segunda-feira, setembro 23, 2019

“O meu, o seu, o nosso Pacaembu!”... Tema do Podcast, "Arquibancada Móvel", do Universidade do Esporte.

Imagem: Divulgação

“O meu, o seu, o nosso Pacaembu!”

Se o Pateo do Collegio é o berço da cidade de São Paulo, o Pacaembu é o berço do futebol paulista.

A metrópole cresceu em torno da capela erguida pelos Jesuítas e o estádio viu florescer grandes craques e camisas.

Um vale que convidava para uma pelada desde quando os habitantes eram os índios, hoje, tem um gigante de concreto que é patrimônio cultural e histórico, uma praça chamada Charles Miller e é o museu de todas as lembranças de quem já gritou por seu time do coração nas arquibancadas do Paulo Machado de Carvalho.

Pedro Henrique Brandão Lopes

O ano era 1940, o dia, 27 de abril, foi quando a cidade de São Paulo recebeu como presente o que seria, naquela época, a mais moderna praça esportiva da América Latina: o Estádio Municipal do Pacaembu.

Situado numa baixada que parece ter sido projetada pela natureza para abrigar um estádio, pois tem um vale cercado por morrotes que lembram um campo cercado por arquibancadas, a estrutura surgiu de um ambicioso projeto do então interventor federal do estado de São Paulo, Ademar de Barros, em seu segundo ano de mandato.

Além de abrigar jogos de futebol, a prática esportiva crescente no gosto popular do paulista e do brasileiro, a ideia era também proporcionar um local para receber apresentações musicais como as de sinfonias.

Por isso, o projeto original contava com a famosa Concha Acústica, que reverberava o som e fazia das arquibancadas uma grande plateia.

Desde a inauguração, o Pacaembu se tornou um importante espaço de discussão e manifestação política de São Paulo, já na cerimônia que inaugurou o estádio, Getúlio Vargas, foi fortemente vaiado pelos paulistas que eram contra o Estado Novo, regime recém instaurado pelo ditador que chegou ao poder depois de um golpe.

Contra o ditador gaúcho, pesava a mágoa do povo paulista pela derrota do movimento revolucionário de 1932, que foi reprimido pelas forças federais.

Por conta disso, as bandeiras paulistas eram proibidas pela ditadura, mas na entrada da delegação do São Paulo, lá estava a bandeira paulista no gramado do Pacaembu, exposta na cara de Getúlio Vargas, que acompanhava a cerimônia das tribunas.

No dia seguinte à inauguração, o estádio sediou sua primeira competição, a Taça Cidade de São Paulo, um campeonato amistoso que reuniu quatro clubes: Palestra Itália (atual Palmeiras), Corinthians, Coritiba e Atlético Mineiro.

Palestra Itália e Coritiba fizeram o jogo inaugural e o Alviverde paulista goleou o paranaense por 6 a 2 e se classificou para a decisão na semana seguinte, contra o arquirrival Corinthians, e marcou o nome do Palmeiras na história como o primeiro campeão do Pacaembu.

Quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 1950, São Paulo pulou na frente por ter um dos melhores estádios do mundo na época.

Mesmo depois de 10 anos da inauguração, o Pacaembu continuava sendo referência de modernidade e conforto.

Mesmo com a construção do Maracanã, no Rio de Janeiro, foram disputados seis jogos do Mundial no Pacaembu.

Três da fase de grupos e três da fase final.

A Seleção Brasileira fez um jogo no estádio durante aquela Copa e empatou em 2 a 2 com a Suíça.

Em 1961, o estádio, que até então se chamava Estádio Municipal, recebeu a adição do nome Paulo Machado de Carvalho, que ostenta até hoje em sua clássica faixada.

Isso se deu por uma homenagem ao chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo de 1958.

Paulo Machado de Carvalho foi o homem que liderou o projeto brasileiro do Mundial de 1958, quando, pela primeira vez na história, a Seleção foi preparada para a disputa do título inédito.

Carvalho foi o responsável pela escolha do azul como segundo uniforme brasileiro para a final da Copa, já que a Suécia usava amarelo como o Brasil.

Temendo pela superstição dos jogadores, doutor Paulo, como era conhecido pelos atletas, disse que havia sonhado com Nossa Senhora Aparecida e que a santa lhe pediu para que os jogadores usassem azul, a cor do manto da padroeira do Brasil.

