgotou-se e precisa ser reconfigurado, como ficou evidente após os recentes escândalos no nosso esporte.

A primeira medida que será cobrada prevê que a Comissão de Clubes da CBF comande efetivamente a organização das Séries A, B, C e D do Brasileiro.

Defendemos que deve caber a esta comissão atuar de forma direta na elaboração do calendário do futebol nacional, na condução de todas as negociações comerciais e de marketing que envolvam os campeonatos brasileiros, além de promover mudanças no atual modelo de arbitragem.

Alinhados, cobraremos atitudes coerentes com estes princípios de quem quer que esteja no comando da CBF em 2016.

Resumindo...

O que eles querem é o seguinte: participação em todas as negociações de patrocínio, no calendário de todas as divisões e mudanças na arbitragem.

Mais resumido ainda...

Uma liga de clubes, dentro da CBF, é o que está dito, sem ser dito.

terça-feira, dezembro 08, 2015

E as brasileiras encalharam...

Imagem: Sport Bild/DPA

ABC FC: isso é sério mesmo?

Tenho me mantido distante do processo eleitoral do ABC, mas há momentos em que não se manifestar é impossível...

Segundo a Assessoria de Imprensa da Chapa “Salve o Mais Querido” o ABC cedeu a exclusividade da exploração da marca para uma empresa catarinense, a GST Comércio de Artigos Esportivos e Representação LTDA.

O release afirma que o contrato dá poderes para a empresa “fabricar, distribuir e comercializar” com exclusividade produtos com a marca “ABC” e foi assinado com duração de sete anos e seis meses...

Não há no contrato previsão de nenhum adiantamento financeiro para o clube.

O acordo prevê que a GST irá repassar 50% dos valores arrecadados com material esportivo para o ABC...

Simples assim.

Na verdade, o que espanta não é o acordo em si, mas o desacordo, caso venha acontecer...

Vejamos:

O contrato tem validade por 90 meses a partir da data da assinatura e não poderá ser desfeito sem que o GST receba a título de multa por quebra de contrato o valor de R$ 200 mil...

Estranho não?

A marca ABC é entregue sem custo, mas se houver rescisão, a GST embolsa duzentos mil reais...

Cabe então a pergunta: isso é sério mesmo?

Se for: o Conselho Deliberativo do Clube, aprovou?

Com a palavra a atual direção do ABC.

Somos um só...

Imagem: The Sun/News Group Newspapers Ltd 

Os clubes devem assumir o protagonismo...

O ano de 2016 será o divisor de águas...

Ou o futebol brasileiro encara o desafio e abraça definitivamente a modernidade, ou então, assistiremos o doloroso definhar do esporte que tanto nos encanta.

Engana-se quem pensa que a queda de Marco Polo Del Nero é o fim do modo perverso que se comanda o futebol no Brasil.

A má gestão, para falar o mínimo, não foi embora com Ricardo Teixeira, com José Maria Marin e não irá com Del Nero...

Romper com um tipo de gestão e de mentalidade que se perpetua por anos e anos não é tão fácil como se imagina.

Porém, agora é a hora...

É o momento de os clubes assumirem as rédeas...

Nunca a CBF e seus vassalos estiveram tão fragilizados, tão emparedados e tão amedrontados.

O futebol só existe em função dos clubes...

A CBF e as federações, também.

Surf num dia frio e cinza...

Imagem: Getty Images

12 clubes apoiaram a manifestação do Bom Senso FC, no último domingo... 8, pipocaram.

A manifestação do Bom Senso FC, na última rodada do campeonato brasileiro que aconteceu no domingo, quando jogadores cruzaram os braços exigindo a renúncia de Marco Polo Del Nero, teve a adesão de 12 clubes...

Internacional, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Chapecoense, Goiás, São Paulo, Coritiba, Vasco da Gama, Santos, Atlético Paranaense, Flamengo e Palmeiras.

Oito, pipocaram...

Joinville, Grêmio, Figueirense, Fluminense, Ponte Preta, Sport e Avaí e Corinthians.

Plástica, sincronia e força...

Imagem: Getty Images

FBI mira Joseph Blatter...

Blatter: na mira do FBI por 373 milhões de reais em subornos

Documentos atestam pagamento por direitos comerciais e televisivos

El Pais

As autoridades norte-americanas estão pesquisando várias evidências que demonstram que Joseph Blatter, presidente da FIFA suspenso por três meses por corrupção, teria constância dos subornos pagos —um total de 373 milhões de reais (92 milhões de euros) — a outros membros do órgão do futebol internacional, tal como revelou o programa de investigação Panorama, da BBC.

As pesquisas realizadas pela cadeia de televisão britânica demonstram que a companhia de marketing esportivo ISL pagou 373 milhões de reais a vários dirigentes da FIFA, incluídos o antecessor de Blatter, João Havelange, e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Em troca pelos subornos, a empresa obteve os direitos televisivos e de comercialização de vários eventos relacionados ao futebol na década de 1990.

Blatter fez questão de dizer que desconhecia estes pagamentos, mas a BBC assegurou que há uma carta, em poder do FBI, que deixa dúvidas sobre o depoimento do dirigente suíço.

Este texto, escrito por Havelange, refere-se a pagamentos para a ISL e afirma que Blatter tinha "pleno conhecimento" destas atividades.

O mandatário suíço declarou em 2013 diante da Comissão de Ética da FIFA que não participou do suborno e foi absolvido de qualquer delito.

