Barton fala sobre religião,
filosofia e violência em entrevista que mostra seu lado complexo
Por: Bruno Bonsanti
Para o site Trivela
Bom jogador ou apenas um grande
briguento, Joey Barton é um personagem dos mais interessantes do futebol
inglês.
Dentro de campo, colecionou inúmeras brigas com adversários, em lances
até desleais, e ganhou a fama de violento.
Fora dele, tem a língua afiada para
dizer o que pensa sem muitos filtros.
Neste sábado, o Times publicou uma
entrevista que ajuda a entender um pouco mais o lado complexo do meio-campista
de 32 anos que está sem clube desde o fim da temporada, quando foi dispensado
pelo Queens Park Rangers.
Barton nasceu em Huyton, nos
arredores de Merseyside, uma cidade pequena, com 33 mil habitantes.
Segundo
ele, a violência era corriqueira no bairro onde cresceu.
Mais do que isso, era
encorajada.
Um dia apanhou de um garoto na escola e voltou para casa procurando
o abraço do pai. Recebeu um taco de beisebol ao invés disso.
“Vá lá e bata
nele. Se não, vou te dar uma boa surra. Se você não lutar, não responder com
força, você nunca chegará a lugar nenhum na vida”, disse o papai Barton, de
acordo a reportagem.
Barton afirmou que a violência
mostrava o quanto você era durão por não permitir que os outros tirassem
vantagem.
Era a lei da selva, a norma, o passado que moldou a personalidade do
jogador.
“Eu ainda sinto o lobo dentro de mim. Talvez sempre esteja lá. Eu aprendi
a aceitá-lo e controlá-lo. Não posso dizer que nunca mais vou cometer um erro
com 100% de certeza, mas vou fazer o possível para fazer a coisa certa. Quando
eu sinto a raiva crescendo, tenho mecanismos muito melhores para lidar com ela.
Tenho bons amigos, pessoas para as quais posso recorrer. Tenho minha família.
Tenho a filosofia”, disse.
Sim, a filosofia.
Barton estuda
os grandes pensadores na Universidade de Roehampton, em Londres.
Assiste às
aulas às terças e quintas durante o ano letivo e até fez amizade com o seu
professor, o Raj.
“Não estou dizendo que sou superinteligente, mas nada o
impede de expandir sua mente se você tiver foco e disciplina. Você pode
aprender muito sobre o mundo, e mais importante, sobre você mesmo”, contou.
Além da filosofia, o futebol
também serviu para expandir os horizontes dele.
“Onde eu cresci, homofobia era
normal. Havia muito racismo também. As pessoas sentiam-se ameaçadas por
qualquer um que fosse um pouco diferente. Mas joguei ao lado de jogadores
negros, conheço pessoas homossexuais. O futebol quebrou barreiras para mim. Ele
me ajudou a entender que as ideias que eu via enquanto crescia não eram
verdades absolutas”, explicou.
E fica claro o desgosto de Barton
por autoridades quando o estudante de filosofia começa a discorrer sobre
religião.
“Meu interesse principal é a religião. Eu não gosto da forma como as
pessoas param de pensar sozinhas. Eu realmente acredito que a filosofia deveria
substituir o estudo religioso nas escolas. As pessoas deveriam ganhar as ferramentas
para entender quem são ao invés de simplesmente confiar nas palavras de figuras
de autoridade”, justificou.
Será interessante ver esses
conceitos sendo colocados em prática quando Barton tomar o próximo passo na
carreira.
Ainda é um jogador de futebol e busca um novo clube, mas, no futuro,
talvez vire treinador, embora considere uma profissão arriscada.
Troca e-mails
com José Mourinho sobre liderança e tenta aprender.
Cada dia um pouco mais.
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