quinta-feira, março 10, 2011

A diferença está no que leu e no quanto leu...


Hoje, em dos “passeios” que costumo fazer quase que diariamente pelos sites, jornais e blogs, esportivos ou não, mundo afora, acabei me deparando com um texto do jornalista espanhol, Miguel Vara que me chamou a atenção...


Vara escreve sobre a derrota do Valencia para o Schalke 04 da Alemanha por 3x1 e dá um show...


Começa em grande estilo ao afirmar que o “Valencia se despede da Europa, justamente na noite em que o futebol lhe deu razão”...


Depois, fala em partida inesquecível, em domínio completo, nas oportunidades perdidas, nas excessivas faltas marcadas contra o Valencia e até mesmo num pênalti não marcado sobre Mathieu...


Mas inteligente que é, não desqualifica o adversário e como homem de visão ampla, mostra seus conhecimentos do povo alemão, citando características do caráter germânico para controlar o ímpeto do Valencia e garantir a vitória...


Num trecho, Varga diz: “a irredutibilidade gaulesa, aliada ao espirito alegre do caribe, fizeram de Farfán um adversário difícil de ser controlado e, por isso, amargamos dois gols seus”...


E continua: “Mario Gavranovic, não foi brilhante, mas como bom suíço, foi racional em sua movimentação, frio diante da defesa valenciana e eficiente na hora em que precisou ser – foi dele o segundo gol; o gol que fez explodir o 52 mil torcedores que lotaram o Veltnis Arena em Gelsenkirchen”...


No final completa: “Porém, nada disso teria sido possível, diante de um Valencia deslumbrante, caso ali, não estivesse presente a metódica e disciplinada alma germânica”...


Varga brinca com as palavras, as torna dóceis e amigas – seu texto é leve, objetivo e culto, mas não é arrogante ou afetado...


O jornalista espanhol dá uma aula de com ser parcial, parecendo ser imparcial...


Exalta sua equipe, toca fundo no coração do torcedor e transforma o leitor neutro, num aliado do que chamou de “injusta e cruel noite para o Valencia”...


Mas o melhor é que para tornar grande o seu Valencia, Varga em nenhum momento desqualificou o Schalke, muito pelo contrário, enalteceu o adversário e com isso, transformou uma derrota por 3x1, num encontro onde o gigante Valencia caiu diante de outro grande.


Ele tem razão, tornar o adversário grande, torna gigantes os feitos de seu clube, mesmo nas derrotas.


Vendo posteriormente o jogo, posso dizer que Varga fez o que faz boa parte da galera faz por aqui... a diferença está na amplitude da visão e na vasta literatura consumida...


No mais, são todos torcedores, sem tirar e nem por.



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