quinta-feira, junho 04, 2020

quarta-feira, junho 03, 2020

Parece que doeu muito, né, Aubameyang...

Imagem: Joe Toth/BPI/REX/Shutterstock 

"Um clube, uma honra"... NK Maribor da Eslovênia.



Não conheço, mas já vi! #14

A ascensão do Maribor.

Dyego Lima

“Um clube, uma honra”.

Esse é o slogan que define o NK Maribor, clube que carrega o nome da segunda maior cidade da Eslovênia, localizada na região da Baixa Estíria.

Fundado no dia 12 de dezembro de 1960, é uma das equipes mais bem-sucedidas do país, com 15 títulos Nacionais, nove Copas e quatro Supercopas.

Além disso, ao lado de ND Gorica e Nogometni Klub Celje, são os únicos três times que participaram de todas as edições do Campeonato Esloveno.

Ao longo de toda sua história, o Maribor sempre foi representado pela cor roxa.

No início, alguns funcionários do clube preferiam o vermelho e o branco, e o clube anterior da cidade, o MSD Branik, era alvinegro.

Como essas cores eram bastante difundidas entre as equipes iugoslavas, como o Estrela Vermelha e o Partizan, os sócios optaram por uma nova combinação.

Assim, a inspiração foi a Fiorentina, um dos clubes de maior sucesso na Europa à época.

A casa da equipe é o Stadion Ljudski vrt, construído em 1952, e com capacidade atual para pouco menos de 13 mil pessoas. O nome é uma homenagem a um parque público que ficava no local.

É lá que o Maribor recebe o Olimpija Ljubljana para a disputa do Eternal Derby.

A rivalidade remete à década de 60, quando os clubes se enfrentavam na segunda divisão da Iugoslávia.

Internamente, o clube possui uma premiação chamada de The Purple Warrior.

Idealizado em 2008, o troféu é dado, por meio de uma votação no site oficial da equipe, ao jogador de melhor desempenho na última temporada.

Para concorrer, o atleta precisa ter atuado em pelo menos 10 partidas oficiais.

Entre 2011 e 2017, o centroavante brasileiro Marcos Tavares só não venceu em 2016.

Os primórdios

O Maribor jogou sua primeira partida no dia 05 de fevereiro de 1961, quando derrotou o rival Kovinar por 2 a 1, com Stefan Tolic marcando ambos os gols.

E, embora as cores do time, roxo e branco, tenham sido escolhidas desde o início, o time fez sua estreia com uma combinação de verde e azul.

Isso porque as camisas violeta não ficaram disponíveis a tempo para o primeiro confronto.

Naquele mesmo ano, a equipe venceu a Liga da República da Eslovênia, equivalente à terceira divisão iugoslava, que era regionalizada, e ganhou o direito de disputar os playoffs de acesso à segundona.

A vaga foi garantida após vitória contra o Uljanik, da Croácia.

Vladimir Simunic, que assumiu o comando técnico após a saída de Andrija Pflander por conta de uma doença, conduziria o time à elite dali a seis anos, conquistando o título da Segunda Divisão.

A primeira partida do clube na elite iugoslava foi disputada em 1967, um empate por 1 a 1 contra o Vardar, da Macedônia.

Foi nessa mesma temporada que os eslovenos viram o primeiro duelo entre duas equipes do país na primeira divisão: um 0 a 0 entre o Maribor e o Olimpija Ljubljana.

Os Violetas encerrariam a Liga na 12° colocação.

Durante seus cinco anos na divisão principal, o Maribor jogou um total de 166 partidas, com 40 vitórias, 57 empates e 69 derrotas.

Sua melhor colocação foi um 10° lugar dentre 18 clubes em 1969/70.

A época 1971/72 foi sua última na Primeira Divisão, ficando no último lugar com apenas 20 pontos. Mladen Kranjc, um dos melhores da história do clube, foi o artilheiro do time nos cinco anos de elite, anotando um total de 54 gols.

O desempenho levou à sua transferência para o Dinamo Zagreb.