Sobre o que terá que declarar entre os dias 16 e 18 deste mês diante da mesma Comissão é a respeito do pagamento de 7,3 milhões de reais (1,8 milhões de euros) a Michel Platini trabalhos ainda não justificados, e pelos que ambos representantes estão inabilitados até 5 de janeiro.

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Os 210 anos da Batalha de Austerlitz...

Petr David Josek/AP

CPI da CBF NIKE: O livro censurado por Ricardo Teixeira está disponível na internet...

Ricardo Teixeira através de ação judicial impediu a venda em livrarias do livro com o relatório da CPI da CBF Nike...

A justiça do Rio de Janeiro, deu ganho de causa ao cartola e proibiu a venda.

Agora, o começa a ser disponibilizado em capítulos, na internet...

Boa parte da propina paga ou recebida na corrupção do futebol internacional passou por bancos estrangeiros, entre eles o Delta, com matriz em Nova Iorque.

O vínculo da CBF e de Ricardo Teixeira com este banco foi identificada pela CPI, em 2001...

Caso você meu caro leitor, não faça parte da bancada da bola e tenha interesse em saber como funciona o submundo do futebol, basta clicar nesse link e começar a colecionar os capítulos que serão pouco a pouco disponibilizados.

Primeiro capitulo:


O processo de limpeza do futebol brasileiro começou há 15 anos, com a CPI CBF/Nike, da qual eu fui relator. Foi graças a revelações desta CPI, como as operações criminosas realizadas no banco americano Delta, que a Justiça americana prendeu José Maria Marin e indiciou Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, o que fez o último se afastar do comando da CBF. O trabalho na CPI resultou no livro “CBF/Nike” (2001, Casa Amarela), que na época foi perseguido pelos que hoje são réus da Justiça americana.  Quer saber como o futebol pode ser passado a limpo? Acompanhe a publicação em capítulos semanais do livro que escrevi com Aldo Rebelo, todo sábado, aqui na nossa página. O primeiro capítulo publicado trata justamente das operações no banco Delta, que tantas repercussões causaram.

Silvio Torres/Deputado Federal/PSDB/SP

Ainda bem que você chegou...

Imagem: Alex Livesey/Getty Images

O Vasco da Gama não caiu, foi empurrado para a segunda divisão pelas mãos de eleitores comprometidos com o erro...

O Vasco caiu...

Não era outra coisa que se esperava apesar do esforço de Jorginho, Zinho e Nenê e companhia, quando já não dava mais tempo.

É bem verdade que em alguns momentos as arbitragens complicaram, mas em outros, o time se complicou e não só perdeu gols, como entregou gols...

Mas, não foi isso que rebaixou o Vasco.

O Vasco foi empurrado de volta a segunda divisão por seus sócios, primeiro por terem entregue o clube nas mãos de um banana e, posteriormente, devolvido a um retrógado...

Pagaram pela burrice.

Porém, tem mais:

Eurico, eleito, acabou encurralado pelas dívidas deixadas por Roberto Dinamite e montou um time modesto, muito aquém das tradições do Vasco...

Com esse time venceu o medíocre campeonato carioca e achou que dava – cometeu o erro mais que comum entre a maioria dos dirigentes...

Acreditar que esses toscos campeonatos estaduais são parâmetro para qualquer coisa...

Não são.

Depois, demorou para demitir Doriva e continuou a apostar na equipe campeã carioca...

Queria passa a imagem de um dirigente reciclado e moderno.

Quando resolveu demitir Doriva, errou ainda mais...

Trouxe Celso Roth...

Começava a descida sem volta.

Ainda tentando mostra possuir uma paciência que não cabia, insistiu em Celso...

Quando resolveu agir, contratando Nenê e trazendo Jorginho, já não dava mais tempo.

De bom, fica o esforço dos jogadores e a dedicação de Jorginho, Zinho e cia...

De ruim, a continuidade de Eurico e seu grupo.

Porém, por sorte, a Série B é medíocre e por assim ser, 2016 será apenas mais um ano para purgar seus pecados.

Daqui vejo melhor...

Imagem: Laurence Griffiths/Getty Images

O governo do Rio de Janeiro quer distância do Maracanã...

"A única premissa inegociável é que não voltaremos a administrar o Maracanã. Governo tem de cuidar de segurança, educação e saúde, não de estádio de futebol", afirma o chefe da Casa Civil, Leonardo Espíndola. 

A perspectiva causa calafrios no Palácio Guanabara, tão premido pela precariedade fiscal que, na semana passada, anunciou que vai parcelar o pagamento do salário dos servidores.

Não vai passar...

Imagem: Tim Ireland/AP

CBF... os velhinhos tem vez.

Procura-se dirigente idoso.

Vaga: vice-presidência da CBF.

Exigências: ter pelo menos 75 anos, ter experiência como cartola e ser fiel ao seu futuro chefe, inclusive se ele perder o emprego.

Plano de carreira: pode ocupar rapidamente a presidência, se o presidente licenciado renunciar ou for suspenso pela Fifa. Nesse caso, fará jus a salário de aproximadamente R$ 200 mil mensais.

Enviar currículo para CBF ou para federações estaduais.

Anuncio fictício, publicado no blog do Perrone.

Do blog:

Na CBF não é a competência que prevalece e sim, a idade...

Porém, o critério idade não está calcado na vivência, na serenidade ou no desprezo à ganância que os anos trazem.

Neste caso, ser mais velho, significa saber mais sobre todos...

Quem sabe tudo sobre todo mundo, controla melhor as cordinhas.

A corrida acabou...

Imagem: AP/DPA