quinta-feira, maio 14, 2020

A Sampdoria e seus dez anos de sucesso...


Não conheço, mas já vi! #10

A Sampdoria e seus dez anos de sucesso.

Por Dyego Lima/Universidade do Esporte

Pelo menos num primeiro momento, é difícil não ficar intrigado com a Sampdoria.

Seja tentando decifrar o seu emblema, seja por seus uniformes, com uma disposição de cores tão contrastante, mas ao mesmo tempo tão bonito.

Ou ainda, simplesmente por seu nome chamativo.

Verdade é que, bem como esses elementos, a história do clube também é bastante interessante.

Fundada no dia 12 de agosto de 1946, a equipe é natural de Gênova, capital da Ligúria, no noroeste da Itália.

Seu nome e cores remetem aos clubes que lhe originaram: o Ginnastica Sampierdarenese e o Andrea Doria.

O símbolo do time é composto por uma silhueta negra representando o rosto de um típico pescador genovês, estilizado com barba, boné característico, cachimbo e cabelos ao vento.

Essa figura é chamada no dialeto local de baciccia, diminutivo de Giovanni Battista, figura histórica patriota de Gênova do século XVIII.

Ele foi líder da revolta popular contra os ocupantes do Império de Habsburgo no distrito genovês de Portoria.

A Sampdoria manda seus jogos no Stadio Luigi Ferraris, que possui capacidade para 36.536 torcedores.

O palco é compartilhado com o Genoa, rival da cidade.

Os clubes disputam o clássico conhecido como Derby della Lanterna, em alusão ao principal farol do Porto de Gênova.

O nome do estádio é uma homenagem a um ex-jogador, engenheiro e soldado italiano, morto durante a Primeira Guerra Mundial.

Origens

Como já citado anteriormente, La Samp nasceu da fusão de dois clubes.

O Ginnastica Sampierdarenese foi fundado em 1891, com as atividades futebolísticas sendo iniciadas em 1899.

Nomeado em homenagem a Andrea Doria, um almirante italiano, o Society Andrea Doria se estabeleceu em 1895, com o futebol como foco principal.

Após disputas do Campeonato Italiano nos anos anteriores, foi em 1946, pós-Segunda Guerra Mundial, que as equipes concordaram pela união de forma definitiva.

Algo que já havia sido tentando, por imposição, na temporada 1926/27.

Sob o domínio de autoridades fascistas, Sampierdarenese e Andrea Doria originaram La Dominante Genova.

Jogando a Serie B italiana, La Dominante finalizou seu primeiro campeonato na liga profissional, temporada 1929/30, na terceira colocação, mas sem o acesso.

Na época seguinte, sob o nome de Ligúria, tiveram um ano desastroso, terminando no último lugar e rebaixado para a Serie C.

Já em 1931/32, os clubes tornaram a se separar.

Primeiros passos

Com o fim da Segunda Grande Guerra, Sampierdarenese e Andrea Doria estavam presentes na Serie A, mas com o segundo vivendo um momento melhor.

Ainda assim, as diretorias concordaram com uma nova fusão, que deu origem a Unione Calcio Sampdoria.

Para deixar claro que as duas instituições estariam igualmente representadas no novo clube, os uniformes foram projetados com as camisas azuis do Andrea Doria, juntamente com listras em branco, vermelho e preto, representando a Sampierdarenese.

O primeiro presidente do clube foi Piero Sanguineti, que logo seria substituído pelo empresário Amedeo Rissotto.

Porém, demorou muito para que Il Doria obtivesse sucesso.

No Campeonato Italiano, até a temporada 1978/79, a melhor campanha da equipe foi em 1960/61, com o quarto lugar, oito pontos atrás da campeã Juventus.

No geral, desempenhos medianos, além de dois rebaixamentos.

Em 1965/66, o clube somou apenas 27 pontos em 34 jogos.

Acabou voltando à elite já no ano seguinte como campeão da Serie B.

Além deste, um descenso em 1976–77.

Na Coppa Italia, em todas essas temporadas, nunca alcançou sequer as semifinais.

A era Mantovani

Foi apenas em 1979 que a Sampdoria teve uma guinada em sua trajetória.

Ainda jogando a Serie B, o clube foi comprado pelo empresário Paolo Mantovani, que tratou logo de fazer pesados investimentos.

Na temporada 1981–82, com um terceiro lugar, a equipe estava de volta à elite.

Três anos depois, o primeiro grande título.

La Samp foi campeã da Coppa Italia.

No mata-mata, Pisa, Torino e Fiorentina ficaram pelo caminho, antes do grande triunfo contra o todo poderoso Milan nas finais.

Mais três temporadas depois, o bicampeonato.

Pisa, Ascoli, Internazionale e Torino não foram capazes de frear a nova força emergente do país.

Na época seguinte, 1988–89, a Sampdoria fez sua primeira grande campanha em um torneio continental, com o vice-campeonato da Cup Winner's Cup.