O período de complicações

Em 1972–73, já na Segunda Divisão, a equipe ficou na segunda colocação, indo disputar os playoffs de acesso.

Na decisão contra o Proleter, acabaram eliminados.

A partida de ida marcou o recorde de público em Ljudski vrt: 20 mil pessoas.

O longo período entre 1973 e 1990 foi um dos mais trágicos da história do clube, incluindo um rebaixamento para a 3° Divisão em 74/75.

Em 7879, o Maribor chegou perto de retornar à elite, mas não conseguiu vencer os playoffs de acesso.

No final da temporada 1980–81, o Maribor comemorava ter evitado um novo rebaixamento à Liga da República da Eslovênia.

Foi quando o escândalo Ball emergiu.

O clube tinha um fundo secreto que era usado para subornar árbitros e oponentes.

As autoridades descobriram que a equipe havia subornado 31 pessoas.

Por decisão do comitê disciplinar da Federação de Futebol Iugoslava, o Maribor foi rebaixado à Terceira Divisão.

Após o episódio, o time ficou oscilando entre o terceiro e o segundo níveis até a independência da Eslovênia em 1991.

Com a Eslovênia se tornando um país livre, o Maribor ingressou na recém-criada Liga Eslovena, disputando a temporada inaugural em 1991/92.

O clube foi um dos fundadores e, juntamente com o Celje, competem na elite desde a sua criação.

Nas quatro primeiras épocas, o Olimpija Ljubljana dominou.

No entanto, os Violetas bateram o rival na decisão da primeira edição da Copa da Eslovênia, vencendo nos pênaltis por 4 a 3. Venceriam também a terceira diante do Mura na final.

Vida nova

Nas primeiras edições da Liga, o máximo que o Maribor conseguiu foi o vice nas temporadas 1991/92, 92/93 e 94/95.

O primeiro título só veio em 96/97, acompanhado da Copa, vencida ante o Primorje.

A primeira conquista foi um ponto de virada na vida dos Violetas.

Eles seriam campeões nacionais nas próximas seis temporadas, conseguindo um histórico heptacampeonato.

Nesse período, a Copa seria ganha outras três vezes.

Sob o comando de Bojan Prasnikar, o clube alcançou a fase de grupos da Champions League 1999/00 pela primeira vez na história.

Enfrentando Lazio, Dinamo de Kiev e Bayer Leverkusen, acabaram ficando no último lugar.

A única vitória veio diante do Dinamo, na Ucrânia, por 1 a 0, com gol marcado por Simundza.

A Copa da Eslovênia de 2003/04 foi o último troféu do Maribor antes da nova fase de complicações.

Entre 2004 e 2007, atormentado por problemas financeiros, o clube beirou à falência.

As dívidas só foram pagas integralmente em 2011.

Sem poder contratar, o elenco era repleto de jovens jogadores.

Nesse período, o clube nunca terminou acima do terceiro lugar na Liga, além de dois vices na Copa.

O único momento de alegria foi a conquista de seu único título europeu, a Copa Intertoto de 2006.

A equipe eliminou UE Sant Julià, de Andorra, FK Zeta, da antiga Sérvia e Montenegro, antes de derrotar o Villarreal em uma das finais da região Sul-Mediterrânica.

Em 10 de maio de 2008, o Maribor reabriu o renovado Ljudski vrt, que havia passado os últimos 20 meses em reforma.

O estádio se mostrou essencial na virada de vida do clube: na temporada 2008/09, título da Liga. Na seguinte, Copa e Supercopa.

O técnico Darko Milanic se tornou o primeiro a conquistar os três títulos em seus primeiros dois anos de comando.

Na época 2010–11, com a equipe comemorando o aniversário de 50 anos, o nono título esloveno foi vencido, além do vice na Copa e na Supercopa.

Consolidação da hegemonia

Em 2011–12, o clube alcançou a fase de grupos da Europa League.

Diante de Club Brugge, Braga e Birmingham, os Violetas somaram apenas um ponto.

