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Este espaço não propõe defesa nem ataque a nenhum clube ou pessoa. Este espaço se destina à postagem de observações, idéias, fatos históricos, estatísticas e pesquisas sobre o mundo do futebol. As opiniões aqui postadas não têm o intuito de estabelecer verdades absolutas e devem ser vistas apenas como uma posição pessoal sujeita a revisão. Pois reconsiderar uma opinião não é sinal de fraqueza, mas sim da necessidade constante de acompanhar o dinamismo e mutabilidade da vida e das coisas.
terça-feira, dezembro 20, 2011
José Mourinho totalmente azedo...
Após a vitória do Barcelona sobre
o Santos em Yokohama, o treinador do Real Madrid, como era de se esperar foi
procurado pela imprensa espanhola para que emitisse sua opinião sobre o assunto.
Curto e grosso, José Mourinho deu
a seguinte declaração:
“É muito mais importante ganhar a
Liga dos Campeões que essas duas partidinhas. Em todo caso, felicito o
Barcelona”.
É claro que Mourinho aproveitou
para alfinetar seu rival, desqualificar a conquista e deixar escapar um pouco
de sua irritação com mais esse sucesso catalão, mas para quem acompanha o
futebol europeu, a declaração não assusta...
Na Europa o título de Campeão
Mundial de Clubes nunca foi considerado algo tão grandioso assim.
A reação dos torcedores do
Barcelona logo após o jogo mostra claramente satisfação, mas não, emoção.
A ironia em tudo isso, é que
desde que a FIFA assumiu de direito e de fato a competição, a Europa a tem
dominado.
Das oito edições do torneio,
cinco foram ganhas por clubes do velho continente e três por sul-americanos.
2000 – SC Corinthians Paulista.
2005 – São Paulo FC.
2006 – SC Internacional.
2007 – AC Milan.
2008 – Manchester United.
2009 – FC Barcelona.
2010 – FC Internazionale.
2011 – FC Barcelona.
O mundo não é tão difícil de entender, quando subimos numa cadeira e olhamos por sobre o muro que nos cerca... O texto é longo, mas repito: esse blog é feito para quem gosta de ler.
O texto de Ranyeri Maciel Vítor
Medeiros, que não conheço, é bastante esclarecedor para aqueles que consideram
qualquer conhecimento sobre o futebol europeu, perda de tempo...
Talvez por isso, sempre que são
surpreendidos, nossos arrogantes analistas ficam tentando arrumar esfarrapadas
desculpas para minimizar a trombada.
Ontem me preparava para escrever
sobre o assunto, quando em meio às dezenas de pesquisas que me obrigo antes de
começar, deparei-me com o texto de Ranyeri...
Foi um belo achado, poupou
trabalho.
Com um texto bem escrito, objetivo,
leve e refinado, Ranyery descreve com exatidão tudo o que aconteceu na capital
da Catalunha desde a chegada de Rinus Michels até os dias de hoje.
Faço apenas uma correção:
O que o mundo viu em 1974, não foi programado para acontecer na Alemanha.
O processo começa em 1965, quando
Michels assume o comando técnico do Ajax de Amsterdam.
Ali, começou a montagem do viria
a ser conhecido como “Futebol Total”.
De 1965 até a estreia da Holanda
no mundial de 1974, Michels venceu de forma consecutiva com o Ajax, quatro
campeonatos holandeses, três copas da Holanda, sendo duas delas também de forma
consecutiva e a Taça dos Campeões da Europa – hoje, Liga dos Campeões.
Em 1973 já no comando do
Barcelona, Michels conquistou o Campeonato da Espanha da temporada 73/74.
Aproveito para acrescentar um
dado importante ao texto de Ranyeri...
O local onde o Barcelona
implantou a filosofia trazida por Michels, chama-se La Masia...
La Masia é o centro de
treinamento que produz os jogadores que irão vestir a camisa azul/grená...
Foi para lá que Messi foi mandado
quando chegou à Espanha e foi lá que Piquet, Cesc Fábregas, Xavi, Iniesta,
Pedro, Valdés e tantos outros deram seus primeiros passos.
La Masia custa milhões de euros,
mas poupa outros tantos milhões.
Talvez por isso, Josep Guardiola tenha
ficado tão assustado diante da falta de informação de quem lhe perguntou se o
nível econômico do futebol europeu era o diferencial sobre o brasileiro e,
respondeu: o custo do Barcelona é zero.
Bem, meu caro leitor, fique agora
com o excelente texto de Ranyeri Maciel Vítor Medeiros.
Barcelona: uma cultura e identidade de jogo
Por Ranyeri Maciel
Vítor Medeiros.
Quem nunca brigou de bobinho jogando futebol?
O bobinho é aquele que
fica dentro de um círculo tentando tomar a bola dos outros participantes.
Como
em um carrossel, as pessoas vão se mexendo de um lado para o outro até que o
bobinho tome a bola ou peça, como falamos aqui em Natal, ARREGO.