E o caminho foi longo: IFK Norrköping, da Suécia, Carl Zeiss Jena, da Alemanha Oriental, Dinamo Bucareste e Mechelen, da Bélgica, marcaram o trajeto até a grande final.

Na decisão do dia 10 de maio de 1989, no Wankdorf Stadium, em Berna, uma derrota por 2 a 0 para o Barcelona acabou com o sonho do inédito título europeu.

Entretanto, a primeira conquista continental estava guardada para a temporada seguinte.

E na mesma competição.

Depois de passar por Brann, da Noruega, Borussia Dortmund, Grasshopper, da Suíça, e Mônaco, Il Doria iria disputar o troféu ante o Anderlecht, da Bélgica.

Na partida do dia 9 de maio de 1990, em Gotemburgo, o time precisou suar.

Os gols de Vialli só saíram na prorrogação.

E ainda havia espaço para mais.

O inédito título europeu veio na temporada anterior ao primeiro, e até hoje único, Scudetto da Sampdoria.

Uma campanha sólida, com apenas três derrotas e 51 pontos conquistados, cinco à frente da Internazionale.

Vialli foi o artilheiro do campeonato com 19 gols.

O time-base era forte, composto por: Pagliuca; Vierchowod, Katanec, Mannini e Lanna; Dossena, Fausto Pari, Lombardo e Toninho Cerezo; Roberto Mancini e Gianluca Vialli.

O comando era do sérvio Vujadian Boskov.

Como se não fosse o bastante, a temporada seguinte marcou a melhor campanha de La Samp na principal competição de clubes da Europa.

E logo na sua primeira participação.

O histórico vice-campeonato da Copa dos Campeões de 1991/92 é lembrado até hoje.

Passando por Rosenborg, da Noruega, Honvéd, da Hungria, além de um quadrangular contra Estrela Vermelha, Anderlecht e Panathinaikos, o clube só foi freado na grande final, novamente pelo Barcelona.

No imponente Wembley, 70 mil pessoas viram Ronald Koeman garantir o título para os catalães naquele 20 de maio de 1992.

Durante esse período com Mantovani no poder, Il Doria também venceu a Coppa Italia em 88 e 89, além do vice em 91.

O herdeiro do trono, uma nova conquista e o declínio

Em 14 de outubro de 1993, Paolo Mantovani acabou falecendo, vítima de um câncer de pulmão. Enrico, seu filho, lhe substituiu no comando da Sampdoria.

Na primeira temporada do herdeiro como mandatário, o clube conquistou mais uma Coppa Italia, a sua última até hoje, batendo o Ancona.

Durante as quatro épocas seguintes, jogadores deixaram o clube, mas alguns nomes de peso chegaram, como Chiesa, Verón, Ortega, Montella, Seedorf e Karembeu.

Depois disso, a Sampdoria acabou rebaixada à Serie B em 1999, onde permaneceu até 2002.

Durante esse período, a equipe foi comprada por Riccardo Garrone, um italiano magnata do ramo do petróleo.

A equipe voltou à elite em 2003 com o vice-campeonato, liderada em campo pelo talismã Franchesco Flachi.

À exceção do quinto lugar na temporada 2004/05, que fez o clube perder a última vaga na Champions League para a Udinese, as campanhas na Serie A foram apenas medianas.

Em 2007/08, sob o comando de Walter Mazzarri, Il Doria participaria da Copa Intertoto, quando ganharia uma das vagas para a Copa Uefa seguinte.

Seria eliminada logo na primeira rodada.

Nas épocas seguintes, a Sampdoria, atenta ao mercado, conseguiria formar seu ataque com Antonio Cassano e Giampaolo Pazzini.

Eles formariam uma das duplas mais artilheiras da Serie A, levando o time ao vice da Coppa Italia de 2008/09, além da conquista de uma vaga para os play-offs de qualificação para a Champions de 2009–10.

Porém, ao fim dessa temporada, os atacantes, junto do dirigente Giuseppe Marotta, deixariam La Samp.

O clube embarcou numa sequência de resultados ruins, sendo condenado ao rebaixamento em maio de 2011.

A Sampdoria conseguiu voltar à elite já na temporada posterior.

Porém, as campanhas seguintes na Serie A foram apenas para meio de tabela.

O que de bom permaneceu foi a reputação do clube em produzir jovens jogadores e vendê-los por altos valores.

Mustafi, Icardi, Andrea Poli e Simone Zaza são alguns exemplos.

Nas temporadas recentes, o desempenho não foi muito diferente.

Um nono e um décimo lugar marcaram as duas últimas campanhas.

De animador, apenas os 19 gols de Fabio Quagliarella na época 2017/18, que o fizeram terminar como terceiro artilheiro daquela Serie A.

O veterano centroavante, ao lado de Karol Linnety, Gastón Ramírez e Manolo Gabbiadini, são os principais nomes do atual elenco de La Samp.

Nenhum comentário: