sexta-feira, abril 25, 2014

Arena das Dunas: funcionária dá uma aula de arrogância e desprezo pela legislação federal...

Imagem: Autor Desconhecido


Cadeirante sim, de muletas não! 


Uma aventura no Arena das Dunas, Natal/RN


Por Fábio Fonseca Figueiredo.

Ontem, 23/4/2014, fomos ao Complexo Arena das Dunas assistir ao jogo válido pela Copa do Brasil, América x Boa Vista/RJ. 

Nossa paixão ao vermelho americano nos encheu de esperança em ver o nosso Mecão na segunda fase da Copa do Brasil. 

Nossa utopia, ver o América de Natal na Copa Libertadores de 2015, ano do centenário do clube vermelho da capital potiguar.

Estávamos em três, eu, Fábio Fonseca Figueiredo (americano vermelho e professor doutor do Departamento de Políticas Públicas da UFRN), Abelardo Monteiro Neto (americano e bolsista de um projeto de pesquisa que coordeno, com financiamento do CNPq) e Eduardo Patrício da Silva (também meu bolsista e americano por condição/imposição).

Eduardo possui deficiência nas duas pernas desde os oito meses de vida (ver foto), vítima da paralisia Infantil, ficando com sequelas de paraplegia do tipo CID 10 - G82.0 (paraplegia flácida) + B91 (sequelas de poliomielite). 

Passou por três intervenções cirúrgicas, duas aos seis e outra aos treze anos, e, atualmente na idade adulta (37 anos) anda com o auxílio de muletas (canadenses) e exoesqueleto (tutor longo bilateral, com cinta pélvica e botas ortopédicas).

A lei federal nº 12.933, de 26 de dezembro de 2013, que dispõe sobre o benefício do pagamento de meia-entrada para estudantes, idosos, pessoas com deficiência e jovens de 15 a 29 anos, comprovadamente carentes em espetáculos artístico-culturais e esportivos, diz no seu § 8º que:

“Também farão jus ao benefício da meia-entrada as pessoas com deficiência, inclusive seu acompanhante quando necessário, sendo que este terá idêntico benefício no evento em que comprove estar nesta condição, na forma do regulamento”.

Na bilheteria do Arena das Dunas fomos comprar as três entradas, duas meias (Eduardo e acompanhante) e uma inteira. A atendente da bilheteria disse que não seria possível vender as duas meias entradas. 

Então, citamos a lei federal nº 12.933, no entanto a atendente da bilheteria disse que não estava autorizada a cumprir a lei, por determinação da administração do Arena.

Pedimos, então, a presença de um/uma superior. 

Chegamos à bilheteria as 19h10 e após 35 minutos de espera (ressalte-se, a partida havia começado as 19h30 e já eram 19h45) chegou uma senhora que não quis se identificar e disse que fala em nome da administração do complexo multiuso. 

Em menos de 3 minutos de conversa, a senhora com a sua arrogância padrão FIFA nos informou que a referida lei não se aplica ao Arena das Dunas já que as partidas de futebol disputadas naquele equipamento implicam em eventos privados.

Replicamos e dissemos que uma lei federal deve ser cumprida, independe se o evento é organizado por uma instituição pública ou privada. 

Novamente a representante do Arena das Dunas com sua arrogância padrão FIFA nos disse que organização do complexo desconhece a referida lei e, mesmo que a conhecesse, não a cumpriria já que o Arena das Dunas é uma instituição privada. 

Nos menos de um minuto e meio que nos restava, eu lhe disse que havia um cartaz na bilheteria que indicava que cadeirante tem direito de pagar meia entrada... a senhora nos informou, cadeirante sim, de muletas não!

Finalmente, fomos ameaçados de ser retirados, à força policial, do espaço por estarmos descumprindo uma lei (que a representante do Complexo Arena das Dunas não soube informar qual lei se trata). 

Motivo: estávamos registrando tudo o que ocorrida.

Do blog:

Conheço os envolvidos...

São pessoas sérias, idôneas e que amparadas por lei federal, tentaram comprar seus ingressos para assistir seu clube jogar.

O resultado dessa singela aventura foi trágico...

Uma lei desrespeitada, um deficiente constrangido e humilhado e a tácita demonstração de despreparo de uma funcionária do Complexo Arena das Dunas.

A senhora em questão poderia ter tomado duas medidas...

Ter solicitado o número da lei, ido a um computador, pesquisado no Google e então, retornado e tomado a decisão.

Eu acabei de pesquisar, está lá...

Clara, cristalina.

A segunda medida, seria comunicar ao seu superior ou superiora e, deixar que ele ou ela, decidissem a questão.

Porém, arrogante e prepotente, afirmou que o Complexo Arena das Dunas desconhecia a lei e que mesmo que conhecesse, não se submeteria...

Simples assim, estupidamente assim.

Está tudo registrado em vídeo...

Não por sorte, mas pelo fato de que ontem, as pessoas barradas pela toda poderosa representante da direção do estádio, foram ao Arena das Dunas, não só pela paixão ao América, mas também, como membros do projeto “Esporte Sociedade e Políticas Públicas” do Departamento de Políticas Públicas da UFRN, financiado pelo CNPq e coordenado pelo autor do texto.

A “aventura” começou 3 horas antes do jogo...

Para Eduardo Patrício, caminhar por ruas não adaptadas as suas condições, é um teste de resistência dos mais duros.

O objetivo era medir os inúmeros graus de dificuldade que uma pessoa deficiente tem ao se deslocar em Natal, uma das cidades sede da Copa do Mundo.

Eduardo Patrício da Silva, saiu de sua casa amparado por sua muletas e enfrentou os desafios de caminhar até a parada de ônibus...

Tomou o coletivo e desceu na parada da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), na Avenida Salgado Filho...

É fácil para quem vive em Natal, compreender o que vivenciou Eduardo Patrício, para chegar ao estádio.

Os participantes sabiam dos sacrifícios...

Porém, o que eles não sabiam é que Eduardo Patrício, alegre com a oportunidade de ajudar a construir um novo status para pessoas que sofrem com a nenhuma mobilidade oferecida aos deficientes em Natal...

Percorreu todo o caminho sem reclamar ou pensar em desistir.

Lamentavelmente, uma senhora fisicamente sã, mas mentalmente limitada, interrompeu uma caminhada que poderia ter tido um final feliz, não para Patrício e sim, para o Complexo Arena das Dunas.

Esta postagem deveria estar citando as condições padrão FIFA oferecidas pelo estádio para os deficientes...

E, relatando o prazer dos dois pesquisadores e do Eduardo Patrício em ver a vitória do América, cercados de gentileza, atenção e conforto.

4 comentários:

Joselito Trindade disse...

O problema está na parte "inclusive seu acompanhante quando necessário" da lei. No caso dele não vejo este fato.

FELIPE ALEXANDRE Leite disse...

Amigo, que pena... não era pra ficar impune. Tenho uma ação contra o arena das dunas p/ o dia 24/06 por causa de gente despreparada assim. Era o mínimo que os envolvidos deveriam fazer. Entrar com uma ação de indenização por danos morais e tentar pelo menos ver seu sofrimento atenuado pelo Judiciário, já que dinheiro nenhum apagará da memória o constrangimento sofrido por eles. É ANGUSTIANTE!!

Valdy Freire disse...

E aí? Vai ficar por isso mesmo?
Quais providencias caberiam no caso?
Isto é democracia?

Um fato que passou despercebido, foi a retirada da faixa, pela policia, que pedia preços menores para os ingressos. Será que ninguém viu isto? Ou fez que não viu?
Nos vivemos em uma democracia de faz de conta. Jornalista são censurados por expor os desmando . as falcatruas e a roubalheira do governo (ex é Rachel Sheherazade).
Vivemos à republica do PT: Desonesta, demagógica, mentirosa, mas, "Todo Povo Tem o Governo Que Merece"

Florencio Picado disse...

Independente do que escrevi abaixo, realmente houve um desrespeito à lei.
Mas, se o governo parasse de criar leis que dão vantagem às pessoas e apenas regulasse o mercado, para evitar abusos. Tenho a impressão que isso não ocorreria.
Mas o negócio é PARECER BONZINHO frente à população, que independente da classe social, quer sempre uma facilidade, seja gratuidade, meio valor no pagamento ou seja lá o que for.
Engraçado é que as pessoas abrem a boca para falar que "só no Brasil..." mas o padrão FIFA tão criticado é usado em todo o mundo.
Mas aqui no Brasil não se tem a consciência de que "quem é rico tem que sustentar o pobre" e assim a iniciativa privada não consegue crescer.