Este tipo de
filosofia técnica, do bobinho, pôde ser vista (de forma mais atenta) pela
primeira vez, em 1974.
Durante a copa do Mundo, o técnico da Holanda, Rinus
Michels, programou um sistema onde os jogadores não tinham posições
definitivas.
Havia inversões de jogadas e posições.
O jogador que começava a
partida pela direita, poderia muito bem terminá-la atuando na esquerda.
Os
adversários ficavam como verdadeiros “bobinhos” tentando encaixar a marcação.
Uma pena a Holanda não ter sido campeã daquela copa.
No entanto, Michels,
deixou essa filosofia viva e passou o segredo para o seu pupilo Johan Cruyff.
Cruyff foi treinado por Michels na Seleção Holandesa, Ajax e Barcelona.
Ao assumir o comando do Barcelona em 1988, Cruyff tinha como meta adotar o
esquema que não rendeu o título à seleção Holandesa, mas encheu os olhos do
mundo com o estilo de jogo elegante, rápido e deslumbrante.
O Barcelona foi
conquistando cada vez mais espaço no cenário mundial e, assim como seu maior
rival, o Real Madrid, tornou-se um dos clubes mais vitoriosos do mundo.
Mas
ainda faltava algo para completar a cereja do bolo de um esquema tático tão
envolvente e diversificado. Faltava torná-la no Barcelona uma filosofia de
jogo.
Um estilo próprio que, quando todos olhassem, saberiam qual clube estava
jogando.
Em 2008, Josep Guardiola assumiu o comando do clube.
Pep, como é
carinhosamente chamado, foi treinado por Cruyff no Barcelona. Mentira!
Não
somente treinado, como também teve o Holandês como seu mentor e principal
motivador e incentivador no aprendizado tático e técnico do jogo.
Pep encontrou
o clube que vinha de dois anos seguidos sendo derrotado pelo Real Madrid e algo
precisava ser feito.
A primeira coisa foi a de possuir mais jogadores vindos
das canteras (categorias de base) em seu time.
Ele não queria apenas criar um
time, ele queria muitos mais do que isso.
Queria fazer do time um exemplo para
a sua cidade e criar, através do futebol, uma identidade para o povo Catalão.
Nascido em uma das Províncias de Barcelona, logo adotou um esquema que
modificaria totalmente a sua equipe. Montou um 4-3-3.
Mas esse esquema não era
nenhuma novidade.
Claro que não!
O que o diferenciava era a forma como os
jogadores se portavam em campo.
Com a liderança e ajuda do capitão Puyol, Pep
pôde colocar dentro da cabeça dos jogadores que eles não jogavam apenas pelo
clube, mas também por toda a nação Catalã.
Uma filosofia de jogo!
Com um time
rápido, com troca de passes envolvente e versatilidade nas posições dentro de
campo, logo em seu primeiro ano no clube, ele venceu todos, eu disse TODOS os
campeonatos dos quais disputou.
As equipes montavam uma marcação especial para
um determinado jogador, em uma determinada área.
Mas isso não era possível.
A
troca de posições era intensa.
O passe era preciso demais e a finalização
certeira. Começava a nascer o Carrossel Blaugrana (azul e grená cores do
clube).
Com esse estilo inovador adotado por Pep, as equipes começaram a buscar
antídotos para bater o Barcelona.
Uns conseguiram de forma sofrida, como a
Inter (Itália) em 2010.
Outros não conseguiram nem ao menos entender o que se
passava dentro de campo.
O time agora tinha uma identidade.
A maioria dos
titulares eram nascidos na Catalunha ou em Províncias perto da mesma.
A
identidade com a torcida era notória.
O Barcelona começava a incomodar pela
paciência com a posse de bola.
Para uns, um estilo chato de se ver, para a
maioria, uma revolução.
É como dizem os Argentinos: toque y me voy (toca e
passa).
Quando todos pensavam que nada mais poderia ser “inventado”, eis que
surge a variação tática dentro do próprio campo.
O time começava em seu
habitual 4-3-3.
Mas dependendo do adversário, Pep logo passava e pedia que seus
jogadores invertessem de posições para um 3-4-3, 4-4-2, etc.
É lindo assistir
ao Barcelona jogar.
Para quem é amante do futebol como eu, é de fazer dar boas
gargalhadas dos bobinhos que se tornam os adversários quando o Barça possui a
bola.
O maior exemplo disso ocorreu no último sábado (10/12/2011) durante o
clássico contra o Real Madrid, jogo realizado em Madrid.
O time começou no
4-3-3.
Tomou um gol com 30 segundos.
Muda tudo, agora é 3-4-3.
Quando conseguiu
empatar o jogo, mudou novamente, 4-4-2.
A marcação do adversário simplesmente
se perdia.
Dos 11 titulares, 8 foram formados nas Canteras do clube.
Pep não
aperfeiçoou apenas um esquema que veio desde os tempos de Michels e passou pelo
Cruyff.
