domingo, janeiro 27, 2019

Tênis... Mark Edmondson, de zebra a campeão.

Imagem: Getty Images

Mark Edmondson, a zebra no Australian Open de 1976

Por Pedro Brandão, do Universidade do Esporte

Um mês antes do Aberto da Austrália, Mark trabalhava como faxineiro em um hospital de Sydney, mesmo sem estrutura mostrou seu talento e derrotou grandes nomes do tênis mundial para conquistar o troféu e se tronar o último australiano a vencer um Grand Slam em casa.

om apenas 21 anos de idade, Mark Edmondson era um comum jovem australiano.

Trabalhando como faxineiro em um hospital de Sydney nem sonhava que em um mês seria uma das maiores zebras de todos os tempos no tênis mundial ao vencer o Australian Open de 1976.

Vivendo no completo anonimato, Mark trabalhava nos serviços gerais do hospital onde sua irmã também trabalhava como enfermeira.

A intenção do jovem era conseguir dinheiro para viajar até a Inglaterra e disputar o lendário torneio de Wimbledon.

Por isso, era um caçador de competições menores, das quais participava em busca das premiações.

Ainda no final de 1975, Edmondson foi convidado a participar de um torneio na Tasmânia.

Na época o jovem tenista não figurava sequer entre os 200 primeiros do ranking, mas como alguns participantes desistiram da competição a organização chamou Mark para completar o chaveamento.

Se para a organização do torneio na Tasmânia, Mark era um nome para completar a chave, o tenista não foi ao sul da Austrália para fazer número.

Jogou sério e foi campeão.

O título lhe rendeu, além da premiação que era seu objetivo primeiro, um inesperado convite para participar do tradicional primeiro Aberto do ano de 1976.

O primeiro passo para a zebra histórica acontecer foi dado ao aceitar participar do Australian Open.

Porém o convite não previa hospedagem no hotel oficial da competição e nem alimentação.

Mesmo assim, Mark e sua namorada partiram rumo a Melbourne e hospedaram-se na casa de um amigo, juntos iam todos os dias de transporte público ao centro de treinamento.

Quando a competição começou, Mark era sempre o azarão das partidas. Na estreia precisou de cinco sets para vencer seu adversário e avançar.

Nas fases seguintes a vida do australiano foi de mal a pior, sempre enfrentando nomes consagrados no tênis como o finalista de 1974, um campeão júnior do torneio anos antes, um membro da seleção australiana na Copa Davis e nas semifinais o tetracampeão do Aberto da Austrália, Ken Rosewall.

A esta altura do campeonato o reconhecimento chegou e pela primeira vez na carreira, Mark Edmondson ganhou um patrocínio com direito a roupas e tênis novos cedidos por uma fornecedora de material esportivo, além de uma proposta de acordo financeiro fixo no futuro.

Mas na seminal a intenção do jovem atleta frente ao consagrado Ken Rosewall, era não passar vergonha e perder por pouca diferença. Em uma entrevista anos depois, a recordação de Mark, ao ver o público presente para a seminal, dá a dimensão da guinada na carreira:

“Eu estava acostumado a jogar na quadra 27 para um gato ou um cachorro na torcida e um árbitro. Então aquilo foi impressionante para mim”

Surpreendentemente, Edmondson precisou de apenas quatro sets para fechar o jogo num tranquilo 3 a 1 e conquistar sua vaga na finalíssima onde encontraria o atual campeão John Newcombe.

Sem pressão nenhuma e com o bônus de ter chegado longe, Mark jogou leve na decisão, forçando o ‘backhand’ que era a fraqueza Newcombe e venceu o Grand Slam.

Depois do título a carreira deslanchou e Mark chegou a 10 finais de Grand Slams, até se aposentar em 1987, foi campeão em 6 finais, vice em outras 4 oportunidades e voltou a ser campeão no Aberto da Austrália e em Roland Garros, além da semifinal de Wimbledon, em 1982.

Mark Edmondson é o último australiano a vencer o Australian Open e fazer a festa em casa, desde 1976 um tabu parece ter se instalado no tradicional primeiro Grand Slam da temporada anual.

A vida de Mark Edmondson prova que é possível mudar a própria história mesmo contra adversidades, o rapaz que limpava o chão e as janelas de um hospital se recusou a aceitar um destino que não queria para si, em um intervalo de um mês, reescreveu sua história empunhando raquetes para se tornar um grande campeão.

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