No entanto, a décima Liga foi ganha com o recorde de 85 pontos.

O título veio após um 8 a 0 contra o Triglav Kranj. Além dele, mais uma Copa.

Foi a terceira vez que o Maribor conseguiu fazer a dobradinha, que ainda seria coroada com a conquista da Supercopa.

No início de 2012–13, a equipe jogou sua quarta final consecutiva de Supercopa.

Conseguiram o bicampeonato após derrotar o rival Olimpija Ljubljana.

A 11° Liga foi confirmada em 11 de maio de 2013, de novo em cima dos arquirrivais.

Assim como na temporada passada, derrotaram o Celje e venceram mais uma Copa da Eslovênia.

Em 2013/14, o Maribor conseguiu passar da fase de grupos da Europa League pela primeira vez.

Acabariam eliminados na primeira rodada de mata-mata pelo futuro campeão Sevilla.

Na época seguinte, alcançou os grupos da Champions pela 2° vez.

Só conseguiu três pontos contra Chelsea, Schalke 04 e Sporting Lisboa.

Porém, em casa, a Liga e a Supercopa foram garantidas mais uma vez.

Na temporada 2015–16, o time não venceu o Campeonato Esloveno pela primeira vez desde 2009/10.

Terminou em segundo, atrás do rival Olimpija Ljubljana.

Na Copa, a nona conquista, derrotando o Celje na final.

Depois, seria vice da Supercopa.

Após o 14° título nacional em 2016–17, o Maribor chegou à fase de grupos da Champions.

Junto de Spartak Moscou, Sevilla e Liverpool, somou apenas três pontos, além de sofrer um 7 a 0 dos ingleses.

Nessa mesma época, acabaria perdendo a Liga para o Olimpija pela regra do confronto direto.

Os Violetas também seriam eliminados pelo rival nas quartas da Copa.

Foi a primeira vez que o time não chegou às semifinais da competição desde 2002–03.

Na última temporada, o 15° título esloveno veio com sobras, nove pontos à frente do vice.

O técnico do time, Darko Milanic, conquistou seu sexto troféu da Liga, tornando-se o mais bem-sucedido da elite do país.

O clube ainda foi vice da Copa, o que evitou a sua quinta dobradinha na história.

Tentando a bola livre do vírus...

Imagem: Reuters

Clube da Ucrânia confirma 25 casos de covid-19 entre seus jogadores e funcionários...


O Karpaty Lviv, da Ucrânia, foi posto em quarentena depois de 25 casos de covid-19 serem diagnosticados entre os seus jogadores e funcionários, anunciou a liga ucraniana...

"Os casos positivos de covid-19 foram colocados em isolamento, enquanto o clube permanecerá em quarentena durante, pelo menos, duas semanas", segundo comunicado da liga a liga.

No mesmo comunicado os dirigentes do futebol da Ucrânia informaram que todos os treinos da equipe foram cancelados, tal como os próximos dois jogos do Karpaty no campeonato, programados para meados de junho, e que a maioria dos infectados não apresentam sintomas da doença...

No último domingo, o jogo previsto entre o Karpaty e o Mariupol já tinha sido adiado depois da descoberta dos primeiros casos de covid-19 no clube de Lviv, cidade situada a oeste do país.

Todos os jogos do campeonato ucraniano acontecem à porta fechada e todos os jogadores e os demais profissionais envolvidos na organização e preparação das partidas são submetidos à medição da sua temperatura antes de entrar em campo...

Até ao momento, a Ucrânia regista 24 340 casos de coronavírus, dos quais 727 foram fatais.

A bola enganou os dois...

Imagem: AP

A Federação Internacional de Basquete pede ajuda financeira ao Comitê Olímpico Internacional...


150 milhões de dólares foi a ajuda pedida pela Federação Internacional de Basquete ao Comitê Olímpico Internacional para minimizar os impactos da pandemia...

Fonte: Máquina do Esporte

terça-feira, junho 02, 2020

Pelada em Copacabana... junho de 1950.