Ele tornou o clube, os jogadores, verdadeiras identidades da Catalunha.
E o bobinho que antes era apenas uma brincadeira, agora ficou encarnado dentro
de campo.
Basta assistir aos jogos do Barcelona.
segunda-feira, dezembro 19, 2011
Pepe Guardiola antes do jogo...
Durante a madrugada de domingo, nas horas que antecederam o
jogo entre o Santos e o Barcelona, procurei ler algumas coisas sobre Pepe
Guardiola e acabei me deparando com uma entrevista que ele concedeu ao Mundo
Deportivo...
Mundo Deportivo: Muricy Ramalho afirmou que você só poderá
bater no peito como técnico depois de ganhar um Brasileirão, disse o
jornalista.
Guardiola: Ainda sou muito jovem, me deem tempo.
Mundo Deportivo: Por que você quer tanto ganhar esse
mundial?
Guardiola: Na Espanha não se dá muito valor a esse torneio,
mas chegar até aqui, é muito difícil. Para nossa equipe, será um grande mérito.
Mundo Deportivo: Em momentos assim, o que você costuma dizer
a sua equipe?
Guardiola: Digo sempre aos meus jogadores que eles podem
perder; por isso, correm tanto atrás da vitória.
Mundo Deportivo: Neymar terá uma atenção especial?
Guardiola: Neymar é um garoto tecnicamente muito bom, mas
não temos que nos ater a ele e sim, a bola... sem a bola não há Neymar.
Se o resultado for menos de quatro, algo saiu errado...
Quase uma semana antes, dei a meu
filho a seguinte resposta quando ele me indagou sobre as possibilidades do
Santos conquistar o Campeonato Mundial de Futebol da FIFA: nenhuma.
- Mas pai, o senhor não está
levando em consideração o imponderável?
- Não, não estou... se eu entrar
num ringue contra o Brock Lesnard, a única coisa imponderável que irá acontecer
é sair de lá sem nenhum osso quebrado, mas certamente, nunca mais saberei quem
fui e quem sou...
E, é bem provável que jamais consiga ir a lugar algum.
E, é bem provável que jamais consiga ir a lugar algum.
- Mas me desculpe pai, com seu
preparo físico, as centenas de cigarros e os galões de Coca-Cola, eu mesmo faço
isso sem precisar de muito esforço (risos)...
- É verdade (risos)...
- O senhor está exagerando...
- Não, Alexandre... se o
Barcelona fizer menos de quatro gols, alguma coisa deu errado.
- Está bem, domingo nos falamos.
Na sexta-feira, voltei da festa
de confraternização da TV Universitária com Aílton Medeiros e como era de se
esperar, a final do mundial veio à baila...
- Quando Ailton me perguntou a
mesma coisa que o Alexandre havia perguntado, não titubeei e repeti a mesma
frase: se o Barcelona fizer menos de quatro gols, alguma coisa deu errado.
Ailton então fez um longo
discurso patriótico, me fuzilou com os olhos e no final, com um sorriso
debochado disse: domingo nos falamos.
Falei com os dois há pouco...
Alexandre apenas disse: o senhor
estava certo, mas o Aílton concordou com a superioridade catalã, mas novamente
fez um longo discurso cujo tema foi à falta de garra dos santistas.
- Amaral, o Santos não honrou a
camisa do Santos e suas tradições...
- Aílton, ninguém mais na
história, honrou tanto as tradições e a história de sua gente que Leônidas e, ainda assim, ele seus 300 companheiros foram trucidados nas Termópilas.
Desligamos.
Barcelona 4x0 Santos... mole, mole.
Demorei a postar algo sobre a
final do mundial da FIFA disputada hoje pela manhã em Yokohama no Japão, mas é
da minha natureza, primeiro deixar passar o calor do momento para só então
sentar e escrever.
Gosto de pensar antes e gosto de
discutir comigo mesmo...
Analisar com mais detalhes e
reavaliar posições fortalece.
Mas, vamos lá...
Quando a partida começou, não
tinha a menor dúvida de quem seria o vencedor...
Não me enganei...
O que vi foi um tranquilo passeio
azul e grená.
Nos 90 minutos de jogo, o Barcelona reteve a bola em seu poder 79% do tempo e marcou quatro gols...
Já o Santos ficou sem saber o que fazer nos 29% restantes.
O Santos saiu do Brasil em busca
de sua terceira estrela, acabou não conquistando a que queria, mas viu muitas:
onze no campo adversário e as outras tantas, ficaram rondando a volta da
inchada e tonta cabeça de seus jogadores, dirigentes e torcedores.
O Barcelona desconstruiu o mito
do menino muito bom de bola, ainda candidato a gênio, mas já elevado à condição
de “Deus” por gente ansiosa por ter nos gramados alguém para louvar.
Neymar, na noite japonesa e na
manhã brasileira, sumiu, desapareceu e ficou reduzido à condição de craque
solitário de um time que se assusta no Brasil e no seu continente, pouco ou
quase nada, incomoda aos grandes europeus.
