terça-feira, julho 17, 2012

Quem deve ser organizado, é o clube e não sua torcida...


No Brasil, salvo um ou outro incidente no interior dos estádios, elas, as torcidas organizadas, mudaram a estratégia.
Aprenderam que no ambiente fechado do estádio, antes, durante ou mesmo no fim do jogo, são alvo fácil da polícia...
Não existem rotas de fuga.
Amontoados num determinado lugar, sob o olhar atento da polícia, entoam cânticos agressivos, disparam palavrões, fazem gestos obscenos e pulam como símios ou primatas com objetivo de criar um apelo psicológico para si mesmos e através da “dança” agressiva, intimidar o oponente.
Por outro lado, quando provocam distúrbios, o fato de covardemente buscarem sumir na multidão ao misturar-se aos demais torcedores, dificilmente impede a ação do batalhão de choque ou do efetivo convencional.
Fatalmente, serão identificados, perseguidos e finalmente presos.
Mesmo que saibam que vão passar poucas horas numa delegacia e que se processados, nada vai lhes acontecer, a maioria procura evitar mal estar provocado pelo gás de pimenta e o desconforto posterior causado pelas bordoadas das tonfas dos policiais, cansados de brincar de gato e rato.
A policia, no entanto, demorou um pouco, mas como sempre, aprendeu a lidar com essa gente...
No interior dos estádios, através da prevenção, da observação, da infiltração, da presença ostensiva e intimidante de seus homens especializados e treinados nos “pontos quentes”, o policiamento conseguiu diminuir sensivelmente a ação dessas facções.
Por esta razão, os confrontos ou acontecem antes da entrada no estádio ou então, depois, quando os organizados formam grupos nos arredores ou no trajeto de volta para casa, com o objetivo cassar ou confrontar grupos “inimigos”.
A atuação da polícia, por si só, apenas remenda o processo, não o extingue.
É preciso dar um basta nisso tudo, é preciso que essa estupidez tenha um fim, é preciso encontrar em algum lugar, homens com envergadura moral e autoridade para de uma vez por todas, quebrar a cultura da permissividade e da impunidade.
Até quando, esses idiotas vão extrapolar o direito de protestar?
Até quando, desequilibrados mentais com baixa escolaridade e nível intelectual de uma ameba, vão ter a liberdade de decidir para quem, eu, você ou qualquer um vai torcer?
Destruir o patrimônio, ferir ou matar pessoas em função de uma derrota, de uma má campanha ou de um rebaixamento de um clube de futebol é algo compreensível, racional, aceitável?
Será que o Estado pretende acabar criando alguma cartilha ou enviar algum educador, com pachorra suficiente para sentar com esses recalcados e didaticamente, esclarecer que não existe nenhum nenhuma equipe de futebol ou de qualquer outro esporte que nunca perca?
Às vezes penso que tal bizarrice corre o risco de ser implantada...
Afinal, o nonsense e o bizarro fazem parte de nosso arcabouço cultural.
Que esse país tem apodrecido ultimamente é inegável, o cheiro pútrido toma conta de quase todas as instituições, tudo sob a complacência patética da população e o inestimável apoio de uma lei excessivamente garantista e costurada com a habilidade de um estilista para amparar o criminoso e seus crimes.
O Brasil seria hilário, não fosse ridículo.
Nossas leis beiram a demência...
Manter em cativeiro um animal silvestre é crime inafiançável...
Tirar a vida de alguém num latrocínio, numa crise passional ou num assassinato encomendado, é perfeitamente afiançável...
Basta “fugir” do flagrante, ter residência fixa, um emprego qualquer e pelo menos uma vez por ano, frequentar a igreja do bairro.
Alguns advogados deixaram a muito de exercer sua profissão com o garbo, a cultura e o profundo saber jurídico que rendeu a profissão, a admiração e o respeito da sociedade.
Hoje, basta tornar-se um especialista em impetrar infindáveis recursos permitidos pela decrépita legislação ou, utilizar-se das artimanhas e filigranas para manter impune o cliente, até que o ilícito caia no esquecimento e prescreva em gavetas bolorentas.
Tudo dentro da mais perfeita legalidade...
Brilhante, mas, perdoe-me, imoral.
Diante disso e de outras coisinhas, fica fácil entender, por que em qualquer lugar, a luz do dia ou não, grupos de marmanjos, envergando o que arrogante e abusivamente chamam de “manto sagrado” – como se não fosse sacrilégio, sacralizar o profano – se deslocam até um aeroporto, um campo de treino ou um estádio, para uivar, berrar, xingar, explodir fogos de artifício ou tentar através de socos e pontapés, aplacar seus recalques e frustrações.
Creio que até o mais passivo dos homens, tem um limite.
Assim como também, creio que até a mais alienada e sonolenta das sociedades, tem seu despertar.
Basta de impunidade, basta de passar a mão na cabeça dos que acintosamente, riem da nossa complacência, tolerância e passividade...
Por fim, deixo humildemente uma sugestão ao Ministério Público e a Segunda Seção da Polícia Militar: investiguem detalhada e criteriosamente de onde partem os recursos que financiam esses grupos...
Quem é a mola que impulsiona um movimento basicamente formado por jovens desempregados e subempregados...
Chegando lá, denunciem, exponham a luz os financiadores.
Provavelmente, com a “torneira” fechada, essas facções morram de inanição, pois, se para um trabalhador, frequentar um estádio assiduamente é um enorme sacrifício, imaginem, para quem não trabalha ou se trabalha, ganha muito pouco para bancar ingressos, viagens, faixas, rojões, alimentação e etc.

  

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