Chefiando também a delegação de 1962, no bicampeonato mundial, ele ganhou o apelido de Marechal da Vitória.

No final da década de 1960, a Concha Acústica passou a ser considerada um problema para o estádio, que já não comportava o público que queria assistir aos jogos no tradicional gramado.

Com a justificativa de aumentar a capacidade do local, a Concha foi demolida e no lugar foi erguido o Tobogã, o que rendeu cerca de mais 10 mil lugares, assim, a capacidade total subiu para 37.952 lugares.

A obra aconteceu durante a gestão de Paulo Maluf à frente da prefeitura de São Paulo e é contestada até hoje por ter descaracterizado um patrimônio arquitetônico da cidade.

Para evitar novas intervenções danosas à arquitetura do Pacaembu, em 1994, o estádio foi tombado como patrimônio histórico da cidade e do Estado.

Também foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

Assim, ficou proibida qualquer intervenção na estrutura do estádio sem a aprovação dos órgãos competentes.

Por esse motivo, a privatização do Pacaembu foi atrasada por algumas décadas, o que permitiu que o velho estádio revivesse tempos de glórias, recebendo os times da capital que ficaram sem casa, enquanto construíam seus novos estádios.

Se em outros tempos o Pacaembu foi a casa dos Jogos Pan-americanos de 1963 e até de Copa do Mundo, em 1950, os anos 2000 levaram ao Paulo Machado de Carvalho o glamour das grandes decisões e o cotidiano do futebol.

Com os aluguéis cada vez mais caros cobrados pelo São Paulo, para que Palmeiras e Corinthians jogassem no Morumbi, os dois times decidiram encontrar outra opção para mandar seus jogos.

O Palmeiras voltou a jogar no Palestra Itália, 1840, na rua Turiassú, enquanto o Corinthians, que não comportava sua torcida no Parque São Jorge, optou pelo Pacaembu.

A identificação da torcida alvinegra com o estádio foi imediata, como um amor adormecido há anos, de outras vidas.

Em pouco tempo, a Fiel chamava o Pacaembu de Saudosa Maloca, e foi na Maloca abarrotada com um bando de loucos que a Libertadores, enfim, foi conquistada pelo Time do Povo e o Corinthians, enfim, foi libertado de suas dores.

Quando o Palmeiras fechou o Parque Antártica para reformá-lo e fazer nascer o moderníssimo Allianz Parque, foi a vez do povo alviverde lotar as arquibancadas do velho Paulo Machado de Carvalho, para passar pelo calvário da década perdida e da Série B de 2013.

Quantas noites frias e de chuva, quantas tardes ensolaradas, e com jogos duros contra adversários que desconsideravam a grandeza da instituição Palmeiras pelo time que encontravam vestindo verde, cada palmeirense passou naquele período em que a torcida foi o último pilar do Verdão.

Com muito carinho, mesmo numa das piores fases do time, a torcida palmeirense apelidou o estádio de Porcoembu.

Comer um dogão prensado na Praça Charles Miller, beber as mais saborosas cervejas depois de atravessar os arcos dos portões principais, levando para casa uma vitória revigorante no bolso, ir para o jogo de metrô pela estação Clínicas, caminhar margeando o muro branco e silencioso do cemitério do Araçá, subir a longa ladeira de volta à estação carregando nos ombros mais uma derrota amarga, não assistir um gol por ficar em baixo do bandeirão ou correr 10 lances de arquibancadas do Tobogã, por completo desespero, por mais um gol perdido pelo atacante que ninguém explica como é profissional...

Tudo isso tem cheiro, gosto, textura, som e cor de Pacaembu.

Isso tudo e muito mais com experiências particulares de cada pessoa que já frequentou o Estádio Municipal é Pacaembu.

Todas essas experiências só são acessíveis para quem, um dia, viu seu time jogar no velho Pacaembu, que já recebeu até FlaFlu, que já foi casa de São Paulo e Santos, quando o Morumbi e a Vila Belmiro não estavam disponíveis.

Depois das inaugurações da Arena Itaquera e do Allianz Parque, mesmo abrigando o Museu do Futebol desde 2008, e, de vez em quando, jogos do Santos, a privatização voltou a ser pauta do governo que alega altos gastos para manutenção do estádio.

Claro que é preciso sopesar os gastos públicos com equipamentos que não são de primeira necessidade, como um estádio num país onde faltam hospitais e escolas, mas a concessão à iniciativa privada de um patrimônio que hoje atende todas as faixas da sociedade, já que é o único estádio paulistano que respeita a lei da gratuidade para menores de 12 anos, é um erro se não forem observadas regras para a continuidade do acesso às classes populares.

São 79 anos de histórias que não cabem num texto, ou até num livro, por isso, se faz necessário discutir, mais do que nunca, o futuro do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, para que mais 80 anos sejam escritos de experiências e lembranças, como as minhas doces lembranças particulares que, entre tantas, guardo com muito carinho a única vez que fui com minha mãe ao estádio e sentamos na arquibancada verde do "meu, do seu, do nosso Paaacaaaembuuuu".

Sete meses depois daquele domingo de setembro em que o Palmeiras perdeu o Derby que assistimos juntos pela primeira vez no estádio, Judy partiu para conhecer o segredo da luz.

A casa do futebol paulista, palco tradicional do futebol brasileiro, lar do divertimento paulistano, apelidado por corintianos e palmeirenses carinhosamente de Saudosa Maloca e Porcoembu.

Em quase 80 anos de história, o estádio foi de praça esportiva mais moderna da América Latina a obsoleto, e hoje vive o drama da concessão à iniciativa privada.

Imagem: Autor Desconhecido 

Arte: Marcos Arboés

Neste episódio, o Arquibancada Móvel vai contar a história do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, de todos os paulistas, do Edson Sorriso e de todos que amam o futebol. 

Você já pode conferir o episódio nos principais agregadores de podcast:










Vibração...

Imagem: Stephen White/CameraSport via Getty Images

O faturamento da escuderia MacLaren nos primeiros seis meses de 2019...

Imagem: MacLaren.com

94,5 milhões de dólares faturou a escuderia britânica McLaren no primeiro semestre de 2019 com a Fórmula 1, graças a novos patrocínios e premiações.

Máquina do Esporte

domingo, setembro 22, 2019

Entre a luz e a sombra...

Imagem: Simon Stacpoole/Offside - Getty Images

Depois de marcar o gol da vitória, abalado pela morte do pai, Darek Formella não comemorou...

O polonês Darek Formella recebeu a notícia da morte de seu pai, vítima de um câncer, 3 horas antes da partida entre o Sacramento Republic e o Toros FC pela USL (United Soccer League)...

Mesmo assim, decidiu jogar.

O Toros saiu na frente, mas acabou cedendo o empate...

Coube a Formella marcar o gol da vitória do Sacramento.

Ninguém sabia da morte de seu pai...

Só depois do gol, é que o atacante informou aos companheiros.

Na "esquina" do gol adversário...

Imagem: Sebastian Frej/MB Media/Getty Images 

Os All Blacks (Nova Zelândia) executam o Haka diante dos Springboks (África do Sul) no Mundial de Rúgbi do Japão...


Os All Blacks (Nova Zelândia) executam o primeiro Haka antes da partida contra os Springboks (África do Sul) pelo Mundial de Rúgbi do Japão...

Os neozelandeses venceram por 23 a 13.

Manchester City 8x0 Watford... A última vitória do Watford sobre o City aconteceu em 1989, quando a equipe de Manchester perdeu por 1 a 0.


Imagem: Tom Jenkins/The Guardian

Imagem: Michael StephensPA 

No Catar, goleiro faz lambança aos dez segundos de jogo...


O goleiro do Al-Shahania, Khalifa Al-Dosari fez essa lambança logo aos dez segundos da partida contra o Al-Arabi em partida válida pela Ligas das Estrelas do Catar...

Mohammed Salah Al Neel abriu o marcador e depois, marcou o segundo gol da vitória doa Al-Arabi por 2 a 1.

Como resultado, o Al-Arabi lidera a competição com 10 pontos...

Já o Al-Shahania não somou nenhum ponto até aqui.

Pogba um tanto desajeitado...

Imagem: Phil Noble/Reuters

O Granada "detonou" o Barcelona...

Imagem: Aitor Alcalde/Getty Images

Neste sábado o Granada recebeu o Barcelona e fez a festa...

Venceu por 2 a 0.

Os catalães, surpresos, voltaram para casa cabisbaixos, macambúzios e amargando sua segunda derrota em cinco jogos e a sétima colocação, com apenas sete pontos...

Já o Granada, eufórico, “dorme” na liderança com 10 pontos.

sábado, setembro 21, 2019

O América fervilha: as eleições estão chegando...