Mas mesmo assim, não me venham
com essa história de que o Santos envergonhou o Brasil...
Não sejam tão medíocres e nem
bobocas...
Corinthians, Vasco, Flamengo,
Internacional, Grêmio, Palmeiras, Fluminense, Botafogo ou qualquer outro membro
da Série A, perderia na manhã de hoje.
Se o Barcelona, o Real Madrid, o
Bayer de Munique, o Manchester United, o City ou o Milan e a Internazionale
jogassem na nossa primeira divisão, nos sobraria apenas as vagas para a
Sul-Americana.
Portanto, não me venham com a
história que Muricy Ramalho foi covarde... queriam o que?
O Santos jogando para frente,
peitando o Barcelona?
Tenham paciência...
A surra seria absurdamente maior.
Por que nós, temos tanta
dificuldade de reconhecer que outro foi melhor?
Por que nos custa tanto, simplesmente
dizer: perdemos para um gigante e ponto final.
O Barcelona venceu sem fazer nenhum
esforço e o Santos, segundo disse Juca Kfouri: “foi tratado como um Bétis
qualquer, apenas para lembrar os que desdenham da facilidade do Campeonato
Espanhol”.
Serenos, superiores e senhores da
situação, os comandados de Pepe Guardiola apresentaram um recital.
domingo, dezembro 18, 2011
O crepúsculo nada glorioso do velho senhor e de seu ungido...
Depois de pedir o boné e renunciar
ao cargo que ocupava na assembleia do Comitê Olímpico Internacional, Jean-Marie
Faustin Goedefroid de Havelange, vê seu ex-genro e pupilo seguir seus passos...
O presidente da CBF, Ricardo
Teixeira, pediu afastamento da FIFA e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de
2014, “até janeiro”.
O fato foi anunciado por Joseph
Blatter, presidente da FIFA com um indisfarçável ar de satisfação.
Para que você leitor entenda:
Suspeito de atos de corrupção
envolvendo propinas pagas pela empresa de Marketing, ISL, e com um processo em
andamento, Havelange, provavelmente foi informado por seus pares do Comitê
Olímpico Internacional que sua situação era irreversível.
Diante da provável condenação no
julgamento que seria realizado pela assembleia do COI e da consequente expulsão,
Havelange optou por renunciar.
Com sua renuncia, o processo
contra ele foi suspenso e o caso dado por encerrado.
Acontece que o enfraquecimento e
a perda de prestigio de Havelange, respigaram em Ricardo Teixeira...
Acuado pelas revelações do
jornalista escocês, Andrew Jennings...
Bombardeado pela imprensa
brasileira...
Execrado pela maioria esmagadora
dos torcedores...
Colocado na “geladeira” pela
presidente Dilma Rousseff e, ameaçado por Joseph Blatter que já teria em mãos
os documentos necessários para conseguir sua expulsão sumária...
E, sem o manto protetor de seu
ex-sogro, o outrora respeitadíssimo e todo poderoso João Havelange, Teixeira
pediu afastamento temporário das funções que ocupa na FIFA e da presidência do
Comitê Organizador da Copa.
Mergulhado e longe das luzes,
Ricardo Teixeira travará nas sombras sua última batalha na tentativa de mudar o
melancólico e patético fim de seu reinado.
sábado, dezembro 17, 2011
Dilma diz não a irresponsabilidade...
A presidente Dilma Rousseff vetou
o uso de recursos do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS) para obras
da Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016.
A proposta aprovada pelos nossos
não muito ilustres parlamentares, envolvia um montante de 5 bilhões de reais e,
certamente, caso o veto presidencial não houvesse acontecido, daria ótimos
motivos para fazer sorrir a boca larga, os "adoradores" de recursos públicos.
Parabéns a presidente Dilma
Rousseff.
sexta-feira, dezembro 16, 2011
Um papo de fim de tarde que aconteceu por mero acaso...
Na última quarta-feira fui ao
consultório do Dr. Júlio Fuco, torcedor do ABC, professor universitário, oftalmologista
de primeira linha e um amigo que gosto muito.
O motivo de procurá-lo é óbvio,
mas a razão, nem tanto.
Minha teimosia acabou vencida
pelo tempo e então, tive que aceitar que já não consigo ler coisas próximas sem
o auxílio de lentes.
A consulta foi clinicamente
tranquila e o papo como sempre, agradabilíssimo.
Trocamos impressões sobre a
temporada passada, falamos sobre nossas expectativas sobre 2012 e no final,
marcamos um novo encontro para tratar de um projeto que me foi apresentado por
Ana Godeiro, estagiária do TVU Esporte, sobre saúde...
O Dr. Júlio Fuco é em minha
opinião, a pessoa ideal para nos assessorar e até quem sabe, apresentar esse
novo quadro que pretendo colocar no ar no próximo ano.
Bem, terminada a consulta,
aproveitei que já estava quase no centro da cidade e fui a uma ótica para
encontrar a armação para as lentes que a partir de agora, vou ter que usar.