Imagem: Hulton-Deutsch Collection - Corbis via Getty Images 

Federação alemã abre investigação ao apoio a George Floyd na Bundesliga...

Imagem: AP

O presidente do Comitê de Controle da Federação de futebol da Alemanha (DFB) anunciou, que abriu uma investigação sobre as manifestações dos jogadores Marcus Thuram, Jadon Sancho, Hakimi e Weston McKennie, no fim de semana em jogos da Bundesliga.

"O Comité de Controle da DFB nos próximos dias e examinará as circunstâncias do caso", anunciou Anton Nachreiner.

Pelas regras da Federação (DFB) e da Liga de futebol (DFL) são proibidas qualquer mensagem sobre política, religião ou crença dos atletas, através de slogans, mensagens ou imagens.

Patrice Evra derruba Steven Gerrard... pênalti.

Imagem: Phil Noble/Reuters 

O faturamento dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro em 2019...


6 bilhões de reais foi a receita total dos clubes da Série A do Brasileirão em 2019, um crescimento de 17% em relação a 2018, segundo levantamento da EY...

Fonte: Máquina do Esporte

segunda-feira, junho 01, 2020

Existem pessoas que vivem a desafiar a morte... isso, talvez, seja viver plenamente.

Marcus Thuran, do Borussia Mönchengladbach presta homenagem a George Floyd...

Imagem: Martin Meisner/Pool via Getty Images

Fórmula 1: O triunfo mais triste...

Imagem: Autor Desconhecido

Fórmula 1: O triunfo mais triste

Faz 39 anos desde a última vez que um argentino foi visto no pódio da categoria mais alta do automobilismo mundial.

Em 17 de maio de 1981, pilotando de seu Williams FW07C, Carlos Reutemann foto - macacão vermelho) venceu o Grande Prêmio da Bélgica.

No entanto, na sexta-feira que antecedeu a corrida, ele acidentalmente atropelou o mecânico Giovanni Amadeo da equipe de Osella, que morreu logo depois num hospital em Bruxelas vítima de múltiplas fraturas no crânio.

Uma tragédia que manchou sua última comemoração.

Quando a corrida terminou, ainda nos boxes do autódromo de Zolder, logo após a premiação, Orlando Ríos, repórter enviado pelo El Gráfico para cobrir a corrida entrevistou Carlos Reutemann...

EG - Parabéns Carlos, que alegria ...

CR - Uma alegria? Como posso me alegrar?

EG - Carlos, por que você está tão chateado?

CR - Como posso estar feliz? Com tudo o que aconteceu, o acidente no início da prova, o incidente grave e muito sério na sexta-feira ... (o mecânico morreria dias depois).

EG - Que possibilidades você acha que tem para o campeonato?

CR - Possibilidades ... Não, não penso nisso, ainda há um longo caminho a percorrer.

EG - E a situação dentro da equipe, como você está?

CR que situação? Não estou preocupado. Eu só quero me dedicar ao carro e correr.

EG - Agora o que você vai fazer?

CR - Nada, nada. Vou para minha casa; eu quero ficar calmo, esqueça tudo isso. "

É claro que ninguém poderia imaginar na época que o 38º Grande Prêmio da Bélgica seria não apenas a última vitória de Carlos Reutemann, mas também a última vez que um argentino subiu ao pódio na categoria mais alta do automobilismo mundial...

Em 1982, Reutemann, depois 10 anos de carreira, 12 vitórias, 45 pódios e 6 poles positions encerraria sua carreira, ao fim do GP do Brasil.

O último olhar antes de finalizar...

Imagem: Rachel Holborn/BRFC/Getty Images

Repórter de campo em campo...

Imagem: Ronaldo Kotscho/Revista Placar

Repórter de campo em campo

Em 1981, a Revista Placar inovou ao colocar um repórter no gramado entre atletas profissionais para contar com riqueza de detalhes a experiência de ser jogador de futebol por alguns momentos

Pedro Henrique Brandão Lopes/Universidade do Esporte
  
É inegável: quase todo brasileiro, em algum momento da vida, quis ser jogador de futebol.

Lá na infância, quando a bola era amiga inseparável, uma única vez que seja, o amigo ou amiga leitor(a) se imaginou com a camisa do clube de coração comemorando um gol com a torcida.

Esse fugaz desejo quando não realizado não faz do Brasil uma nação de frustrados.

Apesar de existir uma parcela da população frustrada por motivos que fogem a esfera esportiva, não somos 210 milhões de “ex-futuros jogadores”.

Há quem aponte o jornalismo esportivo como segunda opção para aqueles que não conseguiram realizar o sonho de ser craque.

Ingenuidade.

Evidentemente o tipo existe, mas está longe de ser predominante.

A velha discussão voltou ao centro do debate recentemente, em parte pela ausência de futebol por conta da pandemia do novo coronavírus, mas principalmente quando o influencer Fred, um dos astros do canal Desimpedidos, estreou uma série — meio em formato documental, meio reality show — , em que persegue seu antigo sonho de ser jogador profissional e se torna atleta do Magnus Futsal.

Muito alardeada como a primeira experiência do tipo no Brasil, a série é sucesso absoluto entre o imenso público fiel ao canal e simpático ao inegável carisma de Fred.

Porém, para qualquer coisa que digam ser pioneira no Brasil, acredite: alguém fez algo parecido antes.

Parafraseando Chacrinha: em entretenimento, nada se cria, tudo se copia.

Pois bem, no quesito inovação no jornalismo esportivo, no Brasil, nenhum período se aproxima da revolução que a década de 1980 representou.

Em 1982, a TV Globo “grampeou” o árbitro José Roberto Wright, no episódio que ficou conhecido como o “Watergate do futebol” e fez o Brasil conhecer os impropérios que um juiz de futebol dizia aos jogadores em campo.

Nada que assuste atualmente quem teve acesso a uma tal reunião ministerial, mas que há quase 40 anos, foi um escândalo.

Inaugurando essa tendência de ousadia jornalística, em dezembro de 1981, a revista Placar conseguiu acertar com a diretoria do São Paulo, algo impensável atualmente: colocou um repórter no gramado do Morumbi com a camisa do Tricolor durante uma partida do time profissional.

A missão: contar com riqueza de detalhes jamais experimentada na imprensa esportiva brasileira, a partir da ótica de quem vive a situação na pele, a experiência de ser jogador de futebol.

Charles Marzanasco Filho (foto) foi o repórter escolhido para a reportagem especial que incluía a participação no rachão antes da partida, ida ao estádio com a delegação, preparação no mesmo vestiário, tudo no padrão atleta.

Marzanasco era considerado o “craque das horas vagas” pelo desempenho nas peladas da imprensa.

Curiosamente, não era repórter da Placar, mas sim da revista Auto Esporte e tinha muito mais afinidade com a editoria de automobilismo, motivo pelo qual chegou a ser assessor de imprensa de Ayrton Senna, porém um problema de desmedido e incontrolável clubismo — digamos assim — , afastou o repórter escalado originalmente para a cobertura e entregou ao também tricolor Marzanasco a oportunidade única.

O jogo marcado para o dia 6 de dezembro de 1981 foi um amistoso entre São Paulo e um selecionado paulista com jogadores dos clubes da capital e do interior do estado.

Apesar de não ser uma partida oficial, havia resistência contra a participação de um jornalista num jogo de profissionais.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) e Formiga, treinador são-paulino, não queriam permitir a entrada de Charles no gramado.

No rachão, inclusive, Formiga proibiu o repórter de treinar junto aos jogadores e Marzanasco acabou participando de um treinamento com outros profissionais de imprensa e dirigentes tricolores.

Jaime Franco, então diretor e homem forte no futebol do São Paulo, foi o responsável por amolecer Formiga e convencer a FPF que a ação seria uma justa homenagem à imprensa.

Enfim, na data marcada, trajado com o uniforme oficial do São Paulo, mesmo contra olhares atravessados dos delegados da federação, Charles subiu os degraus que dão acesso ao gramado do Morumbi de mãos dadas com Mário Sérgio.

Logo que surgiu entre os atletas, foi para o banco de reservas e por lá ficou durante quase toda a partida.

A reportagem de quatro páginas intitulada “Eu joguei na máquina Tricolor”, foi publicada na edição que chegou às bancas em 31 de dezembro de 1981 e é um relato em primeira pessoa sobre a experiência.

O repórter não escondeu seu sonho de infância de jogar no São Paulo.

Além disso, comentou como durante a semana que antecedeu a partida, confundiu sua ação como jornalista e a responsabilidade de reportar os fatos com a possibilidade de entrar em campo e ter que jogar bem.

Por isso, revelou o medo “de fazer um papelão” quando entrasse em campo e a “obrigação de pelo menos, tocar na bola”.

Quando o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia apitou para a bola rolar, com certa tranquilidade, o time tricolor abriu vantagem no placar e o repórter acreditou que sua entrada seria facilitada.

Porém, no início do segundo tempo, a Seleção Paulista conseguiu uma reação que em poucos minutos transformou a vantagem são-paulina de 3 a 1 em derrota de virada por 4 a 3.

Assim, Formiga começou a fazer as alterações na equipe e Marzanasco foi deixado no banco de reservas.

Por isso, grande parte da reportagem é feita a partir dos comentários feitos entre os suplentes sobre o que acontecia em campo.

Com o resultado praticamente garantido, os atletas apenas esperavam o apito final.

Marzanasco se viu sozinho no banco com Formiga, tomou coragem e pediu para entrar.

Aos 43 minutos, o treinador atendeu ao pedido e o repórter entrou com tempo apenas de retomar a bola de Éderson, volante adversário, e armar um contra-ataque com Tatu, que sofreu falta e após a cobrança, Dulcídio encerrou o amistoso.

O apito final foi um sinal de alívio para o repórter que afirmou: “finalmente, minha tensão terminava”. A entrada em campo, ainda que por apenas dois minutos, foi o suficiente para que no dia seguinte, a imprensa repercutisse o feito da revista Placar, com direito a nome de Marzanasco na escalação oficial.

As observações de Marzanasco são riquíssimas em detalhes saborosos como a confusão e desabafo do roupeiro tricolor que resistia à ideia de entregar o uniforme do clube ao jornalista ou na passagem em que escreve “no banco, eu só ouvia o Formiga xingar o juiz”.

Publicada há quase 40 anos, a reportagem preserva modernidade do ponto de vista jornalístico e é um raro relato dos bastidores do futebol daqueles tempos — bem menos sintético que o atual.

domingo, maio 31, 2020

O goleiro Egon Loy do Eintracht Frankfurt reclama com seus companheiros após Di Stéfano marcar mais um gol na final Copa do Campeões da Europa de 1960 - Real Madrid 7x3 Eintracht Fankfurt...

Imagem: SMG/Press Association Images 

O que alguns craques do esporte fizeram com seu primeiro salário... Selecionei os cinco mais interessantes e comoventes.

Imagem: Autor Desconhecido

O que alguns craques do esporte fizeram com seu primeiro salário...

É o que mostra o diário AS, na seção, “Mas Deporte” do última sexta-feira (30).

Pincei os que me pareceram mais interessantes e comoventes...

Vamos lá:

Casemiro, do Real Madrid

“Desde a infância, sonhava em experimentar a bebida láctea Yakult. Mas, como era caro eu não podia pagar quando era criança. Quando recebi o meu primeiro salário do São Paulo, fui ao supermercado e realizei meu sonho de infância.”

Cristiano Ronaldo, da Juventus

“Disse a minha mãe: a senhora não precisa mais trabalhar.”


Kelly Oubre, do Washington Wizards

“Passei muitas dificuldades na minha infância. Cheguei a dormir por algum tempo no carro de meus pais. Quando recebi meu primeiro salário na NBA, comprei uma casa.”

Harrison Barnes (foto), do Dallas Mavericks

“Comprei uma cama. Desde criança quis ter uma boa cama.”

Xavi Hernández, do Al-Sadd/Catar

“Comprou uma torradeira para a avó.”

A bola passou por entre as mãos...

Imagem: A Hassenstein/Getty Images for FC Bayern

Sérgio Sant’Anna, um contista com a janela aberta para o futebol...

Imagem: Autor Desconhecido

Sérgio Sant’Anna, um contista com a janela aberta para o futebol

No domingo de Dia das Mães, 10 de maio, o escritor Sérgio Sant’Anna foi um dos muitos brasileiros que sucumbiram à Covid-19. Deixou como herança à posteridade sua obra e seu futebol de ontem, de agora e de sempre

Pedro Henrique Brandão Lopes/Universidade do Esporte

Sérgio Sant’Anna nasceu no Rio de Janeiro, em 1941, mais precisamente no dia 30 de outubro.

Na adolescência frequentava todos os jogos do Fluminense e até alguns treinamentos do Tricolor das Laranjeiras.

No final dos anos 1950, deixou o Rio e passou a juventude em Belo Horizonte, onde estudou direito.

A distância e a vida adulta poderiam afastá-lo do futebol e do Fluminense, mas o esporte bretão teve lugar cativo na obra do escritor.

Foi a rica vivência adquirida na infância em campos do subúrbio carioca, levado pelo tio Luiz Andrade, jornalista e diretor de imprensa do Fluminense, para acompanhar o Tricolor nos jogos contra Olaria, na Rua Bariri, Bangu, em Moça Bonita, e Madureira, na Conselheiro Galvão, entre outros, que formou o repertório estilístico usado pelo escritor como cenário de algumas obras.

Não foram poucas as vezes que Sant’Anna recorreu ao futebol em sua escrita.

Em algumas oportunidades até com um quê “profético” como no conto “Na boca do túnel”, de 1982, um relato em primeira pessoa de um treinador do São Cristóvão que vai jogar no Maracanã contra um clube grande e sofre um 7 a 1.

Mais de 30 anos depois, um outro 7 a 1 abalaria o Brasil.

O autor era dono de uma habilidade incomum para dominar as palavras, semelhante a que vira Didi ter para dominar a bola no meio-campo lendário do Fluminense, que assistiu quando garoto.

Em 1969, aos 28 anos, lançou sua primeira obra, o livro de contos “O Sobrevivente”.

A partir de então, mostrou versatilidade de estilos — digna dos jogadores modernos — para escrever em vários gêneros, o que lhe permitiu publicar poesias, romances, peças de teatro e novelas, mas foi no conto que o escritor encontrou sua “posição” no campo da literatura.

Essa versatilidade fez de Sérgio Sant’Anna figura central na literatura brasileira moderna e sem dúvidas, um dos mais originais autores de seu tempo.

O próprio escritor definia sua obra pelo “experimentalismo e a molecagem”.

Guiado pela vontade de experimentar o novo e a tal molecagem que lhe conferia a coragem para isso, Sérgio apresentava em sua escrita uma inquietação incessante, natural aos grandes autores.

Semanas antes de morrer, publicou em seu perfil no Facebook:

“Não quero assustar ninguém, mas acho a peste que nos assola simplesmente aterrorizante. Não encontro outro modo de reagir senão escrevendo”.

Assim, o escritor se manteve ativo até os últimos momentos.

Produziu e publicou até ser internado no dia 3 de maio.

Poucos dias antes, em 26 de abril, a Folha de São Paulo publicou um conto inédito de Sant’Anna.

No texto, o autor retoma as lembranças dos treinamentos do Fluminense que frequentava na juventude.

Com a genialidade de poucos, narra os fatos a partir do ponto de vista de uma saudosista trave de madeira.

“Das memórias de uma trave de futebol em 1955” é um minucioso e sensível retrato de um Fluminense que tinha os goleiros Castilho e Veludo no auge de suas formas física e técnica, além de uma linha de ataque que ostentava Telê, Didi, Valdo, Átis e Escurinho.

Porém, como pede uma boa tabelinha entre literatura e futebol, o conto vai além e com fino entrosamento revela uma época em que as traves eram de madeira e os meninos matavam aula para assistir ao treino nas Laranjeiras.

Um tempo e um futebol que não existem mais a partir da visão de uma trave durante um galáctico treino:

“A folha seca é assim: a bola vem pelo alto, mas perto do gol, perto de mim, de repente perde força e cai, tantas vezes na rede. Didi acaba de bater uma falta dessas, só que a bola bateu na trave, eu, bem no ângulo. Não sei se devo sentir orgulho ou decepção, acho que ambas as coisas. Pois a cobrança foi perfeita, uma obra-prima, que assisti do meu posto privilegiado, mas ao mesmo tempo me sinto defendendo o gol do Castilho, meu irmão quase, eu diria. Mas Didi sorriu pra dentro, com seu jeito discreto, pois foi bonito e engraçado. Pode isso? Pode.”

“Mas outras bolas entraram, a primeira delas do Telê, que recebeu um passe do Didi, na ponta direita, e emendou de primeira, com efeito, à meia altura, uma pintura de gol, até aplaudido pelos poucos assistentes. As palmas num estádio vazio ecoam diferentes, um pouco melancólicas, pois um gol desses devia ter sido feito num clássico de domingo, no Maracanã, contra o Flamengo”.

O conto, que entrou para a galeria de obras-primas do escritor, é lindo do início ao fim e vale duas, três, dez leituras.

No entanto, nos dois últimos parágrafos, Sérgio Sant’Anna faz questão de deixar claro que não falava “apenas” de futebol, porque é impossível deixar de entender aquilo que acontece no gramado como uma metáfora da vida:

“O problema é que o treino logo terminou. É complicado isso, quando um espetáculo termina, mesmo que um simples ensaio. Mas havia as estrelas principais, os coadjuvantes, figurantes, espectadores. Todos, no gramado e na assistência, vão conversando enquanto saem. Comentam entre si o que assistiram, alguns, os torcedores mais fanáticos, até empolgados. Mas aí, aos poucos, já começam a falar do espetáculo principal de domingo, o Fla-Flu. Como eu gostaria de estar lá para participar ou ver. Mas, pior do que isso, é que em breve meu tempo terá passado.”

“Ainda vejo um pôr do sol, meio cortado, porque a geral no piso superior, do outro lado do campo, só me dá a visão até um ponto. Mas o crepúsculo, embora essa palavra me cause arrepios, é sempre bonito. Bonito e triste. Para piorar, volto a lembrar daquele cara que veio me ver, ver as traves, em que deu dois chutinhos, e depois disse aquele negócio de dar cupim. Mas isso acontece com todos os seres, animados ou inanimados, me deu vontade de responder, se conseguisse. E a noite logo vai cair. A noite também é bonita, mas seria muito mais se fosse de dia de jogo, o estádio iluminado. Mas não. Para mim, em breve, será só escuridão”.

Não por acaso, uma de suas últimas produções foi sobre futebol, sobre o Fluminense, definitivamente sobre a sua vida.

Talvez porque como o próprio Sérgio Sant’Anna gostava de dizer, “não gosto de me repetir”, não há nada neste mundo mais imprevisível e irrepetível do que o futebol.

Nas quatro linhas, o imponderável impera, o “Sobrenatural de Almeida” é quem dá as ordens e tudo pode mudar num lance, num segundo, numa única bola.

Chato é o jogo em que o placar fica na igualdade, o futebol é um dos poucos lugares em que a igualdade é repugnante.

Foi genial dizer adeus assim, com um conto sobre futebol, como se fosse uma confissão ou uma declaração definitiva de despedida que nunca deixará sua obra cair na escuridão do esquecimento, Sérgio Sant’Anna lega à eternidade e faz vivo seu futebol de ontem, de hoje e para sempre.