Mesmo que nos bastidores ainda existam conversas de pé de ouvido, Leonardo Bezerra está cada vez mais presidente do América...

Candidato da situação, Bezerra, caso seja eleito passará muito tempo tentando agradar gregos e troianos.

No América nada é fácil...

O clube, como sempre, fervilha.

Arena América: Tudo pronto para domingo...

Imagem: Autor Desconhecido

Imagem: Autor Desconhecido

Imagem: Autor Desconhecido

Imagem: Autor Desconhecido

Finalmente o ABC confirma Francisco Diá para a temporada 2020...

Imagem: TV ABC

O ABC finalmente confirmou Francisco Diá no comando da equipe para início da temporada de 2020...

Diá terá a tarefa de refazer o ABC, montando uma equipe barata e competitiva.

Comemorando mais um gol sobre o Southampton...

Imagem: Stu Forster/Getty Images

A judoca Rafaela Silva, campeã dos Jogos Olímpicos do Rio/2016 foi flagrada no exame antidoping...

Imagem: Autor Desconhecido

A judoca Rafaela Silva, campeã olímpica na categoria de -57 kg dos Jogos Rio'2016, assumiu esta sexta-feira que o exame antidoping pelo qual passou, deu positivo...

Porém, afirmou ser inocente.

"Não tenho nada a esconder, não tomo remédios, bebidas alcoólicas, não tomo suplementos (...). Sempre tive cuidado, não pego garrafas de água de ninguém. (...) Estou na mira da AMA (Agência Mundial Antidopagem) desde 2009, 2010, quando cheguei à seleção brasileira", afirmou Rafaela Silva.

A análise positiva, no controle efetuado em agosto durante os Jogos Pan-Americanos, mostrou vestígios de fenoterol, uma substância presente em medicamentos para a asma e sujeita a autorização de utilização terapêutica, mas a judoca, de 27 anos, nega que a tenha usado...

"Eu fui pensando todos os meus dias o que poderia ter acontecido, e a única coisa de que me lembro, a única pessoa que utilizou dessa substância foi a Lara, filha da minha amiga que treina no instituto. Eu tenho a mania de dar o nariz para a bebê chupar. Explicaram-me que, conforme ela vai chupando meu nariz, eu vou inalando o que ela está mandando para o meu corpo. Pode ter sido uma das maneiras de chegar ao meu corpo", salientou a atleta.

O advogado da atleta, Bichara Neto, que está com o caso do nadador Gabriel Santos, suspendo por um ano, esclareceu que Rafael Silva não foi suspensa provisoriamente...

"O procedimento está correndo no âmbito do Pan-Americano. Por ser uma substância especificada, a suspensão preventiva não é obrigatória. Vamos sustentar isso, ela está conseguindo apresentar uma versão que demonstra que não usou a substância com intenção de obter vantagem e nem com culpa. Vamos aguardar que a Federação Internacional abra prazo para ela apresentar a versão dela", explicou Bichara Neto.

Em junho de 2016, a nadadora brasileira Etiene Medeiros teve um exame antidoping positivo por fenoterol...

Considerada inocente algumas semanas mais tarde foi autorizada a participar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

De forma inapelável...

Imagem: Ross Kinnaird/Getty Images

De Gea faz doação para as vítimas da inundações na Espanha...

Imagem: Reuter

O goleiro do Manchester United e da seleção espanhola doou 200.000 euros para ajudar as vítimas das inundações nas províncias de Alicante e Múrcia, segundo informou a Cruz Vermelha da Espanha em suas redes sociais...

quinta-feira, setembro 19, 2019

Brittney pretendia realizar um aprazível treino de mountain bike, mas acabou “abraçada a um cacto”...

Clube Athlético Paranaense, campeão da Copa do Brasil de 2019...

Imagem: Autor Desconhecido

A aliança entre Bologna e Mihajlovic...

Imagem: EFE/EPA/Giorgio Benvenuti

A aliança entre Bologna e Mihajlovic

No intervalo do jogo, internado para tratar uma leucemia, o treinador ligou para seu auxiliar e pediu para falar com seu time que perdia fora de casa para o Brescia por 3 a 1.

Ninguém sabe o que Mihajlovic falou no telefonema que durou poucos minutos, mas na volta ao gramado uma extraordinária reação do Bologna que virou o placar para 4 a 3, e depois um grupo de jogadores que parou o ônibus na frente do hospital para festejar a vida de Mihajlovic.

Pedro Henrique Brandão Lopes

Quando o Bologna desceu as escadas dos vestiários do Estádio Mario Rigamonti, na cidade de Bréscia, depois dos primeiros 45 minutos de jogo, o placar marcava 3 a 1 para os donos da casa.

O arrebatador início de campeonato que empolgou o torcedor do clube bolonhês que viu uma vitória e um empate nas duas primeiras rodadas, parecia que sucumbiria à visita ingrata ao Brescia.

Internado para o segundo ciclo de tratamento de uma leucemia, Sinisa Mihajlovic não pôde viajar com seu time e estar à beira do gramado apoiando e orientando seus comandados como fez contra o SPAL, depois de mais de 40 dias de outra internação.

Normalmente o clima no vestiário numa situação dessas é de completo abatimento.

Em apenas 45 minutos a expectativa pela vitória que representaria a continuidade da boa campanha se transformou em uma frustrante e, por jogar fora de casa, quase irreversível derrota por 3 a 1.

Ao ver pela TV a fisionomia de seus jogadores, Mihajlovic ligou para seu auxiliar técnico e pediu para conversar com o time no vestiário.

O que foi dito pelo comandante aos comandados permanecerá como segredo pelo contrato de honra firmado entre treinador e atletas.

Cabe ao leitor imaginar o que alguém na situação de Mihajlovic diria para incentivar 11 jogadores a quase 200 km de distância e que perdiam por dois gols de diferença.

Fato é que a conversa surtiu efeito e o Bologna partiu para a segunda etapa disposto a levar a vitória na bagagem de volta.

Os jogadores que subiram as escadas em direção ao gramado levavam consigo a certeza do triunfo.

Em apenas 15 minutos o que era improvável aconteceu: o Bologna empatou.

Primeiro com Palacio, aos 11 minutos, e depois com Sabelli.

Vale usar a imaginação mais uma vez para formar na mente a imagem de Mihajlovic em seu quarto de hospital no momento do empate.

Se o empate era improvável, a virada era impossível.

Porém impossível é uma palavra que não existe no vocabulário de um treinador e seu time que fizeram uma aliança de lealdade.

Aos 35 minutos da etapa final, Orsolini varreu de uma vez por todas a impronunciável palavra do dicionário bolonhês escrito por Sinisa Mihajlovic e seus jogadores.

O placar de 3 a 4 poderia ser a maior expressão do carinho e respeito que existe no Bologna de Sinisa, mas a aliança firmada teria sua cena mais bonita no retorno a Bolonha.

Os jogadores fizeram questão de parar o ônibus do clube na frente do hospital Sant’Orsola, onde Mihajlovic está internado, desceram e na calçada mesmo cantaram e pularam para festejar a vitória.

Na janela de seu quarto, o treinador apareceu e comungou da felicidade do grupo acenando aos atletas.

A festa que começou pelo resultado em campo se transformou em uma celebração pela vida.

Enquanto o tratamento contra a leucemia corre, o Bologna inteiro corre por Mihajlovic e ele luta para sobreviver pelo incentivo que recebe dos atletas e da torcida que levou uma faixa ao estádio com a frase:

“Combattiamo ogni battaglia per Sinisa e per la maglia” “Vamos lutar essa batalha por Sinisa e pela camisa”.

Com a vitória frente ao Brescia, o Bologna alcançou a vice-liderança da Série A que está somente na terceira rodada, com 7 pontos e atrás apenas da poderosa Internazionale, que ninguém duvide do que pode fazer o Bologna de Sinisa e muito mais do que isso, o que pode fazer o Bologna por Mihajlovic e vice-versa.

  

Imagem: Twitter Oficial Bolonha

Foi para um lado e a bola para o outro...

Imagem: Matthew Childs/Action Images via Reuters

Vítima da esclerose lateral amiotrófica (ELA)... Morreu o meio campista holandês, Fernando Ricksen.

Imagem: Autor Desconhecido

O ex-futebolista holandês Fernando Ricksen morreu nesta quarta-feira depois de ter sido diagnosticado há seis anos como portador da esclerose lateral amiotrófica (ELA)...

O anúncio foi feito pelo Glasgow Rangers, onde o meio campista jogou por seis anos.

"O Rangers está profundamente triste por anunciar que morreu esta manhã o ex-jogador Fernando Ricksen depois da luta com a ELA. Os nossos pensamentos estão com a sua esposa Veronika, a sua filha Isabella e toda a sua família e amigos"...

Ricksen encerrou sua carreira em 2012/13 jogando pelo Fortuna Sittard, clube onde começou...

O jogador defendeu ainda o Rangers de Glasgow e o Zenit de São Petersburgo.

Pela seleção da Holanda jogou 12 partidas...

Fernando Ricksen tinha 43 anos e era casado com Veronika, com quem teve Isabella, sua única filha.

 Imagem: Autor Desconhecido

Mais alto que todos...

Imagem: AFP/Getty Images 

Depois de quase quinhentas tentativas, o austríaco, Fabio Wibmer, piloto de Mountain bike, desafia obstáculos em Innsbruck e termina curtindo as montanhas...

Pierre-Emerick Aubameyang...

Imagem: Alex Livesey/Getty Images 

Quando Pep Guardiola voltará a vencer a Champions League? Lá se vão 7 anos desde a última vez...

Imagem: John Sibley/Action Images via Reuters

O Manchester City de Pep Guardiola começou bem a Champions League...

Venceu o Shakhtar Donetsk no Metalist Stadium, em Kharkiv, por 3 a 0.

A vitória do City reabre a discussão que já se arrasta a sete temporadas...

Quando Guardiola, um colecionador troféus, voltará a vencer a Liga dos Campeões?

A última vez que o treinador espanhol levantou a taça foi na temporada 2010/2011, no comando do Barcelona...

De lá para cá, nada.

Longe da Catalunha, Guardiola por duas vezes esteve bem perto...

No Bayern de Munique chegou bem perto nas temporadas de 2013/2014 e 2015/2016, mas foi eliminado nas semifinais pelo Real Madrid e Atlético de Madrid respectivamente.

No Manchester City não passou das oitavas de final em 2016/2017, tendo alcançado as quartas de final nas duas últimas temporadas...

A curiosidade está na quantidade de dinheiro que Guardiola já gastou contratando jogadores na tentativa de repetir 2008/09 e 2010/11, quando encantou o mundo à frente do Barcelona...

De lá para cá foram mais de 900 milhões de euros investidos.

quarta-feira, setembro 18, 2019

Primeiro a bola, depois a cara do adversário...

Imagem: Simon Stacpoole/Offside/Offside via Getty Images 

Rojão explode e destroça a mão esquerda do torcedor do Athletico Paranaense Wesley Pontes...

Imagem: Autor Desconhecido

Após a tentativa de soltar um foguete falhar e o mesmo, explodir, o torcedor do Athletico Paranaense Wesley Pontes teve sua mão esquerda decepada...

O acidente aconteceu por volta das 15h30 desta terça-feira (17) em uma via lateral localizada no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba, no momento em que o ônibus com os jogadores do rubro-negro chegava ao local para embarcar rumo a Porto Alegre, onde acontece a final Copa do Brasil, contra o Internacional.

Wesley foi socorrido primeiro por policiais militares que faziam a segurança no local e a equipe médica do aeroporto...

Em seguida foi encaminhado ao Pronto-Socorro Hospital e Maternidade Municipal de São José dos Pinhais.

“As torcidas costumam receber os clubes com fogos de artifício, sinalizadores e outros instrumentos pirofóricos. Hoje, um dos torcedores foi fazer a utilização de um sinalizador, acabou se confundindo e acendeu um dos fogos de artifício, não sei precisar qual. Ele acabou tendo sua mão dilacerada durante a explosão. Foram prestados os primeiros atendimentos pela própria equipe policial com as técnicas de estancamento de hemorragia”, relatou o aspirante Feltrin do 17º Batalhão da Polícia Militar.

O salto para evitar o choque...

Imagem: Tottenham Hotspur FC via Getty Images

Se vivo estivesse, Lupicínio Rodrigues, o autor do hino do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, completaria 105 anos...

Imagem: Autor Desconhecido

Lupe fez os gremistas irem até a pé

O compositor e cantor porto-alegrense compôs o hino que transborda o sentimento de ser gremista: é preciso estar sempre com o Grêmio, até porque o Grêmio vive em sua torcida.

Se vivo estivesse, Lupicínio Rodrigues, o Rei da dor de cotovelo, completaria 105 anos, nesta segunda-feira.

Pedro Henrique Brandão Lopes

Dizem que para ser torcedor há que se sofrer um bocado.

Não são poucas as desilusões que nos causam os jogadores que ostentam os escudos e envergam as camisas pelas quais somos apaixonados.

Vez ou outra acontece de um zagueiro da cintura dura azedar a quarta-feira, o goleiro mão de alface acabar com o domingo, ou mesmo aquele árbitro de reputação duvidosa que aparece para fazer possível a classificação do arquirrival e acabar com o resto do mês.

Pois bem, de sofrimento e chateação poucos conhecem tanto quanto Lupicínio Rodrigues, o Rei da dor de cotovelo, que recusava os títulos de cantor e compositor e se dizia apenas um boêmio.

Apenas o boêmio, compositor de Vingança, seria capaz de entender o que se passa na cabeça do torcedor quando sai de casa pronto “para o que der e vier”, para seguir de perto o time de coração e fazer valer uma voz a mais no coro de milhares apertados sob sol ou chuva.

O homem com Nervos de Aço, seria o único ser capaz de escrever que até a pé iria, para qualquer lugar, só para acompanhar seu clube.

Só Lupicínio Rodrigues seria capaz de compor o mais belo e sanguíneo hino de futebol.

Até por não ser um hino, mas sim uma declaração de lealdade.

Quem canta o hino do Grêmio, assina um contrato de fidúcia com o lado azul, preto e branco de Porto Alegre.

Lupicínio Rodrigues conheceu bem a cidade onde nasceu, cresceu e morreu.

A gelada Porto Alegre se aquecia quando Lupe cantarolava suas lamúrias de amores negados.

Desde cedo com a inclinação boêmia e vindo de uma pobre família de 21 filhos, foi alistado pelo pai como voluntário no Exército, aos 15 anos.

Quando completou 21 anos deu baixa no serviço militar e foi viver a vida como sempre quis.

Conseguiu sucesso com as composições de marchinha de carnaval em que ganhou alguns concursos e se lançou no ramo de empreendimentos alimentícios.

Abriu alguns restaurantes durante a vida e não visava tanto o lucro, mas queria um lugar para encontrar com os amigos e cantar até o sol raiar.

Alcançou o sucesso nacional depois que marinheiros que frequentavam os cabarés de Porto Alegre acabaram levando sua música até o Rio de Janeiro.

Mas a boemia era o vício de Lupe e depois de muitos anos de noitadas o coração não suportou o 60º aniversário e parou na noite de 27 de agosto de 1974.

Porém mesmo para os que não conhecem a vida do boêmio, os rastros da existência de Lupicínio Rodrigues atravessam as décadas desde 1953, ano em que o compositor escreveu o terceiro hino da história gremista em forma da mais sublime tradução do sentimento do que é ser torcedor.

Os versos de Lupicínio Rodrigues guardam toda a dor e amor do que é ser apaixonado pelo intangível futebol que vive algemado ao bel-prazer do Sobrenatural de Almeida.

O sofrimento é que dá sentido ao torcer.

Confira a letra e lamente por não ir a pé ou sinta-se feliz por ir para o que der e vier seja lá por qual camisa for:

Hino do Grêmio / Lupicínio Rodrigues — 1953

Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver
Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver
50 anos de glória
Tens imortal tricolor
Os feitos da tua história
Canta o Rio Grande com amor
Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver
Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo e que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver
Nós somos bons torcedores
Sem hesitarmos sequer
Aplaudiremos o Grêmio
Aonde o Grêmio estiver
Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver
Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver
Lara o craque imortal
Soube seu nome elevar
Hoje com o mesmo ideal
Nós saberemos te honrar
Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Arte: Ulisses

segunda-feira, setembro 16, 2019

Cair com a cara no chão...

Imagem: Joe Giddens/PA/Todd Cantwell

ABC FC... Campeão Potiguar Sub-19.

Imagem: ABC FC

ABC é campeão sub-19

Por Marcos Vinicius/Universidade do Esporte


O favoritismo do ABC na partida era previsível: jogava em casa e com apoio da sua torcida que marcou presença em bom número no Frasqueirão.

Quem demorou a ocupar seu lugar nas arquibancadas, perdeu o gol que decidiu o título: Kervison anotou o 1 a 0 logo no início da partida.

Os primeiros 45 minutos foram marcados pelo ABC presente no campo ataque enquanto o Visão Celeste tentava encontrar alguma maneira de sair da pressão Alvinegra.

Nesse sentido uma das válvulas de escape do Visão Celeste, no primeiro tempo, foi Bisneto, melhor jogador do time de Parnamirim, porém bem marcado, pouco conseguiu criar.

Na volta do intervalo, a impressão era que o Alvinegro já havia conquistado o título, pois nos momentos iniciais da segunda etapa e com o placar a seu favor, o ABC foi displicente.

A equipe de Parnamirim percebeu a guarda baixa do mandante e inverteu a ordem das ações, tomou as rédeas do jogo, e pode até reclamar de um cartão vermelho não aplicado ao zagueiro Toté, que fez falta por trás no atacante Gabriel, que sairia cara a cara com o goleiro Arthur.

Gilmar Oliveira, técnico do ABC, percebeu a acomodação de seus jogadores e promoveu três mudanças de uma só vez.

A partir daí o jogo ficou equilibrado, e ninguém teve o total controle da partida.

E assim seguiu até o fim, quando o árbitro Alciney Santos pediu a bola e apontou para o centro do gramado.

O apito final decretou o fim da espera de dois anos da equipe sub-19 Alvinegra, que não vencia o Campeonato Estadual desde 2016 quando venceu o Alecrim.

O troféu levantado neste ano significa calendário cheio para a base do ABC que vai disputar três competições nacionais: Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Copa São Paulo de Futebol Júnior.

O Visão Celeste, mesmo com o vice-campeonato, assegura a vaga na copinha em 2020 e buscará repetir o feito deste ano quando chegou às oitavas de final.

Sem tempo de reação...

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Arenas começam a ter vida própria no país...

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Análise: Arenas começam a ter vida própria no país

Mercado brasileiro segue a tendência de Europa e EUA, e começa a explorar melhor as novas arenas

Por Duda Lopes/Máquina do Esporte

O futebol é o grande negócio de uma arena moderna.

Nada gera mais dinheiro que os eventos esportivos.

Somente com bilheteria, sem considerar vendas de cadeiras, camarotes e publicidade específica para as partidas, o Maracanã já gerou mais de R$ 50 milhões neste ano.

O que o mercado nacional começa a perceber, por outro lado, é que as modernas estruturas podem ir além, podem ter vida própria e gerar ainda mais renda aos administradores.

Nesta semana, foi a vez da Arena Itaipava Fonte Nova mostrar as novas possibilidades.

O recente projeto, que conta até com Rubens Barrichello de sócio, deverá montar um shopping no estádio, com direito a academia e pista de kart.

Nesta mesma semana, o Allianz Parque apresentou outro projeto, formulado com a EY, a WeWork e o Governo do Estado de São Paulo, para transformar o estádio em um centro de escritórios para startups do esporte.

Também nos últimos dias, o UOL publicou que a Arena Corinthians deverá ter uma clínica médica, empreendimento que irá se juntar a outros projetos recém-construídos, como uma academia.

Essa transformação, no entanto, dificilmente mudará o centro de negócios das arenas, o futebol.

Em comparação, a rede Iguatemi, que possui alguns dos shoppings mais luxuosos do Brasil, teve um lucro de R$ 260 milhões em 2018.

Isso na soma de mais de dez complexos, e a grande maioria com maior potencial de ganhos em relação a lojas instaladas em um estádio.

É pouco frente ao que, por exemplo, o Palmeiras leva de lucro em relação a bilheteria e sócio torcedor.

Mas é um caminho natural para as modernas estruturas que, claro, precisam faturar mais.

É um caminho seguido com mais clareza em outros mercados. 

Em Boston (EUA), por exemplo, há um caso curioso.

O complexo de entretenimento Patriot Place, um grande shopping montado ao lado do Gillette Stadium, do New England Patriots, custou US$ 350 milhões e foi mais caro que o próprio estádio.

No local, há lojas, restaurantes, hotel e até casa noturna.

O investimento deu mais vida à isolada arena multiuso.

O estádio americano está longe de ser exceção.

Na verdade, ele é a regra para grandes arenas.

A considerar que o mercado brasileiro não possuía estruturas do tipo até pouco tempo atrás, é natural que os avanços aconteçam aos poucos.

Cinco anos após a realização da Copa do Mundo, parece que finalmente os novos estádios começam a ser plenamente explorados, com todas as suas possibilidades comerciais.