No meio da conversa com o
proprietário da ótica, percebi a chegada de Rui Barbosa, ex-deputado estadual e
ex-presidente do ABC...
Dirigi-me a ele e como sempre,
fui recebido com um sorriso amável...
Depois de trocarmos um aperto de
mão, ele sentou ao meu lado – havia ido buscar um par de óculos – e enquanto o
proprietário da loja se retirou para fazer uns ajustes na armação que escolhi,
conversamos sobre banalidades...
Porém, como era natural que
acontecesse, o futebol entrou em pauta.
- E então Rui como está o
trabalho lá no ABC, perguntei...
- “Me afastei Fernando”.
- Como assim, por quê?
- “Fernando, quando fui convidado
para assumir a diretoria financeira do ABC, pensei que tudo passaria por minhas
mãos”... porém não foi assim que
aconteceu”.
- O que houve, insisti.
- “Bom, sempre que iam contratar
algum jogador, alguém chegava e dizia: Rui manda o talonário de chegues
assinado; estamos fechando um negócio e depois, te explicamos tudo”.
- E depois, explicavam?
- “Não”!
- “Diante da repetição do fato,
me senti desprestigiado e preferi deixar o cargo”.
- “Agora veja Fernando, o motivo
da minha saída foi apenas por não concordar em ser apenas uma figura decorativa,
só isso”!
Neste momento o proprietário da
loja voltou com minha armação e a atendente chegou com os óculos de Rui...
Despedimo-nos e desejei a ele um
Natal feliz e um Ano Novo idem.
Esta conversa foi testemunhada
por Frederico Bezerra, um amigo que me acompanhou em função de termos assuntos
pessoais para tratar depois, em outro lugar.
Histórias do futebol que o tempo quase apagou...
Escrever um blog é não é tarefa
das mais fáceis...
Aliás, escrever apesar de
prazeroso, não tão fácil como parece.
Existem dias que a preguiça te
agarra...
Existem dias que o cansaço forma
uma excelente dupla de zaga com a preguiça e aí, chegar próximo do teclado acaba
virando uma tarefa quase impossível...
Mas também, existem dias que a
falta de assunto ou a irrelevância do que está em foco é tão grande, que chega
a desanimar.
Entretanto, há alegrias.
Ver o crescimento lento, mais constante
de acessos é compensador...
Verificar que chegam leitores de
todas as partes do Brasil e do planeta é uma sensação incrível.
Esses dias eu recebi um e-mail de
um cidadão que quase me levou ao desespero...
Estava escrito em cirílico...
Um alfabeto usado no leste da
Europa, cuja leitura é absolutamente impossível para gente como eu.
Imagino que o assunto fosse a
bola, pois ele me enviou algumas fotos bem interessantes de uma equipe que não
consegui identificar, mas que me pareceu disputar alguma divisão inferior do
país dele.
No entanto, alguns amigos
virtuais conquistados através do blog que escrevem e-mails de Portugal, da Espanha,
do Uruguai, do México, de Angola, de Moçambique e de outros locais onde a
escrita permite que um monoglota simplório como eu, consiga ler e compreender o
texto, acabam virando fonte de conhecimento e aprendizado.
Um deles, o português João Moreira
Santos, há muito deixou de ser apenas um leitor e virou um incentivador e um
colaborador por quem tenho muito apreço...
É em homenagem ao João Moreira
Santos que publico a história abaixo.
Imagem: Equipe de Lisboa - Monumentos Desaparecidos Blogspot
O primeiro grande jogo de futebol em Portugal
O Histórico jogo entre as
selecções do Porto e de Lisboa ocorrido a 2 de Março de 1894, no Porto, mais
concretamente no desaparecido Campo Inglês (zona do Campo Alegre), que reuniu
uma selecção de Lisboa composta por jogadores do Club Lisbonense, do Carcavelos
Club e do Braço de Prata, e um combinado do Porto composto por atletas do
Oporto Cricket Club.
A partida foi organizada por
Guilherme Pinto Basto, um profundo entusiasta do “belo jogo”, e a quem o
futebol português muito deve, já que entre outros factos foi ele quem trouxe de
Inglaterra (país onde estudava) para Portugal a primeira bola de futebol,
objecto que desde logo suscitou um enorme interesse naqueles que com ele
primeiramente tiveram contacto.
Pela primeira vez o vencedor
levava para casa um troféu, neste caso a Taça D. Carlos I, uma oferta do citado
monarca.
Família real que, aliás, se
encontrava no meio da assistência do célebre encontro, sendo que um dos
episódios curiosos do mesmo relata que os jogadores tiveram de fazer um esforço
suplementar em jogar um prolongamento pelo facto de Suas Majestades o Rei D.
Carlos, e a Rainha D. Amélia (os quais se faziam acompanhar pelos príncipes D.
Luís Filipe e D. Manuel) terem chegado ao evento a meio da 2ª parte.
Como tal e para que os ilustres
espectadores pudessem apreciar devidamente o espectáculo que ali se desenrolava
foram jogados mais alguns minutos de uma contenda que seria ganha pela equipa
de Lisboa, por 1-0.
A taça seria entregue a Guilherme
Pinto Basto.
Na fotografia de cima, pode ser
vista a selecção de Lisboa que venceu este histórico encontro, a qual posa com
a bonita taça que se assumiu como uma das peças de maior valor histórico do
futebol lusitano.
quinta-feira, dezembro 15, 2011
Em nome do interesse do leitor...
O torneio de futebol máster ganho
com brilhantismo pelo América FC ao vencer a seleção de Goianinha nas
penalidades máximas por 4x3, depois de um 0x0 no tempo normal, está
incorretamente sendo denominado de Campeonato Estadual Master por blogueiros,
radialistas e jornalista...
Na verdade o torneio foi
organizado e patrocinado pela AFURN (Associação dos Funcionários da UFRN –
Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e seu nome oficial é “Campeonato
Quarentão” de Futebol AFURN/2011.
Com o apoio incondicional de Francisco
Carlúcio Porfírio, presidente da AFURN, a direção de promoções esportivas da
entidade, sob o comando do servidor Gerardo Felipe Silva de Souza, organizou e
realizou a competição.
A função de quem informa:
jornalista ou não, é ser absolutamente exato.
La "U", é a melhor equipe sul-americana até o momento...
A Universidad de Chile, mais
conhecida em seu país como La “U”, venceu na partida de volta a equipe da Liga
Deportiva Universitaria – LDU – do Equador por 3x0 no Estádio Nacional de
Santiago e não só conquistou de forma invicta a Copa Sul-Americana de Clubes,
mas também, confirmou o título de melhor equipe do continente até aqui.
Os chilenos disputaram 12
partidas, venceram 10 e empataram duas...
Com o resultado diante da LDU, a
Universidad de Chile completa 35 jogos sem conhecer derrota.
Após a partida, os 55 mil
torcedores que lotaram o Estádio Nacional comemoraram o primeiro título
continental de uma equipe chilena.
Os gols da partida foram marcados
por Vargas aos 2 minutos do primeiro tempo Lorenzetti e novamente Vargas,
fecharam o marcador aos 34 e 40 minutos do segundo tempo.
Os dez melhores do Ranking Nacional de Clubes da CBF, para 2012...
A CBF divulgou o ranking nacional
dos clubes para o ano de 2012...
Os dez primeiros colocados são os
seguintes:
01 – SE Palmeiras de São Paulo/SP
02 – Santos FC de Santos/SP
03 – CR Vasco da Gama do Rio de
Janeiro/RJ
04 – Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense
de Porto Alegre/RS
05 – CR Flamengo do Rio de
Janeiro/RJ
06 – SC Corinthians Paulista de
São Paulo/SP
07 – SC Internacional de Porto
Alegra/RS
08 – Cruzeiro EC de Belo
Horizonte/MG
09 – São Paulo FC de São Paulo/SP
10 – Clube Atlético Mineiro de
Belo Horizonte/MG
Na região nordeste os Estadas da
Bahia e Pernambuco continuam sem rival...
O EC Bahia ocupa a décima quarta
posição e seu arquirrival, o Vitória é o vigésimo colocado.
Pernambuco tem o Sport Clube
Recife em décimo sétimo lugar e seus rivais, Clube Náutico Capibaribe e Santa
Cruz FC, ambos também de Recife, ocupam respectivamente a vigésima primeira e
vigésima segunda posição.
A grata surpresa para nós foi à
ótima colocação do América FC de Natal: o clube rubro é o vigésimo nono
colocado...
Já seu rival, o também natalense,
ABC FC, está na quadragésima sétima posição.
quarta-feira, dezembro 14, 2011
terça-feira, dezembro 13, 2011
Que tal esperar até o árbitro finalizar o jogo?
Nem o Santos e nem o Barcelona,
são ainda finalistas do Mundial de Clubes do Japão...
O bom senso indica que serão...
Mas para isso, primeiro precisam
vencer seus adversários.
Meu profundo pesar...
O Mestre Lua (Luís Gonzaga) deu a
música nordestina o respeito que ela sempre mereceu...
Triste Partida é com certeza a
mais bela "crônica" sobre um povo, sua luta, sua exploração e seu imenso
amor pelo seu recanto.
Entretanto, hoje, a poesia do
Mestre Lua e seu desejo de enaltecer seu povo, desapareceram diante de
iletrados que preferem afirmar em seus toscos forrós “eletrônicos”, que nossa
gente é formada por homens que para mostrar sua virilidade, precisam beber até
cair e fazer de toda mulher apenas mais uma, e que nossas mulheres, nada mais
são que raparigas sempre disponíveis...
Que pena que uma imensa massa de
jovens vá chegar aos 40 anos, sem jamais ter ouvido as músicas que enalteciam
os valores de cada homem e de cada mulher dessa bela região do meu país.
Enfim, transformaram os ouvidos
de moços e moças em penicos e o que é pior, ficaram ricos vendendo merda a
granel.
Desculpem, foi só um desabafo.
segunda-feira, dezembro 12, 2011
O conselho de Rodriguinho foi sábio...
Rodriguinho está coberto de razão
quando diz que qualquer jovem jogador das categorias de base de nosso estado,
não deve pensar duas vezes ao receber uma proposta para migrar.
Aqui, a hipocrisia campeia...
Alguns torcedores tentam impor no
grito a obrigatoriedade de se torcer apenas por times locais, pois tudo que é
da terra deve ser valorizado, segundo eles...
Na semana decisiva da Série A, o
acaso me fez encontrar dois desses radicais em um bar, suando e retorcendo-se
na cadeira a cada lance perigoso contra o Flamengo.
Um deles vestia o “manto sagrado”
rubro negro.
Quando me viram, fizeram cara de
paisagem e eu, que fiz questão de me aproximar e dizer em tom de deboche...
- Pois é, façam o que eu digo e
não o que eu faço, não é rapaziada?
Os sorrisos amarelos brotaram e
então completei: - relaxem todo mundo tem o direito de ter um time na primeira
divisão!
São esses mesmos, que vaiam
qualquer garoto nascido por aqui – basta um passe errado, basta que uma bola
escape e saia pela lateral.
Mas, o pior é que também são eles
que assistem qualquer pelada mambembe do campeonato paulista, mineiro, carioca,
gaúcho e até catarinense, para depois ficar postando comentários com sugestões
de nomes para que sejam contratados.
Vá a qualquer jogo de categoria
de base e veja se você vê alguns deles.
Colegas da imprensa passam horas
e horas a levantar currículos e aquelas manjadas fichas técnicas de qualquer
mequetrefe, ex-alguma coisa que é anunciado como contratação para divulgá-las
em primeira mão...
Tem até quem viu o tal, jogar uma
ou duas vezes e logo se desmanche em elogios as suas qualidades...
Porém, qualquer menino lançado das
bases num jogo qualquer, não pode errar, não pode cometer o menor vacilo:
precisa acertar todas, pois não serão perdoados e a cada comentário, sua falha
será amplificada ao infinito.
Só existe paciência e consideração,
caso o jovem atleta pertença a algum dirigente amigo aí sim, qualquer gol é
golaço e qualquer bola dominada na canela é prova de habilidade.
Duvidam?
Passem a ouvir e ler com o alerta
critico ligado...
No mais, quantos de nós, você vê
em jogos das divisões inferiores?
Raros, não passam de três, sou
capaz de apostar.
Os dirigentes, esses dão pena...
Tratam as bases – salvo as raras
exceções – como um estorvo...
E, submissos, acatam as
criticas vindas dos jornais, blogs, microfones e arquibancadas com a presteza
de um garçom do Consulado Mineiro, Vinarium ou Aizomê.
Só fazem pé firme, quando existe
sabe-se lá o que por trás.
Aí, tudo muda.
Por fim, não venham com o
argumento tosco de que Souza, Marinho Chagas, Reinaldo, Nonato e outros poucos,
eram ídolos aqui...
Todos eles só se tornaram ídolos
nas terras de potiguares, depois que o Brasil os elevou a tal condição.
Portanto, Rodriguinho está certíssimo.
sábado, dezembro 10, 2011
O desafio de Leandro Sena...
Caso se confirme o nome de
Leandro Sena como novo diretor de futebol remunerado do América, o clube terá
feito uma excelente contratação...
Leandro Sena é um rapaz sério,
decente, cujo nome é limpo e inspira total confiança.
Entretanto, resta saber se
Leandro Sena terá paciência para suportar a plutocracia americana e se os
plutocratas rubros terão a sabedoria de deixá-lo trabalhar em paz.
Real Madrid 1x3 Barcelona... Agora, Tóquio.
Madrid caiu na real ao ver seu
Real cair diante do Barcelona catalão.
3X1.
Sem mais nem menos.
E olha que Benzema abriu o marcador
aos 21 segundos de jogo para os brancos.
Abriu, mas depois viu Aléxis
Sánchez empatar e Xavi e Fábregas fecharem.
A tarde no Santiago Bernanbéu,
foi azul-grená...
À noite em Madrid, certamente
será escura...
Já Barcelona, luzirá...
Afinal, 29 dos últimos 39 gols
marcados no clássico, tem as cores de sua cidade.
Nenhum governo estende a mão, sem depois, exigir a submissão...
Li no blog de Marcos Lopes, que o
governo do Estado de Pernambuco através da lei número 14.486, publicada no
Diário Oficial, estabeleceu a "obrigatoriedade" de jogar no futuro novíssimo
estádio “Arena de Pernambuco” aos três maiores clubes de Recife...
Caso, Náutico, Santa Cruz e
Sport, não mandem seus jogos na Arena, perderão os benefícios do “Programa
Todos com a Nota”.
Para quem não sabe o “Programa Todos
com a Nota” é um truque fiscal que troca ingressos por notas fiscais no valor
de 100 reais...
A ideia é aumentar a arrecadação
estadual e por consequência, dar a impressão que o campeonato pernambucano lota
estádios por ser sensacional.
Pois bem, diante da possibilidade
da Arena de Pernambuco se tornar um inútil monumento à gastança e a megalomania
tão típica dos emergentes, o governo pernambucano para garantir parte do
pagamento da obra, encosta na parede aqueles que pretensamente foram
beneficiados e os obriga a submissão.
Reminiscências de uma caminhada de 56 anos...
Segundo minha certidão de nascimento,
o relógio marcava 0 hora e 30 minutos do dia 10 de dezembro de 1955, quando
deixei o confortável e seguro invólucro onde permaneci guardado por nove meses
no interior do corpo de minha mãe...
Por sorte, não restou nenhuma lembrança
dos primeiros segundos, onde uma palmada me fez chorar, abriu meus pulmões e me
revelou a luz...
Certamente não seriam boas
lembranças.
Por azar, também não restou
nenhuma lembrança do aconchego nos braços de minha mãe, da maciez de seus
seios, do infinito prazer de suas mãos a me acariciar e da alegria imensa que
devo ter sentido quando seus olhos marejados e cheios de ternura encontraram os
meus...
Por certo, seriam doces
lembranças.
Hoje, completo, 56 anos...
Olho para trás e sinto saudade da
minha infância e dos anos dourados de minha adolescência...
Contos os muitos dias
ensolarados, azuis e felizes...
Conto também, alguns dias
tempestuosos, amedrontadores e opressivos.
Contos os muitos que conheci e os
poucos que chamei de amigos, mas curiosamente, não conto nenhum por quem tenha
sentido ódio.
Relembro os sonhos que o vento
dissipou e os que consegui realizar...
Penso nas coisas que não fiz, por
medo, por preguiça ou por ser arrogante demais...
Penso nas coisas que fiz e me
sinto feliz por tê-las feito, mas devo confessar que algumas, ainda me causam
arrepios, pois foram tão irresponsáveis e temerárias, que poderiam ter me
impedido de aqui estar.
Mas cá estou e não me envergonho
de nada...
Se não amealhei dinheiro, se não me
tornei célebre e não conquistei poder, posso perfeitamente explicar...
Em alguns momentos me faltou
gana, em outros, preferi manter princípios...
Foi melhor assim, meu telhado
hoje, tem mais telhas que vidros e, portanto, dificilmente, uma pedra irá estilhaçá-lo.
Honrei o nome de meus
antepassados, de meu pai e de minha mãe e acima de tudo, busquei manter honrado
meu nome, para que meu filho e agora, minhas netas, possam caminhar sob o sol
com a cabeça erguida.
Chego aos 56 anos, grato aos tantos
que me estenderam as mãos...
Alguns, talvez muitos, nem saibam
ou nem lembrem, mas eu me lembro de cada um.
Por falar nisso, aqui, agora e só
com meus pensamentos, me ocorreu um fato interessante...
Nunca fui um conquistador, um
garanhão, um colecionador de mulheres...
Nunca fiquei...
Sempre amei.
Sempre me extasiei a cada novo
encontro e sempre sofri desesperadamente a cada perda...
Não tive as tantas mulheres que
muitos dos meus amigos e companheiros de estrada ainda hoje se gabam...
Mas me gabo ao dizer a eles, que
das poucas que tive, ainda guardo o rosto e sei o nome.
Minhas mulheres não foram
raparigas de noites de festas e nem dos dias ociosos...
Foram sim, meninas doces, ternas
e bonitas, que me fizeram sentir na plenitude o prazer de ser macho e homem...
Nenhuma delas passou em minha
vida; todas deixaram seu cheiro, seu gosto, seus rostos, seus nomes e uma
serena saudade.
Chego aos 56 anos ainda as
amando...
Não com a paixão e a volúpia dos
anos idos, mas com ternura e gratidão...
Sem elas, eu jamais teria descoberto
o prazer e aprendido a sofrer.
Pois bem, o relógio agora, marca
0 hora e 30 minutos...
Minha mãe já não está aqui para
me abraçar e nem meu pai para sair proclamando aos quatro ventos ser eu um
varão.
Chequei enfim ao planalto de minha
vida e caminho agora para o declive que me levará ao ponto final de minha estada
no planeta...
Como é bom poder chegar aqui sem
nenhuma sacola de mágoa, sem nenhuma mochila de rancor ou mala repleta de ódio
e recalque...
Como é bom olhar para trás e não
sentir vergonha...
Como bom olhar para frente e
saber que ao fim da estrada, poderei deitar minha cabeça no colo da morte e
antes da escuridão poder suspirar e dizer baixinho: valeu a pena ter passado
por aqui.
sexta-feira, dezembro 09, 2011
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